Cap. 14 / 25

O Amor Verdadeiro

Capítulo 14 — A Verdade Nua e Crua e o Sacrifício Doloroso

por Valentina Oliveira

Capítulo 14 — A Verdade Nua e Crua e o Sacrifício Doloroso

O sol da manhã invadiu o apartamento, lançando raios dourados sobre os móveis, mas não conseguindo dissipar a névoa de desconfiança que pairava sobre Clara. A conversa com Isabella na noite anterior a deixara em um estado de apreensão profunda. A revelação de que Miguel fora diretor de uma das empresas de Armando Silveira há uma década era um golpe que ela não estava preparada para receber. A sua própria história com Marcos, o ex-noivo que a enganara, a tornava especialmente sensível a qualquer sinal de falsidade.

Ela observou Miguel enquanto ele preparava o café, sua figura alta e elegante, o semblante agora carregado de uma melancolia que parecia ter se tornado sua companheira constante. Ele sorriu para ela, um sorriso forçado, mas que ainda carregava um vestígio daquele encanto que a havia conquistado.

"Bom dia", ele disse, sua voz um pouco rouca.

Clara forçou um sorriso de volta. "Bom dia."

O silêncio se instalou entre eles, pesado e carregado de palavras não ditas. Clara sabia que não poderia mais adiar a conversa. A verdade, por mais dolorosa que fosse, precisava vir à tona.

"Miguel", ela começou, sua voz firme, mas com um leve tremor. "Precisamos conversar. Sobre o que a Isabella descobriu."

Miguel parou de mexer no café, o olhar fixo nela. A cor pareceu fugir de seu rosto. "Eu… eu sabia que ela ia descobrir algo."

"Diretor, Miguel? Você me disse que trabalhou para eles, que foi explorado. Mas diretor é algo bem diferente." Clara sentiu uma pontada de mágoa. "Por que você não me contou?"

Ele desviou o olhar, a vergonha estampada em seu rosto. "Eu… eu não sabia como. Eu me arrependo profundamente daquilo, Clara. Foi um erro terrível. Eu era jovem, ambicioso, e me deixei levar por promessas de dinheiro e poder. Armando me seduziu com a ideia de sucesso rápido. Eu era ingênuo. E quando percebi o que estava fazendo, já era tarde demais para sair sem consequências."

"Consequências? Que consequências?", Clara insistiu, a necessidade de entender pulsando em suas veias.

"Armando não permite que as pessoas saiam. Ele te prende com dívidas, com favores. Eu me vi enredado em algo que não conseguia mais controlar. Tentei me distanciar, mas ele continuou me ameaçando. A doença… ela surgiu em um momento em que eu estava sob imensa pressão. Talvez a causa tenha sido o estresse, talvez o veneno que andava circulando em minha vida." Miguel respirou fundo, o peito visivelmente ofegante. "Eu tentei apagar essa parte da minha vida, Clara. Eu jurei a mim mesmo que nunca mais voltaria a me envolver. E quando te conheci, eu realmente pensei que estava livre."

Clara sentiu um misto de emoções conflitantes. A raiva pela mentira se misturava com a compaixão pela situação dele. Ela via a dor em seus olhos, o remorso genuíno. Mas o medo de ser enganada novamente a deixava cautelosa.

"Mas você não está livre, Miguel. Armando está de volta. E agora, com essa informação, ele tem ainda mais poder sobre você." Ela sentiu um calafrio. "E você está escondendo isso de mim."

"Eu não estou escondendo!", Miguel protestou, a voz exasperada. "Eu estou te contando agora! Porque eu te amo, Clara! Porque eu não quero mais segredos entre nós. Eu quero que a gente enfrente isso juntos." Ele se aproximou dela, pegando suas mãos. "Você é a única coisa boa que aconteceu na minha vida em muito tempo. Eu não posso te perder."

Clara olhou em seus olhos, buscando a verdade. Ela viu o amor ali, desesperado e sincero. Mas também viu o medo, o medo que o paralisava, que o levava a ocultar partes de si mesmo.

"Eu também te amo, Miguel", ela disse, a voz embargada. "Mas o amor não pode ser construído sobre mentiras. Precisamos ser fortes. Precisamos ser honestos. Completamente honestos."

Naquele momento, o celular de Clara tocou. Era Isabella.

"Clara, eu tenho notícias", Isabella disse, sua voz tensa. "Armando Silveira está se movendo. Ele sabe que estamos investigando. E parece que ele está preparando algo para nos atingir, para nos desacreditar."

