Cap. 20 / 25

O Amor Verdadeiro

Capítulo 20 — O Confronto e a Escolha Fatal

por Valentina Oliveira

Capítulo 20 — O Confronto e a Escolha Fatal

As paredes do apartamento seguro pareciam se fechar sobre Ricardo. A revelação sobre o verdadeiro motivo da prisão de Helena o atingiu com a força de um soco no estômago. A ganância de Almeida, a sua capacidade de manipular e destruir vidas para o próprio benefício, era algo que ele ainda lutava para compreender. Ele olhou para as provas espalhadas sobre a mesa, os contratos de aquisição de terras, os relatórios financeiros, as anotações de Sofia. Era um quebra-cabeça macabro, e ele sentia que estava montando a última peça.

"Sofia, eu não posso ficar aqui parado", disse Ricardo, a voz firme apesar do turbilhão de emoções. "Precisamos ir ao juiz. Agora. Antes que Almeida faça alguma coisa pior."

Do outro lado da linha, Sofia parecia ponderar. "Eu entendo a sua urgência, Ricardo. Mas o juiz que eu conheço está em um congresso fora do país. Voltará em dois dias. Tentar contatá-lo agora seria arriscado. Almeida tem informantes em todos os lugares. Precisamos de um plano mais seguro. Talvez devêssemos ir à imprensa, mas de forma estratégica."

"A imprensa? Eles podem distorcer tudo!", Ricardo retrucou, o medo de uma nova manipulação tomando conta. "Precisamos de alguém que possa agir imediatamente. Alguém que possa ordenar a libertação de Helena e a prisão de Almeida."

Nesse momento, uma ideia surgiu na mente de Ricardo, uma ideia perigosa e audaciosa. Ele se lembrou do Dr. Carvalho, o promotor de justiça que, anos atrás, havia investigado um caso envolvendo a família de Almeida e que, apesar das pressões, havia demonstrado uma integridade admirável. Ele era conhecido por sua coragem e por sua dedicação à justiça.

"Sofia, o Dr. Carvalho. O promotor de justiça. Ele sempre foi um homem justo. Ele se lembra de mim? Talvez eu possa falar com ele diretamente."

Sofia pensou por um instante. "O Dr. Carvalho é um homem íntegro, sim. Mas ele está sob muita pressão. Almeida tem tentado desacreditá-lo há anos. Se você for até ele, precisa ter certeza de que terá as provas mais contundentes em mãos. Ele precisa de algo que o convença a agir imediatamente, algo que o proteja da retaliação de Almeida."

Ricardo olhou para as pastas. Havia uma carta escondida em um dos envelopes, uma carta que ele havia quase esquecido, escrita por um dos funcionários que Almeida havia demitido brutalmente. Nela, o funcionário detalhava como Almeida o havia pressionado a forjar documentos e a omitir informações cruciais para encobrir suas transações ilegais. Era uma confissão em potencial.

"Eu tenho isso, Sofia. Uma carta de um ex-funcionário de Almeida. Ele detalha as fraudes. É uma confissão. Isso pode ser o suficiente."

"Ótimo. Leve a carta, os contratos de terra e os relatórios financeiros. Encontre o Dr. Carvalho o mais rápido possível. Mas, por favor, seja discreto. Use o mínimo de transporte público. Talvez um táxi, mas peça para ser deixado a algumas quadras de distância. Eu vou tentar chegar lá também, para apoiar você e para entregar outras informações que estou reunindo."

Ricardo concordou. A tensão no apartamento era quase palpável. Ele sentia que estava caminhando para o centro de uma tempestade, mas não havia outra opção. A imagem de Helena, frágil e inocente, o impulsionava.

Enquanto Ricardo se preparava para sair, o telefone tocou. Era o juiz aposentado. Sua voz estava tensa.

"Ricardo, temos um problema. Alguém soube que você estava aqui. Um carro preto está parado na rua, observando o prédio. Acho que são homens de Almeida."

O coração de Ricardo disparou. Eles estavam cercados. A situação havia se tornado ainda mais perigosa.

"Eu preciso sair daqui, senhor", disse Ricardo, a voz firme. "Tem outra saída?"

"Sim. Uma porta nos fundos, que dá para um beco. Mas eles devem estar observando por ali também. Você precisa ser rápido e discreto."

Ricardo pegou as pastas, colocou a carta de confissão no bolso interno de sua jaqueta, sentindo o papel como um talismã. Ele saiu pela porta dos fundos, o beco escuro e úmido, o cheiro de lixo no ar. Ele se moveu rapidamente, o corpo tenso, cada sentido em alerta máximo.

