Amor sem Fronteiras III

Amor sem Fronteiras III

por Camila Costa

Amor sem Fronteiras III

Por Camila Costa

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Capítulo 11 — A Tempestade Iminente

O céu de Salvador parecia carregar um presságio, as nuvens cinzentas se adensando sobre a cidade como um véu pesado. A brisa que antes acariciava a pele agora trazia consigo um ar gelado, anunciando a tempestade que se aproximava, tão implacável quanto os sentimentos que borbulhavam no peito de Isabella. Ela observava o mar revolto da sacada do seu apartamento, o coração apertado, sentindo a mesma inquietação que agitava as ondas. A decisão de Gabriel a atingira como um raio, deixando-a desnorteada e com um nó na garganta que parecia impossível de desatar.

"Ele não pode fazer isso comigo", sussurrou para si mesma, as mãos apertando o corrimão de ferro forjado. A imagem de Gabriel, seu Gabriel, dizendo que precisava de um tempo, que não sabia mais o que queria, ecoava em sua mente como um mantra cruel. Era como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés, e ela estivesse à beira de um abismo, sem saber para onde se lançar.

A porta da sala se abriu suavemente e Helena entrou, trazendo uma bandeja com um chá fumegante e biscoitos. A babá, que se tornara uma confidente e um porto seguro para Isabella, percebeu a angústia estampada no rosto da patroa.

"Meu amor, você precisa se alimentar", disse Helena, a voz suave e reconfortante. "Ficar assim, se consumindo, não vai resolver nada."

Isabella se virou, os olhos marejados. "Como ele pode, Helena? Como ele pode simplesmente jogar tudo isso fora? Nosso amor, nossas promessas..."

Helena pousou a bandeja na mesinha de centro e sentou-se ao lado de Isabella, envolvendo-a em um abraço. "Meu anjo, o coração é um labirinto, e às vezes, as pessoas se perdem nele. Gabriel te ama, disso eu não tenho dúvidas. Mas ele também está confuso, assustado, talvez."

"Assustado com o quê? Com a felicidade? Com o amor que sempre sonhou?", a voz de Isabella embargou. Ela se afastou do abraço, a frustração começando a se misturar à dor. "Não é justo, Helena. Eu o amo mais do que a minha própria vida. E ele me faz isso."

"Eu sei que dói, meu bem. E a dor é real, imensa. Mas você também é forte. Lembre-se de quem você é, Isabella. Você é uma mulher guerreira, que lutou por tudo que conquistou. Essa batalha, por mais dolorosa que seja, você também pode vencer."

Isabella deu um sorriso fraco, uma lágrima solitária rolando por sua bochecha. "Mas eu não quero vencer sem ele, Helena. Eu só queria que ele visse o que tem. Que percebesse o erro que está cometendo."

O telefone tocou, estridente, cortando o silêncio tenso. Isabella hesitou antes de atender, o coração acelerando com uma esperança tola. Talvez fosse Gabriel, ligando para dizer que tudo tinha sido um engano, um momento de loucura.

"Alô?", atendeu, a voz trêmula.

"Isabella, querida! Sou eu, sua mãe." A voz de Dona Carmem, cheia de uma energia que contrastava com o clima sombrio do apartamento, soou como um bálsamo, mas também como um lembrete de que a vida continuava, mesmo em meio à sua dor.

"Oi, mãe", respondeu Isabella, tentando soar o mais natural possível. "Como você está?"

"Estou ótima, minha filha! Ligando para saber se você já decidiu sobre o jantar de sábado. O Ricardo está insistindo muito para te convidar para ir ao teatro comigo. Ele anda muito interessado em você, sabia?"

Isabella fechou os olhos com força. Ricardo. O empresário bem-sucedido, pai de um dos colegas de trabalho de Gabriel, que a assediava discretamente há meses. Era o último assunto que ela queria discutir.

"Mãe, eu… eu não sei se vou poder ir. Estou um pouco indisposta", mentiu Isabella, a culpa pesando em sua consciência. Ela sabia que sua mãe, com toda a sua bondade, às vezes era um pouco invasiva em seus planos de felicidade para a filha.

"Indisposta? Oh, minha filha, espero que não seja nada sério. Se for algo com Gabriel, você sabe que pode me contar. Eu sempre te disse que aquele rapaz era muito bonito, mas um pouco… volúvel."

A crítica velada a Gabriel fez Isabella se encolher. Era difícil ouvir isso de sua própria mãe, mesmo sabendo que ela estava tentando ajudar.

"Não é nada com ele, mãe. É só… cansaço. Acha que podemos deixar para depois?"

"Tudo bem, meu amor. Mas não se isole. A vida é curta, e você precisa viver! A gente se fala depois. Beijo!"

Isabella desligou o telefone, o peso em seu peito aumentando. Sua mãe não entendia. Ninguém entendia. A profundidade do que ela sentia por Gabriel, a conexão que transcendia as palavras, era algo que só eles dois compartilhavam.

Ela se levantou e caminhou até a janela novamente. A chuva finalmente começara a cair, grossas gotas batendo contra o vidro, formando um véu embaçado sobre a paisagem. A tempestade lá fora era um espelho da tempestade em seu interior.

