Cap. 12 / 25

Amores que Doem II

Capítulo 12 — O Confronto com a Verdade e a Sedução de Ricardo

por Isabela Santos

Capítulo 12 — O Confronto com a Verdade e a Sedução de Ricardo

A mansão Montenegro parecia exalar um ar de poder e decadência, um espelho da própria alma de Ricardo. A notícia da presença de Sofia em sua casa, a mando dele, chegou como um trovão em meio a um céu limpo para os funcionários, que a olhavam com uma mistura de curiosidade e apreensão. Era algo inédito. Sofia, a "desconhecida", sendo convidada para adentrar o santuário de Ricardo Montenegro.

Sofia caminhava pelos corredores luxuosos, cada passo ecoando o turbilhão de emoções que a consumia. O peso da revelação de Dona Clara era um fardo que ela ainda carregava, misturado a uma raiva latente e a uma curiosidade mórbida. Ver Ricardo pela primeira vez como seu pai era algo que desafiava sua compreensão. O homem que ela conheceu como um manipulador implacável, agora era o homem que, em algum momento, havia compartilhado seu sangue.

Ela chegou à biblioteca, um cômodo imponente, repleto de livros antigos e o cheiro inebriante de couro e madeira. Ricardo estava lá, de costas para ela, observando a paisagem pela imensa janela. A luz do fim de tarde pintava o ambiente com tons dourados, suavizando as linhas duras de seu rosto, mas não a aura de autoridade que o envolvia. Ele se virou lentamente ao sentir sua presença, seus olhos azuis penetrantes fixando-se nela.

"Sofia", ele disse, a voz grave, sem nenhuma emoção aparente. Era a mesma voz que a fazia tremer, mas agora, impregnada de um novo significado.

"Ricardo", ela respondeu, tentando manter a compostura, mas sentindo o coração acelerar. A proximidade, o ambiente, tudo conspirava para amplificar a tensão.

"Eu sabia que viria", ele continuou, um leve sorriso se formando em seus lábios. Um sorriso que não alcançava seus olhos. "Sua mãe nunca foi uma mulher de meias palavras, não é mesmo?"

A menção de Dona Clara fez Sofia apertar os punhos. "Ela contou a verdade. A verdade que você escondeu por tantos anos."

Ricardo deu um passo em sua direção. "Esconder? Ou proteger? Depende do ponto de vista, Sofia. E o seu ponto de vista, até agora, era o de uma filha ingênua, sem saber a verdade sobre seu pai. A verdade que eu, em meu silêncio, a poupei de conhecer."

"Me poupou? Você me deixou viver uma vida inteira achando que você era um monstro!", Sofia exclamou, a raiva finalmente transbordando.

"E talvez eu fosse, Sofia. Ou talvez você apenas não quisesse ver o que estava bem na sua frente. O reflexo de uma força que você mesma carrega." Ele parou a poucos passos dela, a intensidade de seu olhar a envolvendo. "Você tem a minha determinação, a minha inteligência. E a minha capacidade de conquistar o que desejo."

As palavras dele eram como um veneno sutil, misturando a verdade com a manipulação. Sofia sabia que ele tentava controlá-la, encantá-la, como sempre. Mas agora, com a revelação de paternidade, as regras do jogo haviam mudado.

"Eu não sou você, Ricardo", ela disse, a voz firme, apesar do tremor interno. "Eu não quero o que você quer."

Ricardo riu, um som seco e sem humor. "Ah, Sofia. Você tem vinte e cinco anos e acha que sabe o que quer. A juventude é um estado de ignorância privilegiada. Mas eu vejo em você algo que me lembra muito a mim mesmo. A sede por mais. A fome de poder. A necessidade de deixar sua marca no mundo."

Ele se aproximou mais, o perfume amadeirado e cítrico dele invadindo seus sentidos. A proximidade física dele, que antes a repelia, agora era carregada de uma eletricidade estranha, uma mistura de repulsa e fascínio.

