Amor sem Retorno II

Capítulo 23 — O Jogo de Ricardo

por Camila Costa

Capítulo 23 — O Jogo de Ricardo

A noite no Rio de Janeiro caía suavemente sobre a cidade, pintando o céu com tons de laranja e roxo. Helena, ainda abalada pelos eventos recentes, encontrava-se sentada em sua varanda, observando as luzes que começavam a piscar pela paisagem urbana. Sofia estava ao seu lado, em um silêncio cúmplice, oferecendo o conforto de sua presença sem a necessidade de palavras. A briga com Bruno, a revelação de sua traição, o beijo com Ricardo – tudo isso pesava sobre a alma de Helena, deixando-a exausta e confusa.

“Eu não entendo, Sofia”, disse Helena, a voz embargada. “Como pude ser tão cega? Eu amava o Bruno. Eu confiava nele de olhos fechados. E ele… ele me traiu. E eu… eu me entreguei a outro homem. A Ricardo.” Ela cobriu o rosto com as mãos, as lágrimas voltando a cair.

Sofia a abraçou. “Não se culpe assim, Helena. Você estava machucada, confusa. A atração por Ricardo… aconteceu. E o Bruno… ele errou. Ele errou feio. Mas isso não te define. Você não é essa pessoa que ele pintou na noite passada.”

“Mas ele tinha razão em uma coisa, Sofia. Eu fui fria. Eu o fiz sofrer. E agora, não sei mais o que sinto. A paixão por Ricardo é avassaladora, me consome. Mas o Bruno… ele foi o meu primeiro amor. E o medo… o medo de escolher errado é paralisante.”

“Dê um tempo para você, irmã. Para sentir, para pensar. Não se force a tomar uma decisão agora. Deixe as emoções se acalmarem. A verdade, a sua verdade, virá à tona.”

De repente, o celular de Helena tocou, interrompendo a melancolia. Era Bruno. Ela hesitou antes de atender.

“Alô?”

“Helena, por favor, me escute”, a voz de Bruno soou urgente, carregada de uma emoção que ela não conseguia decifrar. “Eu sei que tudo parece terrível agora, mas eu tenho provas. Provas sobre Ricardo. Provas que vão mudar tudo. Por favor, me encontre. Me dê uma chance de explicar.”

Helena sentiu um arrepio. Provas sobre Ricardo? A possibilidade de que Bruno tivesse razão, de que Ricardo não fosse quem ela pensava, a perturbou profundamente.

“Onde, Bruno? Onde você quer me encontrar?”, perguntou Helena, a voz tensa.

“Na sua casa. Eu estou a caminho. Por favor, não saia.”

A ligação foi encerrada. Helena virou-se para Sofia, o rosto pálido.

“Bruno está vindo. Ele disse que tem provas contra Ricardo.”

Sofia franziu a testa. “Bruno sempre soube jogar. Cuidado, Helena. Ele pode estar tentando te manipular mais uma vez.”

Enquanto isso, Ricardo, em seu luxuoso apartamento em Ipanema, recebia um telefonema de seu informante. A notícia era preocupante: Bruno havia obtido documentos comprometedores sobre suas operações financeiras.

“Como isso é possível?”, perguntou Ricardo, a voz tensa. “Quem o ajudou?”

“Não sabemos, Sr. Vargas. Mas ele parece ter em mãos cópias de contratos e extratos bancários que podem expor suas atividades.”

Ricardo sentiu um frio percorrer sua espinha. Se esses documentos caíssem nas mãos certas, sua carreira, sua reputação e sua liberdade estariam em risco. E o pior: Helena poderia descobrir a verdade e se afastar dele para sempre.

“O que ele pretende fazer com isso?”, perguntou Ricardo.

“Ele mencionou Helena. Parece que ele pretende usá-los para reconquistá-la, para provar que você é o vilão.”

Ricardo fechou os olhos, a mente trabalhando freneticamente. Bruno era imprevisível, movido pela raiva e pelo orgulho ferido. Ele não poderia permitir que Bruno arruinasse tudo. Precisava agir rápido.

“Mantenha-me informado. E prepare um contra-ataque. Se Bruno está jogando as cartas dele, eu também vou jogar as minhas.”

Ricardo desligou o telefone, um brilho perigoso em seus olhos. Ele não era um homem de desistir facilmente. Se Bruno queria uma guerra, ele teria uma. E ele estava determinado a vencê-la. Ele sabia que Helena estava em conflito, dividida entre ele e Bruno. Ele precisava mostrar a ela que Bruno era o verdadeiro perigo, e que ele, Ricardo, era a única opção segura.

Pouco depois, Bruno chegou ao apartamento de Helena. Ele parecia diferente, mais contido, mas com uma determinação férrea nos olhos. Ele trouxe consigo a pasta com os documentos.