"Gabriel", chamou, sua voz um lamento no vento. "Por favor, volte para mim."

De repente, um raio iluminou o céu, seguido por um trovão estrondoso que fez as janelas tremerem. Era um prenúncio, um aviso de que a tempestade estava apenas começando. Isabella sabia, com uma certeza gelada, que os próximos dias seriam os mais difíceis de sua vida.

Ela precisava tomar uma atitude. Não podia ficar ali, esperando que Gabriel voltasse. Precisava lutar por ele, por eles. Mas como lutar contra um homem que parecia ter decidido fugir?

Enquanto a chuva se intensificava, Isabella sentiu uma centelha de determinação acender em seu peito. A dor era avassaladora, mas a força que sua mãe mencionara, a guerreira que habitava em seu ser, começava a despertar. Ela não se renderia tão facilmente. Gabriel era seu amor, e ela não desistiria dele sem antes lutar com todas as suas forças.

Pegou o celular, as mãos ainda um pouco trêmulas. Procurou na lista de contatos o nome de Sofia. Precisava de um plano. Precisava de alguém que pudesse entender e, talvez, ajudá-la a navegar por essa tormenta. Sofia, com sua perspicácia e sua lealdade inabalável, era a única pessoa em quem ela confiava naquele momento.

"Sofia?", chamou, a voz mais firme agora. "Preciso da sua ajuda. É urgente."

A voz de Sofia, do outro lado da linha, transmitiu preocupação imediata. "Isabella? O que aconteceu? Você parece desesperada."

"E estou, Sofia. Gabriel… ele terminou tudo. Disse que precisa de um tempo. Eu não sei o que fazer."

Houve um breve silêncio do outro lado, seguido por um suspiro. "Oh, Isabella… Eu sinto muito. Mas não se desespere. Você não está sozinha. Quando você pode vir aqui? Precisamos conversar. Precisamos traçar um plano."

Um fio de esperança se acendeu no peito de Isabella. Não, ela não estava sozinha. E com Sofia ao seu lado, talvez ela tivesse uma chance. A tempestade lá fora rugia, mas dentro dela, uma faísca de coragem começava a brilhar. A luta pelo amor de Gabriel estava apenas começando.

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Capítulo 12 — Sussurros de Dúvida

O dia seguinte amanheceu com um sol tímido, como se a natureza ainda estivesse se recuperando da fúria da noite. Mas para Isabella, o sol não dissipou a névoa de incerteza que a envolvia. A conversa com Sofia na noite anterior fora um bálsamo, um lembrete de que amigos verdadeiros existem para nos amparar nos momentos mais sombrios. Sofia, com sua inteligência afiada e sua calma estratégica, já estava pensando em todas as possibilidades, em todos os ângulos que pudessem desvendar o mistério por trás da decisão de Gabriel.

"Ele não faria isso sem um motivo muito forte, Isabella", Sofia havia dito, enquanto ambas tomavam um café forte no apartamento de Isabella. A cada palavra, Sofia tentava desconstruir a dor de Isabella, transformando-a em ação. "Gabriel sempre foi um homem de palavra. Se ele disse que precisa de tempo, é porque algo o está consumindo. E nós vamos descobrir o quê."

Apesar da força nas palavras de Sofia, uma semente de dúvida começava a germinar no coração de Isabella. E se Gabriel estivesse certo? E se ela fosse a culpada por sua própria felicidade, por ter se entregado de corpo e alma a um amor que, no fim das contas, não era tão sólido quanto ela acreditava? As palavras de Gabriel, "Eu preciso de um tempo", soavam como um eco cruel, insinuando uma fragilidade que ela se recusava a acreditar.

Enquanto se arrumava para ir ao escritório, Isabella sentiu o peso da insegurança. Seus olhos percorreram o espelho, e pela primeira vez em muito tempo, ela não se reconheceu completamente. O brilho que antes emanava de seus olhos, alimentado pelo amor de Gabriel, parecia ter se apagado, deixando um rastro de melancolia.

No escritório, o ar parecia mais denso do que o normal. Os olhares dos colegas, antes cheios de admiração e respeito, agora pareciam carregar uma pitada de pena, ou pior, de fofoca. Ela sentia os murmúrios pairando no ar, como insetos irritantes que ela não conseguia afastar. A notícia do término com Gabriel, por mais que ela tentasse manter em sigilo, parecia ter se espalhado como um incêndio.

No meio da manhã, o chefe de Isabella, o Sr. Almeida, a chamou em sua sala. Isabella entrou com o coração acelerado, temendo uma reprimenda ou, pior, uma demissão.

"Sente-se, Isabella", disse o Sr. Almeida, a voz grave, mas sem raiva. Ele era um homem de negócios implacável, mas sempre justo. "Sei que você está passando por um momento difícil."

Isabella apenas assentiu, sem conseguir articular uma palavra.

"Tenho um recado para você de Gabriel", continuou ele, tirando um pequeno envelope do bolso interno do paletó. "Ele me pediu para entregar a você. Disse que não podia fazer isso pessoalmente."

