O Ladrão do meu Coração II

Capítulo 12 — A Armadilha de Sofia

por Valentina Oliveira

Capítulo 12 — A Armadilha de Sofia

O sol da manhã tentava timidamente romper as nuvens cinzentas que cobriam o céu do Rio de Janeiro, mas a luz que invadia o escritório elegante de Sofia era fria, impessoal. Ela observava o reflexo de seu próprio rosto no vidro da janela, um sorriso dissimulado brincando em seus lábios. O plano estava se desenrolando exatamente como ela previra, e a satisfação que isso lhe causava era quase palpável.

Miguel havia caído em seu jogo, tal como um peixe em uma rede bem armada. A notícia da aproximação dele com Helena, a antiga paixão que um dia o havia consumido, chegou aos seus ouvidos como um bálsamo para sua alma ferida e ambiciosa. Sofia não suportava a ideia de perdê-lo, de vê-lo encontrar a felicidade nos braços de outra mulher. E, para ser sincera, a ideia de vingança era um tempero irresistível para seus planos.

Ela pegou o telefone, discando um número com dedos ágeis. Do outro lado da linha, uma voz rouca atendeu. “Alô?”

“Carlos, querido. Como estão as coisas do nosso lado?”, Sofia perguntou, a voz doce e melíflua, como se estivesse falando com um amante, não com um dos seus capangas mais leais.

“Tudo tranquilo, Sofia. O material foi entregue no local combinado. E o pagamento, como sempre, em espécie. Ninguém desconfiou de nada.” A voz de Carlos era séria, profissional, desprovida de qualquer emoção.

Sofia sorriu. “Ótimo. E sobre o nosso pequeno ‘contrato’ envolvendo o senhor Miguel Arantes…?”

“Ele caiu na isca, Sofia. A reunião com o cliente em potencial foi um sucesso. Ele assinou os papéis sem nem pestanejar. O navio está a caminho.” Carlos parecia satisfeito com o próprio trabalho.

“Perfeito. Ele pensa que fez um grande negócio, o tolo. Mal sabe ele que acabou de entregar a si mesmo e a tudo que ele mais ama em minhas mãos”, Sofia murmurou para si mesma, a voz carregada de um prazer sombrio. Ela se sentia poderosa, no controle de tudo. A ruína de Miguel seria o trampolim para a sua ascensão, e ela não hesitaria em pisar em quem fosse para alcançar seus objetivos.

Ela desligou o telefone e caminhou até a sua mesa, onde uma fotografia de Miguel, sorrindo e despreocupado, repousava em um porta-retrato de prata. Ela o pegou, os dedos percorrendo o contorno de seu rosto. “Você é meu, Miguel. Sempre foi. E não vou deixar que nenhuma Helena Arantes, ou qualquer outra mulher, tire você de mim.” Seus olhos brilhavam com uma intensidade perigosa.

Enquanto isso, em um local discreto, longe dos olhos curiosos da cidade, Miguel sentia a euforia de um negócio fechado. O contrato com a empresa de importação e exportação parecia promissor, um novo começo para seus negócios, uma forma de provar a Helena que ele era capaz de reconstruir sua vida, e de lhe oferecer um futuro seguro. Ele não imaginava que aquele “sucesso” era, na verdade, a peça central de uma armadilha elaborada por Sofia.

Ele havia confiado em Carlos, um antigo sócio que se tornara um braço direito confiável. A parceria parecia sólida, os negócios fluíam. Mas Sofia, com sua astúcia e crueldade, havia manipulado Carlos, transformando-o em seu peão. A proposta de um negócio extremamente lucrativo, com um prazo apertado e um cliente misterioso, era exatamente o tipo de tentação que Miguel, impulsionado pela urgência de reconquistar Helena e garantir seu futuro, não conseguiria resistir.

