Cap. 18 / 25

O Amor Verdadeiro

Capítulo 18 — O Cerco e a Fuga Desesperada

por Valentina Oliveira

Capítulo 18 — O Cerco e a Fuga Desesperada

O silêncio das montanhas, antes um refúgio para Ricardo, agora era tingido por uma tensão palpável. Sentado no chalé dilapidado, cercado por documentos incriminatórios e pela presença reconfortante de sua tia e dos advogados, Ricardo sentia a adrenalina correr em suas veias. A cada minuto que passava, a sensação de estar sendo observado se intensificava. Ele havia acendido um fósforo no escuro, e agora as sombras se aproximavam.

Dona Clara, com a sabedoria de quem já enfrentou muitas batalhas legais, percebeu o nervosismo de Ricardo. "Calma, meu querido. O medo é um aliado para Almeida, mas para nós, é um sinal de que estamos no caminho certo. O importante agora é a estratégia."

Dr. Mendes, o advogado de barba grisalha, estudava os documentos com uma concentração ferrenha. "Ricardo, a prova do envolvimento de Almeida na manipulação da falência da 'Indústria Celeste' é irrefutável. Ele não só causou a ruína da empresa, como também comprou os ativos por uma ninharia, usando empresas de fachada. E aqui", ele apontou para outro relatório, "há indícios claros de lavagem de dinheiro em larga escala. Se conseguirmos apresentar tudo isso de forma organizada e convincente ao Ministério Público, teremos uma chance real de derrubá-lo e, mais importante, de conseguir a liberdade de Helena."

O jovem advogado que acompanhava Dr. Mendes, um rapaz chamado Lucas, mais jovem e impulsivo, sugeriu: "Por que não enviamos uma cópia anônima para a imprensa? A exposição midiática pode pressionar as autoridades a agir."

Dona Clara balançou a cabeça. "Lucas, essa é uma faca de dois gumes. Almeida é mestre em manipulação de informações. Ele poderia virar a história contra nós, nos pintar como chantagistas. Precisamos de um processo limpo e robusto. A imprensa virá depois, como consequência de uma ação judicial bem-sucedida."

Ricardo sentia que o tempo estava se esgotando. Ele olhou pela janela empoeirada, a vastidão verde das montanhas parecendo agora uma prisão a céu aberto. "Eu sinto que eles estão aqui", disse ele, a voz baixa. "Aqueles homens... eu os vi disfarçados. Um deles estava perto da estrada principal, como se estivesse fazendo uma trilha."

Nesse exato momento, o som de um carro se aproximando rompeu a tranquilidade relativa. Não era o som de um veículo de passeio comum, mas sim de um motor mais pesado, mais ameaçador. O carro, um SUV preto e reluzente, parou na entrada da pequena trilha que levava ao chalé. Dois homens corpulentos saíram, vestindo roupas escuras e um olhar que não deixava dúvidas sobre suas intenções.

"Eles vieram", murmurou Dr. Mendes, já se levantando. "Ricardo, você precisa sair daqui com as provas. Dona Clara, levem os documentos mais importantes."

O pânico tomou conta do ambiente, mas foi rapidamente substituído por uma determinação feroz. Ricardo pegou as pastas mais essenciais, enquanto Dona Clara e Lucas pegavam outras. O terceiro advogado, um homem mais velho e com problemas de mobilidade, ficou para trás.

"Vou ficar para trás", disse ele, com uma serenidade surpreendente. "Eles não esperam resistência de um homem da minha idade. Meus colegas e eu prepararemos os documentos para a denúncia. Vão! Agora!"

Ricardo hesitou. "Não posso deixá-lo!"

"Não há tempo, Ricardo. A sua vida e a de Helena dependem disso. Vá!" a voz de Dona Clara era firme, a sua autoridade inquestionável.

Os dois homens corpulentos começaram a subir a trilha, seus passos pesados e ameaçadores. Ricardo, com as provas nas mãos, correu para os fundos do chalé, onde havia uma saída secundária que dava para um caminho estreito e íngreme na mata. Ele sabia que não podia enfrentar aqueles homens diretamente.

