O Segredo do Milionário

Capítulo 10 — A Tempestade na Ilha e a Última Jogada do Milionário

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 10 — A Tempestade na Ilha e a Última Jogada do Milionário

O convite para uma “última conversa à beira-mar” soou como uma sentença de morte para Clara. Ricardo a conduziu pela noite fria da ilha, a brisa salgada chicoteando seus rostos, as estrelas ocultas por nuvens densas que prenunciavam a tempestade iminente. A praia, antes um refúgio, agora era um palco sombrio para a confrontação final.

Marcelo, com uma expressão de profunda preocupação, observava de longe, acompanhado por dois dos homens de confiança de Ricardo, cujos olhares eram de impaciência e desconfiança. Ele sabia que Ricardo não queria testemunhas, e o fato de estar ali, apesar das ordens veladas, era um risco calculado.

“Você realmente acha que pode me deter, Marcelo?”, Ricardo perguntou, virando-se para encará-lo, um sorriso cruel brincando em seus lábios. “Você é apenas um pequeno peixe tentando nadar contra a correnteza do meu poder.”

“Se o seu poder é construído sobre mentiras e tragédias, então sim, Ricardo”, Marcelo retrucou, firme. “E Clara não vai ser mais uma vítima do seu jogo sujo.”

Ricardo riu, um som rouco que se misturou ao uivo do vento. Ele se voltou para Clara, que tremia, não apenas pelo frio, mas pelo medo que o homem à sua frente inspirava. “Você ainda acha que pode fugir, meu amor? Acha que pode me desafiar?”

Ele tirou o pequeno diário e a fotografia da mão de Clara, guardando-os em seu bolso com um gesto desdenhoso. “Bobagens. Histórias inventadas por um homem amargurado. Você vai se casar comigo, Clara. E você vai esquecer essa fantasia de ‘verdade’.”

“Nunca!”, Clara gritou, a voz embargada pela emoção e pela tempestade que se aproximava. “Você é um assassino, Ricardo! Você destruiu a vida do Sr. Almeida e da filha dele! Você é um monstro!”

A fúria tomou conta do rosto de Ricardo. Em um movimento rápido, ele agarrou Clara pelos braços, seus dedos apertando com força. “Você fala demais, Clara. E isso vai ser o seu fim.”

Marcelo, percebendo o perigo iminente, avançou. “Solte-a, Ricardo!”

Os homens de Ricardo se posicionaram entre eles, prontos para intervir. Mas antes que a violência pudesse eclodir, um raio iluminou o céu, seguido por um trovão ensurdecedor. A tempestade havia chegado com força total.

As ondas começaram a quebrar com mais violência na praia, o vento uivava como um animal ferido. Em meio ao caos da natureza, Ricardo se ajoelhou diante de Clara, a respiração ofegante.

“Esta é a sua última chance, Clara”, ele disse, os olhos fixos nos dela. “Aceite o meu destino. Aceite o meu amor. Ou enfrentará as consequências.”

“Eu prefiro enfrentar as consequências a viver uma mentira com você!”, Clara respondeu, lutando para se soltar.

De repente, um grito veio da direção de Marcelo. Um dos homens de Ricardo, em um acesso de pânico com a tempestade, havia se desequilibrado e caído em direção às ondas revoltas. Marcelo, sem hesitar, correu para ajudá-lo, esquecendo-se momentaneamente da situação com Clara e Ricardo.

Ricardo viu a distração. Em um instante, ele empurrou Clara com força. Ela cambaleou para trás, perdendo o equilíbrio na areia molhada. Um segundo golpe, e ela caiu na água gelada, as ondas a puxando para o mar agitado.

“Clara!”, Marcelo gritou, virando-se para o caos.

Ricardo observou Clara ser levada pelas ondas, um brilho frio em seus olhos. Ele havia jogado sua última carta. Com Clara fora do caminho, ele poderia consolidar seu poder sem a ameaça de sua recusa.

“Ela teve o que mereceu, Marcelo”, Ricardo disse, a voz calma apesar do pandemônio ao redor. “Ela não era digna do meu amor.”

Mas Marcelo não o ouviu. Ele nadava freneticamente em direção a Clara, lutando contra as ondas violentas. A escuridão e a tempestade pareciam querer engoli-los.

Enquanto Marcelo lutava contra o mar, Ricardo caminhava calmamente de volta para a mansão, deixando a tempestade e o desespero para trás. Ele estava seguro. Ele havia eliminado a única ameaça real ao seu império.

No entanto, o destino, assim como a natureza, tinha seus próprios planos. No meio da luta contra as ondas, Marcelo sentiu algo rígido bater em sua perna. Era um pedaço de madeira, provavelmente de um dos barcos destruídos pela tempestade. Ele a agarrou, usando-a como apoio.

E então, ele a viu. Não Clara, mas algo que brilhava fracamente na água, levado pela correnteza. Era um pequeno objeto, metálico. Ele o pegou. Era um dispositivo de escuta. E ele sabia quem o colocara ali.

Enquanto isso, dentro da mansão, os homens de Ricardo já estavam em alerta máximo. Mas algo estava errado. O silêncio que emanava da sala de controle, onde Ricardo normalmente supervisionava tudo, era perturbador.

Um dos seguranças mais leais a Ricardo, o Sr. Silva, correu para a sala de controle. A porta estava entreaberta. Ele entrou com cautela. A sala estava vazia. O monitor principal, que deveria exibir imagens de toda a ilha, estava desligado. E, em cima da mesa, estava a caixa de música que Clara havia recebido de Sofia. Ao lado dela, um pedaço de papel com uma única frase escrita: “O jogo acabou, Ricardo.”

De volta à praia, a tempestade começava a diminuir. Marcelo emergiu da água, exausto, mas vitorioso. Ele não encontrou Clara. Mas ele encontrou algo mais. Ele encontrou a prova que precisava. Ele havia recuperado o diário e a fotografia que Ricardo havia tirado de Clara. E ele sabia que Clara, em sua última jogada desesperada, havia plantado algo.

Com a manhã chegando, trazendo consigo um céu mais limpo, mas um mar ainda revolto, a ilha parecia um campo de batalha devastado. Os homens de Ricardo vasculhavam a praia, procurando por Clara. Mas ela havia desaparecido, levada pela tempestade, ou talvez… por uma fuga planejada.

Marcelo, usando o dispositivo de escuta encontrado, conseguiu rastrear a localização de um barco de fuga que Clara e Sofia haviam preparado secretamente. Ele sabia que ela havia conseguido escapar. Ela havia jogado o seu último trunfo.

Ricardo, ao descobrir que Clara havia desaparecido e que ele havia sido enganado, sentiu a fúria consumi-lo. Ele havia sido superado. Sua armadilha havia se voltado contra ele. Ele estava sozinho, com seus segredos expostos, e sem a peça principal de seu jogo.

Os dias seguintes foram de busca incessante por Clara. Mas ela havia desaparecido sem deixar rastros. A ilha, antes um símbolo de poder e riqueza para Ricardo, agora era um lembrete de seu fracasso. O acordo, a vingança, tudo havia se desfeito.

Clara, embora ferida e exausta, havia sobrevivido. Guiada por um instinto de sobrevivência e pela inteligência de Sofia, ela havia encontrado uma forma de escapar da prisão dourada de Ricardo. A tempestade na ilha não havia sido apenas um evento climático, mas o prenúncio da tempestade que abalaria o império de Ricardo Vasconcelos. A última jogada do milionário havia falhado, e a verdade, há muito tempo escondida, estava prestes a vir à tona. O jogo de xadrez havia chegado ao fim, mas as consequências estavam apenas começando.

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