“Helena, eu preciso que você me escute. De verdade”, disse Bruno, a voz firme. Ele abriu a pasta e mostrou os papéis para ela. “Isso é a prova do que Ricardo Vargas está fazendo. Lavagem de dinheiro, esquemas ilegais… ele está envolvido em coisas muito sujas.”

Helena olhou os documentos com apreensão. A quantidade de informações, a seriedade das acusações, tudo a deixou perplexa. Ela olhou para Bruno, buscando em seus olhos a sinceridade.

“Como você conseguiu isso, Bruno?”

“Não importa como. O que importa é que é verdade. Ele manipulou você, Helena. Ele está manipulando a todos nós. Ele é perigoso.”

Nesse exato momento, o celular de Helena tocou novamente. Era Ricardo.

“Atenda, Helena”, disse Bruno, com um tom de desafio. “Vamos ver o que o seu amado Ricardo tem a dizer agora.”

Helena atendeu, a mão tremendo. “Ricardo?”

“Helena, querida. Ouvi dizer que Bruno apareceu por aí com umas ‘provas’ contra mim. Não acredite em nada que ele disser. Ele é um homem desesperado, capaz de tudo para te reconquistar. Ele está inventando histórias.” A voz de Ricardo era suave, sedutora, mas com uma ponta de ameaça disfarçada.

“Ele me mostrou documentos, Ricardo. Documentos que parecem comprometedores.”

Ricardo riu, um som falso. “Documentos? Bruno é um mestre em falsificações, Helena. Ele faria qualquer coisa para te prejudicar. Eu sei que você está confusa, mas confie em mim. Eu nunca te faria mal.”

Bruno pegou o celular da mão de Helena. “Ricardo, eu tenho os originais. Os que provam tudo. Você vai pagar por isso.”

Ricardo permaneceu em silêncio por um instante, e então, sua voz mudou. Tornou-se fria, cortante. “Você acha que me ameaçando vai conseguir alguma coisa, Bruno? Você é patético. E você não tem nada. Esses documentos são falsos, e você sabe disso.”

“Eu não tenho medo de você, Ricardo.”

“Você deveria ter. Porque eu não vou permitir que você destrua o que eu construí. E eu não vou permitir que Helena seja arrastada para o seu fracasso.” A ligação foi encerrada abruptamente.

Helena olhou para Bruno, o coração acelerado. A conversa com Ricardo a desestabilizou ainda mais. As palavras de Ricardo, a forma como ele a chamou de “querida”, soaram tão convincentes, tão cheias de emoção.

“Ele está mentindo, Helena”, disse Bruno, a voz desesperada. “Ele está te manipulando. Esses documentos são reais. Eu vou provar.”

“Bruno, eu não sei mais em quem acreditar”, sussurrou Helena, a voz trêmula. “Você me traiu. E Ricardo… ele me faz sentir coisas que nunca senti antes. Agora você me traz isso… eu não aguento mais essa pressão.”

Bruno sentiu o desespero tomar conta de si. Ele estava perdendo Helena. A armadilha de Ricardo estava funcionando. Ele precisava mostrar a Helena que ele era sincero, que ele a amava mais do que tudo.

“Helena, por favor. Eu errei. Eu errei feio. Mas eu aprendi. E eu sei que o Ricardo é o perigo. Ele está jogando com você. Eu te amo. E vou lutar por você.” Ele pegou a mão dela, os olhos fixos nos dela.

Helena sentiu a sinceridade na voz de Bruno, mas a dúvida persistia. A imagem de Ricardo, com seu sorriso sedutor e promessas sussurradas, ainda estava viva em sua mente. E os documentos… eles pareciam reais, mas as palavras de Ricardo ecoavam com força.

“Eu preciso de tempo, Bruno”, disse ela, retirando a mão. “Eu preciso pensar. Sozinha.”

Bruno assentiu, a decepção estampada em seu rosto, mas a compreensão também presente. Ele sabia que precisava dar espaço a ela. Ele deixou a pasta com os documentos sobre a mesa.

“Pense bem, Helena. Pense no que realmente importa. Pense em quem te ama de verdade. E em quem te quer destruir.” Ele saiu do apartamento, deixando Helena em um turbilhão de emoções, a verdade parecendo cada vez mais distante, perdida em meio às mentiras e manipulações de dois homens que disputavam seu coração.

Enquanto Bruno se afastava, Ricardo observava tudo de seu carro, estacionado a uma distância segura. Ele viu Bruno sair, viu Helena olhando pela janela, perdida em seus pensamentos. Ele sorriu, um sorriso sombrio. A guerra estava apenas começando, e ele estava confiante de que sairia vitorioso. Helena logo veria que Bruno era o monstro, e que ele, Ricardo, era o seu salvador. O jogo estava a seu favor.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%