Amor Proibido II
Capítulo 12 — O Jogo Perigoso de Sofia
por Ana Clara Ferreira
Capítulo 12 — O Jogo Perigoso de Sofia
Os dias que se seguiram ao encontro com Miguel foram um turbilhão para Helena. Cada instante era um teste à sua resiliência. A presença dele na mansão, mesmo que discreta, era como um fantasma que a seguia, um lembrete constante da fragilidade de sua determinação. Ela se refugiava no trabalho, nas longas horas na galeria de arte, buscando um refúgio em meio à arte que tanto amava.
Enquanto isso, Sofia parecia estar se tornando cada vez mais presente. A mulher, antes uma figura etérea e distante, agora parecia se mover pelos corredores da mansão com uma confiança crescente. Helena a observava de longe, sentindo uma inquietação crescente. Havia algo nos olhos de Sofia, uma frieza calculista que a perturbava, um jogo sutil que ela não conseguia decifrar.
Uma tarde, enquanto Helena organizava uma nova exposição na galeria, ela recebeu uma visita inesperada. Sofia entrou na sala, impecável em um vestido de seda cor de vinho, o cabelo preso em um coque elegante. A frieza habitual de seu olhar era suavizada por um sorriso que Helena suspeitava ser mais estratégico do que genuíno.
“Helena,” Sofia disse, a voz melodiosa, mas com um tom de autoridade. “Que lugar encantador. Miguel me falou muito sobre o seu trabalho aqui.”
Helena sentiu um aperto no peito. A menção de Miguel por Sofia, como se fossem um casal unido, era uma estocada intencional. Ela se esforçou para manter a compostura.
“Sofia. Que surpresa. A que devo a honra?” Helena respondeu, com um sorriso forçado, enquanto desviava o olhar para uma pintura que precisava de ajuste.
Sofia se aproximou de uma escultura de bronze, passando a mão suavemente pela superfície fria. “Eu estava passando e pensei em dar uma olhada. Sabe, eu tenho me sentido um pouco… entediada ultimamente. Miguel está sempre tão ocupado.”
A implicação era clara. Sofia se sentia negligenciada, e a presença de Helena na vida de Miguel era, para ela, uma interferência.
“Eu entendo,” Helena disse, escolhendo cuidadosamente suas palavras. “A vida nos Almeida nunca é monótona, não é?”
Sofia riu, um som baixo e sem alegria. “De fato não. E parece que as coisas estão se tornando ainda mais… interessantes.” Ela voltou seu olhar para Helena, um brilho perigoso nos olhos. “Miguel mencionou que ele a encontrou ultimamente.”
Helena sentiu o sangue gelar. O jogo de Sofia estava apenas começando, e ela era o alvo. “Ele tem visitado a todos nós. Ele é parte da família.”
“Sim, ele é,” Sofia concordou, o sorriso se alargando de forma sutil. “E eu sou a esposa dele. Algo que você parece esquecer com frequência, Helena.”
A acusação era direta, e Helena sentiu uma onda de raiva e de frustração. “Eu não me esqueço de nada, Sofia. Inclusive de como você se inseriu na vida dele, de como destruiu o que ele tinha.”
Sofia se aproximou mais, seus olhos fixos nos de Helena. “Destruí? Ou eu o resgatei? Miguel estava perdido, Helena. E eu o encontrei. Eu o trouxe de volta para a luz. E agora, estamos construindo uma vida juntos.”
“Uma vida baseada em mentiras,” Helena retrucou, a voz trêmula. “Uma vida onde você finge ser algo que não é, apenas para manter as aparções.”
Sofia deu um passo para trás, a expressão impassível. “Você fala de mentiras? Você, que se esconde atrás de uma fachada de independência, enquanto anseia pelo amor que um dia teve?” Ela inclinou a cabeça, um gesto de falsa compaixão. “Eu sei sobre você e Miguel, Helena. Eu sei de tudo. E eu sei que ele ainda te ama. Mas ele é meu agora.”
A confissão, dita com tanta frieza, atingiu Helena com força. A verdade crua, dita pela própria Sofia, era mais dolorosa do que qualquer outra coisa. Ela sentiu uma pontada aguda de dor, uma lembrança do amor que um dia compartilharam e que agora parecia inalcançável.
“Você não o ama, Sofia,” Helena disse, a voz embargada. “Você o quer. Você o quer para manter o seu status, a sua imagem de mulher perfeita. Mas você nunca o amará de verdade.”