Com as mãos trêmulas, Isabella pegou o envelope. Era o papel timbrado do escritório de Gabriel, com sua caligrafia elegante e inconfundível. Ela sentiu o estômago revirar.

"Ele não disse mais nada?", perguntou Isabella, a voz quase inaudível.

"Apenas que era importante. Isabella, sei que os assuntos pessoais podem ser desgastantes, mas peço que mantenha o profissionalismo. Gabriel é um cliente valioso para nós."

"Eu entendo, Sr. Almeida. Obrigada."

Isabella voltou para sua mesa, o envelope em suas mãos parecendo pesar uma tonelada. Ela o encarou por longos minutos, a decisão de abri-lo lutando contra a dor que ameaçava sufocá-la. O que mais ele poderia dizer? Que precisava de tempo para pensar se ainda a amava?

Respirando fundo, ela rasgou o envelope. As palavras eram poucas, diretas e, de certa forma, mais dolorosas do que qualquer explicação longa.

"Isabella,

Preciso de clareza. As coisas ficaram complicadas demais. Não estou dizendo que acabou para sempre, mas preciso de espaço para entender o que realmente quero. Não é um reflexo do que você é, mas do turbilhão em que me encontro.

Por favor, não tente me procurar. Preciso pensar sozinho.

Gabriel."

"Não é um reflexo do que você é…" As palavras ecoaram em sua mente, mas o significado parecia distorcido pela dor. Era um reflexo do que ela era, ou do que ele pensava que ela era? Ou, pior, do que ele temia que ela se tornasse?

Enquanto lia e relia a carta, Isabella sentiu um pingo de desespero. A ideia de "não tentar procurá-lo" parecia um convite à resignação, um convite para aceitar o fim. Mas seu coração se recusava a obedecer. Ela amava Gabriel com uma intensidade que a assustava, e a ideia de perdê-lo sem lutar era insuportável.

Sofia, sentada em sua mesa, a observava com preocupação. Ela percebeu a palidez de Isabella e o tremor em suas mãos.

"Isabella? O que foi?", perguntou Sofia, aproximando-se.

Isabella apenas estendeu a carta para Sofia, incapaz de falar. Sofia leu a carta em silêncio, a testa franzida.

"Esse homem…", murmurou Sofia, a irritação em sua voz. "Ele está se escondendo, Isabella. Isso não é a atitude de alguém que quer resolver as coisas. É a atitude de alguém que está fugindo."

"Mas ele disse que precisa pensar, Sofia. Que não é um reflexo de mim."

"E você acredita nisso?", retrucou Sofia, a voz firme. "Acredita que ele não pensaria em você ao tomar uma decisão dessas? Isabella, a maneira como ele escreveu essa carta, a frieza… Isso não é amor. Isso é autopreservação disfarçada de reflexão."

As palavras de Sofia, embora duras, ressoavam com a verdade que Isabella tentava negar. A frieza da carta, a ordem para não procurá-lo… tudo isso gritava abandono.

Naquele momento, Ricardo, o empresário que assediava Isabella, apareceu na porta do escritório. Ele a olhou com um sorriso calculista, como se soubesse de sua fragilidade.

"Isabella, querida!", disse ele, a voz melosa. "Ouvi dizer que você está passando por um momento… delicado. Se precisar de um ombro para chorar, ou de um jantar para distrair a cabeça, sabe onde me encontrar."

A oferta de Ricardo, em um momento tão vulnerável, pareceu a Isabella uma afronta, um tapa na cara. Ela sentiu uma onda de nojo misturada com uma raiva latente.

"Obrigada, Sr. Ricardo", respondeu Isabella, com a voz fria e cortante. "Mas eu prefiro chorar sozinha do que ter a sua companhia."

Ricardo deu um sorriso amargo, percebendo a rejeição. "Como quiser. Mas saiba que estou sempre disponível." Ele se virou e saiu, deixando um rastro de perfume caro e arrogância no ar.

Sofia olhou para Isabella com um misto de preocupação e admiração. "Você está forte, Isabella. Muito forte."

"Não sei se estou forte, Sofia", confessou Isabella, a voz embargada. "Só sei que estou assustada. E com raiva. Raiva de mim mesma por ter me deixado amar tanto alguém que me machuca assim. Raiva dele por ter me deixado nessa situação."

Ela olhou para a carta novamente. "Ele quer que eu não o procure. Mas o que ele não sabe é que quanto mais ele se afasta, mais eu quero ir atrás. Eu o amo, Sofia. Eu não consigo simplesmente esquecer."

Sofia segurou a mão de Isabella. "Eu sei, meu amor. Eu sei que você o ama. Mas amar também significa saber quando lutar e quando se proteger. O que Gabriel está fazendo é um jogo cruel com os seus sentimentos. Ele te deixou em um limbo, Isabella. E você não merece isso."

Isabella sentiu as lágrimas voltarem a brotar. A dúvida se misturava à dor, criando um turbilhão de emoções que a deixava sem rumo. E se Sofia estivesse certa? E se Gabriel estivesse apenas se escondendo de seus próprios medos, usando-a como bode expiatório? A ideia era devastadora.

Ela olhou para a carta mais uma vez. A caligrafia elegante, o papel fino… tudo era um lembrete do homem que ela amava. Mas as palavras… as palavras eram de um estranho. Um estranho que a estava machucando profundamente.

