Amor Impossível II

Amor Impossível II

por Ana Clara Ferreira

Amor Impossível II

Autor: Ana Clara Ferreira

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Capítulo 6 — O Abraço Que Rouba o Ar

O sol da manhã banhava as ruas de Lisboa, mas para Isabella, cada raio parecia carregar consigo um peso insuportável. A proposta de Ricardo ainda ecoava em sua mente, um eco dissonante que chiava contra a melodia suave que seu coração insistia em tocar. Olhou para o espelho, buscando um reflexo de si mesma que parecesse coerente com a mulher que estava prestes a dizer sim para um casamento de conveniência. Os olhos, outrora cheios de um brilho vibrante, agora pareciam opacos, assombrados por uma incerteza que a corroía por dentro. A pele pálida, o contorno dos lábios tenso, tudo denunciava a batalha travada em seu interior.

Sentou-se à beira da cama, o lençol de seda fria deslizando pelas suas pernas. Respirou fundo, tentando afastar a imagem de Ricardo, aquele homem frio e calculista, que a via como um mero troféu a ser exibido. Seu casamento com ele significaria segurança, o fim das ameaças veladas que pairavam sobre sua família, a paz que sua mãe tanto almejava. Mas a que preço? A que preço ela venderia a própria alma, sufocaria seus desejos mais profundos, enterraria a esperança de um amor verdadeiro?

A porta do quarto se abriu suavemente, revelando a figura esguia e preocupada de Sofia. Os olhos da irmã percorreram o rosto abatido de Isabella, e um suspiro de angústia escapou de seus lábios.

"Bella… Você não dormiu, não é?", Sofia se aproximou, sentando-se ao lado dela, o toque de sua mão em seu braço era um bálsamo.

Isabella balançou a cabeça, os olhos marejados. "Sofia, eu não sei o que fazer. Essa proposta… é a única saída?"

Sofia apertou sua mão. "É a saída que Ricardo nos oferece. E eu sei que é difícil. Sei que você tem seus medos, suas esperanças. Mas pense em mamãe. Pense na tranquilidade que isso trará para ela."

As palavras de Sofia eram um soco no estômago. A saúde frágil de sua mãe era a principal razão pela qual Isabella considerava aceitar o acordo. A doença dela, um fardo pesado que pesava sobre os ombros de todas elas, se tornara ainda mais insuportável com as ameaças veladas de Ricardo. Ele as tinha em suas mãos, e Isabella sabia disso.

"Eu sei, Sofi. Eu sei. Mas… e ele? Ricardo… Ele é tão… diferente de tudo o que eu sempre sonhei."

"Eu também não gosto dele, Bella. A frieza dele me arrepia. Mas ele é poderoso. E o poder dele é o que pode nos salvar agora." Sofia olhou para Isabella com uma intensidade que a fez sentir um nó na garganta. "Você tem que ser forte, Bella. Por nós. Por mamãe."

Um silêncio pesado se instalou entre elas, preenchido apenas pelos sons distantes da cidade. Isabella fechou os olhos, imaginando um futuro onde a segurança financeira era garantida, mas onde o amor, a paixão, a cumplicidade… tudo isso seria apenas uma lembrança distante, um sonho desfeito.

De repente, um barulho vindo da rua chamou a atenção das duas. Era a campainha, tocando insistentemente. Isabella e Sofia trocaram olhares nervosos. Quem poderia ser a essa hora?

Sofia se levantou e foi até a porta. Ao abri-la, um suspiro de surpresa escapou de seus lábios. Ali, parado no batente, estava ele. Miguel.

A visão de Miguel, com seus olhos azuis penetrantes e o sorriso gentil que sempre a desarmava, fez o coração de Isabella dar um salto doloroso. Ele trazia um buquê de rosas vermelhas, vibrantes como as memórias que ele despertava.

"Bom dia", disse Miguel, a voz carregada de uma emoção que Isabella não conseguia decifrar. "Posso entrar?"

