Cap. 7 / 25

Contrato de Amor

Capítulo 7 — A Armadilha do Passado e o Coração Dividido

por Camila Costa

Capítulo 7 — A Armadilha do Passado e o Coração Dividido

A manhã seguinte trouxe um sol implacável, mas para Helena, o céu parecia carregado de nuvens cinzentas e pesadas. A noite em claro, a angústia da conversa com Ricardo na livraria, haviam deixado marcas profundas. Ela se sentia exausta, dividida entre o anseio que Ricardo despertara e a lealdade que sentia pela irmã. O "Contrato de Amor", que antes parecia uma formalidade distante, agora se tornava uma ameaça real, um muro de pedra entre ela e a felicidade que Ricardo insinuava poder existir.

Isabella, alheia à tempestade que se formava no coração da irmã, estava radiante. A festa de noivado havia sido um sucesso estrondoso, e os preparativos para o casamento avançavam em ritmo acelerado. Ela circulava pela casa com uma energia contagiante, discutindo detalhes com decoradores, escolhendo tecidos, provando doces. Helena observava-a de longe, um nó na garganta, a culpa a corroendo. Como ela poderia esconder de Isabella que o homem que ela tanto amava, o homem com quem ela sonhava se casar, ainda nutria sentimentos por ela?

"Helena, querida! Venha ver este arranjo de mesa! Não é simplesmente divino?", Isabella chamou, a voz animada, segurando um pequeno bouquet de rosas brancas.

Helena forçou um sorriso. "É lindo, Isa. Você tem um ótimo gosto."

"Claro que tenho!", Isabella riu, um riso cristalino que, para Helena, soava como um eco cruel. "E você, querida, parece um pouco pálida. Dormiu bem?"

"Mais ou menos", Helena respondeu, desviando o olhar. "Muitos pensamentos."

"Ah, os pensamentos de uma solteirona!", Isabella brincou, aproximando-se e abraçando Helena. "Mas logo você encontrará alguém especial. Alguém que a faça sorrir como eu sorrio quando penso em Ricardo."

O abraço apertado de Isabella foi como um punhal no peito de Helena. Ela se sentiu uma impostora, uma traidora. "Sim, Isa. Com certeza."

Mais tarde naquele dia, Ricardo apareceu na casa. Não para vê-la, mas para resolver "questões práticas" com o pai de Isabella, o Sr. Almeida. Helena o observou da janela do escritório, o coração acelerado. Ele estava diferente. O semblante mais sério, os olhos parecendo carregar o peso do mundo. Ele a viu no reflexo do vidro e seus olhares se cruzaram. Um aceno breve, quase imperceptível, foi a única comunicação entre eles. Mas aquele aceno carregava um universo de significados não ditos. Era um pedido de desculpas? Uma promessa? Uma advertência?

O Sr. Almeida, um homem pragmático e focado nos negócios, parecia alheio às tensões subjacentes. Ele e Ricardo discutiam os detalhes da fusão das empresas, um casamento de interesses que fortaleceria ambas as famílias. Helena sabia que o casamento de Isabella com Ricardo era mais do que um romance para a família Almeida. Era uma estratégia de negócios, um pacto de poder.

Durante o jantar, a conversa girou em torno do futuro. A mãe de Isabella, Dona Cecília, uma mulher elegante e socialmente influente, elogiava Ricardo. "Ricardo, meu filho, você é a esperança desta família. E Isabella é a nossa joia. Juntos, vocês construirão um futuro esplêndido."

Ricardo agradeceu com um sorriso polido, mas Helena notou a falta de calor em seus olhos. Ele lançou um olhar discreto na direção dela, um olhar que a fez sentir um arrepio. Era um olhar que dizia: "Não se esqueça do que conversamos."