"O que eu faço agora, Sofia?", perguntou Isabella, a voz um sussurro.

Sofia apertou sua mão com mais força. "Nós vamos descobrir. Vamos descobrir por que Gabriel está agindo assim. E, enquanto isso, você vai se cuidar. Vai se fortalecer. Porque você é mais forte do que pensa, Isabella. E você merece um amor que não te deixe com dúvidas, mas que te transborde de certeza."

O sol, agora mais forte, invadia a sala. Mas para Isabella, o caminho para a clareza ainda estava obscurecido pela névoa da incerteza e pelos sussurros de dúvida que ecoavam em seu coração. A tempestade de Gabriel havia chegado, e ela ainda não sabia como enfrentá-la.

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Capítulo 13 — O Jogo das Aparências

O burburinho no escritório diminuiu à medida que o dia avançava, mas a tensão pairava no ar como um perfume forte e desagradável. Isabella, com a carta de Gabriel amassada em sua bolsa, tentava se concentrar em seu trabalho, mas cada clique do teclado parecia um eco da batida desesperada de seu coração. As palavras "preciso pensar sozinho" ecoavam em sua mente, uma ordem que ela tentava cumprir, mas que a consumia por dentro.

Enquanto trabalhava, uma mensagem de texto vibrou em seu celular. Era de Sofia: "Às 19h, meu lugar. Precisamos de um plano. E nada de fraqueza hoje, ok? Você é mais forte que ele."

Isabella sorriu fracamente. Sofia era a âncora que a impedia de afundar. Ela sabia que precisava agir, precisava parar de se deixar abater pela incerteza. Gabriel queria distância, mas ela não podia simplesmente se resignar. Havia algo mais por trás dessa decisão, algo que ela estava determinada a descobrir.

À tarde, quando o expediente estava prestes a terminar, Ricardo apareceu novamente em sua mesa, desta vez com um sorriso mais confiante, como se soubesse que ela estaria mais vulnerável.

"Isabella, querida. Sabe, eu entendo a dor da rejeição. Mas o amor é um campo de batalha, e às vezes, é preciso ser persistente." Ele se inclinou ligeiramente. "Eu vi o Gabriel ontem. Ele parecia… preocupado. Algum problema no paraíso?"

A menção de Gabriel, vinda de Ricardo, acendeu um alerta em Isabella. Ela sabia que Ricardo tinha conexões e um interesse particular em tudo que envolvia Gabriel, talvez por inveja profissional ou por um desejo de desestabilizá-lo.

"Não é da sua conta, Ricardo", respondeu Isabella, a voz firme, o tom mais controlado do que ela se sentia.

Ricardo riu, um som sem humor. "Ah, mas tudo que envolve o Gabriel me interessa. Principalmente quando se trata de você. Ele anda muito distante ultimamente, não é? Talvez ele tenha percebido que não é o homem certo para alguém tão… especial quanto você."

A insinuação de que Gabriel a estava subestimando, ou pior, que a estava usando, fez Isabella se sentir ainda mais determinada a descobrir a verdade. Ricardo, com sua arrogância, estava tentando plantar sementes de dúvida, mas Isabella já estava lutando contra elas.

"Gabriel tem seus motivos, e eu tenho os meus para não discuti-los com você", disse Isabella, levantando-se de sua cadeira. "Com licença."

Ela caminhou para fora do escritório, deixando Ricardo com um sorriso sarcástico no rosto. Ela sabia que ele não desistiria, e que provavelmente usaria qualquer informação que pudesse obter para manipulá-la ou para prejudicar Gabriel. O jogo das aparências estava apenas começando.

Na casa de Sofia, o ambiente era acolhedor, um refúgio da turbulência que Isabella sentia. As luzes baixas, o aroma de incenso e o chá de ervas criavam uma atmosfera de calma e confiança.

"Ele está fugindo, Isabella", disse Sofia, enquanto se sentavam na sala. "Essa carta, a atitude dele… é tudo para te afastar enquanto ele tenta resolver algo dele. E isso não é justo com você."

"Mas o que ele estaria resolvendo, Sofia? Ele nunca me escondeu nada. Sempre fomos abertos um com o outro." A dúvida ainda a corroía. E se houvesse algo que ela desconhecia?

"É aí que está o problema", disse Sofia, com um olhar penetrante. "Ele te pede para não procurá-lo. Mas, ao mesmo tempo, te deixa uma carta fria. Isso é uma contradição. É uma forma de te manter presa a ele emocionalmente, enquanto se dá o luxo de se afastar."

Sofia pegou um pequeno caderno e uma caneta. "Precisamos agir. Não podemos ficar esperando que ele decida o que quer. Primeira coisa: precisamos saber o que está acontecendo na vida de Gabriel que o levou a esse desespero."

"Mas como? Ele não quer que eu o procure."

"Você não vai procurá-lo diretamente. Mas você tem amigos, e eu tenho contatos. Vamos começar com o escritório dele. Talvez alguém lá saiba de algo. Uma mudança de comportamento, uma preocupação diferente. Qualquer coisa."