Sofia, ainda sem saber o que dizer, abriu espaço. Isabella permaneceu imóvel, o ar parecendo faltar em seus pulmões. Miguel entrou na sala, seus olhos encontrando os de Isabella. A intensidade daquele olhar a fez tremer.

"Eu… eu não esperava te ver hoje", Isabella conseguiu murmurar, a voz embargada.

"Eu precisava te ver", respondeu Miguel, dando um passo em sua direção. Ele estendeu o buquê de rosas. "São para você. Para… tentar te pedir desculpas."

Isabella pegou as rosas, o perfume doce inundando o ambiente. Cada pétala parecia uma lembrança dos momentos que haviam compartilhado, dos sorrisos trocados, dos beijos roubados. A tensão na sala era palpável, um campo de força invisível que emanava de ambos.

"Desculpas pelo quê, Miguel?", Isabella perguntou, a voz quase um sussurro.

"Por tudo. Por ter sido covarde. Por não ter te defendido. Por ter te deixado naquela situação… terrível." Os olhos de Miguel estavam fixos nos dela, e Isabella via neles um remorso genuíno, uma dor que espelhava a sua. "Eu sei que você está passando por um momento difícil. E eu só queria que você soubesse que eu me importo. Que eu ainda me importo muito."

As palavras de Miguel eram como um bálsamo para a alma ferida de Isabella. A sinceridade em sua voz, a vulnerabilidade em seus olhos, tudo isso a tocava profundamente. Ela sabia que ele estava ali por ela, que ele se importava de verdade. E essa constatação, por mais dolorosa que fosse, trazia consigo um fio de esperança, um raio de sol que tentava romper a escuridão que a envolvia.

"Eu… eu aprecio isso, Miguel", Isabella disse, a voz embargada pela emoção. "Mas as coisas estão complicadas agora."

Miguel deu um passo mais perto, a distância entre eles diminuindo a cada segundo. "Eu sei. E é por isso que eu vim. Isabella, eu não posso te ver se casar com ele. Eu não posso te ver passar por isso sabendo que eu poderia ter feito algo. Eu te amo, Isabella. Sempre te amei."

Aquelas palavras, proferidas com tanta paixão e sinceridade, foram o golpe final. O coração de Isabella, já dilacerado, parecia se partir em mil pedaços. Ali estava o homem que ela amava, declarando seu amor no momento em que ela estava prestes a se entregar a outro. Era uma tortura cruel, um destino perverso que a colocava em uma encruzilhada impossível.

Os olhos de Isabella se encheram de lágrimas, e ela não fez nenhum esforço para contê-las. Ela olhou para Miguel, a figura dele se tornando turva através do véu de água que se formava em seus olhos.

"Miguel… você não entende…"

"Eu entendo que você está assustada. Eu entendo que você se sente pressionada. Mas você não pode se casar com ele por medo, Isabella. Você merece mais do que isso. Você merece ser feliz. Você merece ser amada de verdade."

Miguel estendeu a mão, e Isabella, num impulso incontrolável, a pegou. A pele dele era quente e firme, e naquele toque, ela sentiu uma conexão que ia além das palavras, além das circunstâncias. Ele a puxou para perto, e antes que pudesse pensar, Isabella se viu em seus braços.

O abraço de Miguel era forte e reconfortante. Ela se agarrou a ele, afundando o rosto em seu peito, as lágrimas rolando livremente. O perfume dele, uma mistura de conforto e desejo, a envolvia. Naquele momento, parecia que o mundo exterior havia desaparecido, que só existia aquele abraço, aquele refúgio seguro.

Miguel a apertou com mais força, o corpo dele tremendo levemente. Ele sussurrou em seu ouvido, palavras de consolo, de amor, de promessa. Isabella se permitiu desmoronar, entregar-se àquele momento de vulnerabilidade. Era o abraço que roubava o ar, que trazia à tona todos os sentimentos reprimidos, que a confrontava com a verdade mais dolorosa: ela amava Miguel, e ele a amava de volta. Mas o futuro, incerto e sombrio, pairava como uma nuvem negra sobre aquele instante fugaz de felicidade.

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