O Ladrão do meu Coração II

Capítulo 8 — A Reunião Inesperada

por Valentina Oliveira

Capítulo 8 — A Reunião Inesperada

O dia seguinte amanheceu com um sol radiante, uma ironia cruel para a tempestade que ainda reinava no coração de Marina. O beijo na chuva, a noite de reflexão no mirante, tudo a deixara em um turbilhão de incertezas. Ela sabia que não poderia mais fugir. Precisava de respostas, precisava entender o que havia acontecido entre ela e Leonardo.

Decidiu ir até a galeria de arte onde ele trabalhava. Era um local que sempre fora importante para eles, o palco de seus primeiros encontros, de suas conversas sobre arte e vida. A galeria era um reflexo do sucesso dele: moderna, elegante, repleta de obras de arte de bom gosto.

Ao entrar, sentiu o familiar aroma de tinta e verniz, um perfume que a transportou de volta no tempo. A recepcionista a cumprimentou com um sorriso educado.

“Posso ajudar, senhorita?”

“Eu gostaria de falar com o senhor Leonardo Rossi, por favor”, Marina disse, tentando manter a voz firme.

A recepcionista consultou o computador. “O senhor Rossi está em uma reunião no momento. Posso avisá-lo de sua presença?”

“Por favor”, Marina respondeu, o coração batendo acelerado.

Enquanto esperava, Marina observou as obras expostas. Havia um quadro em particular que chamou sua atenção: uma paisagem abstrata, cheia de cores vibrantes e texturas fortes. Lembrou-se de como Leonardo sempre fora fascinado por arte, como ele a incentivava a pintar, a expressar seus sentimentos através das cores.

De repente, ouviu uma voz familiar.

“Marina?”

Ela se virou e o viu. Leonardo estava ali, parado a poucos metros dela, o semblante sério, mas com um brilho nos olhos que ela não via há muito tempo. Clara estava ao seu lado, o sorriso forçado, a pose defensiva.

A tensão pairou no ar. A recepcionista, percebendo o clima, retirou-se discretamente.

“Leonardo”, Marina disse, tentando soar indiferente, mas sua voz falhou.

“O que você faz aqui?”, ele perguntou, o tom neutro, mas com uma pitada de surpresa.

“Eu preciso conversar com você”, Marina respondeu, encarando-o diretamente.

Clara bufou. “Conversar? Sobre o quê? Sobre o beijo de ontem? Ou você veio pedir um emprego?” A crueldade em sua voz era palpável.

Marina ignorou Clara, focando em Leonardo. “Eu preciso entender, Leonardo. Preciso saber por quê.”

Leonardo olhou para Clara, depois para Marina. Havia uma luta em seus olhos, uma indecisão que a deixou ainda mais confusa.

“Marina, isso não é um bom momento”, ele disse, a voz baixa.

“Quando será um bom momento, Leonardo?”, Marina insistiu, a mágoa começando a aflorar. “Quando você for casar com ela? Quando você finalmente me apagar completamente da sua vida?”

Clara deu um passo à frente. “Você não tem o direito de vir aqui e me insultar, sua… sua…”

“Clara, por favor!”, Leonardo a interrompeu, o tom de voz mais firme. Ele olhou para Marina. “Marina, eu não quero fazer isso aqui.”

“Onde, então?”, Marina perguntou, a voz trêmula. “Você tem algum lugar onde o passado não te assombra? Algum lugar onde as promessas que você fez não ecoam?”

Leonardo hesitou por um momento, como se estivesse pesando suas opções. Então, para a surpresa de Marina, ele se virou para Clara.

“Clara, eu preciso resolver uma coisa. Por favor, espere por mim no carro.”

Clara o olhou com incredulidade, mas a firmeza em seus olhos a fez ceder. Com um olhar de puro ódio para Marina, ela se virou e saiu da galeria.

Assim que Clara saiu, Leonardo se virou para Marina, o semblante aliviado, mas ainda carregado de tensão.

“Eu não queria que ela visse isso”, ele confessou.

“E eu não queria ter que vir aqui te confrontar”, Marina respondeu. “Mas você não me deu escolha. Aquele beijo na chuva… o que ele significou, Leonardo?”