Sofia deu um passo à frente, o rosto impassível, os olhos brilhando com uma determinação fria. “E o que você sabe sobre amor, Helena? Você, que foi abandonada? Que vive assombrada pelo passado?” Ela riu novamente, um som gélido. “Eu tenho o que você sempre quis. Eu tenho Miguel. E eu não vou deixá-lo ir.”
Helena sentiu o chão sumir sob seus pés. A confiança em si mesma, a força que ela vinha cultivando, parecia se esvair. A determinação de Sofia era assustadora, e a certeza em seus olhos a fez tremer.
“Você está jogando um jogo perigoso, Sofia,” Helena sussurrou, a voz embargada. “E você não sabe com quem está mexendo.”
Sofia sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. “Oh, eu sei. E você também sabe. Miguel é um homem forte, mas ele é facilmente influenciado. E eu sou muito boa em influenciar.” Ela pegou uma taça de vinho intocada de uma mesinha próxima, girando-a entre os dedos. “Você é uma artista, Helena. Você cria. Eu destruo. E hoje, eu vim para destruir qualquer esperança que você ainda possa ter.”
Com um último olhar penetrante, Sofia se virou e saiu da galeria, deixando Helena sozinha, o coração batendo descompassado, o eco das palavras de Sofia reverberando em sua mente. A ameaça era clara, a guerra estava declarada. Helena sabia que não poderia mais se esconder. Precisava lutar. Lutar por si mesma, por seu coração, e por aqueles que amava, mesmo que o amor parecesse um luxo inatingível.
Enquanto isso, na mansão dos Almeida, Miguel se sentia cada vez mais sufocado pela presença de Sofia. Ela o cercava com uma atenção que parecia mais possessiva do que amorosa. Seus gestos eram controlados, suas palavras cuidadosamente escolhidas para mantê-lo em sua teia.
“Meu amor,” Sofia disse, envolvendo os braços em volta dele enquanto ele trabalhava em seu escritório. “Você parece tão cansado. Precisa descansar. Deixe o trabalho comigo.”
Miguel se afastou gentilmente, o coração apertado. A aproximação de Helena o fizera perceber a falsidade que o cercava. A verdade sobre Sofia, sobre o acordo que selaram e a manipulação que ela exercia, começava a se tornar insuportável.
“Sofia, eu preciso me concentrar no trabalho. E você sabe disso.”
Ela o beijou no pescoço, um gesto que antes o agradava, mas que agora lhe causava desconforto. “Mas eu sinto sua falta, Miguel. Nosso tempo juntos é tão limitado. E você tem estado tão distante ultimamente.”
“Eu tenho muitas coisas em minha mente,” ele respondeu, a verdade se aproximando. Ele precisava confrontá-la, precisava se libertar da teia que Sofia tecera.
“E o que tem em sua mente, meu bem? É Helena? Você esteve com ela de novo, não é?” A voz de Sofia mudou, a doçura desaparecendo, revelando a frieza que Helena havia vislumbrado.
Miguel suspirou, virando-se para encará-la. “Sim, Sofia. Eu estive com Helena. E eu percebi que não posso mais viver uma mentira.”
O rosto de Sofia se contraiu em uma máscara de fúria contida. “Você não pode fazer isso, Miguel. Nós temos um acordo. Nós temos um nome para proteger.”
“Eu não me importo mais com o nome,” Miguel respondeu, a voz firme. “Eu me importo com a minha felicidade. E a minha felicidade está com Helena.”
Sofia riu, um som agudo e desesperado. “Você é um tolo, Miguel. Você pensa que Helena te ama? Ela te quer de volta porque você representa segurança, representa o passado. Mas eu… eu te amo de verdade. Eu te amo tanto que faria qualquer coisa para ter você.”
“Qualquer coisa, Sofia?” Miguel a encarou, a desconfiança crescendo. “O que exatamente você faria?”
Sofia se aproximou dele, o olhar fixo no dele. “Eu faria o que fosse necessário para manter o que é meu. E você é meu, Miguel. Você sempre será meu.”
Miguel sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A intensidade no olhar de Sofia era assustadora. Ele percebeu que o jogo de Helena, a ameaça sutil que ela representava, havia despertado a verdadeira natureza de Sofia. E ele estava preso no meio de uma guerra que ele não sabia se conseguiria vencer.