Sofia anotava seus pensamentos freneticamente. "E quanto ao Ricardo? Ele parece saber mais do que diz. Ele mencionou que viu Gabriel ontem. O que ele poderia saber?"

"Ricardo sempre foi um rival de Gabriel em alguns negócios. Ele tentou me cortejar várias vezes, e eu sempre recusei. Talvez ele queira me desestabilizar ou desestabilizar Gabriel."

"Exatamente. Precisamos ficar atentas a ele. Ele pode ser uma peça perigosa nesse jogo. E por falar em jogo, o que você acha que Gabriel quis dizer com 'as coisas ficaram complicadas demais'?"

Isabella pensou na possibilidade de um problema financeiro, ou talvez um conflito familiar. Gabriel tinha um pai distante e um irmão com histórico de problemas. Mas nada parecia justificar uma ruptura tão abrupta.

"Eu não sei, Sofia. Ele nunca foi de se deixar abalar por problemas externos. Ele sempre lidou com tudo com força e determinação."

"A não ser que o problema seja algo que o afete profundamente, algo que o faça questionar tudo, inclusive o relacionamento de vocês", ponderou Sofia. "E se for algo relacionado a você? A alguma coisa que ele pensa que você fez ou que poderia fazer?"

A ideia de que Gabriel pudesse estar duvidando dela, ou pensando que ela era a causa de seus problemas, era um golpe ainda mais doloroso.

"Mas o quê? Eu fiz algo errado?", a voz de Isabella embargou.

"Claro que não! Isabella, você é uma mulher íntegra. Mas Gabriel está em um estado de confusão. Na cabeça dele, talvez ele esteja tentando te proteger de algo, ou de si mesmo."

Sofia fez uma pausa, olhando para Isabella com compaixão. "Precisamos investigar. E, ao mesmo tempo, você precisa se cuidar. Não deixe que isso te destrua. Mostre a ele que você é forte, que você tem sua própria vida, seus próprios objetivos."

"Mas eu só quero ele de volta, Sofia."

"Eu sei. E vamos lutar por isso. Mas não da maneira que ele quer. Ele quer que você fique parada, esperando. Nós vamos agir. Vamos desvendar esse mistério. E, quando encontrarmos a verdade, você terá as cartas na mão para tomar a decisão certa, seja qual for."

Enquanto a noite avançava, Isabella e Sofia traçavam um plano detalhado, dividindo tarefas, estabelecendo contatos e definindo estratégias. A cada passo que davam, a sensação de desespero de Isabella começava a ser substituída por uma determinação fria e calculista. Ela não seria uma vítima passiva. Ela lutaria pelo seu amor, mas de uma forma que Gabriel não esperava.

Elas decidiram que Sofia usaria seus contatos para investigar sutilmente o círculo profissional de Gabriel, buscando por qualquer pista que pudesse explicar sua crise. Isabella, por sua vez, tentaria manter a calma em seu ambiente de trabalho, evitando se expor à fofoca e, principalmente, a Ricardo.

"Ele não vai se safar dessa, Sofia", disse Isabella, a voz firme, um brilho determinado em seus olhos. "Se ele pensa que pode me dispensar assim, ele está muito enganado."

Sofia sorriu. "É assim que eu gosto de te ver. Uma guerreira. Agora, vá para casa, descanse. Amanhã começamos a nossa ofensiva."

Ao sair da casa de Sofia, Isabella olhou para o céu estrelado. A noite estava serena, contrastando com a tempestade que se formava em sua vida. Ela sentia o peso da incerteza, mas também a força da amizade e a centelha da esperança. O jogo das aparências estava em andamento, e Isabella estava pronta para jogar suas melhores cartas. Gabriel podia querer um tempo, mas ela não lhe daria paz até que a verdade viesse à tona.

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Capítulo 14 — A Revelação Inesperada

Os dias que se seguiram foram de uma tensão palpável para Isabella. Ela se esforçava para manter a compostura no escritório, respondendo a e-mails, participando de reuniões e, acima de tudo, evitando Ricardo, que parecia flutuar ao redor dela como um abutre, sempre pronto para dar uma piscadela insinuante ou um comentário que a desestabilizasse. Mas, por dentro, sua mente estava em constante movimento, processando as informações fragmentadas que Sofia conseguia coletar e revivendo cada momento de seu relacionamento com Gabriel, buscando por pistas que pudessem explicar a súbita necessidade dele de se afastar.

Sofia, por sua vez, trabalhava incansavelmente. Seus contatos no mundo corporativo eram vastos e eficientes. Ela descobriu que Gabriel vinha sofrendo uma pressão imensa em seus negócios. Havia um grande projeto em jogo, um que poderia definir o futuro de sua empresa, mas que também envolvia riscos consideráveis. Havia rumores de sabotagem e de concorrentes desleais tentando minar seus esforços.

"Ele está sob uma pressão enorme, Isabella", contou Sofia em uma de suas conversas secretas. "Dizem que ele anda dormindo pouco, que está obcecado com esse projeto. E o pior: parece que há uma investigação interna em andamento. Algo sobre vazamento de informações confidenciais."

