Amor na Escuridão II

Capítulo 9 — O Sussurro da Traição Adormecida

por Valentina Oliveira

Capítulo 9 — O Sussurro da Traição Adormecida

A aparente paz que se instalara na mansão era um tesouro conquistado a duras penas. Clara e Miguel haviam navegado pelas águas turbulentas da verdade, e agora, uma nova fase de confiança mútua começava a florescer. Clara se sentia mais segura, mais amada, e Miguel, livre do fardo do segredo, parecia irradiar uma felicidade genuína.

No entanto, o destino, com sua ironia cruel, raramente permite que a felicidade perdure sem ser testada. Em um dia ensolarado, enquanto Clara organizava a correspondência na entrada da casa, um envelope incomum chamou sua atenção. Era feito de um papel grosso, de cor creme, com uma caligrafia elegante e cursiva. Não havia remetente visível, apenas um nome: Clara.

A curiosidade a impeliu a abri-lo. Dentro, uma única folha continha um texto curto e perturbador.

"Ele te ama, sim. Mas ele ainda é assombrado por ela. Ele nunca vai te esquecer. Cuidado com as promessas vazias. O passado sempre volta para cobrar seu preço. - Uma amiga."

O coração de Clara disparou. As palavras eram um veneno sutil, projetadas para semear a dúvida e o medo. "Ele nunca vai te esquecer." Essa frase ecoava em sua mente, resgatando todas as inseguranças que ela havia tentado enterrar. Seria possível que, apesar de toda a honestidade de Miguel, Ana ainda ocupasse um espaço em seu coração que ela não conseguia preencher?

Ela olhou para Miguel, que saía da sala de estar, um sorriso nos lábios. A visão dele, tão cheio de vida e amor, contrastava brutalmente com a sombra que a carta lançava sobre seus pensamentos. Ela guardou a carta no bolso, decidindo não confrontá-lo imediatamente, mas o veneno já havia começado a fazer efeito.

Nos dias seguintes, Clara se tornou mais observadora, mais atenta aos gestos de Miguel. Qualquer menção a Ana, qualquer momento em que ele parecia distante, era visto por ela como uma confirmação da ameaça velada na carta. Ela tentava se livrar desses pensamentos, lembrando-se do álbum de fotos, das conversas sinceras que eles haviam tido. Mas o sussurro da traição adormecida era insistente.

Miguel percebeu a mudança em Clara. Ela estava mais reservada, seus olhos carregavam uma melancolia que ele não via há semanas. Ele tentou se aproximar, perguntar o que a afligia, mas ela desconversava, dizendo que estava apenas cansada.

"Clara, o que está acontecendo?", ele perguntou uma noite, enquanto estavam sentados na varanda, o céu repleto de estrelas. "Você parece distante. Desde aquela carta que você recebeu… você tem agido diferente."

Clara hesitou. A carta era sua arma secreta, mas também sua prisão. Ela não queria acusar Miguel sem provas, mas a dúvida a corroía. "Eu só… estou pensando, Miguel. Pensando em nós. Em tudo o que aconteceu."

"E o que te preocupa?", ele insistiu, pegando a mão dela. "Eu pensei que tínhamos superado isso. Eu pensei que você confiava em mim."

As palavras dele a atingiram. Confiança. Era exatamente o que a carta estava tentando minar. Clara não aguentou mais. Ela tirou a carta do bolso, as mãos tremendo.

"Isso chegou há alguns dias", ela disse, entregando-lhe o papel. "Nenhuma assinatura. Apenas um aviso."

Miguel leu a carta, sua expressão mudando de curiosidade para preocupação, e depois para uma raiva contida. Ele conhecia aquele estilo de escrita, aquela caligrafia. Era a mesma de uma antiga correspondente de Ana, uma mulher invejosa e amargurada que sempre desconfiara do amor dela com Miguel.

"Isso é obra da Helena", Miguel disse, a voz firme, mas carregada de desaprovação. "Helena Vasconcelos. Ela sempre foi obcecada por Ana, e depois que Ana morreu, ela nunca me perdoou por me apaixonar por você. Ela quer nos separar."

Clara o olhou, confusa. Helena? A amiga de infância que a ajudara na vila de pescadores? "Helena? Mas… ela foi tão gentil comigo. Ela me ajudou quando eu mais precisei."

"Ela tem um lado sombrio, Clara", Miguel explicou, a testa franzida. "Ela é possessiva, e não suporta ver os outros felizes. Ela nunca aceitou que Ana tenha encontrado a felicidade em mim, e agora que você a encontrou, ela está tentando destruir isso. Ela deve ter visto você com a carta e achou que era a oportunidade perfeita para plantar a discórdia."

A revelação deixou Clara chocada. A imagem de Helena, a amiga acolhedora, colidiu com a imagem da mulher manipuladora que Miguel descrevia. Ela se lembrou de alguns comentários sutis que Helena fizera, de algumas perguntas que pareciam disfarçadas de preocupação, mas que agora pareciam ter segundas intenções.

"Eu não… eu não posso acreditar", Clara murmurou, a mente em confusão.

"Eu sei que é difícil de aceitar", Miguel disse, abraçando-a. "Mas essa Helena é perigosa. Ela usa a dor para manipular as pessoas. Ela sabe que Ana era uma parte importante da minha vida, e ela está usando isso contra nós."

Clara se afastou dele, olhando em seus olhos. Ela viu a sinceridade em seu olhar, a dor e a frustração. A carta era um golpe baixo, mas a explicação de Miguel, por mais chocante que fosse, parecia plausível. Helena, em sua tentativa de proteger Clara, acabou se tornando a fonte de sua angústia.

"Você tem certeza, Miguel?", ela perguntou, a voz ainda hesitante.

"Tenho. Eu conheço Helena. Ela sempre foi assim. Invejosa e manipuladora. Ela não quer que você seja feliz porque ela acha que você não merece o amor que Ana merecia."

Clara sentiu um arrepio. A ideia de que Helena, a quem ela considerava uma amiga, pudesse ser capaz de tal maldade era perturbadora. Ela pensou nas palavras de Helena na vila: "O amor é complicado…". Seria essa a forma dela de "ajudar"?

"Eu preciso… eu preciso pensar", Clara disse, sentindo-se esgotada. A paz que ela pensava ter encontrado estava se desintegrando.

Miguel a abraçou forte. "Eu entendo. Mas por favor, Clara, não deixe que o veneno dela destrua o que construímos. Eu te amo. E isso é a única verdade que importa."

Naquela noite, Clara não dormiu. As palavras da carta, o olhar de Miguel, a imagem de Helena, tudo se misturava em sua mente. Ela não sabia em quem confiar. A amizade de Helena parecia uma fachada para uma manipulação cruel, mas a ideia de que Miguel pudesse estar enganada também a assustava.

Ela se levantou e foi para a varanda, o mesmo lugar onde ela e Miguel haviam se reconciliado semanas antes. O mar estava calmo, as ondas quebrando suavemente na areia. Clara observou as estrelas, buscando uma resposta em sua imensidão. Ela amava Miguel. Ela confiava nele. Mas o sussurro da traição adormecida, instigado pela mão de uma amiga que se revelava uma inimiga, era difícil de silenciar. A batalha pela confiança estava longe de terminar.

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