Amor sem Retorno II

Capítulo 3 — O Sussurro da Tentação

por Camila Costa

Capítulo 3 — O Sussurro da Tentação

Os dias que se seguiram ao encontro no café foram uma montanha-russa de emoções para Isabella. As palavras de Ricardo ecoavam em sua mente, um sussurro constante de tentação. "Eu te amei, Isabella. Amo você." Aquelas declarações, vindas de um homem que ela pensava ter esquecido, reacenderam uma chama que ela acreditava estar extinta. Ela se pegava revivendo os momentos felizes, as promessas sussurradas, os planos traçados. O amor que ela sentia por ele, adormecido sob camadas de dor e mágoa, parecia querer despertar.

Mariana, percebendo a hesitação da irmã, tentava manter seus pés firmes no chão da realidade. "Bella, você precisa ser forte. Ele te machucou profundamente. E se ele estiver apenas jogando com você? Se ele não estiver dizendo a verdade sobre Sofia?"

"Mas e se ele estiver, Mari?", Isabella respondia, os olhos marejados. "E se ele realmente se arrepende? Ele parecia tão sincero."

"Sinceridade nem sempre significa verdade, Bella. Lembre-se de quem ele é. Um homem ambicioso, capaz de tudo para conseguir o que quer."

Isabella sabia que Mariana tinha razão, mas a esperança era um veneno doce, difícil de rejeitar. Ela se sentia dividida entre o desejo de acreditar em Ricardo e o medo de ser enganada novamente. O fantasma da traição de Sofia pairava como uma nuvem escura, obscurecendo qualquer possibilidade de um futuro feliz.

Em meio a essa confusão interna, um novo elemento surgiu em sua vida. Clara, a amiga que a convidara para a galeria de arte, estava organizando um grande evento beneficente para arrecadar fundos para um orfanato. Clara sabia do drama de Isabella e, talvez por isso, insistiu para que ela se envolvesse na organização.

"Bella, eu preciso de você! Você tem um olho clínico para detalhes, e essa causa é muito importante para mim", Clara implorou, com seu jeito vibrante e contagiante.

Isabella hesitou. Voltar à vida social, enfrentar pessoas, talvez até cruzar com Ricardo novamente, parecia uma tarefa hercúlea. Mas Clara era persistente, e a ideia de se dedicar a algo além de sua própria dor a atraiu. Talvez fosse essa a distração de que precisava.

"Tudo bem, Clara. Eu te ajudo. Mas não espere que eu seja a alma da festa, ok?"

"Oh, meu amor, só sua presença já é um presente!", Clara respondeu, abraçando-a com força.

A organização do evento foi um desafio. Reuniões com fornecedores, planejamento da decoração, coordenação de artistas e convidados. Isabella se dedicou de corpo e alma, canalizando sua energia para algo produtivo. Ela descobriu que, ao focar em um objetivo maior, sua própria dor parecia diminuir, pelo menos por algumas horas do dia.

No entanto, a preocupação de Clara não era infundada. Ela sabia que Ricardo também seria convidado para o evento, pois ele era um conhecido filantropo na cidade e apoiador de diversas causas sociais. O medo de encontrá-lo novamente a assombrava, mas ela se dizia que, desta vez, estaria preparada.

A noite do evento chegou, e a casa de eventos escolhida estava deslumbrante. Velas, flores, música suave, e a presença de pessoas influentes e elegantes. Isabella, vestida em um elegante vestido azul marinho que realçava seus olhos, sentia-se mais confiante do que nas últimas semanas. Ela estava atuando, no seu melhor, e isso lhe dava uma sensação de controle.

Ela circulava pelo salão, cumprimentando convidados, supervisionando os detalhes. Por um momento, ela quase se esqueceu de sua própria dor, imersa na atmosfera festiva e na importância da causa.

Foi então que ela o viu. Ricardo, elegantemente trajado em um terno escuro, conversava animadamente com um grupo de pessoas. Seus olhos verdes a encontraram do outro lado do salão, e ele sorriu. Um sorriso genuíno, mas que não alcançou seus olhos. Isabella sentiu um aperto no peito, mas manteve a compostura. Ela não fugiria desta vez.

