Cap. 19 / 25

O Amor Verdadeiro

Capítulo 19 — A Verdade na Palma da Mão e o Coração em Pedaços

por Valentina Oliveira

Capítulo 19 — A Verdade na Palma da Mão e o Coração em Pedaços

Ricardo dirigia como um louco, a paisagem montanhosa se tornando um borrão de verde e cinza à sua volta. O Jeep vermelho de Dona Clara, um presente inesperado e agora a sua única esperança, zunia pela estrada sinuosa. O sol da tarde pintava o céu com tons alaranjados e roxos, mas para Ricardo, o mundo parecia ter perdido toda a sua cor. O cheiro de fumaça de cigarro, misturado ao aroma de terra molhada, que ele trazia consigo de seu breve refúgio nas montanhas, era um lembrete constante do horror que havia testemunhado.

Cada tiro, cada grito, parecia ecoar em seus ouvidos. Ele imaginava Dona Clara e Lucas, feridos, enfrentando a brutalidade dos homens de Almeida. O homem mais velho, o advogado que escolheu ficar para trás, o seu sacrifício silencioso o assombrava. Ele fechou os olhos por um instante, a culpa corroendo-o como um ácido. Ele deveria ter insistido em levá-los, deveria ter encontrado outra saída. Mas o desespero da fuga, a necessidade de proteger as provas, o impulso de sobreviver e salvar Helena, o haviam dominado.

Ele olhava para as pastas que jaziam no banco do passageiro, o peso delas físico e metafórico. Eram a prova da crueldade e da ganância de Almeida, mas também o fio condutor para a libertação de Helena e a vingança pela injustiça cometida contra tantos. Ele sabia que não podia falhar. A vida de Helena, a sua própria vida, e a memória daqueles que haviam se sacrificado, dependiam de sua determinação.

Ao se aproximar da cidade, a vigilância de Ricardo aumentou. Ele evitou as estradas principais, preferindo caminhos secundários, sempre atento a qualquer sinal de perseguição. O posto de gasolina onde ele havia tentado contatar o Ministério Público parecia um erro distante agora. A ligação não havia sido suficiente. Ele precisava de algo mais concreto, mais imediato.

Seu pensamento voltou para a única pessoa em quem ele ainda podia confiar incondicionalmente: Sofia. A amiga de longa data de Helena, a única pessoa que sempre soube da verdade sobre a relação de Ricardo e Helena, e que sempre foi um porto seguro para ambos. Sofia trabalhava como jornalista em um dos jornais mais respeitados da cidade, uma mulher íntegra e corajosa, que sempre lutou pela verdade.

Ricardo dirigiu até o prédio do jornal, o coração acelerado. Ele estacionou o Jeep a algumas quadras de distância e se aproximou a pé, as pastas escondidas sob um casaco. Na portaria, ele pediu para falar com Sofia.

"Sofia! São você?", a voz de Ricardo era tensa.

Sofia, uma mulher de olhar penetrante e cabelos escuros emoldurando um rosto expressivo, franziu a testa ao ver Ricardo. Sua expressão mudou de surpresa para preocupação ao notar o estado dele. Ele estava sujo, cansado, e havia um medo palpável em seus olhos.

"Ricardo? O que aconteceu com você? Você está bem?", ela perguntou, a voz carregada de urgência.

"Não temos tempo, Sofia. Preciso da sua ajuda. É sobre Helena. E sobre Almeida." Ricardo a puxou para um canto mais reservado do saguão. "Ele a incriminou. Eu sei que você sempre desconfiou dele, e você está certa. Ele é um monstro. Ele armou tudo."

Ricardo contou a Sofia sobre a sua fuga, sobre as provas que ele havia reunido, sobre o ataque no chalé e o sacrifício dos advogados. Ele abriu uma das pastas e mostrou a ela alguns dos documentos.

Sofia examinava os papéis com atenção, seu rosto se tornando cada vez mais sombrio. Ela conhecia a reputação de Almeida, sempre envolta em controvérsias, mas as provas que Ricardo apresentava eram assustadoras.

"Isso é terrível, Ricardo. Absolutamente terrível. Esses homens... eles foram feridos por causa de você e de Helena?"

"Sim. Um deles morreu. Ele se sacrificou para que eu pudesse fugir." A voz de Ricardo falhou, a dor visível em seu rosto.

"Eu sinto muito", disse Sofia, tocando seu braço. "Mas você fez a coisa certa. Agora, vamos usar essas provas. Eu vou investigar isso a fundo. Vamos expor Almeida."

"Não podemos perder tempo, Sofia. Ele sabe que eu tenho essas provas. Ele está me caçando. Os homens dele me atacaram. Eu preciso garantir que Helena seja libertada e que Almeida pague por tudo que fez."

