O Segredo do Milionário

Capítulo 8 — A Fuga Frustrada e as Raízes do Medo

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 8 — A Fuga Frustrada e as Raízes do Medo

O ar na sala de estudo de Ricardo era denso, carregado com a ameaça velada e o desespero crescente de Clara. As palavras dele ecoavam em sua mente, cada sílaba um fio a mais na teia que a prendia. “Você não tem escolha.” A frase, dita com a frieza de quem não conhecia a piedade, a fez sentir um nó na garganta.

Ela olhou para Ricardo, o homem imponente sentado atrás de sua mesa, o poder emanando dele como um perfume intoxicante e perigoso. Ele não a amava. Ele a queria. Ele a via como um objeto, uma ferramenta, uma peça essencial em seu jogo sombrio de poder e controle.

“Eu não posso fazer isso, Ricardo”, Clara sussurrou, a voz falhando. “Eu não posso ser cúmplice de algo assim.”

Ricardo sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. “Ah, mas você vai. Você vai testemunhar a meu favor. Você vai me proteger. Porque se você não o fizer, eu garantirei que você nunca mais veja a luz do sol fora destas ilhas.”

Ele levantou-se e caminhou em volta da mesa, parando a poucos centímetros dela. A proximidade dele era sufocante. Ela podia sentir o calor de seu corpo, o cheiro amadeirado de seu perfume, mas tudo o que sentia era repulsa e medo.

“Você acha que é forte, Clara? Acha que pode me desafiar?”, ele perguntou, a voz um rosnado baixo. “Eu construí um império do nada. Eu lidei com homens piores do que aquele que morreu hoje. Eu não hesito em tomar o que é meu. E você, Clara, é minha.”

O toque dele em seu rosto era gelado, um arrepio percorreu seu corpo. Ele acariciou sua bochecha com o polegar, um gesto que deveria ser carinhoso, mas que era intimidador. “Você não quer me desafiar. Você quer sobreviver. E eu estou te oferecendo a única forma de sobreviver aqui.”

Clara fechou os olhos, tentando afastar a imagem do homem que ele parecia ser, tentando se agarrar à esperança de que, talvez, houvesse um resquício de humanidade nele. Mas a verdade cruel era que Ricardo Vasconcelos era um predador, e ela, a presa.

“Eu preciso sair daqui, Ricardo”, ela disse, abrindo os olhos e encarando-o com determinação renovada. “Eu não pertenço a você.”

Um lampejo de raiva passou pelos olhos dele. “Ninguém está te prendendo, Clara. Você está livre para ir quando quiser. Apenas… lembre-se das consequências. E lembre-se de quem te deu tudo isso.”

Ele a soltou e se afastou, voltando para sua mesa. “Prepare-se. Amanhã, teremos convidados importantes. Você estará ao meu lado. E você se comportará.”

Clara saiu da sala de estudo, sentindo-se esgotada, mas com uma nova determinação surgindo em seu peito. Ela não seria controlada. Ela encontraria uma maneira de escapar.

Naquela noite, Clara mal conseguiu dormir. A imagem do homem morto, a ameaça de Ricardo, a sensação de estar presa em uma teia cruel a assombraram. Ela sabia que precisava agir. Precisava encontrar Marcelo. Ele era sua única esperança.

Na manhã seguinte, sob o pretexto de precisar de ar fresco, Clara conseguiu se esquivar dos olhares vigilantes dos seguranças. O sol da manhã banhava a ilha em uma luz dourada, mas para Clara, tudo parecia sombrio. Ela correu em direção à praia, onde Marcelo havia mencionado ter um pequeno barco ancorado.

O coração batia descompassado, a esperança crescendo a cada passo. Ela avistou a praia mais deserta da ilha, e lá, ancorado nas águas cristalinas, estava um pequeno barco a motor. E, encostado em uma palmeira, estava Marcelo.

Ele a viu se aproximando e um sorriso se abriu em seu rosto, mas logo foi substituído pela preocupação ao ver o estado dela. “Clara! O que você está fazendo aqui? Você está bem?”

Clara correu para ele, as lágrimas finalmente vindo à tona. “Marcelo, eu preciso ir embora daqui! Ricardo… ele me quer para ser cúmplice dele. Ele ameaçou… ele disse coisas terríveis.”

Marcelo a abraçou com força, o alívio em seu rosto palpável. “Eu sabia que ele te colocaria em apuros. Por isso vim. Peguei o barco ontem à noite, pensando em te tirar daqui. Mas ele é esperto. Os seguranças dele estão por toda parte.”

