O Ladrão do meu Coração II

Capítulo 14 — O Confronto com a Serpente

por Valentina Oliveira

Capítulo 14 — O Confronto com a Serpente

Sofia observava as notícias em sua tela, um sorriso satisfeito brincando em seus lábios. A imagem de Miguel Arantes estampada nas manchetes, cercado por um halo de escândalo e acusação, era a mais doce das vitórias. Ela sentia uma euforia perigosa percorrer suas veias, a satisfação de ter desmantelado a vida de um homem que ousou rejeitá-la.

“Eles estão caindo como eu previ”, ela murmurou para si mesma, a voz rouca e cheia de um prazer sombrio. “Miguel, o grande herói, agora se afoga em suas próprias mentiras. E Helena… pobre Helena. Logo ela vai perceber que o homem em quem ela confiou era apenas uma ilusão.”

Ela pegou um copo de uísque, o líquido âmbar refletindo a luz fria do escritório. A trama havia sido impecável. A manipulação de Carlos, a entrega do contrabando, a incriminação de Miguel – tudo orquestrado com a precisão de um cirurgião. E agora, o próximo passo era consolidar sua posição, aparecendo como a única pessoa que poderia “ajudá-lo” a sair daquela enrascada, ganhando assim um controle ainda maior sobre ele e, consequentemente, sobre os negócios que ele havia construído.

No entanto, uma pontada de incômodo surgiu em sua mente. Helena. Ela sabia que a reaproximação entre Miguel e Helena havia sido mais forte do que ela esperava. E se Helena decidisse acreditar em Miguel? Se ela o ajudasse a provar sua inocência? A ideia era insuportável.

“Não, isso não vai acontecer”, Sofia decidiu, apertando o copo com mais força. Ela precisava garantir que Helena também fosse atingida, que sentisse a dor da perda e da decepção. A destruição de Miguel não estaria completa sem o sofrimento de Helena.

Ela pegou o telefone e ligou para seu contato na mídia, um jornalista ambicioso e sem escrúpulos que lhe devia muitos favores. “João, querido. Tenho um presente para você. Uma história que vai abalar a cidade. E vai garantir que o nome de Miguel Arantes seja manchado para sempre.”

Enquanto isso, Miguel e Helena trabalhavam incansavelmente, movidos por uma urgência crescente. Eles haviam conseguido acesso a alguns documentos que Carlos havia deixado para trás antes de desaparecer, documentos que, em sua simplicidade, pareciam inocentes, mas que, com a ajuda de um perito em contabilidade que Miguel conhecia, começavam a revelar a teia de transações financeiras fraudulentas orquestradas por Sofia.

“Aqui está”, o perito, um homem chamado Dr. Almeida, disse, apontando para uma planilha complexa. “Esses pagamentos a Carlos… eles foram disfarçados como honorários de consultoria, mas na verdade, eram para encobrir a movimentação de dinheiro para contas off-shore. E a fonte desse dinheiro… ela é surpreendente.”

Miguel e Helena se entreolharam, a tensão crescendo.

“Qual é a fonte, Doutor Almeida?”, Miguel perguntou, a voz tensa.

“O dinheiro vem de uma fundação de caridade que Sofia administra. Uma fundação que, pelo visto, está sendo usada como fachada para lavagem de dinheiro. E, mais chocante ainda, os relatórios indicam que parte desse dinheiro foi utilizada para… subornar funcionários da alfândega e da polícia.”

Helena engasgou, a mão cobrindo a boca em choque. “Ela está usando uma fundação de caridade para cometer crimes? Isso é… isso é monstruoso!”

“Exatamente”, o Dr. Almeida concordou. “Miguel, você foi incriminado para que Sofia pudesse desviar a atenção de suas próprias atividades criminosas. Ao te colocar como o principal suspeito, ela garantiu que ninguém investigasse a fundo as suas movimentações financeiras.”

Miguel sentiu uma raiva fria percorrer suas veias. A audácia de Sofia era assustadora. Ela não apenas o havia traído e tentado arruiná-lo, mas também estava explorando a confiança das pessoas, usando a caridade como escudo para seus crimes.

“Precisamos expor isso, Helena”, Miguel disse, a voz firme, a determinação renovada. “Precisamos provar que ela é a verdadeira criminosa.”

