O Amor Verdadeiro

O Amor Verdadeiro

por Valentina Oliveira

O Amor Verdadeiro

Por Valentina Oliveira

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Capítulo 6 — O Beijo Roubado e a Tempestade Iminente

O sol da tarde beijava a pele bronzeada de Isabella, pintando tons de âmbar em seu cabelo escuro enquanto ela supervisionava os últimos detalhes da festa de lançamento da nova coleção da Flor de Lis. O burburinho dos convidados, a música suave que pairava no ar e o aroma delicado das flores davam o tom de sofisticação e sucesso que tanto ela quanto Ricardo haviam trabalhado para alcançar. Mas, por baixo da fachada de tranquilidade, uma corrente elétrica de tensão percorria o corpo de Isabella.

Ricardo, imponente em seu terno escuro, circulava entre os convidados com a desenvoltura de um leão em seu território. Cada aperto de mão, cada sorriso trocado, parecia calculado para reforçar sua imagem de homem de negócios implacável e sedutor. Isabella o observava de longe, um nó apertado na garganta. Havia algo em seu olhar, na forma como ele se movia, que a desarmava e a assustava na mesma medida.

Ele se aproximou dela, os olhos escuros fixos nos dela, com uma intensidade que roubava o fôlego. "Está tudo perfeito, meu amor", ele disse, a voz grave ressoando em seus ouvidos. A palavra "amor" soou como um eco distante, um eco de um sentimento que ela sentia que se esvaía a cada dia que passava.

"Obrigada, Ricardo", respondeu Isabella, tentando manter a voz firme. Ela sabia que ele percebia a distância em seu tom, mas não sabia como mais disfarçar a crescente incerteza que a consumia.

"Você está linda", ele continuou, o polegar traçando suavemente o contorno de sua bochecha. "Como sempre."

Isabella sentiu um arrepio subir pela espinha. Não era um arrepio de prazer, mas de alerta. O toque dele, antes reconfortante, agora parecia invasivo, uma tentativa de controle. "Tenho que ver se o garçom trouxe o champanhe", ela desconversou, afastando-se ligeiramente.

Ricardo sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Não se preocupe com isso. Deixe que eu cuido de tudo. Você merece um descanso. Afinal, todo esse sucesso é seu."

A festa avançava. Conversas animadas, risadas e o tilintar de taças preenchiam o salão. Isabella tentava se concentrar nos convidados, em cumprimentar as pessoas importantes, em manter as aparências. Mas sua mente estava em outro lugar. Estava nas conversas sussurradas que ouvira, nos olhares trocados entre Ricardo e alguns homens de aparência duvidosa, nos gestos que pareciam esconder mais do que revelar.

Em um momento de distração, enquanto buscava um drink, ela esbarrou em alguém. Era Rafael. Os olhos dele encontraram os dela, e por um instante, o mundo pareceu parar. Rafael, com seu jeito despojado e olhar sincero, era um oásis em meio à falsidade que a cercava.

"Desculpe", disse Rafael, com um sorriso leve. "Estava distraído."

"Tudo bem", respondeu Isabella, sentindo uma onda de alívio ao vê-lo. "Estava me sentindo um pouco sobrecarregada."

"Entendo", ele disse, o olhar perspicaz captando a angústia em seus olhos. "Ricardo não é exatamente o anjo da guarda mais atencioso, não é?"

Uma risada nervosa escapou de Isabella. "Ele tem seus métodos."

Rafael aproximou-se um pouco mais, a voz baixando para um tom confidencial. "Isabella, eu sei que não sou ninguém para te dizer isso, mas você não parece feliz."

As palavras dele a atingiram como um raio. A verdade, nua e crua, exposta por um estranho. Lágrimas ameaçaram brotar, mas ela as segurou. "É complicado, Rafael."

"Complicado é o nome do jogo dele", respondeu Rafael, um traço de amargura em sua voz. "Eu o conheci há muito tempo. As ambições dele são maiores do que a ética."

Antes que Isabella pudesse responder, Ricardo surgiu ao lado deles, o sorriso forçado estampado no rosto. "Rafael, que surpresa vê-lo aqui. Veio admirar o trabalho da minha noiva?"

Rafael assentiu, o olhar fixo em Ricardo. "Só vim desejar boa sorte à Isabella. Ela merece."

"Ah, ela merece tudo", disse Ricardo, passando o braço em volta da cintura de Isabella, apertando-a com força. "E ela sabe disso."

O toque de Ricardo era possessivo, uma declaração silenciosa para Rafael e para todos que pudessem estar observando. Isabella sentiu seu corpo enrijecer. O perfume de Ricardo, antes inebriante, agora parecia sufocante.

Mais tarde naquela noite, após os convidados terem partido e a casa ter mergulhado no silêncio, Isabella estava em seu quarto, tentando juntar os cacos de sua noite. Ricardo entrou, o semblante mais relaxado, mas ainda com aquela intensidade que a perturbava.

Ele a puxou para si, os lábios buscando os dela em um beijo. Mas desta vez, não havia ternura, apenas urgência e uma possessividade que a fez estremecer. Isabella tentou se afastar, mas ele a segurou com firmeza.

"O que foi, meu amor?", ele perguntou, a voz rouca. "Você está tão distante hoje."

"Estou cansada, Ricardo", ela murmurou, evitando seu olhar.

Ele a beijou novamente, com mais força, como se quisesse apagar qualquer resistência. E, num impulso desesperado, Isabella cedeu. Não era um beijo de amor, mas um beijo de rendição, de desespero. Era o beijo de alguém que se afogava e se agarrava à última boia salva-vidas, mesmo sabendo que ela não a salvaria.

Quando Ricardo finalmente a soltou, Isabella sentiu uma náusea avassaladora. Ela correu para o banheiro, trancando a porta atrás de si. Vomitou tudo o que tinha comido, sentindo a amargura subir pela garganta.

No quarto, Ricardo a esperava, com o olhar fixo na porta fechada. Um leve sorriso pairou em seus lábios. A festa tinha sido um sucesso, e Isabella, por mais que tentasse resistir, ainda estava em suas mãos. A tempestade que se aproximava seria ainda mais devastadora do que ele imaginava. Ele sabia que ela era forte, mas a força dele era maior. E ele usaria tudo o que tinha para mantê-la presa em sua teia.

Enquanto isso, no silêncio do banheiro, Isabella se olhava no espelho, o rosto pálido, os olhos marejados. Ela não era mais a mesma Isabella que havia entrado naquela casa. As sombras do passado, as ambições de Ricardo, o peso de um futuro incerto. Tudo isso a estava consumindo. A festa de lançamento da Flor de Lis havia sido um sucesso estrondoso para os negócios, mas para Isabella, foi o prenúncio de uma guerra que ela sabia que teria que travar. A guerra por sua própria alma.

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