O Amor Verdadeiro

Capítulo 4 — As Raízes da Ambição e o Fantasma do Pai

por Valentina Oliveira

Capítulo 4 — As Raízes da Ambição e o Fantasma do Pai

A proposta de Gabriel Almeida Bastos pairava no ar como uma nuvem carregada, misturando a promessa de sucesso com o cheiro de perigo. Clara sentiu-se dividida entre a repulsa pela sua origem e a fascinação pela sua audácia. Os dias seguintes foram um turbilhão de emoções. A assinatura do contrato com a joalheria internacional era um triunfo, mas a sombra de Gabriel e a complexidade de sua família a assombravam.

Dona Adelaide, percebendo a inquietação da sobrinha, tentava aconselhá-la com sabedoria. "Clara, meu anjo, lembre-se de quem você é. Sua mãe construiu seu legado com honestidade e paixão. Não se deixe seduzir pela promessa de um poder que pode corromper sua alma. Os Bastos sempre tiveram um preço para tudo, e o preço da alma é alto demais."

"Mas tia," Clara respondia, frustrada, "ele me viu, ele acreditou no meu trabalho. Ele me apresentou a eles. E se ele tiver razão? Se juntos pudermos alcançar algo ainda maior? Algo que minha mãe sonhou em vida?"

"Sua mãe sonhava com a beleza e a verdade na arte, querida. Não com manipulação e jogos de poder. Se Gabriel realmente admira seu trabalho, que ele o faça sem tentar te controlar. Que ele a apoie como artista, e não como uma peça no tabuleiro dele."

Clara não conseguia tirar Gabriel da cabeça. A forma como ele a olhava, a inteligência em seus olhos, a confiança inabalável em suas palavras. Havia uma atração inexplicável, uma curiosidade que a impelia a querer entender aquele homem complexo. Ela vasculhou a internet, buscando informações sobre os Almeida Bastos. As notícias eram escassas, a família mantinha um perfil discreto, mas o que havia era suficiente para confirmar as palavras de Dona Adelaide: um império construído com ambição, poder e, segundo os rumores, pouca ética. Gabriel era o herdeiro natural, o braço direito de seu pai, Ricardo Bastos, o patriarca temido.

Uma tarde, enquanto organizava os documentos de sua mãe, Clara encontrou um diário antigo, escondido em um fundo falso de uma caixa de madeira entalhada. As páginas amareladas guardavam a caligrafia elegante de Helena, e as palavras que ela leu fizeram seu coração apertar. Helena descrevia em detalhes a relação turbulenta de Arthur com os Bastos. Ela falava de como Arthur foi enganado, de como sua confiança foi traída, de como a pressão dos negócios afetou sua saúde e, consequentemente, seu relacionamento com ela e com a pequena Clara.

"Arthur está cada dia mais distante," Helena escrevia em uma entrada. "As sombras dos Bastos pairam sobre ele. Ele se dedica a lutar contra eles, mas sinto que essa batalha o consome. Vejo em seus olhos um cansaço que me assusta. Ele se desliga do mundo, da arte, de nós. Temo que um dia ele se perca para sempre nesse labirinto de ambições alheias."

Em outra página, ela desabafava: "Os Bastos são predadores. Eles se alimentam da fraqueza e da ingenuidade. Arthur é um homem bom, mas a bondade nem sempre é suficiente para sobreviver nesse meio. Preciso protegê-lo, preciso protegê-la (Clara), mas como? Sinto que estamos sendo encurralados."

As palavras de sua mãe ecoaram em sua mente. O fantasma de seu pai, sempre presente em suas memórias como um homem gentil e dedicado, agora ganhava contornos de uma vítima. E Gabriel, aquele homem com quem ela sentiu uma conexão tão forte, era o herdeiro da família que, segundo sua mãe, havia destruído seu pai.

Decidida a entender a verdade, Clara marcou um encontro com Gabriel. Ela escolheu um café discreto no Leblon, longe dos holofotes dos negócios. Quando ele chegou, pontual como sempre, vestindo um blazer de linho branco que realçava seus olhos azuis, Clara sentiu o coração acelerar.

"Clara," ele disse, sentando-se à sua frente. "Que surpresa agradável. Achei que estaria ocupada com os preparativos para sua nova expansão." Havia um tom de ironia em sua voz, mas também um brilho de interesse genuíno.

"Eu preciso entender, Gabriel," Clara começou, direta. "Por que você me procurou? Por que me indicou? E por que você está tão interessado no meu trabalho?"

Gabriel a observou por um momento, seu olhar fixo e intenso. Ele não desviou o olhar, como muitos fariam. "Eu já lhe disse, Clara. Eu vejo potencial. O seu talento é inegável. E o seu nome, Ribeiro, carrega um certo peso. Um nome que um dia foi forte no mercado, antes de ser... ofuscado."

Clara sentiu um arrepio. Ele sabia. Sabia sobre o passado de seu pai. "Ofuscado por quem, Gabriel?"

Ele deu um pequeno sorriso, um brilho perigoso em seus olhos. "A vida tem suas reviravoltas, Clara. Seu pai era um homem de visão, mas talvez não tivesse a mesma... tenacidade que meu pai. Ou a mesma capacidade de adaptação."

"Adaptação?" Clara questionou, a voz embargada. "O senhor quer dizer traição? Engano?"

"Eu chamo de estratégia," Gabriel corrigiu, sua voz calma, mas firme. "No mundo dos negócios, quem hesita, perde. Meu pai construiu um império porque soube tomar as decisões difíceis. E, em alguns casos, decisões que outros considerariam... cruéis."

As palavras dele confirmaram seus piores medos. Gabriel era um produto de sua família, um reflexo de seus valores. Ele era um predador no mundo corporativo, e ela, uma presa em potencial. No entanto, algo nele a impedia de fugir.

"Minha mãe escreveu sobre como sua família arruinou meu pai," Clara confessou, as palavras saindo em um sussurro. "Ela sofreu muito. Eu sofri muito com a perda dele. E agora você vem me falar de estratégia?"

Gabriel a olhou com uma intensidade que a fez sentir um calor estranho. "Sua mãe era uma artista extraordinária. E seu pai, um homem íntegro. Talvez ambos fossem... inaptos para o mundo que habitamos. Mas você, Clara, você é diferente. Você tem a beleza da sua mãe e a força que seu pai nunca soube usar a seu favor. Você tem o que é preciso para vencer."

Ele se inclinou ligeiramente, sua voz baixando para um tom mais íntimo. "Eu não vim para arruinar você, Clara. Eu vim para te oferecer um lugar ao meu lado. Um lugar onde sua arte possa florescer sem limites, onde você possa ter o reconhecimento que merece. Um lugar onde você não precise se preocupar com os fantasmas do passado, pois eu cuidarei deles. Juntos, podemos reescrever a história. Podemos mostrar a todos que os Ribeiro, e os Almeida Bastos, podem ser uma força imparável."

A proposta era tentadora, perigosa e excitante. Ele oferecia proteção, poder, a concretização de seus sonhos. Mas o preço era sua alma, sua integridade. Clara olhou para Gabriel, para a promessa em seus olhos, para a força que emanava dele. Ela sabia que estava diante de um dilema que definiria seu futuro, e que a escolha entre a segurança de seus princípios e a sedução do poder seria a mais difícil de sua vida.

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