O Ladrão do meu Coração II

Capítulo 10 — O Jogo de Sedução e Engano

por Valentina Oliveira

Capítulo 10 — O Jogo de Sedução e Engano

A noite do evento beneficente chegou, e com ela, a ansiedade de Marina borbulhando em seu peito. Vestindo um deslumbrante vestido de seda azul-noite, ela se sentia como uma rainha pronta para reivindicar seu trono. A música orquestrava um burburinho elegante, e as conversas eram um sussurro constante de intrigas e alianças. O salão do hotel era um espetáculo de opulência, com lustres de cristal cintilando e convidados adornados com joias reluzentes.

Marina entrou no salão com a confiança que seu tio lhe incutira. Seus olhos percorreram o local, procurando por rostos familiares, por pistas. Ela sabia que os Almeida estariam ali, no centro de tudo, como sempre. E, em meio à multidão, ela o viu. Leonardo. Ele estava conversando com Clara, o semblante tenso, mas sua presença irradiava uma força que a atraía irresistivelmente.

Ela sentiu uma pontada de ciúme, uma saudade aguda do tempo em que ele estaria ao seu lado, compartilhando aquele momento. Mas Marina reprimiu o sentimento. Agora, ela precisava jogar um jogo diferente. Um jogo de sedução e engano.

Com um sorriso calculado, ela se aproximou de um grupo de convidados que incluía um conhecido de seu tio, um homem chamado Ricardo, conhecido por sua língua afiada e sua habilidade em espalhar fofocas.

“Boa noite a todos”, Marina disse, sua voz melodiosa e confiante. “Que noite maravilhosa, não é mesmo?”

Ricardo a olhou com interesse. Ele a reconheceu vagamente, mas sabia que ela não pertencia àquele círculo habitual. “De fato. Uma noite de muito brilho. E quem temos a honra de conhecer?”

“Marina Silva”, ela respondeu, estendendo a mão. “Uma velha amiga do seu… bom, do meu tio, o senhor Roberto.”

A menção do nome de Roberto causou um leve espanto nos presentes. O tio de Marina era uma figura temida e respeitada, e sua conexão imediata com a jovem dava a ela um certo peso na conversa.

“Ah, Roberto! Um homem de… perspicácia”, Ricardo disse, um sorriso malicioso nos lábios. “Então você é a sobrinha dele. Dizem que você tem um talento especial para… desvendar segredos.”

Marina riu, um som leve e encantador. “Digamos que eu tenho um olho para os detalhes. E essa noite, há muitos detalhes interessantes, não é mesmo?” Ela lançou um olhar discreto na direção de Clara e Leonardo.

Ricardo seguiu seu olhar e um sorriso se alargou em seu rosto. “Ah, você se refere à família Almeida. Um poder a ser reconhecido, mas também… com suas peculiaridades.”

“Peculiaridades?”, Marina perguntou, fingindo inocência. “Conte-me mais. Eu adoro uma boa história.”

E assim, Marina começou seu jogo. Ela usou seu charme, sua inteligência e a influência de seu tio para extrair informações. Ricardo, animado com a perspectiva de compartilhar fofocas com alguém que parecia genuinamente interessada, revelou alguns dos boatos que circulavam sobre Eduardo Almeida, o patriarca da família.

“Dizem que os negócios dele nem sempre foram… limpos”, Ricardo sussurrou, aproximando-se de Marina. “Que ele construiu seu império sobre as ruínas de outros. E que ele tem um certo… temperamento. Não gosta de ser contrariado. Especialmente não em público.”

Marina absorvia cada palavra, gravando cada detalhe em sua mente. Ela sabia que essa era a chave. A vaidade de Eduardo Almeida.

Enquanto continuava a conversar, Marina sentiu um olhar sobre si. Era Leonardo. Ele se aproximara, um semblante de surpresa e talvez um toque de preocupação em seu rosto. Clara estava ao seu lado, o olhar fixo em Marina com uma mistura de raiva e desconfiança.

“Marina?”, Leonardo disse, a voz tensa. “O que você faz aqui?”

Marina se virou para ele, um sorriso confiante. “Leonardo! Que surpresa agradável. Eu vim… apreciar a arte e, quem sabe, fazer algumas conexões.” Ela lançou um olhar para Ricardo. “Este é Ricardo, um amigo do meu tio Roberto.”

Ricardo apertou a mão de Leonardo com firmeza. “Leonardo Rossi, um prazer. Sua galeria é excelente. Tenho acompanhado seu trabalho.”

Clara observava a interação com um nó na garganta. Ela não gostava da forma como Marina se portava, como ela parecia tão à vontade naquele ambiente, como se pertencesse a ele.

“Marina veio ao evento com o tio Roberto?”, Clara perguntou, a voz carregada de sarcasmo.

“Na verdade, meu tio me incentivou a vir”, Marina respondeu, um brilho travesso em seus olhos. “Ele disse que eu precisava sair um pouco da toca e me reconectar com o mundo. Especialmente com as pessoas interessantes que ele conhece.”

Leonardo olhou para Marina, sentindo uma estranha mistura de admiração e apreensão. Ela parecia diferente, mais confiante, mais determinada.