A informação da investigação interna atingiu Isabella como um soco no estômago. Isso explicaria o nervosismo de Gabriel, sua necessidade de se isolar. Mas por que ele não confiou nela? Por que ele não compartilhou essa angústia com ela, a mulher que ele dizia amar?

"Uma investigação? Sofia, você tem certeza?", perguntou Isabella, a voz embargada de preocupação.

"Tenho. Parece que alguém dentro da empresa dele está passando informações para a concorrência. Ele está desesperado para descobrir quem é o traidor, pois isso pode comprometer não só o projeto, mas a reputação dele."

Enquanto isso, Ricardo continuava seu assédio sutil, agora com um tom mais agressivo. Ele insinuava que Gabriel era incompetente, que não estava à altura dos desafios que enfrentava, e que estava apenas se escondendo como um covarde.

"Sabe, Isabella", disse Ricardo em uma tarde, enquanto Isabella esperava o elevador. "Eu ouvi dizer que há problemas sérios na empresa do Gabriel. Parece que ele está encrencado. Talvez seja por isso que ele anda tão distante. Ele não quer te envolver na confusão dele."

Isabella sentiu uma onda de raiva e desconfiança. Ricardo estava claramente tentando manipular a situação a seu favor, usando a crise de Gabriel para se aproximar dela.

"Você fala demais, Ricardo", disse Isabella, sem se virar para ele. "E suas insinuações são patéticas."

Ela entrou no elevador, o coração acelerado. Se Gabriel estava sob investigação, e se havia um traidor em sua empresa, ela precisava fazer alguma coisa. A ideia de que Gabriel pudesse estar sendo acusado injustamente, ou que estivesse sendo manipulado, a deixava furiosa.

Naquela noite, enquanto jantava com Sofia, Isabella tomou uma decisão. Ela não podia mais ficar parada, esperando que Gabriel se abrisse. Ela precisava agir.

"Sofia, eu preciso ir até ele", disse Isabella, a voz firme. "Não posso mais lidar com essa incerteza. Se ele está em apuros, eu preciso estar ao lado dele."

Sofia hesitou. "Mas ele pediu para você não procurá-lo, Isabella. E se isso for um teste? E se ele estiver tentando te afastar de alguma forma?"

"Eu não me importo mais com o que ele pediu", respondeu Isabella, a determinação brilhando em seus olhos. "Eu o amo, Sofia. E o amor verdadeiro não se afasta diante das dificuldades. Ele se fortalece. Se ele está em perigo, eu preciso estar lá para protegê-lo."

Sofia suspirou, percebendo a força de vontade de Isabella. "Tudo bem. Mas vá com cuidado. E leve isso." Sofia tirou um pequeno dispositivo de segurança de uma bolsa. "É um rastreador. Se algo acontecer, eu saberemos onde você está. E, por favor, Isabella, se ele te afastar de novo, você precisa considerar se esse amor vale toda essa dor."

Na manhã seguinte, Isabella dirigiu até o imponente prédio comercial onde ficava o escritório de Gabriel. O coração batia forte em seu peito, uma mistura de medo e esperança. Ela sabia que estava desafiando o pedido dele, mas a necessidade de vê-lo, de confrontá-lo, era mais forte do que qualquer receio.

Ela pediu para falar com Gabriel na recepção, mas foi informada de que ele não estava recebendo visitas. Isabella insistiu, dizendo que era um assunto urgente, pessoal. A recepcionista, uma mulher fria e profissional, manteve-se irredutível.

Enquanto Isabella debatia com a recepcionista, Ricardo apareceu, como se estivesse esperando por ela.

"Isabella! Que surpresa te ver por aqui", disse ele, com um sorriso falso. "Veio ver o Gabriel? Ele não está em condições de receber ninguém. Está envolvido em uma investigação séria. Parece que ele mesmo está sob suspeita de traição."

As palavras de Ricardo, ditas em um tom de falsa preocupação, confirmaram as suspeitas de Isabella. Ele sabia o que estava acontecendo e estava usando a situação para manipulá-la.

"Você é um canalha, Ricardo", disse Isabella, a voz trêmula de raiva. "Você está usando a situação dele para te beneficiar."

"Eu apenas digo a verdade, querida. E a verdade é que o Gabriel está em maus lençóis. Talvez seja hora de você procurar alguém que possa te oferecer segurança e estabilidade."

Antes que Isabella pudesse responder, uma mulher, elegantemente vestida e com uma expressão de preocupação no rosto, saiu de uma das salas internas. Era Ana, a assistente pessoal de Gabriel. Ela olhou para Isabella com um misto de surpresa e compaixão.

"Isabella? O que você está fazendo aqui?", perguntou Ana, a voz suave.

"Ana, eu preciso falar com Gabriel. É urgente."

Ana hesitou, olhando para Ricardo e depois para Isabella. "Ele… ele não está em seu escritório no momento. Ele foi chamado para uma reunião de emergência."

"Reunião de emergência? Onde?", perguntou Isabella, a esperança renascendo em seu peito.

Ana trocou um olhar apreensivo com Ricardo. "Em um local seguro. Ele não quis que ninguém soubesse onde."