Helena concordou, seus olhos brilhando com a mesma intensidade que os dele. A desconfiança que ela sentia por Miguel ainda existia, mas o ódio por Sofia, a repulsa por sua crueldade, era ainda maior. Ela se sentia compelida a ajudá-lo, não apenas por amor, mas por justiça.

Decididos, eles elaboraram um plano. Precisavam de provas irrefutáveis, algo que Sofia não pudesse negar, algo que a expusesse diante de todos. Miguel lembrou-se de um encontro secreto que ele e Carlos tiveram antes de tudo desmoronar, onde Carlos, em um acesso de remorso, havia entregado a Miguel um pen drive com informações cruciais. Informações que ele, na época, não compreendeu a importância.

“O pen drive”, Miguel exclamou. “Carlos me deu um pen drive. Ele disse que era importante. Eu o guardei, pensando que era algo relacionado aos nossos negócios.”

Ele correu para seu antigo escritório, agora um lugar sombrio e desolador, e vasculhou sua antiga caixa de segurança. Lá estava, um pequeno pen drive de metal, esquecido em meio a documentos sem importância.

Com as mãos trêmulas, ele o conectou ao seu laptop, com Helena ao seu lado, o coração disparado. O pen drive continha e-mails, gravações de áudio e vídeos de conversas entre Sofia e Carlos, detalhando o plano para incriminá-lo e a extensão de suas operações ilegais. E o mais chocante: uma gravação onde Sofia, em um momento de arrogância, falava sobre seus planos para arruinar Helena também, caso ela se tornasse um obstáculo.

“Você vê, Helena? Ela não pararia em mim. Ela iria atrás de você também”, Miguel disse, a voz carregada de uma fúria contida.

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A maldade de Sofia era infinita. Ela estava determinada a destruir não apenas a vida dele, mas também a dela.

Naquela mesma noite, Miguel e Helena foram até o apartamento de Sofia. Eles sabiam que era arriscado, mas precisavam confrontá-la, confrontá-la com as provas em mãos.

A porta se abriu, revelando Sofia, com um sorriso forçado no rosto. “Miguel? Helena? O que fazem aqui? Pensei que vocês estivessem ocupados com… os seus problemas.”

Miguel entrou, com Helena logo atrás. O olhar dela era de puro desprezo. “Nossos problemas, Sofia? Ou os seus problemas, que você tentou jogar em cima de mim?”

Sofia riu, um som seco e sem humor. “Eu não entendo do que você está falando, Miguel. Você está acusado de contrabando de arte. Não tem nada a ver comigo.”

“É mesmo?”, Helena perguntou, a voz calma, mas carregada de uma ameaça velada. “Então, o que você diria sobre isso?”

Miguel ligou seu laptop, projetando as gravações e os e-mails na parede. As conversas entre Sofia e Carlos, os planos detalhados, as provas de lavagem de dinheiro, as ameaças a Helena – tudo foi exibido diante de Sofia, que empalideceu visivelmente.

O sorriso desapareceu de seu rosto, substituído por uma expressão de puro terror e raiva. “Vocês… vocês não podem fazer isso! Isso é um absurdo!”

“Absurdo é usar uma fundação de caridade para lavar dinheiro, Sofia”, Miguel disse, a voz fria e implacável. “Absurdo é tentar arruinar a vida de pessoas inocentes por pura ganância e vingança.”

“E mais absurdo ainda é querer destruir a mim e ao Miguel, apenas porque você não conseguiu o que queria!”, Helena completou, a voz trêmula de raiva.

Sofia olhou para eles, seus olhos cheios de ódio. Ela sabia que havia sido pega. A armadilha havia se voltado contra ela. Mas ela não desistiria facilmente.

“Vocês acham que podem me derrotar tão facilmente?”, ela sibilou, um brilho perigoso em seus olhos. “Vocês não sabem com quem estão lidando.”

Antes que pudessem reagir, Sofia apertou um botão oculto em sua mesa. Um alarme estridente soou pelo apartamento. Em segundos, dois homens corpulentos surgiram de uma porta secreta, claramente mercenários.

“Eu avisei que não ia desistir”, Sofia disse, um sorriso cruel retornando aos seus lábios. “Agora, vocês dois vão ter um destino bem pior do que a cadeia.”

Miguel se colocou na frente de Helena, pronto para protegê-la. A batalha pelo coração de Helena havia levado Miguel a enfrentar não apenas as sombras do passado, mas também a escuridão presente de uma inimiga implacável. E agora, a luta pela sobrevivência havia começado.

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