Amor sem Fronteiras III

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por Camila Costa

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Capítulo 17 — A Chegada de Verona

A limusine preta, como um corvo imponente contra a noite estrelada, deslizou pela estrada de acesso à mansão dos Fontes, parando com um silêncio quase reverente em frente ao portão de ferro forjado. A porta do carro se abriu com um clique suave, e dela emergiu uma figura envolta em um casaco de pele de raposa, tão escuro quanto a noite que a recebia. Verona Fontes.

Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A mulher que Miguel acabara de revelar ser sua irmã estava ali, diante de seus olhos, irradiando uma aura de elegância sombria que contrastava com a atmosfera serena da praia. Miguel se levantou de um salto, a mão de Clara escapando da sua, como se um choque elétrico a tivesse afastado. O abraço que selara a reconciliação deles se desfez em um instante, substituído pela apreensão que o retorno de Verona trazia consigo.

Verona desceu do carro com uma desenvoltura calculada, seus saltos agulha fazendo um leve som sobre o cascalho. Seus cabelos, de um preto profundo, caíam em cascata sobre os ombros, emoldurando um rosto de beleza clássica, mas marcado por uma melancolia que parecia ter se alojado em seus traços. Os olhos escuros, penetrantes, varreram a varanda onde Clara e Miguel estavam, pousando em Miguel com uma expressão indecifrável. Um misto de dor, desejo e algo que Clara não conseguia identificar, mas que a incomodou profundamente.

“Miguel”, a voz de Verona era um sussurro rouco, carregado de uma emoção contida que parecia prestes a explodir. Ela deu um passo à frente, seus olhos agora encontrando os de Clara. Um leve sorriso surgiu em seus lábios, mas não alcançou seus olhos. Era um sorriso que parecia mais um aviso do que uma saudação.

“Verona”, Miguel respondeu, a voz firme, mas com uma tensão subjacente que Clara percebeu imediatamente. Ele se postou ligeiramente à frente dela, um gesto protetor que não passou despercebido por Verona.

“Que surpresa agradável”, Verona disse, sua voz ganhando um tom mais leve, quase irônico. Ela se aproximou do portão, a figura elegante e imponente. “Eu não sabia que você estaria aqui esta noite, Clara. Miguel não mencionou que teríamos companhia.”

A indireta era clara. Clara sentiu um leve rubor subir por seu rosto. Miguel, percebendo o desconforto dela, deu um passo em sua direção, mas Verona o interrompeu.

“Não se preocupe, Miguel. Eu não vim para atrapalhar. Vim para… visitar. Reencontrar a família.” Ela deu ênfase à palavra “família”, seus olhos fixos em Miguel. “E parece que a família cresceu.”

O olhar de Verona pousou em Clara novamente, desta vez com uma avaliação mais detalhada. Era um olhar que parecia vasculhar a alma, buscando fraquezas, defeitos. Clara sustentou o olhar, sentindo-se estranhamente desafiada. Ela não era uma mulher fácil de intimidar, mas havia algo na presença de Verona que a fazia sentir-se exposta.

“Verona, esta é Clara. Clara, esta é minha irmã, Verona”, Miguel apresentou, tentando amenizar a tensão que se instalara no ar.

Clara deu um passo à frente, estendendo a mão. “Prazer em conhecê-la, Verona. Miguel me falou muito sobre você.” Uma mentira piedosa, mas necessária para manter a paz, pelo menos por enquanto.

Verona apertou a mão de Clara, um aperto firme, quase forte demais. “Oh, ele falou? Que gentil da parte dele. E o que exatamente ele disse sobre mim, Clara? Que eu sou a ovelha negra? A ex-dependente química? A filha indesejada?” A ironia em sua voz era cortante, e um sorriso amargo brincava em seus lábios.