"O quê? O quê ele está fazendo?", Clara perguntou, o coração disparado.

"Ele está usando a imprensa. Parece que ele plantou uma história em um jornal popular sobre um homem de negócios de renome que está escondendo um passado criminoso. Eles não mencionam nomes, mas as descrições são muito claras. E o timing é suspeito." Isabella fez uma pausa. "Eles também estão insinuando que o homem em questão está se aproveitando da situação de sua doença para fugir de suas responsabilidades. Clara, eles estão mirando em você, em Miguel."

Clara sentiu o chão ceder sob seus pés. A ameaça de Armando era real e cruel, atacando não apenas eles, mas também a reputação de Miguel.

"E a ligação dele com Armando, a história de que ele foi diretor?", Clara perguntou, lembrando-se das palavras de Isabella.

"Exatamente. Eles estão usando isso para pintar um quadro de desonestidade. E o pior, Clara, é que eles parecem ter informações internas. Alguém está vazando detalhes sobre o passado de Miguel para a imprensa."

Clara olhou para Miguel, a dúvida retornando com força total. Alguém de dentro estava ajudando Armando. E, por mais que ela quisesse acreditar nele, a possibilidade o assustava.

"Miguel", Clara disse, a voz baixa e firme. "Você contou para alguém sobre o seu passado? Alguém que pudesse ter vazado isso para a imprensa?"

Miguel a encarou, a surpresa misturada com mágoa em seus olhos. "Você não pensa que fui eu, não é? Que eu poderia te trair assim?"

"Eu não sei o que pensar, Miguel!", Clara exclamou, a frustração tomando conta dela. "A Isabella disse que as informações parecem vir de dentro. E você é o único que tem esse conhecimento comigo além dela."

Miguel se afastou dela, a dor em seu rosto evidente. "Então você não confia em mim, Clara. Depois de tudo o que passamos, você ainda duvida de mim."

"Não é uma questão de dúvida, Miguel. É uma questão de segurança. De verdade. Se alguém está te traindo, precisamos saber quem é para nos protegermos." Clara sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos. "Eu te amo, mas não posso mais viver na incerteza."

Miguel a observou por um longo momento, o silêncio entre eles ensurdecedor. Finalmente, ele suspirou, um som que parecia carregar o peso de sua própria alma.

"Eu sei quem está vazando as informações, Clara."

Clara se enrijeceu. "Quem?"

"É alguém que eu confiei. Alguém que eu pensei que fosse meu amigo. Ele também está envolvido com Armando. Ele está trabalhando para ele agora." Miguel fechou os olhos, como se revivesse a traição. "Ele está usando o meu passado contra mim. E contra você."

"Quem é, Miguel?", Clara implorou.

Miguel a encarou, seus olhos escuros cheios de uma tristeza profunda. "É o Dr. Eduardo Salles."

Clara sentiu um choque percorrer seu corpo. Eduardo Salles? O médico que cuidara dele durante os primeiros estágios de sua doença? O homem que parecia tão atencioso e profissional?

"Eduardo?", Clara sussurrou, incrédula. "Não pode ser."

"Ele está no bolso de Armando. Ele está me vigiando, me contando tudo. Ele me traiu." Miguel parecia desmoronar. "E agora, ele está usando tudo isso contra mim. Ele está vendendo a minha história para a imprensa."

A revelação foi devastadora. A traição não vinha de um inimigo externo, mas de alguém em quem eles haviam depositado sua confiança. Era uma dor mais profunda, mais pessoal.

"Eu não sei o que vamos fazer", Clara disse, a voz embargada. "Como podemos confiar em alguém agora?"

Miguel a puxou para perto, abraçando-a com força. "Nós vamos confiar um no outro, Clara. É a única coisa que nos resta. Eu cometi erros no passado, erros terríveis. Mas eu aprendi com eles. Eu te amo mais do que tudo nesse mundo. E eu nunca te trairia."

Em meio à dor da traição, Clara sentiu um vislumbre de esperança. O amor deles, embora abalado, ainda resistia. Mas eles precisavam ser fortes. Precisavam enfrentar a verdade, por mais cruel que fosse, e lutar contra aqueles que tentavam destruí-los. O sacrifício de Miguel, ao revelar a verdade sobre Eduardo, era doloroso, mas necessário. Agora, eles sabiam quem era o inimigo interno, e poderiam começar a traçar um plano para se defender. A luta pela verdade e pela sobrevivência estava apenas começando, e exigiria coragem, resiliência e, acima de tudo, um amor verdadeiro capaz de superar as mais sombrias traições.

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