A Armadilha do Amor II

Capítulo 7 — O Encontro Inesperado e a Sombra do Passado

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 7 — O Encontro Inesperado e a Sombra do Passado

A manhã seguinte amanheceu com um céu limpo e um sol vibrante, como se a noite turbulenta de Ana Clara e Leonardo não tivesse passado de um sonho. Ana Clara, ainda sentindo o resquício da inquietação da noite anterior, tomou seu café da manhã na varanda do hotel, a brisa fresca acariciando seu rosto. A cidade de São Paulo, vibrante e caótica, estendia-se diante dela, um mar de concreto e sonhos.

Seus pensamentos, porém, estavam longe da agitação urbana. A proximidade de Leonardo, o turbilhão de emoções que ele despertava, a deixavam em um estado de alerta constante. Ela se sentia atraída por ele, por sua força, seu mistério, mas também aterrorizada pela possibilidade de se envolver novamente em uma relação que pudesse machucá-la. A lembrança de Miguel, de sua traição, ainda a assombrava, um fantasma persistente que a impedia de seguir em frente.

Enquanto degustava seu café, um movimento na rua chamou sua atenção. Um carro escuro, elegante e imponente, parou em frente ao hotel. A porta se abriu e dele saiu... Miguel.

Ana Clara sentiu o coração disparar, um nó se formando em sua garganta. Era como se o passado tivesse decidido invadir o presente de forma brutal. Miguel, mais charmoso e arrogante do que ela se lembrava, parecia não ter mudado nada. Ele olhou em volta, um sorriso de superioridade nos lábios, e então seus olhos encontraram os dela. Um lampejo de surpresa cruzou seu rosto, rapidamente substituído por um ar de confiança.

Ela não podia acreditar. O que ele estava fazendo ali? Ele deveria estar em outra cidade, possivelmente em outro país, fugindo das consequências de seus atos.

Miguel começou a caminhar em direção ao hotel, e Ana Clara, sem pensar, levantou-se e saiu pela porta dos fundos, em busca de uma rota de fuga. A ideia de confrontá-lo, de reviver a dor e a raiva, era insuportável.

Enquanto se apressava pela lateral do hotel, quase esbarrou em alguém. Era Leonardo. Ele a segurou pelos braços, o olhar interrogador.

"O que foi, Ana Clara? Você está pálida."

Ela tentou disfarçar o pânico, mas a voz lhe falhou. "Nada... eu... só me senti um pouco mal."

Os olhos de Leonardo a perscrutaram com intensidade. Ele sentiu a tensão em seus braços, a fragilidade em sua voz. "Tem certeza? Você parecia estar fugindo de algo."

Antes que ela pudesse responder, a voz de Miguel soou, próxima e irritante. "Ana Clara? É você mesma?"

Ana Clara congelou. Leonardo se virou, seguindo o olhar dela. Seus olhos encontraram os de Miguel, e a expressão dele mudou sutilmente, tornando-se fria e calculista.

Miguel se aproximou, um sorriso forçado nos lábios. "Ora, ora. Que surpresa agradável encontrar você aqui, Ana Clara. E com quem você está?" Ele olhou para Leonardo, com um misto de curiosidade e desdém.

Ana Clara sentiu o sangue ferver. A audácia de Miguel em se apresentar como se nada tivesse acontecido era revoltante. "Miguel", ela disse, a voz controlada, mas firme. "O que você está fazendo aqui?"

"Ah, negócios", respondeu ele, um brilho malicioso nos olhos. "Sempre em busca de novas oportunidades." Ele estendeu a mão para ela. "Podemos conversar, querida? Tenho certeza de que temos muito o que esclarecer."

Ana Clara o ignorou, virando-se para Leonardo. "Este é Leonardo. Leonardo, este é Miguel." A apresentação foi feita com o máximo de frieza possível.

Leonardo apertou a mão de Miguel, um aperto firme e calculado. "Prazer em conhecê-lo, senhor Miguel. Ou seria apenas Miguel?" A sutileza em sua voz era inconfundível.

Miguel sorriu, sem se abalar. "Apenas Miguel. Todos os meus amigos me chamam assim." Ele olhou para Ana Clara, um olhar possessivo que a fez estremecer. "E eu e Ana Clara éramos mais do que amigos, não é, querida?"