Helena, por sua vez, sentia um aperto no peito. A reaproximação com Miguel trazia de volta sentimentos que ela pensava ter enterrado. A paixão reacendida era inegável, mas o medo de se entregar novamente, de sofrer a dor do abandono, a consumia. Ela o amava, mas a desconfiança era um muro que ela não sabia se seria capaz de derrubar.

“Ele parece tão… diferente”, Helena comentou com sua amiga Clara, durante um almoço em um café charmoso na Zona Sul.

Clara a observou, com um sorriso compreensivo. “Diferente como, Helena? Mais maduro? Mais… arrependido?”

“Não sei. Parece mais… determinado. Como se ele tivesse algo a provar”, Helena respondeu, remexendo o guardanapo entre os dedos. “Mas ainda assim… eu não consigo esquecer o que ele fez. O que nós passamos.”

“Eu sei que é difícil. Mas você também mudou, Helena. Você é uma mulher forte agora. Não é mais aquela garota que esperava por ele à mercê do destino. Se ele quer você de volta, ele vai ter que conquistar você. E você tem todo o direito de se defender, de se proteger.” Clara pegou a mão de Helena, apertando-a com carinho. “E se ele te machucar de novo, eu te garanto que eu mesma vou descer o murro nele por você.”

Helena riu, um riso genuíno que não sentia há muito tempo. “Você é a melhor amiga que alguém poderia pedir, Clara.”

Enquanto as duas amigas compartilhavam um momento de cumplicidade, longe dali, a armadilha de Sofia se fechava. A carga que Miguel havia recebido, sob o disfarce de um negócio legítimo, era na verdade contrabando de arte roubada, com ligações a um cartel internacional. Sofia planejava usar essa carga para incriminar Miguel, para destruí-lo financeiramente e, o mais importante, para separá-lo de Helena de uma vez por todas.

Ela sabia que, com a reputação arruinada e enfrentando acusações criminais, Miguel jamais poderia oferecer a Helena o futuro que ele tanto desejava. E, ao mesmo tempo, ela se posicionaria como a salvadora, a única que poderia ajudá-lo a se livrar da enrascada. Uma jogada de mestre, com um toque de perversidade que só ela possuía.

Sofia suspirou, sentindo a adrenalina percorrer suas veias. “A noite vai ser longa”, ela disse para o nada, com um brilho nos olhos. Ela imaginou o desespero de Miguel ao descobrir a verdade, a ruína se aproximando. E em sua mente, o quadro era perfeito. Ela seria a única a oferecer uma saída.

No dia seguinte, a notícia do escândalo explodiu. A alfândega interceptou um carregamento de arte roubada, e o nome de Miguel Arantes apareceu nas primeiras investigações. O pânico começou a se instalar em seu peito. Ele não entendia como aquilo havia acontecido. Estava tudo tão perfeito, tão promissor.

Ele ligou para Carlos, desesperado. “Carlos, o que está acontecendo? Como isso foi parar nas minhas mãos? Eu não sabia de nada disso!”

A voz de Carlos soou fria, distante. “Eu sinto muito, Miguel. Mas as evidências apontam para você. A papelada… a minha assinatura está lá. Eu não posso te ajudar.” A traição era clara, crua, devastadora.

Miguel sentiu o chão sumir sob seus pés. Ele havia sido traído. Pior, ele havia sido incriminado. E ele sabia exatamente quem estava por trás disso. Sofia. A mulher que ele havia tentado esquecer, a mulher que sempre foi movida pela ganância e pela vingança.

Ele pensou em Helena. Em seus olhos, em seu sorriso. Em tudo que ele havia prometido a ela. Agora, tudo parecia ruir, desmoronar em um abismo sem fim. A armadilha de Sofia havia se fechado com sucesso, e ele estava preso nela, com a sombra da ruína e a perda de Helena pairando sobre sua cabeça como uma ameaça iminente. A batalha pelo coração de Helena seria ainda mais difícil do que ele imaginava. Ele precisava lutar não apenas contra o passado, mas contra um presente cruel e implacável que Sofia havia forjado para ele.

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