Amor Proibido II
Capítulo 18 — A Fuga de Helena e a Armadilha de Sofia
por Ana Clara Ferreira
Capítulo 18 — A Fuga de Helena e a Armadilha de Sofia
A noite lá fora envolvia a cidade em um manto de escuridão, mas para Helena, a escuridão mais profunda residia em seu interior. As palavras de Ricardo, a fúria de sua mãe, o olhar de desespero de Sofia – tudo se misturava em um turbilhão de dor e confusão. Ela dirigia sem rumo, as lágrimas embaçando sua visão, o volante apertado em suas mãos como se fosse a única coisa que a mantivesse ancorada na realidade. Cada curva da estrada a levava para mais longe da mansão, mas mais perto de uma solidão que a assustava.
Onde ir? A quem recorrer? Sua mente vagava pelas memórias felizes com Ricardo, pelas risadas com Sofia, e a ironia cruel de tudo aquilo a oprimia. Ela se sentia traída em sua alma, como se a própria fundação de sua existência tivesse sido abalada. A imagem de Sofia, sua irmã mais nova, cúmplice em uma mentira tão profunda, era a mais dolorosa.
Após horas vagando, Helena se viu em uma pequena cidade litorânea, um lugar que ela visitava na infância com seus pais. O cheiro salgado do mar, as ondas batendo suavemente na praia, trouxeram uma estranha calmaria ao seu coração agitado. Ela parou o carro em frente a uma pousada modesta, o letreiro piscando fracamente na noite. Precisava de um refúgio, um lugar onde pudesse processar a avalanche de emoções que a assolava.
Enquanto isso, de volta à mansão dos Bastos, Sofia estava imersa em um profundo desespero. A rejeição de Helena a consumia. Ela sabia que havia cruzado uma linha, mas a intensidade de seu amor por Ricardo a cegara para as consequências. Agora, a realidade a atingia com toda a sua força. Ela se sentia isolada, culpada, e com medo do futuro.
Aurora, observando a filha definhar, sabia que precisava agir. A união das irmãs era o que restava de sua família, e essa fratura ameaçava desmoronar tudo. "Sofia", Aurora disse suavemente, sentando-se ao lado dela. "Eu sei que você está sofrendo. Mas Helena também está. E ela precisa de você. E você precisa dela."
Sofia balançou a cabeça. "Eu a machuquei demais, mãe. Eu não acho que ela jamais me perdoe."
"O perdão é um caminho longo, minha filha. Mas você precisa tentar. Você precisa mostrar a Helena que você se arrepende, que você entende o que fez." Aurora fez uma pausa, um plano começando a se formar em sua mente. Ela sabia que Sofia, apesar de seus erros, possuía uma inteligência aguçada e uma capacidade de manipulação que, se usada para o bem, poderia ser a chave para a reconciliação. "Talvez... talvez você precise de um plano. Um plano para reconquistar a confiança de Helena. Um plano para mostrar a ela que seu amor por Ricardo não a fez esquecer o amor que sente por ela."
Os olhos de Sofia se arregalaram. Uma ideia começou a germinar em sua mente, uma ideia audaciosa, arriscada, mas que poderia ser a única chance de consertar o que havia quebrado. Ela pensou em Ricardo, na sua relação secreta, no perigo que ainda pairava sobre eles. Mas agora, o perigo era para Helena. Sofia sabia que a descoberta de seu relacionamento com Ricardo não havia sido o fim, mas o início de algo ainda mais complexo. Havia uma força maior em jogo, uma que ela e Ricardo haviam subestimado.
"Eu tenho uma ideia, mãe", Sofia disse, um brilho perigoso em seus olhos. "Mas para isso, eu preciso da sua ajuda. E eu preciso que você confie em mim."
Aurora olhou para a filha, percebendo a mudança em sua postura. Havia uma determinação em Sofia que ela não via há muito tempo. "O que você tem em mente, Sofia?"
"Eu preciso ir atrás da Helena. Eu preciso falar com ela. Mas não de qualquer jeito. Eu preciso mostrar a ela que eu entendo o que está acontecendo. Que eu sei que há algo mais. E que nós precisamos nos unir para descobrir a verdade."
Aurora franziu a testa. "Algo mais? O que você quer dizer?"
"Ricardo e eu... nós não fomos os únicos a mentir, mãe. Há mais coisas acontecendo. Eu sinto isso. E acho que a Helena também sentirá." Sofia sabia que estava entrando em um território perigoso. A confissão de Ricardo havia sido apenas a ponta do iceberg. Ela sabia que havia segredos mais profundos, mais sombrios, envolvendo não apenas o amor proibido, mas também os negócios obscuros da família. E agora, ela precisava usar essa informação, essa intuição, para unir as irmãs contra uma ameaça comum.
Na pousada à beira-mar, Helena tentava encontrar alguma paz. Deitada na cama, o som das ondas era um bálsamo para sua alma ferida. Ela pegou o celular, hesitou, e então começou a digitar uma mensagem. Não para Ricardo. Nem para Sofia. Era para um velho amigo, alguém que sempre esteve ao seu lado, mesmo nos momentos mais difíceis. Um amigo que agora poderia ser sua única esperança.
De repente, seu celular tocou. Era um número desconhecido. Com o coração apertado, Helena atendeu.
"Helena?", uma voz familiar, mas tensa, soou do outro lado. Era Sofia.
Helena ficou em silêncio por um momento, a raiva e a mágoa lutando contra a surpresa. "Sofia. O que você quer?"
"Eu preciso falar com você, Helena. Urgente. Eu sei que você está com raiva, e você tem todo o direito de estar. Mas eu preciso que você me ouça. Há algo que você precisa saber. Algo sobre o Ricardo... e sobre nós." A voz de Sofia era carregada de uma urgência que Helena não pôde ignorar.
Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A menção de Sofia sobre algo mais, sobre um "nós", ecoou em sua mente. Poderia haver mais na história do que ela imaginava? Poderia o amor proibido entre Ricardo e Sofia ser apenas um sintoma de um problema maior?
"Do que você está falando, Sofia?", Helena perguntou, a cautela em sua voz.
"Eu não posso explicar por telefone. Eu preciso te ver. Eu sei onde você está. Eu vou até aí. Por favor, Helena. Por favor, me deixe tentar consertar as coisas."
Helena hesitou. Confiar em Sofia novamente parecia impossível. Mas a urgência na voz da irmã, a sugestão de que havia mais na história, a intrigava. Talvez, apenas talvez, unir-se à irmã fosse a única maneira de encontrar a verdade. Ou talvez, fosse apenas mais uma armadilha.
"Tudo bem, Sofia", Helena disse, a voz baixa e resignada. "Você tem uma hora."
Enquanto Helena desligava o telefone, uma sensação de apreensão tomou conta dela. A armadilha de Sofia, se é que era uma armadilha, estava se armando. E Helena, em seu estado de vulnerabilidade, estava prestes a cair nela. Ela não sabia que o convite para se unir à irmã seria o primeiro passo em uma jornada ainda mais perigosa, onde a verdade era uma arma de dois gumes e a confiança, um luxo que ela talvez não pudesse mais se dar.