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo. “Marina, as coisas são complicadas.”

“Complicadas? Você me abandonou, Leonardo. Você sumiu. E agora você me beija na frente da sua noiva? Como isso é complicado?” A voz de Marina começou a falhar.

“Eu nunca te esqueci, Marina”, ele disse, a voz carregada de emoção. “Nunca. Mesmo quando eu tentei. Mesmo quando eu acreditei que era o melhor para nós.”

“O melhor para quem, Leonardo? Para você? Para sua consciência tranquila?” As lágrimas começaram a rolar por seu rosto. “Você nunca pensou em mim?”

“Claro que pensei!”, ele exclamou, a frustração em sua voz. “Todos os dias! Mas eu estava cego. Eu estava com medo. Eu não sabia como lidar com a situação, com a sua dor, com a minha própria dor. E então… eu fiz a pior escolha da minha vida.”

“E a pior parte é que você está com ela agora”, Marina disse, a voz embargada.

Leonardo se aproximou dela, hesitando antes de tocar seu rosto. “Marina, eu nunca amei ninguém como amei você. E o que aconteceu entre nós… não foi um erro.”

“Mas você me deixou”, ela sussurrou, sentindo o calor de sua mão em sua pele.

“Eu fui um covarde”, ele admitiu, os olhos fixos nos dela. “Um completo e total covarde. E eu me arrependo disso todos os dias.”

Marina fechou os olhos por um instante, tentando absorver aquelas palavras. A confissão dele era um bálsamo, mas também uma tortura. Era a confirmação de que o amor que sentiram fora real, mas que as escolhas que ele fizera haviam destruído tudo.

“E agora, Leonardo?”, ela perguntou, abrindo os olhos. “O que nós fazemos com isso? Com esse amor que nunca morreu, mas que foi enterrado?”

Ele a puxou para um abraço, um abraço apertado, desesperado. Marina se permitiu ser envolvida por ele, sentindo o cheiro dele, a familiaridade de seu corpo. Era um abraço de despedida? Ou um recomeço?

“Eu não sei”, ele sussurrou em seu ouvido. “Mas eu preciso saber o que você sente. O que você quer.”

Marina se afastou, olhando para ele. Havia uma intensidade em seus olhos que a assustava e a atraía ao mesmo tempo.

“Eu quero o amor que tivemos, Leonardo”, ela disse, a voz firme. “O amor que você me prometeu. Mas eu não sei se isso é possível. Eu não sei se você é capaz de lutar por ele.”

Ele a olhou com uma profundidade que a fez tremer. “Eu sou capaz de tudo por você, Marina. Você é a minha vida.”

Naquele momento, a porta da galeria se abriu com estrondo. Clara estava parada ali, os olhos vermelhos de raiva e dor.

“Leonardo Rossi!”, ela gritou. “O que você está fazendo?”

O abraço entre eles se desfez. Leonardo se virou para Clara, a expressão de sofrimento em seu rosto.

Marina sentiu um misto de alívio e desespero. Ela tinha suas respostas, mas a batalha estava longe de acabar.

“Clara, eu posso explicar”, Leonardo começou.

“Explicar o quê?”, Clara o interrompeu, a voz embargada. “Que você ainda ama essa… essa coisa do passado? Que você me enganou todos esses anos?”

“Não é isso, Clara”, Leonardo tentou argumentar.

“Eu não quero ouvir mais nada!”, Clara disse, lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela se virou para Marina, com um olhar de puro desprezo. “Você é a responsável por tudo isso.”

Marina não respondeu. Ela apenas olhou para Leonardo, esperando uma atitude, uma decisão.

Leonardo hesitou por um momento, dividido entre as duas mulheres. Então, ele tomou uma decisão.

“Clara, nós precisamos conversar. Mas não aqui.” Ele se virou para Marina. “Marina, eu te ligo.”

E com isso, ele saiu, deixando Marina e Clara sozinhas na galeria, em um silêncio carregado de dor e incertezas. Marina sentiu um aperto no peito. Ela sabia que a luta por Leonardo estava apenas começando, e que seria uma batalha difícil, cheia de obstáculos e corações partidos.

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