"Você herdou muito mais de mim do que imagina", ele sussurrou, a voz rouca. Seus olhos percorreram o rosto dela, demorando-se em seus lábios. "Seu temperamento, sua beleza... tudo isso é meu legado."

Sofia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Era a sedução de Ricardo, a mesma que ela via em sua mãe nas lembranças distantes. A mesma que ele usava para dominar e conquistar. Mas agora, a linha entre a repulsa e a atração se tornava perigosamente tênue.

"Você não tem o direito de falar assim comigo", ela disse, tentando se afastar, mas sentindo-se presa em sua aura.

"Eu tenho todos os direitos, Sofia. Afinal, você é minha filha. O fruto do meu maior erro, ou talvez, do meu mais puro amor." Ele tocou suavemente o rosto dela com a ponta do dedo, um toque que a fez prender a respiração. "Você é a prova viva de que nem sempre fui o monstro que sua mãe pintou. Eu te amei, Sofia. E ainda amo, à minha maneira."

Sofia recuou bruscamente, o toque dele a repelindo e a atraindo ao mesmo tempo. "Não minta para mim! Você nunca amou ninguém além de si mesmo!"

"E você, Sofia? Você ama? Ou apenas se permite ser amada por aquele que te oferece segurança, mas não te desafia? Rafael é um bom homem, um homem gentil. Mas ele não tem a força que você precisa para voar alto. Ele te prende ao chão." Os olhos de Ricardo brilhavam com uma intensidade quase febril. "Eu posso te mostrar um mundo que você nunca imaginou, Sofia. Um mundo de poder, de influência. Um mundo onde você será a dona do seu destino."

Ele deu mais um passo, diminuindo ainda mais a distância entre eles. O silêncio da biblioteca parecia amplificar a respiração dele, o batimento acelerado do coração dela.

"Imagine, Sofia. Você e eu. Juntos. Dominando tudo o que quisermos. Sem medo, sem limites. Você seria minha herdeira, minha sucessora. A força que eu sempre quis ter ao meu lado."

A tentação era palpável, um veneno doce que insinuava em seus pensamentos. A promessa de poder, a aceitação de seu próprio lado sombrio, algo que ela sempre tentou reprimir. A imagem de Rafael, com seu amor puro e sua lealdade inabalável, surgiu em sua mente, um contraponto à escuridão que Ricardo oferecia.

"Você está tentando me corromper", Sofia disse, a voz embargada.

"Eu estou te oferecendo a verdade, Sofia. A sua verdade. Aquela que sua mãe, por medo, escondeu de você. A verdade de que você é filha de um homem forte. Um homem que te dará tudo o que você desejar." Ele aproximou o rosto do dela, o hálito quente em sua pele. "E eu desejo você, Sofia. Desejo ver o seu potencial florescer. Desejo te moldar à minha imagem."

O olhar dele a desnudava, prometendo prazeres e perigos. Sofia sentiu uma vertigem. O jogo de sedução e poder de Ricardo era avassalador. Ela sabia que ele estava brincando com suas inseguranças, com suas ambições ocultas. Mas, por um instante fugaz, ela se permitiu imaginar. Imaginar o poder, a liberdade, o controle.

"Eu não sou sua, Ricardo", ela disse, com uma força que a surpreendeu.

"Ainda não", ele respondeu, um brilho nos olhos que era ao mesmo tempo uma promessa e uma ameaça. "Mas você virá. Você virá quando perceber que o amor de Rafael te aprisiona, e o meu te libertará."

Ele se afastou, deixando-a ali, cambaleando sob o impacto de suas palavras e de sua presença. Sofia saiu da biblioteca, as pernas trêmulas, o coração batendo descontrolado. A verdade sobre sua paternidade era um vulcão adormecido, mas a sedução de Ricardo era a lava que ameaçava transbordar. Ela sabia que a batalha não seria apenas contra ele, mas dentro de si mesma. A batalha entre o amor que a sustentava e a escuridão que a tentava. E essa batalha seria a mais difícil de todas.

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