Amor sem Retorno II
Capítulo 14 — A Armadilha de Bruno
por Camila Costa
Capítulo 14 — A Armadilha de Bruno
O silêncio que se seguiu à explosão de Marina na galeria foi ensurdecedor. Daniel, pálido e visivelmente abalado, olhou para Sofia, um misto de acusação e desespero em seus olhos. Sofia, por sua vez, tentava manter a compostura, mas a máscara de tranquilidade começava a rachar sob a pressão das acusações de Marina. Rafael, ao lado de Marina, sentia a gravidade da situação, a energia tensa que emanava dos três, e percebia que estava no centro de um drama familiar e de negócios que ele não compreendia totalmente.
"Marina, você está se precipitando", Sofia disse, a voz um pouco trêmula, mas ainda tentando soar firme. "Eu apenas te disse que Bruno está me chantageando. Ele mencionou o dinheiro que você deu para o Daniel, sim, mas ele não tem provas de nada. Ele está apenas tentando me assustar."
"Assustar? Ou te forçar a fazer o que ele quer?", Marina retrucou, a voz ainda carregada de emoção. "Você me disse que ele quer que você o ajude a fugir com uma grande quantia de dinheiro. Dinheiro esse que você não tem. A menos que você o pegue de algum lugar. Ou a menos que você use o que sabe sobre mim e Daniel como moeda de troca."
Daniel finalmente encontrou sua voz, um murmúrio rouco. "Marina, eu juro, eu não sabia que Bruno sabia sobre o dinheiro. E eu nunca o ajudaria a te prejudicar." Ele olhou para Sofia. "Por que você contou isso para ele, Sofia? Por que você o envolveu nisso?"
Sofia suspirou, a fachada caindo por completo. O desespero tomou conta de seus olhos. "Eu não tive escolha, Daniel! Bruno me pegou em uma armadilha. Ele tem provas que podem me incriminar em outros negócios escusos que fiz para me manter à tona depois do nosso divórcio. Ele sabe sobre as transações ilegais. Ele disse que se eu não o ajudasse a fugir, ele entregaria tudo para a polícia, e não apenas eu, mas você também, Daniel, pela forma como você usou aquele dinheiro. Ele tem registros das suas contas, dos seus investimentos. Ele sabe que você recebeu o dinheiro de Marina, e ele sabia que esse dinheiro não era para o seu projeto. Ele sabia que era um empréstimo disfarçado de presente, e que você não tinha como pagar. Ele tem como provar que você e Marina estavam envolvidos em uma transação suspeita."
As palavras de Sofia atingiram Marina como um raio. Ela não apenas estava sendo usada como moeda de troca, mas Daniel também. Bruno não estava apenas chantageando Sofia, mas orquestrando um plano que poderia destruir a ambos.
"Então você planeja ceder?", Marina perguntou a Sofia, a voz quase um sussurro. "Você vai entregar o dinheiro que ele quer, para se salvar?"
"Eu não vejo outra saída, Marina!", Sofia implorou, lágrimas rolando livremente por seu rosto. "Ele me deu 48 horas. Eu tenho que agir. Eu preciso de tempo. E você precisa me dar uma chance de consertar isso sem que você vá para a cadeia e Daniel seja investigado."
"Consertar como, Sofia? Entregando mais dinheiro para um criminoso?", Marina perguntou, a dor em sua voz misturada com uma raiva crescente. "Você está se afundando ainda mais, e me puxando junto com você."
Daniel colocou a mão no ombro de Marina, tentando acalmá-la, mas também transmitindo seu próprio desespero. "Marina, Sofia está desesperada. Talvez haja outra forma. Talvez possamos pensar em algo."
Rafael, sentindo a urgência em suas palavras, finalmente interveio. "Bruno é um criminoso, isso está claro. Chantagear vocês é um crime. Talvez a melhor solução seja denunciá-lo. Vocês têm provas? Registros de ameaças?"
