Amor sem Fronteiras III

Capítulo 22 — O Eco das Promessas em Terra Estrangeira

por Camila Costa

Capítulo 22 — O Eco das Promessas em Terra Estrangeira

Salvador, com seu sol vibrante e suas cores que dançavam ao ritmo do axé, parecia um sonho distante para Miguel. Cada pôr do sol pintando o céu sobre o Farol da Barra, cada brisa que trazia o cheiro de dendê e mar, tudo lhe lembrava Clara. A saudade era uma presença constante, um fantasma gentil que o assombrava nos momentos de tranquilidade, intensificando-se nas noites solitárias.

Ele se dedicava ao trabalho com uma ferocidade renovada, buscando nas linhas, nas cores, nas texturas do artesanato, uma forma de extravasar a angústia e a esperança. O ateliê fervilhava com a energia dos aprendizes, e a notícia do novo projeto comunitário, voltado para a valorização da arte popular em comunidades carentes, o entusiasmava. Era um projeto que ele vinha idealizando há tempos, e agora, com a força que Clara lhe inspirava, sentia que era o momento certo de tirá-lo do papel.

No entanto, a distância era um veneno lento. As ligações diárias com Clara eram o oxigênio que ele precisava, mas cada "eu te amo" dito através do telefone, carregado de emoção genuína, também trazia consigo a dor da separação. Ele sentia a fragilidade na voz dela quando falava da mãe, e a preocupação o corroía. Queria poder estar lá, oferecer um abraço apertado, um ombro amigo.

"Você tem certeza que não quer que eu vá para o Rio, meu amor?", ele perguntou em uma tarde, o sol batendo forte em seu ateliê. "Posso arrumar tudo por aqui, deixar o projeto com a Ana e o Pedro. Sua mãe precisa de você, e eu também preciso estar perto."

A resposta de Clara, embora compreensível, apertou seu coração. "Miguel, você sabe que não pode. Seu trabalho aqui é fundamental. E o projeto... ele é a sua cara. Eu quero que você brilhe, que faça o que ama. Eu estou bem. Meus irmãos estão ajudando, e a situação está se estabilizando. Eu só preciso de você aqui, no meu coração."

Apesar das palavras reconfortantes, Miguel sentia a linha tênue que os separava. Ele sabia que Clara era forte, mas também conhecia a fragilidade que ela escondia, a necessidade de se sentir amparada. E ele, incapaz de oferecer esse amparo físico, sentia uma impotência que o frustrava.

Certo dia, enquanto visitava uma pequena comunidade pesqueira nos arredores de Salvador, onde pretendia iniciar seu projeto, ele se deparou com uma cena que o fez sorrir com uma ponta de tristeza. Um velho artesão, com mãos calejadas pelo tempo e pela profissão, trabalhava em uma rede de pesca, os nós perfeitos e firmes. O homem parecia alheio ao mundo, imerso em sua arte. Miguel se aproximou, observando o trabalho minucioso.

"Um trabalho bonito, senhor", comentou.

O velho levantou os olhos, um sorriso enrugado se espalhando por seu rosto. "O tempo ensina, meu filho. E o mar ensina mais ainda. Cada nó, cada ponto, tem seu propósito. Se você descuidar de um, a rede toda pode se desfazer."

As palavras do artesão ressoaram em Miguel como um trovão. Descuidar de um nó. Era exatamente isso que ele temia. Descuido, distância, falta de atenção. Ele pensou em Clara, em sua mãe, em seu projeto. Cada um era um nó em sua vida, e ele precisava mantê-los firmes.

"É verdade", Miguel respondeu, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. "E o que o senhor faz para que os nós fiquem firmes?"

"Paciência, meu filho. E amor. O amor pelo que fazemos, o amor pelas pessoas que dependem disso. E a certeza de que cada fio, mesmo o mais fino, tem sua importância. Sem ele, a rede não segura o peixe. Sem os nós firmes, o pescador volta para casa de mãos vazias."

Miguel passou o resto da tarde refletindo sobre aquelas palavras. Ele amava Clara, mas seria seu amor forte o suficiente para manter o nó que os unia intacto, mesmo com a distância? Ele amava seu projeto, mas seria capaz de dedicar toda a energia necessária para que ele prosperasse?

Naquela noite, em seu apartamento com vista para o mar, ele pegou o celular. A saudade era quase insuportável. Ligou para Clara.

"Meu amor", a voz dela soou mais fraca do que o normal.

"Clara? Está tudo bem?", perguntou, a preocupação genuína em sua voz.

Ela hesitou. "Mamãe teve uma noite difícil. Os médicos estão monitorando de perto. Eu... eu sinto que estou perdendo o controle, Miguel."

O coração de Miguel apertou. Ele queria gritar, dizer que ela não estava perdendo o controle, que ele estava ali para segurá-la. "Clara, escute minha voz. Eu estou aqui com você, mesmo que de longe. Lembre-se do que você me disse naquele dia em que tivemos nossa primeira briga, quando achou que eu estava distante. Você disse que a distância só aumenta a saudade, mas que o amor verdadeiro encontra um jeito de se reinventar."

Ele falou sobre o artesão, sobre os nós da rede de pesca. "Nós somos um nó, Clara. Um nó forte, feito com muito amor e com a certeza de que um completa o outro. A gente só precisa ter paciência, cuidar desse nó, e saber que, mesmo que os ventos soprem fortes, ele não vai se desfazer."

Clara riu, um som leve e trêmulo. "Você sempre sabe o que dizer, Miguel. Você é meu sol, mesmo quando o meu céu está nublado."

"E você é a minha estrela guia, meu amor. Sempre foi. E sempre será."

A conversa continuou, mas a preocupação de Miguel não diminuiu. Ele sabia que a verdadeira prova do amor deles estava apenas começando. A distância era um desafio, mas a força dos sentimentos, a honestidade com que se tratavam, eram as ferramentas que eles tinham para manter o nó de seus corações firmemente atado. Ele prometeu a si mesmo que faria tudo ao seu alcance para que Clara se sentisse amada e segura, mesmo com o oceano entre eles. E que seu projeto, seu legado, seria uma prova de que o amor, quando verdadeiro, pode florescer em qualquer terra, atravessando qualquer fronteira.

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