Clara sentiu Miguel se apertar ao seu lado. “Ele disse que você é uma mulher forte, Verona. E que passou por muita coisa.” Ela escolheu suas palavras com cuidado, tentando encontrar um terreno comum, um fio de empatia.

Verona soltou uma risada baixa, desprovida de alegria. “Forte? Talvez. Ou talvez apenas teimosa demais para desistir. E sim, passei por muita coisa. Coisas que nem mesmo você, Miguel, consegue compreender completamente.” Ela olhou para o irmão, um brilho de ressentimento em seus olhos. “Mas estou aqui agora. E as coisas vão mudar.”

A noite, que momentos antes parecia propícia para a intimidade e a reconciliação, agora estava carregada de uma tensão palpável. O aroma salgado do mar parecia misturar-se com o perfume caro e exótico de Verona, criando uma atmosfera densa e imprevisível.

Miguel se afastou um pouco de Clara, sua postura defensiva se tornando mais evidente. “Verona, por que você decidiu vir agora? Sem nos avisar?”

“Eu senti que era a hora”, Verona respondeu, sem rodeios. Ela olhou ao redor da mansão, seus olhos pousando em cada detalhe com um ar de familiaridade, mas também de estranheza. “Esta casa… ainda tem as mesmas paredes que me viram crescer. Ou melhor, que me viram ser negligenciada. Mas não importa. O passado ficou para trás. Ou quase.”

Ela caminhou em direção à entrada principal da mansão, os olhos ainda fixos em Miguel. “Eu preciso de um lugar para ficar, Miguel. Por enquanto. E a casa da família é o meu direito, não acha?”

Clara sentiu o coração de Miguel apertar. Ele não esperava aquela reviravolta. “Verona, você não pode simplesmente aparecer assim e exigir um lugar para ficar. Nós… eu…”

“Você está hospedando Clara aqui, não está?”, Verona interrompeu, um brilho de malícia em seus olhos. “O que mais um quarto faria diferença? Ou você prefere que eu me hospede em um hotel? Talvez um daqueles mais… discretos?”

A ameaça implícita naquelas palavras fez Clara sentir um frio na barriga. Verona estava jogando um jogo, e Miguel parecia ser o alvo principal.

“Verona, isso não é justo”, Miguel disse, a voz firme, mas com uma nota de exaustão. “Você sabe que eu quero te ajudar, mas…”

“Mas você tem a sua nova vida, não é?”, Verona o cortou novamente. “A sua nova namorada, a sua nova realidade. E eu sou apenas um fantasma do passado que você gostaria de esquecer.” Ela riu, um som amargo. “Mas fantasmas, Miguel, eles sempre voltam para assombrar. E eu estou de volta para assombrar a todos vocês.”

Ela se virou e caminhou em direção à porta principal da mansão, abrindo-a com um gesto decidido. “Eu vou esperar vocês lá dentro. E não se preocupem, eu não mordo. A não ser que seja provocado, é claro.”

Com um último olhar penetrante para Miguel e Clara, Verona entrou na mansão, deixando para trás um silêncio pesado e a certeza de que a paz que Clara e Miguel tentavam construir estava prestes a ser abalada. A noite em Angra dos Reis, que prometia ser um refúgio de amor e confiança, agora se transformava em um palco para conflitos familiares e segredos desenterrados. Clara olhou para Miguel, vendo em seus olhos a preocupação e o medo de um passado que ele tentava desesperadamente deixar para trás, mas que acabara de bater à sua porta.

“Ela… ela não pode simplesmente fazer isso, pode?”, Clara sussurrou, a voz trêmula.

Miguel a puxou para perto, abraçando-a com força. “Ela pode. E ela vai. Mas eu não vou deixar que ela estrague tudo o que temos, Clara. Não vou.” Seus olhos, no entanto, não conseguiam disfarçar a apreensão. A presença de Verona era um furacão prestes a atingir a calmaria que eles tanto lutaram para encontrar. A batalha pela serenidade estava longe de terminar.

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