“Eles estão me vigiando o tempo todo”, Clara disse, ofegante. “Eu precisei inventar uma desculpa para sair.”

“Precisamos ir agora, antes que alguém perceba”, Marcelo disse, segurando a mão dela e a conduzindo para o barco. “Eu tenho suprimentos básicos. Podemos chegar à costa em algumas horas.”

Enquanto eles embarcavam, Clara sentiu um fio de esperança. A liberdade estava tão perto. Mas então, eles ouviram vozes se aproximando da mata.

“Eles nos viram!”, Marcelo exclamou, apressando-se para ligar o motor.

Os seguranças de Ricardo emergiram da vegetação, armados e com expressões ameaçadoras. “Srta. Clara, o Sr. Vasconcelos pede seu retorno imediato”, disse um deles, a voz fria.

Marcelo acelerou o motor, mas os seguranças já estavam se jogando na água para interceptar o barco. Era uma corrida contra o tempo. Eles conseguiram se afastar da praia, mas um dos seguranças, mais ágil, conseguiu subir na popa do barco.

“Clara, fique para trás!”, Marcelo gritou, lutando para manter o controle do barco.

O segurança tentou agarrar Clara, mas Marcelo, com um movimento rápido, o empurrou de volta para a água. No entanto, a distração foi suficiente para que outros seguranças chegassem em uma lancha rápida, bloqueando o caminho deles.

Ricardo estava na lancha, seu rosto uma máscara de fúria contida. Ele não parecia surpreso, apenas furioso.

“Você achou mesmo que poderia fugir, Clara?”, ele disse, a voz ecoando sobre o barulho do mar. “Você é minha. E você não vai a lugar nenhum.”

Marcelo tentou manobrar o barco para escapar, mas era inútil. Eles estavam cercados.

“Desistam, Marcelo”, Ricardo ordenou. “Entreguem a Clara, e talvez eu não precise tornar isso mais desagradável.”

Marcelo olhou para Clara, a frustração e a raiva estampadas em seu rosto. Clara sabia que não havia escapatória. Ricardo a tinha encurralado.

Eles foram forçados a voltar para a ilha, escoltados pela lancha de Ricardo. A esperança que havia florescido em Clara murchou, substituída por um desespero profundo. Ela olhou para Marcelo, um pedido mudo em seus olhos. Ele assentiu, um olhar de promessa em seu rosto. Ele não a abandonaria.

De volta à mansão, Ricardo a confrontou em seu escritório. “Você me decepcionou, Clara. Achei que você fosse mais inteligente do que isso. Achei que você entendesse a gravidade da situação.”

“Eu não posso viver assim, Ricardo”, Clara disse, a voz firme, apesar do medo. “Eu não sou uma prisioneira.”

“Você é minha, Clara”, ele repetiu, a voz mais dura desta vez. “E eu não vou permitir que você vá embora. Você vai se casar comigo. E então, você será minha para sempre.”

O choque da proposta a atingiu como um raio. Casar? Com ele? A ideia era grotesca.

“Não!”, ela exclamou. “Eu nunca me casaria com você!”

Ricardo riu, um riso frio e desprovido de humor. “Você vai. Por bem ou por mal, você vai. E quando estivermos casados, você não terá mais para onde fugir. Você será minha em todos os sentidos da palavra.”

Ele se aproximou dela, seus olhos escuros fixos nos dela. “Eu sei que você tem medo, Clara. Eu sei que o que aconteceu hoje a assustou. Mas eu posso te proteger. Eu posso te dar segurança. Apenas confie em mim.”

Mas Clara não confiava nele. Ela via apenas um homem obcecado, um homem que usava o medo e a manipulação para conseguir o que queria. A fuga frustrada havia revelado as raízes profundas do medo que Ricardo plantava em suas vítimas.

“Por que você faz isso, Ricardo?”, ela perguntou, a voz embargada. “Por que você precisa controlar tudo e todos?”

Ricardo desviou o olhar, uma sombra passando por seus olhos. “Porque eu perdi o controle uma vez, Clara. E eu nunca mais vou permitir que isso aconteça. Nunca mais.”

Ele a olhou de volta, a intensidade em seus olhos quase insuportável. “Você vai se casar comigo, Clara. E você vai aprender a me amar. Ou pelo menos, a me obedecer. Porque o seu futuro está nas minhas mãos.”

Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A promessa de casamento, que deveria ser um símbolo de amor e compromisso, era, em sua vida, uma sentença de prisão. As raízes do medo de Ricardo eram profundas, e elas agora se estendiam para aprisionar Clara em um destino que ela se recusava a aceitar.

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