Amores que Doem II

Capítulo 9 — A Sombra de Ricardo no Presente e o Confronto com o Passado

por Isabela Santos

Capítulo 9 — A Sombra de Ricardo no Presente e o Confronto com o Passado

Os dias que se seguiram ao confronto com Eduardo foram de uma calmaria tensa. Clara aceitou o anel de volta, mas com a ressalva de que era um símbolo de esperança, não de um compromisso imediato. Ela e Eduardo haviam decidido dar um passo atrás, permitindo que o tempo curasse as feridas abertas. Ele a visitava com frequência, não mais com a intensidade de antes, mas com uma ternura respeitosa, esperando por um sinal dela.

Enquanto isso, Clara mergulhou em sua nova realidade. A descoberta sobre Ricardo a fez sentir uma conexão estranha com um homem que ela nunca conheceu, mas que era, em parte, responsável por sua existência. Ela começou a pesquisar sobre ele discretamente, acessando registros antigos, procurando qualquer informação que pudesse lhe dar uma imagem mais completa do homem que sua mãe amou e que a deixou.

Ela descobriu que Ricardo havia sido um empresário de sucesso, mas com uma reputação controversa. Havia boatos de negócios escusos, de envolvimento com figuras sombrias do submundo. Isso reforçava o medo de sua mãe e a decisão de Eduardo de mantê-la longe dele. Clara sentiu um arrepio ao pensar no perigo que ela e sua mãe poderiam ter corrido.

Em uma de suas pesquisas, Clara se deparou com uma notícia antiga sobre um acidente de carro fatal que havia ocorrido anos atrás, envolvendo um empresário chamado Ricardo. O nome batia, mas a data não correspondia à época que Sofia mencionou o falecimento dele. Era outra pessoa, com o mesmo nome. A confusão a deixou perplexa. Ela precisava ter certeza.

Decidida a desvendar completamente o mistério, Clara marcou um encontro com Sofia, em um café discreto no centro da cidade. A luz fraca e os murmúrios das outras mesas criavam um ambiente propício para conversas delicadas.

“Sofia, obrigada por vir,” Clara disse, assim que a mulher se sentou à mesa.

“Clara, querida. Eu fico feliz que você tenha aceitado me encontrar.” Sofia parecia genuinamente preocupada.

“Eu preciso entender melhor. Sobre o Ricardo. Sofia, você tem certeza de que ele faleceu há alguns anos? Eu encontrei informações sobre um acidente, mas a data não bate.”

Sofia suspirou, uma sombra de preocupação atravessando seu rosto. “Oh, o Ricardo… a vida dele era um labirinto. Existem muitos Ricardos por aí, Clara. Mas o seu pai, o Ricardo que amou sua mãe… sim, ele se foi. Um acidente de avião, bem trágico. Isso foi há uns sete anos. Foi um choque para todos nós que o conhecíamos.”

“Um acidente de avião?” Clara franziu a testa. “Sofia, você tem certeza? A notícia que eu vi era de um acidente de carro. E a data… era diferente.”

Sofia pareceu surpresa. “Acidente de carro? Não, querida. O que eu me lembro é do avião. Foi notícia em alguns jornais, mas ele não era uma figura pública, você entende. Sua mãe sempre fez questão de manter a vida dele distante dos holofotes. Mas ele se foi. E sua mãe ficou devastada. Ela nunca mais foi a mesma depois disso.”

Um calafrio percorreu a espinha de Clara. Algo não se encaixava. A memória de Sofia sobre o acidente era diferente da informação que Clara encontrou. Seria possível que Sofia estivesse errada? Ou que estivesse omitindo algo?

“Sofia, o senhor Antônio… ele sabia quem era o pai biológico de Clara?” Clara decidiu mudar de assunto, tentando sondar mais a fundo a história.

“Ah, o Antônio… ele era um santo. Um homem de caráter imenso. Ele sabia. Sua mãe lhe contou tudo antes de se casarem. Ele a amava tanto, Clara, que aceitou você de braços abertos. Ele te amou como se fosse sua. E ele a protegeu de toda aquela situação. Ele sabia dos riscos que Ricardo representava.”

“E Eduardo? Como ele sabia de tudo isso?” Clara insistiu, sentindo que o fio da meada estava ali.

Sofia hesitou por um momento. “Eduardo era o melhor amigo de Ricardo. Eles eram como irmãos. Mas tiveram uma briga feia, anos antes. Quando Ricardo reapareceu querendo te conhecer, ele procurou Eduardo. Eduardo, com a lealdade que tinha pela sua mãe, e o medo do que Ricardo poderia fazer, decidiu se envolver. Ele me pediu para ajudá-lo a guardar o segredo. Ele achava que era o único jeito de proteger vocês. Ele jurou para sua mãe que cuidaria de você.”

Enquanto Sofia falava, Clara sentiu um frio na barriga. A história de Eduardo, de sua lealdade à mãe dela, de sua amizade com Ricardo, tudo se encaixava de forma perturbadora. Mas a discrepância sobre a morte de Ricardo a incomodava.

