Cap. 8 / 25

Contrato de Amor

Capítulo 8 — A Chantagem e as Sombras que se Aprofundam

por Camila Costa

Capítulo 8 — A Chantagem e as Sombras que se Aprofundam

O beijo com Ricardo deixou Helena em um estado de torpor febril. A paixão avassaladora que a consumira por alguns momentos agora dava lugar a um pânico crescente. O que ela havia feito? O que aquele beijo significava? Ela se sentia encurralada, presa entre o desejo proibido e a lealdade familiar. Ricardo, percebendo a angústia dela, afastou-se, a expressão contrita.

"Helena, eu… eu sinto muito", ele murmurou, a voz embargada. "Eu não devia ter feito isso. Mas eu não consegui me controlar."

"Você precisava ir, Ricardo", Helena disse, a voz trêmula, incapaz de encará-lo. "Agora."

Ele assentiu, levantou-se e caminhou lentamente até a porta. Antes de sair, ele se virou. "Eu vou te procurar. Precisamos conversar. Precisamos decidir o que fazer."

Helena apenas assentiu, o coração apertado. Quando ele se foi, ela desabou na cama, as lágrimas voltando a correr. A euforia do beijo fora substituída por um medo paralisante. Ela havia cruzado uma linha perigosa, e sabia que as consequências poderiam ser devastadoras, não apenas para ela, mas para Isabella e para toda a família.

Nos dias que se seguiram, Helena evitou Ricardo a todo custo. Ela se concentrava nas tarefas diárias, tentava manter uma fachada de normalidade, mas a tensão era palpável. Ela se sentia observada, como se cada movimento seu fosse escrutinado. A família estava ansiosa com os preparativos do casamento, e a pressão aumentava a cada dia.

Um dia, enquanto revisava alguns documentos antigos no escritório do Sr. Almeida, Helena encontrou uma pasta esquecida. Curiosa, ela a abriu. Dentro, havia cartas antigas, fotografias e um diário. O diário pertencia à sua mãe, que havia falecido anos atrás, vítima de uma doença misteriosa que a enfraquecera progressivamente. Helena começou a ler, a princípio por tédio, depois por um crescente interesse mórbido. As páginas revelavam um lado desconhecido de sua mãe, um lado de angústia e segredos. Havia menções a tratamentos médicos experimentais, a visitas secretas a um médico renomado em outra cidade, e a um desespero crescente com a sua condição.

Enquanto folheava as últimas páginas, Helena encontrou uma entrada que a fez parar, o sangue gelando nas veias. Era uma acusação direta, um grito de dor contra alguém que ela não ousava nomear, mas que todas as pistas apontavam para o Sr. Almeida. Sua mãe suspeitava que a doença que a consumia não era natural, mas sim induzida por alguma substância administrada discretamente em seus chás e remédios. A motivação? O controle total dos bens da família e a garantia de que o "Contrato de Amor" de Isabella seria selado sem interferências.

Helena sentiu o chão sumir sob seus pés. Sua mãe, envenenada lentamente? Por seu próprio marido? E tudo isso para garantir o casamento de Isabella com Ricardo, consolidando o poder da família. A revelação era aterradora. O Palácio Dourado, que ela sempre vira como um símbolo de prosperidade e segurança, agora se revelava um lugar de intrigas sombrias e crueldade inimaginável.

A descoberta a deixou paralisada. Como ela poderia confrontar o próprio pai? Como poderia expor essa verdade horrível, que destruiria a reputação da família e abalaria a felicidade de Isabella?

Naquela noite, Ricardo a encontrou novamente, desta vez em um local inesperado: o jardim isolado da propriedade, longe dos olhares curiosos. Ele parecia preocupado.

"Helena, eu tentei falar com você várias vezes. O que está acontecendo?", ele perguntou, a voz cheia de apreensão.

Helena hesitou. A revelação do diário de sua mãe era um fardo pesado demais para carregar sozinha. Ela precisava de alguém em quem confiar. E, por mais confuso que fosse, Ricardo era a única pessoa que parecia entender a complexidade de seus sentimentos.

"Ricardo… eu descobri algo terrível", ela começou, a voz embargada. Ela contou a ele sobre o diário de sua mãe, sobre a suspeita de envenenamento, sobre a crueldade do Sr. Almeida.

Ricardo a ouviu atentamente, o rosto tornando-se cada vez mais sombrio. Quando ela terminou, ele a segurou firmemente pelos braços.

"Isso é inacreditável, Helena! Uma atrocidade!", ele exclamou, o horror em sua voz genuíno. "Você tem certeza disso?"

"O diário… as palavras… elas são claras. A minha mãe sentia que estava sendo traída", Helena respondeu, as lágrimas rolando pelo seu rosto.

Ricardo a abraçou, tentando confortá-la. "Eu sinto muito, Helena. Sinto muito por tudo. Por ter te deixado passar por tudo isso, e agora por essa descoberta terrível."

Enquanto estavam abraçados, uma voz fria e calculista ecoou do meio das sombras. "Um momento tão delicado. Seria uma pena se essa linda história fosse revelada ao público."

Os dois se separaram abruptamente, o coração disparado. Do meio da escuridão, surgiu a figura imponente do Sr. Almeida. Seus olhos, frios e penetrantes, fixaram-se em Helena, e depois em Ricardo. Ele parecia ter ouvido tudo.

"Papai!", Helena exclamou, chocada e aterrorizada.

O Sr. Almeida sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. "Minha querida filha. Sempre tão curiosa. E você, Ricardo. Interesses em assuntos que não lhe dizem respeito, pelo visto."

"Eu… eu estava apenas consolando Helena", Ricardo disse, tentando manter a calma, mas a tensão era palpável.

"Eu sei o que você estava fazendo", o Sr. Almeida disse, sua voz adquirindo um tom ameaçador. "E eu sei o que você descobriu, Helena. O diário de sua mãe. Uma obra de ficção, é claro. Uma mulher doente, com delírios."

"Não, pai!", Helena gritou, a raiva e o desespero tomando conta dela. "A verdade está aí! Você a envenenou!"

O Sr. Almeida deu um passo à frente, o olhar fixo em Helena. "Você não sabe do que está falando. E se tentar espalhar essas calúnias, você não só arruinará a si mesma, mas também a sua querida irmã e o seu futuro 'marido'." Ele lançou um olhar significativo para Ricardo. "Acha que eu não sei do que vocês andam fazendo? Acha que eu não vejo o que está acontecendo entre vocês?"

Helena e Ricardo se entreolharam, aterrorizados. A chantagem era clara. O Sr. Almeida sabia do beijo, sabia da proximidade entre eles. E ele estava disposto a usar essa informação para silenciá-los.

"Se você tentar interferir no meu plano, Helena, se você ousar falar uma única palavra sobre essa 'descoberta', eu farei com que você e Ricardo se arrependam para sempre. O casamento de Isabella com Ricardo é essencial para os meus negócios. E eu não permitirei que nada, nem ninguém, o impeça." Ele se virou para Ricardo. "Você tem um contrato a cumprir, Ricardo. E eu farei questão de que você o cumpra, custe o que custar."

O Sr. Almeida se afastou, deixando-os em um silêncio carregado de medo e desespero. Helena tremia, as palavras de seu pai ecoando em sua mente. Ela estava presa em uma teia de mentiras e manipulações, e agora, as sombras do passado haviam se tornado uma ameaça palpável, encarnada na figura cruel de seu próprio pai. O Palácio Dourado se revelara uma fortaleza de segredos sombrios, e ela estava prestes a ser esmagada por eles.

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