Amor sem Fronteiras III

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por Camila Costa

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Capítulo 18 — A Teia de Verona

O interior da mansão dos Fontes parecia ter parado no tempo, um santuário de memórias e riquezas que Verona parecia ter herdado com um direito de nascença que ninguém ousava questionar. O ar estava pesado, impregnado com um perfume floral artificial que contrastava com o aroma fresco e salgado do mar que entrava pelas janelas abertas. Clara seguiu Miguel para dentro, sentindo-se como uma intrusa naquele ambiente familiar, mas ao mesmo tempo hostil.

Verona estava parada no meio da sala de estar principal, seus olhos escuros percorrendo cada obra de arte, cada móvel antigo, com um misto de nostalgia e posse. Ela parecia se sentir em casa, como se nunca tivesse partido. Miguel, por outro lado, estava visivelmente tenso, sua postura rígida, como se estivesse em território inimigo.

“A casa mudou pouco”, Verona comentou, girando lentamente, o casaco de pele deslizando pelas suas costas. “Ainda tem aquele ar de… perfeição forçada. Papai e mamãe sempre gostaram de manter as aparências, não é mesmo?”

Miguel suspirou, cruzando os braços. “Verona, nós não precisamos discutir o passado agora. Você veio… você veio com um propósito?”

Verona riu, um som seco e sem humor. “Meu propósito é sempre o mesmo, Miguel. Sobreviver. E, se possível, ter um pouco de paz. Mas, ao que parece, a paz é um luxo que a nossa família não pode se dar.” Ela parou em frente a um retrato de seus pais, pintado em um tom sério e formal. “Eles nunca me deram a paz que eu precisava. Sempre o peso das expectativas, a vergonha. E agora, você tem Clara. A nova aquisição, a peça que completa o quadro perfeito.”

Clara sentiu o olhar de Verona sobre si, um olhar que parecia avaliá-la, pesar seus defeitos e qualidades. Ela tentou manter a compostura, mas a tensão era quase insuportável.

“Verona, eu não quero nenhum conflito”, Clara disse, sua voz firme, mas tingida de apreensão. “Eu amo Miguel, e se você é importante para ele, então eu estou disposta a tentar ter uma relação civilizada com você.”

Verona se virou para Clara, um sorriso lento e sedutor surgindo em seus lábios. “Oh, ‘civilizada’. Que palavra tão charmosa. Você é uma romântica, não é, Clara? Acredita em finais felizes, em amor incondicional. Que adorável. Mas o amor, minha querida, raramente é tão simples quanto as novelas que você provavelmente assiste.”

Ela deu um passo em direção a Clara, que se encolheu instintivamente. Verona parou a uma distância segura, mas seus olhos não deixavam Clara. “Você acha que conhece o Miguel? Que ele é esse homem bom e protetor que te mostra? Ele é, em parte. Mas ele também carrega o peso do mundo em seus ombros. E às vezes, para se proteger, ele se torna… frio. Distante. Assim como nossos pais.”

Miguel interveio, sua voz carregada de irritação. “Verona, chega. Você não tem o direito de falar assim de mim. E muito menos de falar assim com a Clara.”

“Ah, o irmão protetor apareceu”, Verona zombou, levantando uma sobrancelha. “Mas quem você pensa que está protegendo, Miguel? A si mesmo? Ou a ela de mim? Porque, acredite, eu não sou o monstro que você pintou para ela. Eu sou apenas… eu. E eu tenho meus próprios demônios para combater.”

Ela suspirou, voltando seu olhar para a janela. “Ficar longe foi difícil. Ver vocês felizes… foi ainda mais. E eu não suporto mais viver na sombra, Miguel. Eu preciso da minha parte. Da minha vida de volta.”

“Sua parte de quê, Verona?”, Miguel perguntou, a voz baixa, prenhe de uma dor antiga. “Da fortuna da família? Do nome Fontes? Ou você quer mais do que isso?”

Verona se virou, um brilho perigoso em seus olhos. “Talvez eu queira tudo, Miguel. Talvez eu queira de volta o que me foi tirado. E você sabe, mais do que ninguém, o que me foi tirado.”

O clima na sala ficou insuportável. Clara sentiu que estava presa em um drama familiar do qual não fazia ideia de como sair. A história de Verona, os segredos que ela insinueava, a complexidade do relacionamento com Miguel… tudo isso a deixava confusa e assustada.

“Eu… eu acho que preciso de um pouco de ar”, Clara disse, a voz um sussurro. Ela não conseguia mais suportar a atmosfera carregada.