Ricardo sorriu, satisfeito com o impasse. "É, Isabella. Parece que Gabriel não quer mesmo que você se envolva. Ele está protegendo você. Ou se protegendo de você."

De repente, o celular de Ana tocou. Ela atendeu, a expressão de preocupação se intensificando a cada palavra que ouvia. "O quê? Como assim? Ele… ele está bem?" Ela desligou o telefone, o rosto pálido.

"Ana, o que aconteceu?", perguntou Isabella, o coração disparado.

"A reunião de emergência… houve um imprevisto. Um… um acidente." Ana mal conseguia falar. "Gabriel… ele sofreu um acidente a caminho da reunião. Ele está no hospital."

A notícia atingiu Isabella como um raio. O chão pareceu sumir sob seus pés. Gabriel, seu Gabriel, acidentado? Tudo o que ela pensou foi: "Eu preciso vê-lo. Agora."

Ela ignorou as palavras de Ricardo, ignorou o olhar de Ana. Correu para fora do prédio, o pânico tomando conta de seu corpo. Dirigiu desabaladamente, cada semáforo vermelho uma tortura, cada minuto uma eternidade.

Ao chegar ao hospital, ela correu para a recepção, pedindo informações sobre Gabriel. Demorou um pouco, pois ele estava em uma ala de emergência, mas finalmente conseguiu o número do quarto.

Ela entrou no quarto, o ar pesado com o cheiro de antisséptico. Gabriel estava deitado na cama, o corpo imobilizado, o rosto pálido e marcado por algumas escoriações. Os aparelhos médicos emitiam bipes constantes, um lembrete sombrio da fragilidade da vida.

Isabella se aproximou da cama, as lágrimas rolando livremente por seu rosto. Ela o observou, o homem que amava, ferido e inconsciente.

"Gabriel...", sussurrou ela, a voz embargada. "Por que você fez isso? Por que você não me contou?"

Ela pegou sua mão, sentindo a fragilidade de seus dedos. De repente, Gabriel abriu os olhos lentamente, com uma expressão confusa. Ao ver Isabella ao seu lado, seus olhos se arregalaram, mas não de surpresa, e sim de algo que Isabella não conseguiu decifrar.

"Isabella? O que você está fazendo aqui?", ele perguntou, a voz fraca.

"Eu… eu soube do acidente. Eu precisava vir. Eu te amo, Gabriel. Eu não podia te deixar sozinho."

Gabriel fechou os olhos por um instante, como se estivesse reunindo forças. Quando os abriu novamente, a expressão era de profunda tristeza.

"Isabella, eu… eu não te amo mais", disse ele, as palavras soando como lâminas em seu coração.

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Capítulo 15 — O Resgate em Meio à Ruína

O choque das palavras de Gabriel foi tão devastador quanto o impacto do acidente. Isabella sentiu o ar faltar em seus pulmões, o mundo girando em um borrão de dor e incredulidade. Aquela não era a reação que ela esperava, mesmo sabendo que ele estava ferido.

"Como assim você não me ama mais, Gabriel?", ela sussurrou, a voz embargada de lágrimas. "Você disse que precisava de tempo para pensar. Não que o nosso amor acabou."

Gabriel suspirou, um som fraco e dolorido. Seus olhos, antes cheios de uma chama intensa, agora pareciam opacos, carregados de uma tristeza profunda.

"Isabella, eu… eu não tenho forças para explicar agora. Mas as coisas mudaram. E eu mudei." Ele olhou para as próprias mãos, como se não as reconhecesse. "Eu cometi muitos erros. E a única coisa que posso fazer é tentar consertar o que pude estragar."

Isabella sentiu uma pontada de raiva misturada à dor. "Consertar o quê, Gabriel? Você está falando da investigação? Eu sei sobre isso. Sofia me contou. Você deveria ter me contado. Deveríamos ter enfrentado isso juntos."

Gabriel a encarou, e por um instante, ela viu um vislumbre da antiga chama em seus olhos, misturada com medo. "Juntos? Você não entende, Isabella. A pessoa que está por trás disso… é alguém que você conhece. Alguém que eu nunca imaginei que pudesse ser capaz de tamanha traição."

O coração de Isabella acelerou. Alguém que ela conhecia? A possibilidade era aterradora. A investigação interna, a sabotagem, o acidente… tudo começava a se encaixar de uma forma sinistra.

"Quem, Gabriel? Quem fez isso?", ela implorou, segurando sua mão com mais força.

Antes que Gabriel pudesse responder, a porta do quarto se abriu e Ricardo entrou, seu sorriso presunçoso no rosto. Ao ver Isabella ao lado de Gabriel, seu sorriso vacilou, mas logo foi substituído por uma expressão de falsidade.

"Ora, ora. Isabella, que bom que você veio. Pensei que Gabriel estivesse com problemas demais para se preocupar com a vida pessoal", disse Ricardo, sua voz com um tom de escárnio. "Mas parece que ele ainda tem um certo apego. Sinto muito por você, Gabriel. A investigação está se complicando, e você sabe que eu não tenho nada a ver com isso."

O tom de Ricardo, a forma como ele se colocou como inocente, acendeu uma luz vermelha na mente de Isabella. Ela olhou para Gabriel, que parecia petrificado ao ver Ricardo ali.

