Cap. 6 / 21

Amor Proibido II

Amor Proibido II

por Ana Clara Ferreira

Amor Proibido II

Autor: Ana Clara Ferreira

Resumo dos Capítulos Anteriores:

Em "Amor Proibido II", a paixão avassaladora entre Isabella, uma jovem e promissora arquiteta, e Rafael, um empresário renomado e casado, foi posta à prova. O amor que nasceu clandestino, em meio a olhares roubados e encontros furtivos, se intensificou, mas também trouxe consigo o peso da culpa, do segredo e das consequências. Isabella, dividida entre o desejo e a moralidade, luta para manter a compostura, enquanto Rafael se vê cada vez mais envolvido em uma teia de mentiras para proteger seu casamento e, ao mesmo tempo, nutrir o sentimento proibido por Isabella. A trama se adensa com a entrada de personagens que representam ameaças e desafios, aumentando a tensão e a complexidade dessa relação que desafia os limites da razão e do coração. A necessidade de tomar decisões cruciais paira no ar, prenunciando reviravoltas e escolhas dolorosas.

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Capítulo 6 — O Encontro na Chuva Eletrizante

A garoa fina que caía sobre o Rio de Janeiro parecia espelhar a melancolia que se instalara na alma de Isabella. Cada gota que beijava o asfalto úmido parecia carregar consigo um pedaço de sua esperança, de sua paz. Ela dirigia lentamente pela orla de Ipanema, os faróis do seu carro cortando a névoa que pairava sobre o mar. A cidade, mesmo sob o manto cinzento, ostentava sua beleza inconfundível, mas para Isabella, naquele momento, toda essa grandiosidade parecia um contraste cruel com o turbilhão que a consumia por dentro.

Desde o último encontro com Rafael, uma semana atrás, ele se tornara um fantasma presente em seus pensamentos. As palavras trocadas, os toques que mal roçaram a pele, a promessa implícita de um futuro que ambos sabiam ser impossível. Isabella tentava se agarrar à razão, à lógica de que aquilo era um desvio, um erro monumental que não poderia, em hipótese alguma, se repetir. Ela tinha uma carreira para construir, um futuro que não envolvia a destruição de um lar, de uma família. A imagem de Sofia, a esposa de Rafael, uma mulher elegante e aparentemente feliz que ela conhecera em um evento de caridade, assombrava suas noites. A culpa era uma companheira constante, sussurrando verdades incômodas em seu ouvido.

No entanto, a força que a atraía a Rafael era magnética, quase sobrenatural. Era um fogo que ardia em suas veias, uma atração que desafiava qualquer tentativa de controle. Ela se pegava revivendo os momentos em que seus olhares se cruzavam, a eletricidade que emanava deles, a forma como ele a olhava, como se a visse de verdade, em sua essência, pela primeira vez. Era uma sensação perigosa e, ao mesmo tempo, inebriante.

O celular vibrou no porta-luvas, tirando-a de seu devaneio. Era uma mensagem de voz. A voz de Rafael. Seu coração disparou. Hesitou por um instante, os dedos tremendo ao desbloquear a tela. Respirou fundo antes de apertar o play.

“Isa… sou eu. Precisamos conversar. Não consigo parar de pensar em você. Sei que é loucura, mas… por favor, me encontre. No café da esquina, perto do Arpoador. Daqui a meia hora. Se não vier… eu vou entender. Mas saiba que eu… eu preciso te ver.”

A voz embargada, a urgência contida, o desespero disfarçado de razão. Isabella sentiu um frio na espinha, seguido por um calor que se espalhou por todo o seu corpo. A luta interna se intensificou. A razão gritava para que ela ignorasse, para que se afastasse, para que se protegesse. Mas o coração… ah, o coração já estava a caminho do Arpoador.

Dirigiu até o local indicado, estacionando o carro a alguns quarteirões de distância. A chuva apertou, transformando-se em um temporal. Ela colocou o capuz do seu casaco e saiu, sentindo as gotas frias em seu rosto. O café era pequeno, aconchegante, com luzes amareladas que convidavam à intimidade. Ao abrir a porta, o aroma de café fresco e bolo recém-assado a envolveu. E lá estava ele, sentado em uma mesa no canto mais reservado, a iluminação fraca jogando sombras em seu rosto, acentuando a linha tensa de sua mandíbula.

Rafael levantou os olhos ao ouvi-la entrar. Havia uma mistura de alívio e apreensão em seu olhar. Um sorriso fraco brincou em seus lábios.