Miguel a segurou pelo braço, mas Verona interveio. “Oh, não, Clara. Você não vai a lugar nenhum. Fique. Assista. Talvez você aprenda um pouco sobre o homem que você ama. E sobre a família dele.”

Ela se aproximou de uma cômoda antiga, abrindo uma gaveta com um clique suave. De dentro, retirou uma pequena caixa de veludo azul escuro. “Este lugar me traz tantas memórias”, Verona disse, acariciando a caixa. “Memórias de festas, de risadas… e de promessas quebradas.”

Ela abriu a caixa, revelando um colar delicado com um pingente de safira. Clara reconheceu a joia. Era o mesmo colar que Miguel lhe dera em seu aniversário, o mesmo que ela usava naquela noite.

“O que… o que é isso?”, Clara perguntou, o coração disparado.

Verona sorriu, um sorriso cruel. “Isso, minha querida Clara, é o meu colar. O colar que mamãe me deu quando eu era jovem e ingênua. O mesmo colar que, por algum motivo, você parece estar usando agora.”

Clara levou a mão ao pescoço, sentindo o pingente frio contra sua pele. O colar que Miguel lhe dera era idêntico. Ou era o mesmo?

“Miguel?”, Clara chamou, a voz trêmula, buscando nos olhos dele uma explicação.

Miguel parecia pálido, seus olhos fixos em Verona com uma mistura de choque e desespero. “Verona… de onde você tirou isso?”

“Ah, você não sabe, Miguel? Que surpresa. Ou talvez você soubesse e decidiu esquecer. Decidiu me substituir. Assim como eles fizeram.” Verona pegou o colar da caixa, segurando-o entre os dedos. “Este colar era um símbolo, sabe? Um símbolo de amor e proteção. E eu o perdi. Ou melhor, fui roubada dele.”

Ela olhou para Clara, seus olhos brilhando com uma inteligência perigosa. “E agora, você está usando uma cópia? Ou seria o original? Porque eu me lembro muito bem do brilho desta safira. E não acho que exista outra igual no mundo.”

Clara sentiu um nó na garganta. Aquele colar era especial para ela. Era um símbolo do amor de Miguel, da promessa de um futuro. A ideia de que pudesse pertencer a outra pessoa, de que pudesse ser um lembrete de um passado que ela desconhecia, a deixou desorientada.

“Miguel, por favor… me explique”, Clara implorou, as lágrimas começando a rolar.

Miguel deu um passo à frente, os olhos fixos em Verona. “Verona, isso é ridículo. O colar que eu dei para Clara é meu presente para ela. Ele representa o nosso amor.”

“Representa o seu amor? Ou representa o seu sentimento de culpa?”, Verona retrucou, dando um passo em direção a Clara. “Você sempre se sentiu culpado por mim, não é, Miguel? Culpado por não ter me protegido. Culpado por não ter me salvado. E agora, você tenta compensar isso com presentes caros para a sua nova namorada. Mas será que ela sabe que você a compara comigo?”

Clara olhou para Miguel, a dor em seus olhos refletindo a verdade nua e crua das palavras de Verona. A ideia de que Miguel pudesse estar usando Clara para suprir um vazio, para apagar a memória de sua irmã, era devastadora.

“Isso não é verdade, Clara”, Miguel disse, a voz embargada pela emoção. “Eu te amo. E o colar é um símbolo do nosso amor. Verona está apenas… tentando nos machucar.”

“Eu não estou tentando machucar ninguém, Miguel. Estou apenas tentando me reconectar com o que é meu. Com o que me foi tirado.” Verona deu um passo para trás, voltando a guardar o colar na caixa. “Mas tudo bem. Se você prefere presentear a nova aquisição com as joias da antiga, que assim seja. Isso apenas prova o quanto você se importa com aparências.”

Ela se virou, um ar de triunfo em seu semblante. “Eu vou tomar um banho. E depois, acho que vamos ter muito o que conversar, Miguel. Sobre o passado. E sobre o futuro. E você, Clara… prepare-se. Porque a vida nem sempre é um conto de fadas.”

Verona subiu as escadas com um passo decidido, desaparecendo no andar de cima, deixando Clara e Miguel em um silêncio ensurdecedor. Clara olhava para Miguel, o colar em seu pescoço agora parecendo pesado, um lembrete de uma guerra que ela não sabia que estava lutando. A teia de Verona se fechava ao redor deles, e Clara temia que, em breve, ela não conseguiria mais respirar.

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