O CEO e a Secretária
Capítulo 9 — As Rachaduras na Fachada
por Camila Costa
Capítulo 9 — As Rachaduras na Fachada
O escritório de Ricardo Beaumont, antes um santuário de poder e controle, agora parecia um campo de batalha. A atmosfera estava carregada de tensão, o silêncio interrompido apenas pelo barulho ocasional do teclado ou pelo suspiro frustrado de Ricardo. A contraproposta de Victor Sterling havia sido formalmente rejeitada, e a guerra estava declarada.
Clara, sentada em sua mesa do lado de fora do escritório dele, sentia cada fibra do seu ser em alerta máximo. O encontro com Victor a havia deixado abalada, mas também mais determinada. Ela sabia que ele estava jogando com informações parciais, manipulando a verdade para seus próprios fins. Mas ela também sabia que ele estava preparado para ir a qualquer extremo para alcançar seus objetivos.
Ricardo havia ordenado uma investigação interna rigorosa para identificar a fonte do vazamento de informações. As suspeitas recaíam sobre vários funcionários que haviam sido demitidos nos últimos anos, mas ninguém se destacava como um alvo óbvio. A investigação de Clara sobre o Sr. Vasconcelos também não havia rendido frutos imediatos. Ele parecia ter desaparecido completamente.
"Isso é um inferno, Clara," Ricardo disse, emergindo de seu escritório com a testa franzida. Ele estava com uma pilha de papéis nas mãos, o olhar perdido em pensamentos. "Victor Sterling não está nos dando trégua. Ele está usando todos os meios possíveis para nos desestabilizar. As ações da Beaumont estão caindo, e os investidores estão começando a ficar nervosos."
"Ele quer que percamos o controle," Clara respondeu, levantando-se e indo até ele. "Ele quer que pareçamos fracos."
Ricardo a pegou pela mão, seus dedos entrelaçados. O contato físico era um bálsamo para ambos, um lembrete silencioso de que não estavam sozinhos nessa luta. "E nós não podemos permitir isso. Eu preciso que você fique atenta a qualquer coisa fora do comum. Qualquer e-mail suspeito, qualquer conversa estranha. Você é meus olhos e ouvidos, Clara."
"Eu sei," ela disse, sentindo o peso da responsabilidade. "E eu não vou te decepcionar."
Naquela tarde, enquanto Clara organizava alguns documentos, ela percebeu uma anomalia. Um arquivo que ela tinha certeza de ter armazenado em uma pasta protegida por senha estava faltando. Ela tentou acessar a pasta novamente, mas a senha não funcionava mais. Era como se o arquivo tivesse sido apagado ou movido para um local inacessível.
Seu coração disparou. Aquele arquivo continha informações confidenciais sobre um dos projetos mais importantes e inovadores da Beaumont, um projeto que ainda não havia sido anunciado ao público. Se Victor Sterling tivesse acesso a isso, ele poderia sabotar o projeto antes mesmo de ser lançado.
Ela correu para o escritório de Ricardo. "Ricardo, um arquivo sumiu. Um arquivo muito importante. É sobre o Projeto Aurora."
Ricardo ficou pálido. "Impossível. Essa pasta é inacessível para todos, exceto para nós dois e para o conselho de diretores."
"Alguém tem que ter entrado," Clara insistiu. "E a senha não está funcionando mais. É como se alguém tivesse alterado tudo."
A constatação atingiu Ricardo como um raio. A única explicação era que a fonte do vazamento estava mais perto do que eles imaginavam, alguém com acesso interno que pudesse manipular os sistemas de segurança.
"Isso significa que... pode ser alguém aqui dentro," Ricardo disse, sua voz baixa e perigosa. "Alguém que trabalha conosco."
A ideia de um traidor dentro da Beaumont era devastadora. A confiança, que já estava abalada, parecia desmoronar completamente.
"Quem poderia ser?" Clara perguntou, sentindo um frio na espinha. "Antunes? Sofia? Ou alguém que trabalhava com Vasconcelos?"
Ricardo balançou a cabeça. "Não sei. Mas preciso descobrir. Agora." Ele se virou para Clara, seus olhos cheios de uma nova urgência. "Clara, eu preciso que você vá até o escritório de Vasconcelos. Não o dele aqui na Beaumont, mas o antigo escritório pessoal dele. Aquele que ele mantinha antes de ser demitido. Talvez haja algo lá que possamos usar."