Ao virar a esquina, ele viu um táxi parado, o motor ligado. Era o táxi que Sofia havia mandado. Ele correu para o carro, abriu a porta e entrou.

"Para o Ministério Público. Rápido!", ele disse ao motorista.

O motorista, um homem com um olhar cansado, assentiu e acelerou. Ricardo olhou para trás, vendo dois homens corpulentos saírem do beco, olhando em sua direção. Eles o viram.

A perseguição começou. O táxi zunia pelas ruas da cidade, os homens de Almeida em um carro mais potente em seu encalço. Ricardo sentia a adrenalina correr, cada curva, cada freada, era um teste de nervos. Ele sabia que não poderia escapar para sempre.

Enquanto isso, Sofia chegava ao Ministério Público. Ela viu o carro de Ricardo se aproximando, seguido pelo carro preto. Ela sabia que o tempo era essencial. Ela entrou no prédio e foi direto à sala do Dr. Carvalho.

"Dr. Carvalho, por favor, é uma emergência. Preciso falar com o senhor sobre o Dr. Almeida."

O Dr. Carvalho, um homem de semblante sério e olhar penetrante, a reconheceu. "Senhorita Sofia? O que a traz aqui?"

"Eu tenho provas contundentes da corrupção e fraude de Almeida, doutor. E o Ricardo, o noivo de Helena Soares, está com ele. Eles estão sendo perseguidos pelos homens de Almeida agora. Ele tem documentos que incriminam Almeida, e eu também tenho informações. Precisamos agir agora, doutor. Helena está em perigo e Ricardo também."

Nesse exato momento, o táxi em que Ricardo estava foi forçado a parar bruscamente. O carro de Almeida bloqueou a passagem. Os dois homens saíram, armados.

"Saia do carro, Ricardo!", gritou um deles. "Entregue os documentos!"

Ricardo sabia que não tinha saída. Ele olhou para o Ministério Público, tão perto, mas inalcançável. Ele sentiu o peso da carta em seu bolso. Ele não podia deixar que Almeida vencesse.

Com uma decisão repentina, Ricardo agarrou a carta de confissão, a única prova que ele tinha em mãos. Ele abriu a porta do táxi e correu em direção à entrada do Ministério Público, os homens de Almeida em seu encalço.

"Pare! Policia!", gritou um guarda do Ministério Público ao ver a confusão.

Ricardo não parou. Ele entrou no prédio, o coração martelando, os homens de Almeida logo atrás. Ele avistou o Dr. Carvalho e Sofia em um corredor.

"Dr. Carvalho! Sofia!", ele gritou, estendendo a mão com a carta. "Aqui! A prova! Almeida forjou tudo! Ele incriminou Helena!"

Um dos capangas de Almeida tentou agarrar Ricardo. Houve um empurrão, e Ricardo caiu, a carta voando de sua mão.

O Dr. Carvalho, vendo a cena, agiu com rapidez. Ele pegou a carta do chão. "O que está acontecendo aqui?", ele perguntou, a voz firme.

Os capangas de Almeida hesitaram, vendo a autoridade do promotor. Mas o outro capanga sacou uma arma.

"Entregue os documentos, Ricardo. Ou todos morrem!", ele rosnou.

Um impasse tenso se formou. Ricardo, caído no chão, olhou para Almeida, que acabara de entrar no prédio, um sorriso de escárnio no rosto. Ele sabia que estava encurralado.

"Você achou que podia me vencer, garoto?", Almeida zombou. "Você e sua amada Helena são apenas insetos. E eu sou o exterminador."

Ricardo sentiu uma onda de raiva e desespero. Mas, naquele momento, ele tomou uma decisão fatal. Ele não podia deixar que Almeida vencesse. Ele não podia deixar que Almeida machucasse Sofia ou o Dr. Carvalho.

Com um movimento rápido, Ricardo agarrou a arma que estava caída no chão, perto de sua mão. Ele não sabia atirar, mas sabia o que precisava fazer.

"Almeida!", ele gritou, a voz rouca de emoção. "Você vai pagar por tudo!"

E em um ato de desespero e amor por Helena, Ricardo apontou a arma para si mesmo.

"Não!", Sofia gritou, horrorizada.

"Ricardo, não!", o Dr. Carvalho exclamou.

Mas era tarde demais. Um único disparo ecoou pelos corredores do Ministério Público, o som ensurdecedor quebrando o silêncio e selando o destino de Ricardo. A escolha fatal havia sido feita. O amor verdadeiro, em sua forma mais trágica e dolorosa, havia encontrado o seu fim. O sacrifício de Ricardo era o grito final contra a injustiça, um ato desesperado para expor a verdade e salvar a mulher que ele amava. Mas, a que custo?

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