Ele se desculpou de seu grupo e começou a caminhar em sua direção. Isabella se preparou para o confronto.

"Isabella", ele disse, parando a uma distância respeitosa. Sua voz soava mais segura do que no café.

"Ricardo. O evento está lindo, Clara fez um ótimo trabalho." Ela tentou manter a conversa leve, superficial.

"Sim, está. E você também contribuiu muito para isso. Parabéns." Ele a olhou por um instante, seus olhos buscando algo em seu rosto. "Você está bem?"

"Estou me cuidando", respondeu Isabella, friamente.

"Fico feliz em ouvir isso." Ele fez uma pausa, como se buscasse as palavras certas. "Eu queria te pedir desculpas mais uma vez. Não apenas por tudo o que aconteceu, mas por te incomodar. Eu sei que você precisa seguir em frente."

Isabella observou-o atentamente. Havia uma sinceridade em suas palavras que a desarmava. "É o que estou tentando fazer, Ricardo."

"Eu entendo. E vou respeitar isso. Mas... se um dia você mudar de ideia, se precisar conversar, ou apenas de um ombro amigo... eu estarei aqui." Ele entregou um cartão de visitas a ela. "Sem segundas intenções. Apenas para que saiba que você pode contar comigo."

Isabella pegou o cartão, seus dedos roçando os dele. Uma corrente elétrica percorreu seu corpo. Ela o olhou nos olhos, e por um instante, viu o homem por quem se apaixonara. Mas a sombra de Sofia ainda pairava.

"Obrigada, Ricardo", ela disse, com um tom de voz que não conseguia decidir se era resignação ou um fio de esperança.

Ele assentiu, deu um último olhar para ela e se afastou, voltando para seu grupo. Isabella ficou parada, o cartão em sua mão, o coração batendo descompassado. Ele parecia ter mudado. Ou era apenas uma fachada bem ensaiada?

A noite continuou, e Isabella tentou se concentrar no evento. Mas a presença de Ricardo a deixara inquieta. Ela se sentia observada, mesmo quando não o via.

No final da noite, enquanto as pessoas começavam a se despedir, Clara se aproximou dela, um sorriso nos lábios. "Você se saiu muito bem, Bella! Eu sabia que você seria a peça que faltava."

"Obrigada, Clara. Foi importante para mim também."

"E então? Encontrou alguém interessante por aqui?", Clara perguntou com um piscar de olhos.

Isabella riu. "Você sabe que não, Clara. Ainda estou me recuperando."

"Ah, mas o tempo cura todas as feridas, meu amor. E às vezes, ele traz novas oportunidades. Você viu o Ricardo? Ele parece ter mudado."

Isabella suspirou. "Ele disse que se arrepende. Que não está mais com a Sofia."

Clara arregalou os olhos. "Sério? Que bom! Talvez haja esperança para vocês dois."

"Eu não sei, Clara. É tudo muito complicado."

Ao sair da festa, Isabella sentiu o peso do mundo em seus ombros. A conversa com Ricardo a deixara em um estado de profunda incerteza. Ele parecia genuinamente arrependido, e a ideia de uma segunda chance era tentadora. Mas o medo da traição, o fantasma de Sofia, a impediam de dar um passo em frente.

De volta ao seu apartamento, ela jogou o vestido no sofá e foi direto para a cozinha. Pegou uma garrafa de vinho e serviu uma taça generosa. Sentou-se à mesa, encarando o cartão de visitas de Ricardo. "Sem segundas intenções." Mas ela sabia que havia. Havia um desejo, uma esperança, um sussurro da tentação que ela lutava para ignorar.

O vinho desceu queimando, mas não era o suficiente para apagar a confusão em sua mente. Ela sentia um puxão, uma atração irresistível por Ricardo. Mas o receio de ser enganada novamente a prendia. O que fazer? Confiar em seu coração ferido ou dar ouvidos à sua razão cautelosa? A noite era longa, e as respostas não vinham. O sussurro da tentação se tornava cada vez mais alto, e Isabella temia que, em breve, ela não seria mais capaz de resistir.

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