"Para onde eu vou?", perguntou Ricardo, ofegante.

"Use a antiga trilha de caça, ela te levará de volta à estrada principal, mais abaixo. Pegue o meu carro, ele está escondido perto da cachoeira. É o Jeep vermelho. Você precisa chegar à cidade e entregar isso ao Ministério Público, ou à imprensa, se necessário. Não pare por nada." Dona Clara entregou a Ricardo as chaves do seu Jeep.

Enquanto Ricardo se embrenhava na mata, Dona Clara, Dr. Mendes e Lucas se preparavam para enfrentar os agressores. O confronto foi rápido e brutal. Os capangas de Almeida não tinham tempo para negociar. A ordem era clara: silenciar Ricardo e recuperar os documentos.

Ricardo corria, tropeçando em raízes e galhos, o coração martelando no peito. O som de tiros ecoou pela mata, seguido por gritos. Ele não parou, não olhou para trás. O peso das provas, o peso da esperança de Helena, era o seu fardo mais pesado. Ele sabia que os advogados estavam em perigo, mas a prioridade era Clara e Lucas, e, acima de tudo, a missão de expor Almeida.

Ele chegou à cachoeira, o som da água caindo era um bálsamo para seus ouvidos. Ali estava o Jeep vermelho de Dona Clara, camuflado entre a vegetação. Ele pulou para dentro, ligou o motor e partiu em disparada, os pneus cantando no cascalho.

No chalé, a cena era desoladora. O advogado mais velho jazia no chão, sem vida. Dona Clara e Lucas estavam feridos, mas vivos, imobilizados pelos agressores.

"Onde está o garoto?", rosnou um dos capangas, o rosto ensanguentado.

"Ele fugiu. Levou os papéis", disse Lucas, com a voz fraca, mas desafiadora.

O capanga se aproximou de Dona Clara, um revólver apontado para sua cabeça. "Você vai nos dizer onde ele foi, ou vai se juntar ao seu amigo."

Dona Clara, apesar da dor e do medo, manteve a compostura. "Eu não vou dizer nada. Ele está seguro. Você não vai conseguir pegá-lo."

Almeida, informado pelos seus homens sobre o sucesso parcial da operação, estava furioso. Ricardo havia escapado. Apenas a parte mais importante dos documentos estava com ele. Mas isso não era suficiente. Ele precisava eliminá-lo e recuperar as provas.

"Encontrem-no!", ordenou Almeida, a voz carregada de fúria. "Ele não pode chegar à cidade. Não pode entregar esses papéis. Quero ele morto. E quero aqueles documentos de volta. Se não puderem recuperá-los, destruam tudo o que ele tiver."

Ricardo dirigia em alta velocidade, o Jeep balançando nas curvas perigosas da estrada de montanha. Ele olhava constantemente pelo retrovisor, o medo de ser seguido o impulsionando. Ele sabia que não havia mais segurança para ele, nem para Helena, enquanto Almeida estivesse livre.

Ele parou em um posto de gasolina isolado, as mãos tremendo enquanto pegava um telefone público. Discou o número do Ministério Público, o coração batendo descompassado.

"Alô? Ministério Público. Em que posso ajudar?"

"Eu preciso falar com o promotor. É uma emergência. Meu nome é Ricardo. Eu tenho provas contra o Dr. Almeida. Ele é um criminoso. Ele... ele está tentando me matar." A voz de Ricardo falhava, o desespero e o cansaço tomando conta.

Do outro lado da linha, a voz calma do atendente parecia um farol em meio à tempestade. "Sr. Ricardo, por favor, mantenha a calma. Onde o senhor está? Diga-me sua localização exata."

Ricardo descreveu o posto de gasolina, a estrada. Mal sabia ele que, a poucos quilômetros dali, os homens de Almeida já estavam a caminho, rastreando seus movimentos. A fuga desesperada de Ricardo estava longe de terminar. Ele havia escapado de um cerco, mas a rede de sombras de Almeida ainda o envolvia, e a luta pela verdade e pela liberdade de Helena estava apenas começando em sua fase mais perigosa.

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