Após o encontro com Sofia, Clara sentiu uma inquietação profunda. Ela decidiu que precisava confrontar Eduardo com suas descobertas. Ela o encontrou em seu apartamento, a luz do entardecer filtrando pelas janelas.

“Eduardo, precisamos conversar,” Clara disse, sem rodeios, a voz firme.

Ele a olhou, um misto de esperança e receio em seus olhos. “Clara. Que bom te ver. Sente-se.”

“Eu conversei com a Sofia,” Clara começou, e viu a tensão aumentar no rosto dele. “Ela me contou muita coisa. Sobre você, sobre o Ricardo, sobre a minha mãe.”

Eduardo assentiu. “Eu imaginei que sim.”

“Ela me disse que você e Ricardo eram melhores amigos. E que ele faleceu em um acidente de avião há sete anos.” Clara o encarou, observando cada reação.

Eduardo hesitou por um breve instante. “Sim. Foi uma tragédia.”

“Mas, Eduardo,” Clara continuou, a voz ganhando um tom de urgência, “eu pesquisei. E a única notícia sobre um Ricardo que se encaixa na sua descrição, e que faleceu em um acidente, foi um acidente de carro. Há dez anos. E o nome dele era Ricardo Mendes. Você disse que ele era Ricardo Almeida.”

O silêncio na sala se tornou ensurdecedor. Eduardo desviou o olhar, a testa franzida em uma profunda concentração. Ele parecia lutar com algo internamente.

“Clara… there are things…” Ele começou a falar em inglês, uma mania que ele tinha quando estava sob forte pressão. Ele parou, limpando a garganta. “Há coisas que eu não te contei. Coisas que eu não contei nem para a Sofia.”

Clara sentiu um nó na garganta. A desconfiança que ela tentara enterrar ressurgia com força. “O que você não me contou, Eduardo?”

Ele se virou para ela, os olhos azuis cheios de uma dor antiga. “O Ricardo que você conheceu… o Ricardo Mendes… ele não era meu melhor amigo. Ele era… um conhecido. Um homem de negócios perigoso. Ele estava envolvido em coisas que… que eu não me orgulho de ter tido qualquer ligação. Eu conheci ele através de um projeto de negócios. E eu soube que ele estava tendo um caso com a sua mãe. E quando ele se envolveu com ela, eu senti que o perigo era iminente. Eu me senti na obrigação de protegê-la. E a você.”

Clara sentiu o chão sumir sob seus pés. A história de amor intenso, a mãe apaixonada, tudo parecia agora uma fachada. “Então você mentiu sobre o seu relacionamento com ele? E você mentiu sobre a morte dele?”

“Eu menti sobre a morte dele, sim,” Eduardo admitiu, a voz baixa. “Porque a verdade era muito mais sombria. Ricardo Mendes era um homem implacável. Ele era cruel. E ele estava envolvido em atividades ilegais. Quando ele morreu naquele acidente de carro, eu… eu achei que era o fim de um pesadelo. E eu usei essa informação para proteger a sua mãe e você. Eu inventei a história do acidente de avião para desviar qualquer atenção, para que ninguém mais se ligasse a ele. Eu estava desesperado para que vocês ficassem seguras.”

Clara o fitou, a perplexidade dando lugar a uma raiva fria. “Então tudo… tudo o que você me contou sobre o Ricardo, sobre o amor deles… tudo era uma mentira sua?”

“Não! Não tudo!” Eduardo se apressou em dizer. “Sua mãe amava o homem que ela pensava que Ricardo era. E ele a amava de volta, à sua maneira distorcida. Mas o Ricardo Mendes que eu conheci… era um homem diferente. Um homem perigoso. Eu te escondi isso para te proteger. Eu pensei que você precisava acreditar em uma história de amor, não em uma história de perigo e traição.”

As palavras dele caíram como pedras em um lago calmo, espalhando ondas de confusão e desespero. Clara sentiu-se enganada em um nível mais profundo do que imaginava. Eduardo não apenas a privou da verdade, mas a construiu sobre alicerces falsos.

“Eu não sei mais em quem acreditar, Eduardo,” Clara disse, a voz trêmula. “Eu não sei mais o que é real. Você me disse que me amava. Mas você me enganou. Você me usou como peça em um jogo que eu nem sabia que estava jogando.”

“Clara, por favor, me escute,” ele implorou, dando um passo à frente. “Eu te amo. E o meu maior erro foi não confiar em você, não te contar a verdade. Mas eu fiz o que achei que era certo, na época. E agora… agora eu quero consertar as coisas. Eu quero ser honesto com você. Quero que você saiba quem eu sou. E quem o Ricardo realmente foi.”

Ele a olhou nos olhos, a sinceridade voltando a transparecer, mas agora tingida pela sombra de suas mentiras. Clara sentiu um vazio imenso. A figura de Ricardo, o pai biológico, se transformava de um amante trágico em um criminoso perigoso. E Eduardo, o homem que ela amava, se revelava um manipulador, mesmo que com boas intenções. A sombra de Ricardo, que parecia pertencer ao passado, agora pairava sobre o presente, lançando uma escuridão sobre o futuro que ela imaginava construir.

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