Clara assentiu, sentindo o peso da missão. Ela sabia que ir até o antigo escritório de Vasconcelos, que ficava em uma parte mais antiga da cidade, era arriscado. Mas ela estava disposta a fazer o que fosse preciso.
Enquanto isso, Victor Sterling recebia um relatório de seus informantes. "A Srta. Mendes foi ao encontro. Ela recusou a proposta. Mas ela está abalada. E agora, parece que ela e Beaumont estão mais unidos do que nunca. O Projeto Aurora parece ser o próximo alvo."
Victor sorriu. As rachaduras estavam aparecendo. Ele não precisava mais de provas concretas. A desconfiança plantada era suficiente para causar estragos. Ele sabia que o desaparecimento do arquivo era apenas o começo.
Clara dirigiu até o endereço indicado para o antigo escritório de Vasconcelos. Era um prédio antigo e desgastado, com uma fachada desbotada e janelas sujas. A placa na porta indicava "Escritório de Consultoria Vasconcelos", mas parecia fechado há anos.
Com cuidado, Clara tentou abrir a porta. Surpreendentemente, estava destrancada. Ela entrou em um ambiente empoeirado e escuro, com móveis antigos cobertos por lençóis brancos. Havia um cheiro de mofo e abandono.
Ela começou a vasculhar, procurando por qualquer coisa que pudesse dar a Ricardo uma pista. Arquivos antigos, cadernos, qualquer coisa que Vasconcelos pudesse ter deixado para trás. Em uma gaveta de uma mesa antiga, ela encontrou um pequeno caderno de capa preta.
Ao abri-lo, percebeu que era um diário. As anotações eram confusas, cheias de raiva e ressentimento contra a Beaumont Corporation e contra Ricardo. Vasconcelos escrevia sobre como ele havia sido injustiçado, demitido sem motivo aparente, com sua reputação arruinada.
Então, uma página chamou sua atenção. Era uma entrada recente, datada de poucas semanas atrás. Nela, Vasconcelos descrevia um encontro secreto com Victor Sterling. Ele mencionava que Sterling o havia procurado, oferecendo dinheiro e apoio em troca de informações sobre a Beaumont. Ele escrevia sobre como planejava ajudar Sterling a derrubar Ricardo, vingando-se de todos que o haviam prejudicado.
Clara sentiu um arrepio de horror. Vasconcelos não estava agindo sozinho. Ele era um peão nas mãos de Victor Sterling, usado para obter informações e desestabilizar a Beaumont.
Ela tirou fotos das páginas relevantes do diário com seu celular e, rapidamente, saiu do escritório. O sol já estava se pondo quando ela voltou para a Beaumont.
Ricardo a esperava ansiosamente. Quando Clara lhe mostrou as fotos do diário, ele sentiu uma mistura de raiva e alívio.
"Vasconcelos," Ricardo rosnou. "Eu sabia que ele era amargurado, mas nunca imaginei que ele fosse capaz de algo assim."
"Ele está trabalhando com Victor Sterling," Clara explicou. "Sterling o está usando para obter informações. Ele está infiltrado em algum lugar, Ricardo. Ele teve acesso ao sistema de segurança e ao arquivo do Projeto Aurora."
Ricardo olhou para Clara, sua expressão sombria. "Se Vasconcelos está trabalhando com Sterling, e Sterling está manipulando tudo de fora, isso significa que a fonte de nossos problemas está mais perto do que imaginávamos. A pessoa que está nos traindo é alguém que tem acesso direto aos nossos sistemas. Alguém que trabalha ao nosso lado."
O silêncio que se seguiu foi pesado. A confiança estava em ruínas. A fachada da Beaumont Corporation, que parecia tão sólida, estava rachando sob a pressão das intrigas de Victor Sterling e da traição interna. Clara sabia que a luta estava longe de acabar. Victor Sterling estava determinado a destruir Ricardo e a Beaumont, e agora, eles sabiam que o inimigo estava dentro de casa. A questão agora era: quem era o traidor? E como eles poderiam detê-lo antes que fosse tarde demais? A busca pela verdade havia se tornado uma corrida contra o tempo, com o destino da empresa e a segurança de seus relacionamentos em jogo.