Sofia assentiu, determinada. "Eu vou cuidar disso. Você, por enquanto, precisa ficar em um lugar seguro. Eu tenho um contato, um juiz aposentado que é um velho amigo meu, um homem de princípios inabaláveis. Ele pode te abrigar e nos ajudar a planejar o próximo passo. Ele sabe como lidar com gente como Almeida."

Enquanto Sofia organizava a fuga de Ricardo, ela também começou a trabalhar em sua matéria. Ela sabia que precisava de mais do que apenas os documentos de Ricardo. Precisava de testemunhos, de mais evidências. Ela começou a ligar para seus contatos, discretamente, investigando o passado obscuro de Almeida.

Enquanto isso, Ricardo estava em um apartamento seguro, cedido pelo juiz aposentado. Era um lugar simples, mas impenetrável. Ele estava sozinho, a solidão pesando sobre ele mais do que nunca. A imagem de Helena, trancafiada em uma cela fria e escura, era uma tortura. Ele revivia os últimos momentos que tiveram juntos, as promessas que fez, e se sentia um fracassado por não ter conseguido protegê-la.

Ele pegou o celular e, com as mãos trêmulas, discou o número da prisão onde Helena estava. Ele sabia que não poderia falar com ela diretamente, mas esperava que, de alguma forma, ela pudesse sentir sua força, seu amor.

"Alô?", a voz do guarda era áspera e impaciente.

"Eu gostaria de deixar um recado para a detenta Helena Soares, por favor."

"Recado? Ela não recebe recados."

"Por favor, é muito importante. Diga a ela que Ricardo a ama. Que ele não desistiu dela. Que a verdade virá à tona. E que ela precisa ser forte. Por favor."

O guarda hesitou por um momento, talvez sentindo algo na voz de Ricardo. "Eu vou ver o que posso fazer."

Ricardo desligou o telefone, a esperança diminuindo. A incerteza era insuportável. Ele se sentia impotente, um peão no jogo de Almeida.

Sofia, em seu escritório, trabalhava febrilmente. Ela havia conseguido informações cruciais. Havia um ex-sócio de Almeida, que ele havia traído e arruinado anos atrás, que estava disposto a testemunhar contra ele. Era um homem amargurado, mas com sede de justiça.

"Ricardo", ela ligou para ele. "Eu tenho notícias. Eu encontrei uma testemunha chave. Um homem que Almeida destruiu. Ele está disposto a falar. E eu também estou começando a ligar os pontos sobre as empresas de fachada que ele usa. Mas precisamos de mais. Precisamos de provas definitivas que liguem Almeida diretamente à fraude."

Ricardo olhou para as pastas espalhadas pela mesa. Havia algo ali que ele ainda não havia compreendido completamente. Um conjunto de documentos que pareciam menos importantes, mas que Almeida parecia ter tentado destruir com mais afinco. Eram contratos de aquisição de terras, assinados por ele mesmo, mas com valores muito abaixo do mercado, em áreas que estavam prestes a ser desapropriadas pelo governo para um grande projeto de infraestrutura.

Ele releu os contratos, os nomes das empresas de fachada, as datas. De repente, uma compreensão terrível o atingiu. Almeida não estava apenas roubando dinheiro. Ele estava usando informações privilegiadas, obtidas através de subornos, para especular com terras, arruinando pequenos proprietários e lucrando com a desgraça alheia. E Helena... Helena, com seu trabalho filantrópico em defesa dos direitos dos mais fracos, poderia ter descoberto isso. Ela poderia ter se tornado uma ameaça.

"Sofia...", Ricardo disse, a voz trêmula, "Eu acho que sei o motivo real da prisão de Helena. Não era só para me atingir. Era para silenciá-la."

Ele explicou suas novas descobertas, as suspeitas sobre o envolvimento de Almeida na especulação imobiliária e o possível motivo para incriminar Helena.

"Meu Deus, Ricardo", disse Sofia, chocada. "Isso é ainda mais sombrio do que imaginávamos. Ele não só roubou, ele destruiu vidas por ganância. Precisamos apresentar isso ao juiz. Imediatamente. Mas você precisa estar seguro. E eu preciso proteger essas provas."

A verdade, nua e crua, estava agora na palma da mão de Ricardo. Mas ela veio acompanhada de uma dor profunda, a dor de saber que o homem que ele um dia admirou era um monstro, e que Helena estava sofrendo por expor sua podridão. O coração de Ricardo estava em pedaços, mas a determinação de fazer justiça, de resgatar Helena, era agora mais forte do que nunca. A batalha estava longe de terminar.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%