“Você veio.” A voz dele era um murmúrio rouco, quase inaudível acima do barulho da chuva que batia nas janelas.

Isabella assentiu, sentindo as bochechas corarem. Aproximou-se da mesa, o coração batendo descompassado no peito.

“Eu… eu não sei por que vim.” A confissão saiu em um sussurro, mas carregada de verdade.

Rafael gesticulou para a cadeira à sua frente. “Sente-se, por favor. Peça um café. Está chovendo muito lá fora.”

Ela se sentou, o corpo tenso, os olhos fixos nele. A proximidade era insuportável. Podia sentir o cheiro suave do perfume dele, um aroma amadeirado que a deixava tonta. Uma garçonete se aproximou, e Isabella pediu um cappuccino, a voz embargada.

“Eu não queria que fosse assim”, disse Rafael, quando a garçonete se afastou. “Não queria te colocar nessa situação. Mas eu não consigo… não consigo fingir que aquele dia não aconteceu. Que você não existe.”

Isabella desviou o olhar, focando em suas mãos entrelaçadas sobre a mesa. “Rafael, você é casado. Você tem uma vida. Uma família.” As palavras soavam como uma recitação decorada, mas a dor em sua voz era genuína.

Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos úmidos. “Eu sei. E eu não estou aqui para pedir o impossível, Isa. Eu só… eu só precisava te ver. Precisava ter certeza de que você estava bem. E talvez… talvez precisasse ouvir de você que eu não deveria ter te chamado.” A esperança, por mais sombria que fosse, ainda estava presente em sua voz.

O café chegou, o vapor perfumado subindo em espiral. Isabella pegou a xícara com as mãos trêmulas, o calor reconfortante. Deu um gole pequeno, o gosto amargo e doce se misturando em sua boca. Olhou para ele, a intensidade do seu olhar a desarmando.

“Eu… eu não posso. Não devo.” As palavras saíram com dificuldade, como se estivessem presas em sua garganta. “Isso é errado. Muito errado.”

Rafael inclinou-se para a frente, sua voz baixa e intensa. “E o que sentimos, Isabella? É errado? Essa conexão… esse fogo que arde em nós? É errado sentir isso?”

Ele estendeu a mão por cima da mesa, os dedos roçando levemente os dela. Um arrepio percorreu o corpo de Isabella. Era um toque quase imperceptível, mas carregado de uma eletricidade que a fez prender a respiração. Ela não retirou a mão.

“Eu não sei, Rafael. Só sei que vai nos destruir. Vai destruir a todos nós.”

“E se não for assim?”, ele sussurrou, seus olhos fixos nos dela. “E se for o contrário? E se for a única coisa que nos mantém vivos?”

O silêncio se instalou entre eles, preenchido apenas pelo som da chuva e o burburinho suave do café. A tentação era palpável, um campo de força invisível que os envolvia. Isabella sentia a batalha travada em seu interior. A prudência gritava para que ela fugisse, para que cortasse esse laço antes que ele se tornasse inquebrável. Mas o desejo, a necessidade de se perder naquele olhar, de sentir o calor daquele toque, era um chamado irresistível.

“Eu tenho que ir”, disse ela, finalmente, retirando a mão com um movimento brusco.

Rafael não a segurou, mas a decepção em seus olhos era visível. “Eu entendo.”

Isabella levantou-se, o coração apertado. “Isso não pode mais acontecer, Rafael. Eu não posso mais fazer isso.”

Ele assentiu lentamente, sem desviar o olhar. “Eu sei.”

Ela se virou e caminhou em direção à porta, sentindo o peso do olhar dele em suas costas. Ao sair para a chuva que agora era torrencial, sentiu um misto de alívio e profunda tristeza. A decisão estava tomada, mas o nó em seu estômago parecia gritar o contrário. As gotas de chuva em seu rosto se misturavam às lágrimas que ela não conseguia mais conter. Ela se afastara, mas sabia que a chama que Rafael acendera dentro dela não se apagaria tão facilmente.

Ao entrar no carro, ligou o motor e dirigiu para longe do Arpoador, deixando para trás o homem que era seu maior desejo e sua maior ruína. A noite chuvosa parecia amplificar a solidão que agora a envolvia, um eco da tempestade que ela sentia em seu próprio coração. A promessa de um adeus, por mais dolorosa que fosse, parecia ser a única saída possível. Mas o futuro reservava surpresas que nem a mais forte chuva conseguiria apagar.

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