Sofia balançou a cabeça, soluçando. "Ele é muito esperto. Ele só me ameaçou verbalmente. Ele disse que tem provas contra mim, mas eu não as vi. Ele está jogando com o meu medo."
"E ele está jogando com o seu medo e o meu", Marina acrescentou, sentindo-se impotente. Aquele beijo com Rafael na noite anterior, o refúgio momentâneo que ele representou, parecia agora um sonho distante, uma ilusão em meio ao pesadelo em que se encontrava.
Naquele momento, um homem alto e de feições duras, que estava em um canto mais afastado da galeria observando a cena com um ar de superioridade, se aproximou. Ele tinha um sorriso irônico nos lábios e seus olhos escuros varreram o grupo com dissimulada indiferença. Marina nunca o tinha visto antes, mas a forma como ele se movia, a sua presença imponente, a fez sentir um calafrio.
"Parece que a noite está mais interessante do que eu esperava", disse o homem, a voz rouca e carregada de um sarcasmo que gelou Marina até os ossos. Ele se dirigiu a Sofia. "Sofia, minha querida. Sempre se metendo em confusões, não é mesmo?"
Sofia engasgou, o rosto assumindo uma cor ainda mais pálida. "Bruno! O que você está fazendo aqui?"
Os olhos de Marina se arregalaram. Bruno. O homem que estava chantageando Sofia, a razão de todo aquele desespero, estava ali, presente, observando a cena se desenrolar.
"Eu vim garantir que minha querida Sofia não se esquecesse do nosso acordo", Bruno disse, lançando um olhar para Daniel e, em seguida, para Marina, um olhar que prometia dor. "E parece que ela está precisando de um pequeno empurrãozinho para cumprir sua parte."
"Você não tem o direito de estar aqui!", Marina exclamou, avançando em direção a ele, mas Rafael a segurou pelo braço.
Bruno riu, um som desagradável que ecoou pela galeria. "Eu tenho todo o direito, querida. Afinal, você e seu amigo Daniel são parte do meu plano. Ou vocês acham que eu vou simplesmente deixar vocês escaparem?" Ele se virou para Sofia. "Eu quero o dinheiro até o final do dia de amanhã. E eu quero ele em espécie. E quero os documentos que provam que você se livrou de todas as suas dívidas e que vai me entregar uma parte das suas ações da empresa. Se você não cumprir, eu farei questão de que a polícia descubra tudo. E não apenas sobre você, Sofia, mas sobre a pequena transferência que você fez para o Daniel, Marina. E sobre o uso indevido desse dinheiro. Acreditem, eu tenho gravações. Eu tenho testemunhas. Eu tenho tudo."
As palavras de Bruno eram cruéis, calculistas, um golpe final na esperança que Marina tentava alimentar. Ela olhou para Daniel, que parecia paralisado pelo medo, e para Sofia, que tremia incontrolavelmente. Rafael apertou o braço dela, transmitindo força e apoio.
"Você não pode fazer isso!", Daniel disse, a voz firme, apesar do medo. "Você não pode destruir a vida de ninguém."
Bruno sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Eu já estou fazendo, meu caro. E vocês vão me ajudar nisso. Agora, Sofia, meu helicóptero está me esperando. Me traga o dinheiro e os documentos amanhã, ao meio-dia, no hangar abandonado perto da ponte velha. E não se atreva a chamar a polícia, ou vocês dois estarão arruinados."
Com essas palavras, Bruno se virou e saiu da galeria com a mesma arrogância com que entrou, deixando para trás um rastro de medo e desespero. Marina olhou para Sofia, para Daniel, para Rafael. A armadilha havia se fechado. Ela estava presa em um jogo perigoso, com Bruno como o mestre manipulador, e sua própria vida e a de Daniel em risco. A noite na galeria, que começou com a busca por respostas sobre o fim de seu amor, havia se transformado em uma luta pela própria liberdade.