Ana Clara sentiu a raiva borbulhar. Ela não permitiria que Miguel a diminuísse, que a fizesse parecer uma mulher submissa e traída. "Eras", ela corrigiu, enfatizando a palavra. "Erasramos mais do que amigos. Agora, somos apenas estranhos com um passado compartilhado."

Leonardo observava a cena com um interesse calculista. Ele percebeu a dor nos olhos de Ana Clara, a tensão em sua postura. E viu também a arrogância de Miguel, a tentativa de controle. Algo dentro dele se acendeu, um instinto protetor que ele raramente demonstrava.

"Miguel", disse Leonardo, sua voz baixa, mas carregada de autoridade. "Parece que Ana Clara está ocupada no momento. Talvez você devesse procurar outra pessoa para incomodar."

Miguel riu, uma risada sem humor. "Incomodar? Eu não estou incomodando ninguém. Estou apenas tentando reconectar com alguém que me importa." Ele olhou para Ana Clara com um falso ar de mágoa. "Você não se importa mais, Ana Clara?"

Ana Clara sentiu o peso do olhar de Leonardo sobre ela. Ela precisava ser forte, não dar a Miguel a satisfação de vê-la abalada. "Eu me importo com a minha paz, Miguel. E a sua presença aqui não contribui para ela."

Miguel finalmente pareceu perceber que não teria a reação que esperava. Seu sorriso vacilou por um instante. "Entendo. Então, talvez em outra ocasião." Ele lançou um último olhar penetrante para Ana Clara e depois para Leonardo, um olhar que prometia vingança. "Até mais, Ana Clara. E você, senhor... Leonardo. Espero que saiba com quem está se metendo."

Com um aceno de cabeça, Miguel se afastou, entrando no hotel. Ana Clara soltou um suspiro trêmulo. Ela sentiu as mãos de Leonardo pousarem suavemente em seus ombros.

"Você está bem?", ele perguntou, a voz carregada de preocupação genuína.

Ela se virou para ele, os olhos marejados. "Eu não esperava vê-lo. Achei que ele estivesse longe."

"Algumas pessoas gostam de voltar para assombrar os lugares onde fizeram mal", disse Leonardo, um tom de amargura em sua voz. Ele a puxou para um abraço gentil. "Mas você não precisa se preocupar. Ele não vai te machucar mais."

Ana Clara se aninhou em seus braços, sentindo o calor e a segurança que ele emanava. A presença de Leonardo, a forma como ele a defendeu, a fez sentir uma gratidão profunda. E, mais uma vez, a linha tênue entre a atração e o perigo se esvaneceu.

"Obrigada, Leo", ela sussurrou.

Ele afagou seus cabelos. "Não precisa agradecer. Eu não gosto de ver alguém sendo maltratado." Ele a afastou suavemente, olhando em seus olhos. "O que ele fez para você, Ana Clara?"

Ela hesitou. A confissão era difícil, mas com Leonardo, ela sentia que poderia ser vulnerável. "Ele me traiu. Com a minha melhor amiga." As palavras saíram com dor, e as lágrimas finalmente rolaram por seu rosto.

Leonardo a abraçou novamente, com mais força desta vez. "Eu sinto muito", ele disse, a voz rouca. "Ele é um idiota. Um homem sem caráter."

Ana Clara se afastou, limpando as lágrimas. "Eu preciso seguir em frente. Mas é tão difícil."

"Eu sei que é", disse Leonardo, a voz suave. "Mas você não está sozinha. E às vezes, para seguir em frente, precisamos enfrentar nossos fantasmas." Ele a olhou intensamente. "Eu estou aqui. Se precisar de algo."

Ana Clara assentiu, um misto de alívio e um novo tipo de apreensão tomando conta dela. A aparição de Miguel havia sido um choque, um lembrete doloroso do passado. Mas a presença de Leonardo, sua defesa inesperada, a fez sentir uma força que ela não sabia que possuía. A armadilha do amor estava ficando mais complexa, e ela sentia que estava se aproximando de um ponto sem retorno. O encontro com Miguel havia exposto suas feridas, mas a forma como Leonardo a acolheu, a fez sentir que talvez, apenas talvez, houvesse uma chance de cura.

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