Após o jantar, Helena buscou refúgio em seu quarto, mas a paz parecia inatingível. Ela pegou uma caixa antiga, empoeirada, que guardava no fundo do armário. Dentro, estavam fotografias de um passado que parecia pertencer a outra vida. Ela pegou uma foto em que aparecia com Ricardo, sorridentes, em uma praia ensolarada. Aquele era o tempo antes da ambição, antes do "contrato". Era o tempo em que o amor parecia simples e puro. Lágrimas quentes rolaram por seu rosto enquanto ela acariciava a imagem.

De repente, ouviu-se uma batida suave na porta. Era Ricardo. Ele estava parado no corredor, o olhar fixo nela. "Posso entrar?", ele perguntou, a voz baixa.

Helena hesitou, mas assentiu. Ela fechou a caixa rapidamente, como se escondesse um segredo incriminador.

Ricardo entrou e sentou-se na beira da cama, o silêncio pairando entre eles. "Eu não queria te incomodar", ele começou. "Mas eu precisava falar com você. Sem que ninguém nos visse."

"O que você quer, Ricardo?", Helena perguntou, a voz tensa.

"Quero… quero entender", ele disse, olhando-a nos olhos. "O que te impede? O que te faz ter tanto medo?"

"Medo?", Helena riu, um riso amargo. "Você me pergunta sobre medo? Depois de tudo que você fez, você me pergunta sobre medo?"

"Eu sei que errei, Helena. Eu sei que te machuquei. Mas o tempo… ele não apaga o que eu sinto."

"O que você sente, Ricardo?", ela o desafiou. "Uma pontada de culpa? Um resquício de um amor que você preferiu abandonar?"

"Não!", ele exclamou, a voz carregada de urgência. "Eu te amo, Helena. Eu sempre te amei. O que eu fiz foi por pressão, por falta de coragem. Mas agora… agora eu não posso mais viver essa mentira."

Ele se aproximou, pegou as mãos dela entre as suas. As mãos dele estavam frias, mas o toque era firme. "Isabella é uma boa pessoa, Helena. Ela merece alguém que a ame de verdade. E esse alguém não sou eu. Eu amo você. E você sabe que me ama também."

Helena sentiu um turbilhão de emoções. A verdade de suas palavras era inegável, mas a complexidade da situação a sufocava. "Você não entende, Ricardo. O 'Contrato de Amor' não é apenas um nome. É um acordo, uma promessa. Não só para Isabella, mas para toda a minha família. Se você quebrar isso agora, você arruína a todos nós."

"Eu não quero arruinar ninguém", ele disse, sua voz cheia de angústia. "Eu só quero a verdade. A nossa verdade."

Ele se inclinou, o rosto perto do dela. Helena podia sentir sua respiração em sua pele. Seus olhos se encontraram, e naquele olhar, ela viu a paixão que os unira no passado, uma paixão que parecia adormecida, mas nunca extinta.

"Helena", ele sussurrou, os lábios quase tocando os dela. "O que você sente quando me olha? O que você sente quando estou perto de você?"

O coração de Helena batia descontroladamente. A tentação era avassaladora. A voz da razão lutava contra o desejo que a consumia. "Eu… eu não sei", ela gaguejou, desviando o olhar.

Ricardo acariciou seu rosto, o polegar deslizando suavemente em sua bochecha. "Você sabe. E eu sei. E isso é mais forte do que qualquer contrato."

Ele fechou os olhos e a beijou. Foi um beijo desesperado, carregado de anos de saudade e arrependimento. Um beijo que selava não um contrato, mas um amor proibido que resurgia das cinzas. Helena, inicialmente hesitante, sucumbiu. Seus braços envolveram o pescoço dele, e ela o beijou de volta, um beijo que falava de desejo, de dor e de um amor que se recusava a ser silenciado. Naquele instante, o Palácio Dourado, com todas as suas promessas e armadilhas, desapareceu. Restava apenas a intensidade do momento, a verdade crua de dois corações que, apesar de tudo, ainda se pertenciam. Mas, ao se afastarem, a realidade cruel voltou a assombrá-los. Os olhares se encontraram novamente, agora cheios de desespero e da consciência do precipício em que se encontravam.

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