Coração em Chamas III

Capítulo 10 — A Verdade Revelada no Coração da Noite

por Camila Costa

Capítulo 10 — A Verdade Revelada no Coração da Noite

O salão luxuoso da mansão Visconti, antes um palco de revelações dolorosas, agora se transformara em um cenário de perigo iminente. A aparição do pai de Marco, um homem que Helena acreditava estar morto, lançou uma sombra ainda mais sombria sobre a noite. Seu rosto, marcado pela idade e por uma raiva contida, irradiava uma aura de ameaça.

"Você… você não morreu?", Helena gaguejou, o choque paralisando seus sentidos. A revelação de Marco sobre a morte de seu pai, sobre o assassinato, tudo desmoronava diante de seus olhos.

O pai de Marco, um homem chamado Vittorio Visconti, deu um passo à frente, seus olhos fixos em Helena com uma intensidade fria. "Morrer? Não. Eu apenas… tive que desaparecer por um tempo. As coisas saíram do controle, e eu precisava garantir que ninguém mais se machucasse."

"Ninguém mais se machucasse?", Helena repetiu, a voz carregada de sarcasmo e dor. "Você assassinou o meu pai e depois desapareceu, deixando-me viver em um mundo de mentiras!"

Vittorio Visconti riu, um som seco e sem humor. "Seu pai foi um tolo. Ele pensou que poderia desafiar a ordem estabelecida. Ele pensou que poderia roubar o que era meu por direito. Ele era um obstáculo, Helena. E obstáculos precisam ser removidos."

As palavras cruéis de Vittorio ecoaram no silêncio, cada sílaba uma facada em Helena. Ela sentiu a raiva borbulhar dentro dela, uma fúria justa que a impulsionava a não ceder.

"Você não tinha o direito de tirar a vida dele!", Helena gritou, a voz trêmula de emoção. "Ele era um homem bom, um artista talentoso! Ele só queria ser feliz com a mulher que amava!"

"Amor?", Vittorio cuspiu a palavra como se fosse veneno. "Amor é fraqueza. O que importa é poder, controle. E seu pai, com sua ingenuidade e seus sentimentos descontrolados, ameaçava tudo o que eu construí." Ele olhou para Marco, com um desdém evidente. "E você, meu filho, é um tolo. Tão sentimental quanto ele. Acreditando em contos de fadas, em amor eterno."

Marco deu um passo à frente, a postura defensiva. "Pai, você não pode mais esconder isso. A Helena merece a verdade. E eu… eu não posso mais viver com essa mentira."

Vittorio o encarou com desprezo. "Mentira? A verdade é o que nós fazemos dela, Marco. E eu fiz dela uma história que nos protegeu. E agora, você vai manter o seu juramento. Você vai ficar em silêncio."

"Não!", Helena exclamou, sua voz ressoando no salão. Ela não se deixaria intimidar. "Eu não vou ficar em silêncio. Eu vou contar ao mundo o que você fez, Vittorio Visconti. Eu vou expor a sua crueldade e a sua ganância."

Vittorio deu um passo ameaçador em direção a Helena. "Você não vai fazer nada, garotinha. Você não tem provas. E eu tenho muitos amigos poderosos que garantirão que sua história seja desacreditada."

Nesse momento, Isabella, que permaneceu em silêncio observando a cena, deu um passo à frente, segurando seu celular. "Engano seu, Sr. Visconti. Temos provas."

Helena olhou para Isabella, surpresa e grata. A amiga sorriu, um sorriso de coragem e determinação. "Eu gravei tudo, Sr. Visconti. Cada palavra sua. Desde o momento em que você entrou. E eu já enviei para a polícia e para alguns jornalistas de confiança."

O rosto de Vittorio Visconti se contorceu em fúria. Ele avançou em direção a Isabella, tentando pegar o celular, mas Marco o interceptou, segurando-o com força.

"Não, pai! Acabou!", Marco disse, a voz firme, a determinação finalmente superando o medo. "Você não vai mais controlar a vida de ninguém."

A luta entre pai e filho foi breve, mas intensa. Vittorio, enfurecido, tentou se livrar de Marco, mas a força do jovem, impulsionada pela necessidade de redenção, era maior. Sirenes começaram a soar ao longe, aproximando-se rapidamente.

Em meio ao caos, Helena sentiu um misto de alívio e tristeza. A verdade finalmente estava vindo à tona, mas o custo fora imenso. Ela olhou para Marco, cujo rosto carregava a dor de ter enfrentado seu pai, mas também um vislumbre de libertação.

Quando os policiais chegaram, Vittorio Visconti foi levado sob protestos violentos. Marco ficou para trás, um homem quebrado, mas livre.

Helena se aproximou dele. A raiva e a mágoa ainda estavam lá, mas agora misturadas a uma profunda compaixão. "Você fez a coisa certa, Marco", ela disse, a voz suave. "Apesar de tudo."

Marco a olhou, os olhos marejados. "Eu sinto muito, Helena. Por tudo. Por não ter acreditado em você desde o início. Por ter me deixado ser manipulado pelo meu pai."

Helena tocou seu rosto, a mão ainda trêmula. "Eu sei que você lutou, Marco. E eu aprecio isso. Mas… eu preciso de tempo. Eu preciso curar essa ferida."

Ele assentiu, compreendendo. "Eu sei. Eu te dou o tempo que você precisar. Mas saiba que… eu te amo, Helena. E eu sempre vou te amar."

Enquanto a noite se dissipava e os primeiros raios de sol pintavam o céu parisiense, Helena sabia que a jornada não havia acabado. A verdade estava revelada, mas as cicatrizes permaneceriam. A história de amor de seus pais, marcada pela tragédia, seria honrada. E ela, Helena Valença, agora sabia quem era e de onde viera. A chama em seu coração, que por tanto tempo esteve abafada pela dor e pelo segredo, agora ardia com uma intensidade renovada, pronta para iluminar o seu próprio caminho, livre das sombras do passado. A sua história, afinal, era uma história de amor, de coragem e de uma verdade que, mesmo que tardiamente, finalmente encontrou a luz.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%