O CEO e a Secretária

Capítulo 12 — A Rede de Ilusões de Victor

por Camila Costa

Capítulo 12 — A Rede de Ilusões de Victor

A manhã seguinte chegou com a crueldade da luz solar invadindo a cobertura de Victor Sterling, como se quisesse expor a fragilidade da noite anterior. Isabella acordou sobressaltada, o corpo ainda quente com a memória do beijo de Victor. A pele dele, a urgência em seus lábios, o arrepio que percorreu seu corpo… tudo era vívido demais para ser um sonho. Sentou-se na cama suntuosa, o quarto em silêncio, apenas o som distante do trânsito a quebrar a quietude.

Onde estava Victor? Olhou em volta, o pânico começando a se instalar. Ele não estava ali. O lado dele da cama estava intocado, a colcha impecável. Ela estava sozinha. Uma onda de decepção, misturada a um alívio relutante, a inundou. Talvez o beijo tivesse sido um impulso, um erro, algo que ele se arrependia amargamente. Isso seria menos doloroso do que a verdade que ela temia.

Levantou-se, vestiu as roupas que estavam jogadas no chão na noite anterior, sentindo-se desajeitada e exposta. A cobertura, que antes parecia um refúgio, agora parecia um palco de suas próprias inseguranças. Cada objeto de luxo, cada obra de arte cara, parecia zombar dela, lembrando-a da vasta diferença entre seus mundos.

Ao se aproximar da porta do quarto, ouviu vozes vindas da sala. A voz de Victor, firme e controlada, e outra voz, masculina, profunda e um tanto impaciente. O coração de Isabella apertou. Ele não estava sozinho.

Hesitou, a mão pairando sobre a maçaneta. Deveria sair? Fugir antes que fosse vista? Mas a curiosidade, e uma pontada de possessividade que a assustou, a impediram. Girou a maçaneta devagar, espiando pela fresta.

Victor estava de pé perto da janela panorâmica, falando ao telefone. Ao seu lado, um homem bem vestido, com um semblante sério e um ar de autoridade, ouvia atentamente. Era alguém que Isabella nunca tinha visto antes, mas que emanava um poder semelhante ao de Victor.

"...sim, a proposta da Sterling Corp é a única que faz sentido", Victor dizia, a voz calculista. "Os termos são claros. Não há margem para negociação. Quero o contrato fechado até o fim da semana. E eu não aceito atrasos. Entendido, Ricardo?"

O homem, Ricardo, assentiu gravemente. "Entendido, Victor. Será feito. E sobre a aquisição da Vênus Enterprises? Tivemos um contratempo inesperado."

Victor franziu a testa. "Contratempos? Que contratempos? Eu não tolero falhas em meus planos."

Isabella sentiu um frio na espinha. Aquilo não era o Victor com quem ela compartilhou um beijo na noite anterior. Aquela era a máquina de fazer negócios, o CEO implacável que ela conhecia. O homem que ela vira na noite anterior, vulnerável e intenso, parecia uma miragem.

Ricardo explicou a situação, algo sobre burocracia e um concorrente agressivo. Victor ouviu com impaciência, a cada palavra parecendo mais irritado.

"Isso é inaceitável", ele rosnou. "Precisamos acelerar isso. Mande a equipe jurídica para resolver. Quero aquela empresa sob nosso controle, não importa o custo. Não me importo com as consequências legais, apenas com os resultados. E diga ao pessoal de marketing para começar a preparar a campanha de lançamento. A Vênus Enterprises será o nosso próximo grande sucesso."

O tom de Victor era frio, desprovido de qualquer emoção, exceto uma determinação implacável. Isabella sentiu o estômago revirar. A noite anterior, aquele beijo… parecia uma peça de teatro cuidadosamente orquestrada. Seria que ele estava apenas jogando com ela? Usando-a para algum propósito escuso?

A ideia a atingiu como um golpe físico. Ela se lembrava de como a mãe, Elena, sempre a alertara sobre os homens como Victor. Homens poderosos, carismáticos, que usavam seu charme para manipular. Isabella sempre se orgulhou de sua inteligência, de sua capacidade de discernir as intenções alheias. Mas com Victor, algo dentro dela se tornava cego, surdo.

Victor desligou o telefone e se virou, como se sentisse a presença dela. Seus olhos azuis encontraram os dela, e por um instante, Isabella viu um lampejo de surpresa, talvez até de algo que se assemelhava a culpa. Mas logo a máscara de impenetrável voltou.

"Isabella", ele disse, a voz neutra. "Você acordou."

"Eu… eu ouvi você falando", ela respondeu, tentando manter a voz firme. "Parece que você tem muito trabalho a fazer."

Um leve sorriso cruzou os lábios de Victor, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Sempre tenho. O mundo não se move sozinho, Isabella." Ele caminhou até ela, parando a uma distância respeitosa. O cheiro dele ainda era o mesmo, mas agora parecia ter um tom diferente, mais ameaçador.

"Você está bem?", ele perguntou, mas a pergunta soava mais como uma formalidade.

Isabella tentou sorrir. "Estou. Só… preciso ir para casa."

"Claro", Victor disse, sem demonstrar qualquer contrariedade. "Vou pedir para o motorista levá-la. E sobre… ontem à noite." Ele fez uma pausa, e Isabella prendeu a respiração, esperando a negação, a desculpa. "Foi um momento de… fraqueza. Não voltará a acontecer."

As palavras dele cravaram-se em seu peito como adagas. Fraqueza. Era assim que ele via o beijo que a fizera se sentir viva, que a fizera questionar tudo? Não um sentimento genuíno, mas uma fraqueza. A raiva começou a borbulhar em seu interior, uma raiva fria e controlada.

"Entendo", ela disse, a voz fria. "Não se preocupe. Eu também não pretendo que aconteça de novo."

Victor a observou por um momento, seus olhos azuis examinando-a com uma intensidade que a fez se sentir exposta. "Bom. Agora, vá. Tenho assuntos urgentes a tratar."

Isabella se virou e saiu da cobertura sem olhar para trás. No elevador, as lágrimas finalmente começaram a rolar por seu rosto. Não eram lágrimas de tristeza, mas de raiva e decepção. Victor Sterling era um mestre em ilusões. Ele a havia feito acreditar em algo que não era real. A noite passada, o beijo, tudo tinha sido uma fachada, uma distração.

Enquanto o carro particular de Victor a levava para casa, Isabella olhava pela janela, a cidade passando em um borrão. Ela precisava ser mais forte. Precisava se livrar daquele encanto. Victor Sterling era um jogo, e ela estava perdendo. Mas a cada perda, ela aprendia. E desta vez, ela aprenderia a não ser mais manipulada. A rede de ilusões de Victor era vasta, mas Isabella jurou a si mesma que encontraria uma maneira de escapar, de desvendar a verdade por trás da máscara de um homem que jogava com os corações como jogava com seus negócios.

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