"Gabriel...", ela chamou, a voz trêmula. "O que ele está falando? Quem é a pessoa que você conhece? É ele?"

Os olhos de Gabriel percorreram o rosto de Ricardo, um misto de raiva e desespero estampado em suas feições. "Ricardo...", ele começou, a voz embargada. "Você… você foi capaz de tudo isso?"

Ricardo deu uma risada fria. "Eu apenas fiz o que era necessário para garantir o meu lugar ao sol, meu caro Gabriel. Você sempre foi arrogante, sempre se achou superior. Eu apenas… ajustei as coisas. E você, Isabella… você foi um peão nesse jogo."

As palavras de Ricardo atingiram Isabella como um golpe fatal. Um peão? Ela? A mulher que amava Gabriel com toda a sua alma, que estava disposta a lutar por ele, era apenas uma peça em um jogo cruel?

"Isabella, não acredite nele!", Gabriel tentou dizer, mas sua voz era fraca. "Ele está mentindo. Eu nunca te vi como um peão."

"Não é bem assim, meu caro Gabriel", disse Ricardo, aproximando-se da cama. "Você se lembra daquela noite, Isabella? Quando Gabriel desapareceu por horas? Ele estava se encontrando com outra mulher. Uma mulher que ele não queria que você soubesse. Ele te usou para mascarar seus próprios segredos."

Isabella olhou para Gabriel, a confusão e a dor estampadas em seu rosto. Ela se lembrou daquela noite, do desaparecimento inexplicável de Gabriel, da sua desculpa esfarrapada.

"Gabriel, é verdade?", ela perguntou, a voz um sussurro quebrado.

Gabriel fechou os olhos, como se a dor física fosse menor do que a dor emocional que sentia. "Isabella, eu… eu não queria te machucar. Eu estava assustado. A investigação, a pressão… e sim, houve outra pessoa. Um momento de fraqueza. Eu sinto muito."

A confissão de Gabriel, a frieza com que ele a disse, foi a gota d'água. Era como se o último fio de esperança que a mantinha ali se rompesse. A revelação de Ricardo, a culpa de Gabriel, tudo se misturou em um turbilhão de desespero.

"Então tudo foi uma mentira?", Isabella perguntou, a voz carregada de amargura. "Nosso amor, nossas promessas… tudo foi uma farsa para você?"

Ricardo sorriu, satisfeito com o caos que havia criado. "A farsa agora é outra, Isabella. A farsa é acreditar que Gabriel é um homem digno de você."

De repente, o quarto foi invadido por policiais. A entrada de Ricardo, sua arrogância e a confissão parcial de Gabriel, haviam sido o gatilho. Sofia, prevendo que algo assim poderia acontecer, já havia acionado as autoridades.

"Ricardo Silva, você está preso por tentativa de homicídio, sabotagem industrial e estelionato", disse um dos policiais, algemando Ricardo.

Ricardo, surpreso e furioso, tentou resistir, mas foi contido. Seus planos de incriminar Gabriel e conquistar Isabella haviam desmoronado.

Enquanto os policiais levavam Ricardo, Isabella olhava para Gabriel, a dor em seus olhos espelhando a dele. As revelações eram devastadoras, mas a verdade, por mais dolorosa que fosse, estava vindo à tona.

Gabriel, com esforço, estendeu a mão para Isabella. "Isabella, por favor. Eu sei que te machuquei. Eu errei muito. Mas eu nunca quis te perder. Você é a única coisa que importa para mim."

Isabella olhou para a mão estendida, para o rosto machucado de Gabriel. A raiva ainda ardia em seu peito, mas por baixo dela, o amor que sentia por ele ainda pulsava, fraco, mas presente. Ela sabia que a confiança estava quebrada, que as feridas eram profundas. Mas naquele momento, vendo-o ali, frágil e arrependido, ela não conseguia simplesmente virar as costas.

Ela pegou sua mão, sentindo a fragilidade de seu toque. "Gabriel, eu não sei o que vai acontecer. Eu não sei se consigo te perdoar. Você me machucou profundamente."

"Eu sei", ele disse, a voz embargada. "Mas me dê uma chance, Isabella. Me deixe tentar consertar. Me deixe provar que você é a única, que o meu erro foi um momento de fraqueza que não representa quem eu sou."

Enquanto os policiais retiravam Ricardo, e a poeira da revelação começava a baixar, Isabella se viu em um dilema. O amor que sentia por Gabriel era real, intenso. Mas a traição, a dor, as mentiras… eram cicatrizes que poderiam ser curadas?

Ela olhou nos olhos de Gabriel, buscando por algo que pudesse guiá-la. A verdade estava exposta, a ruína de Ricardo era apenas o começo. Mas a pergunta que pairava no ar, pesada e incerta, era se o amor entre ela e Gabriel poderia sobreviver a essa tempestade. O resgate em meio à ruína havia começado, mas o caminho para a cura e o perdão seria longo e doloroso. Ela sentiu a mão de Gabriel apertar a sua, um pedido silencioso, um apelo por uma segunda chance. E, pela primeira vez desde que tudo começou, Isabella não tinha a resposta.

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