“Eu… eu preciso falar com você, Marina”, Leonardo disse, a voz baixa.

Clara o encarou. “Falar com ela? Agora?”

“É importante, Clara”, Leonardo respondeu, sem desviar o olhar de Marina.

Marina sentiu um arrepio de poder percorrer seu corpo. Ela tinha Leonardo em suas mãos, pelo menos por aquele momento.

“Eu adoraria conversar, Leonardo”, Marina disse, um sorriso sedutor nos lábios. “Mas eu estava justamente discutindo alguns assuntos… delicados… com o Ricardo. Talvez possamos conversar mais tarde?”

Ela viu a hesitação nos olhos de Leonardo, a luta interna que o consumia. Clara, por sua vez, parecia à beira de um colapso.

“Eu vou dar uma volta”, Clara disse abruptamente, virando-se e saindo em direção à multidão.

Leonardo observou Clara se afastar, a expressão de preocupação em seu rosto. Então, ele voltou seus olhos para Marina.

“Você não precisa fazer isso, Marina”, ele disse, a voz baixa e urgente.

“Fazer o quê, Leonardo?”, Marina perguntou, levantando uma sobrancelha. “Jogar um jogo? Você não é o único que sabe como jogar.”

“Eu não quero que você se envolva nisso”, ele implorou. “Não se meta com os Almeida. Eles são perigosos.”

“E você acha que eu tenho medo deles?”, Marina riu, um riso que não alcançou seus olhos. “Eu tenho mais medo de te perder para sempre. E se essa é a única maneira de lutar por você, então eu lutarei.”

Leonardo a olhou, e Marina viu algo em seus olhos que a fez hesitar. Era dor, era preocupação, mas também era uma faísca de admiração. Ele a via diferente agora, não mais a garota frágil que ele deixara para trás, mas uma mulher forte, determinada.

“Marina, por favor”, ele implorou. “Eu não quero que você se machuque.”

“Eu não vou me machucar, Leonardo”, ela disse, tocando seu braço. “Eu vou vencer. E você vai ser meu.”

Enquanto falavam, Eduardo Almeida, o patriarca da família, se aproximava deles. Ele era um homem imponente, com uma aura de autoridade que intimida a todos. Seu olhar varreu Marina com desconfiança, mas parou em Leonardo com um leve reconhecimento.

“Leonardo Rossi, certo?”, Eduardo disse, a voz grave. “Ouvi falar muito bem do seu trabalho.”

“Senhor Almeida, é uma honra”, Leonardo respondeu, com uma polidez forçada.

Eduardo então voltou seu olhar para Marina. “E quem é essa jovem encantadora?”

Antes que Marina pudesse responder, Ricardo se aproximou. “Senhor Almeida, esta é Marina Silva, sobrinha do nosso estimado amigo Roberto. Uma jovem de grande talento e perspicácia.”

O nome de Roberto pareceu chamar a atenção de Eduardo. Seus olhos se estreitaram ligeiramente. “Roberto, é? Um homem com quem tive… algumas divergências no passado.”

Marina sentiu um frio na espinha. O plano de seu tio estava começando a se desenrolar.

“Meu tio sempre admirou a sua força, senhor Almeida”, Marina disse, um sorriso inocente. “Ele disse que o senhor é um exemplo de como se constrói um império.”

Eduardo riu, um som rouco. “Um império se constrói com determinação, jovem. E com a capacidade de eliminar os obstáculos.”

Marina sentiu o perigo nas palavras dele, mas também uma oportunidade. “E quais são os obstáculos, senhor Almeida? Os concorrentes? Ou talvez… as promessas que não foram cumpridas?”

Um silêncio pesado caiu sobre eles. O olhar de Eduardo ficou mais intenso, avaliador. Leonardo olhou para Marina, surpreso com sua ousadia.

“Você tem uma língua afiada, senhorita Silva”, Eduardo disse, um brilho perigoso em seus olhos. “Talvez um pouco afiada demais para o seu próprio bem.”

“Talvez”, Marina respondeu, sem desviar o olhar. “Ou talvez eu apenas saiba reconhecer a força quando a vejo. E a força, senhor Almeida, se não for usada com sabedoria, pode se tornar um obstáculo.”

A conversa foi interrompida por um grito vindo da entrada do salão. Clara estava ali, a expressão de fúria estampada em seu rosto.

“Leonardo! O que você está fazendo com essa… essa… coisa?”, ela gritou, apontando para Marina.

A tensão explodiu. Eduardo Almeida observou a cena com um interesse frio. Leonardo se virou para Clara, o semblante cansado.

“Clara, por favor, vamos conversar em particular.”

“Em particular? Para me contar que você prefere a companhia dessa… dessa interesseira?”, Clara retrucou, as lágrimas escorrendo pelo rosto.

Marina observou a cena, sentindo um misto de satisfação e culpa. Ela estava jogando sujo, mas era para ganhar o homem que amava. E ela sabia que essa era apenas a primeira jogada em um jogo muito maior. O jogo de sedução e engano estava apenas começando.

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