Amor na Tempestade III

Capítulo 19 — O Confronto na Estrada Abandonada

por Isabela Santos

Capítulo 19 — O Confronto na Estrada Abandonada

A atmosfera no quarto de hotel era tensa. Rafael, com o diário da mãe e a pedra preciosa em mãos, explicava a Helena seu plano. Seus olhos, geralmente gentis, agora brilhavam com uma determinação fria. Ele não era mais apenas o artista sensível que Helena conhecera. Havia nele uma força ancestral, forjada por anos de luta e segredos.

"O Jairo deve estar nos procurando. Ele sabe que eu fui para a mansão. Ele sabe que eu devo ter encontrado alguma coisa. Ele vai tentar me interceptar", Rafael disse, olhando pela janela do hotel, como se pudesse ver o perigo se aproximando. "Mas ele não sabe que você estava lá. Ele não sabe que você tem o diário e os documentos."

Helena sentiu um arrepio. "Você acha que ele sabe sobre mim?"

"É arriscado. Ele é esperto, mas não é um gênio. Ele sabe que eu não agiria sozinho em um assunto tão delicado. Mas ele não tem como saber que era você, a menos que alguém na mansão o tenha visto."

"Eu não vi ninguém quando saí. Só ouvi os carros se aproximando. Eu acho que fui rápida o suficiente." Helena segurou a mão dele, sentindo o tremor suave em seus dedos. "O que você pretende fazer, Rafael? Você não vai confrontá-lo, vai?"

Rafael a olhou, um sorriso irônico nos lábios. "Não diretamente. Mas vamos atraí-lo. Vamos dar a ele uma caçada. Ele vai achar que está nos perseguindo, mas na verdade, seremos nós que o levaremos para onde queremos."

Ele pegou o celular. "Eu já contatei um amigo meu aqui em Minas. Ele é policial. Ele vai nos ajudar a montar uma armadilha. Jairo é perigoso, mas ele é impulsivo. E meu tio é arrogante. Eles acham que podem nos manipular."

Helena assentiu, sentindo uma mistura de medo e admiração por Rafael. Ele estava assumindo o controle, usando o conhecimento do passado para proteger o futuro.

"E os documentos e a pedra?", ela perguntou. "O que faremos com eles?"

"Primeiro, precisamos garantir que meu tio não consiga mais nada do que lhe pertence por direito. E depois... depois, vamos viver nossas vidas. Sem mais segredos. Sem mais fugas." Ele apertou a mão dela. "E você, Helena? Você me perdoa por ter te assustado e te colocado em perigo?"

"Eu te amo, Rafael. E sei que você faria qualquer coisa para me proteger. Mas da próxima vez, me diga. Não me deixe no escuro. Juntos, somos mais fortes. E mais seguros."

O plano deles era arriscado. Rafael ligou para Jairo, usando um chip de celular descartável que ele havia comprado. Ele fingiu estar em fuga, indicando que estava se dirigindo para uma cidade distante, para despistar o capanga. Jairo, é claro, caiu na armadilha, acreditando que estava no controle da perseguição.

Rafael e Helena deixaram o hotel e dirigiram para uma estrada secundária, conhecida por ser pouco frequentada e com trechos abandonados. O amigo de Rafael, o policial chamado Marco, já os esperava em um ponto estratégico, com uma pequena equipe discreta. A ideia era que Jairo os seguisse, acreditando que estava prestes a interceptá-los, e então seria pego de surpresa.

Enquanto dirigiam, Helena sentia os olhos de Rafael sobre ela em momentos de silêncio. Ele a olhava com uma intensidade que a fazia sentir-se amada e, ao mesmo tempo, vulnerável.

"Você está bem?", ele perguntou, a voz suave.

"Estou com medo, mas estou com você. Isso é o que importa", ela respondeu, sorrindo para ele. "Me conte mais sobre sua mãe. Eu nunca a conheci, mas sinto que a conheço através do diário."

Rafael sorriu tristemente. "Minha mãe era uma mulher forte. Lutou muito. Ela nunca falou muito do meu pai, ou da família dele. Apenas que ele foi... injustiçado. E que ela tinha esperança de que um dia a verdade viesse à tona. Ela me ensinou a pintar, a amar a arte. E me deu essa pedra, dizendo que ela guardava um segredo."

"Ela não podia imaginar que esse segredo te levaria a tantos perigos", Helena comentou, olhando para a pedra preciosa que repousava na palma da mão de Rafael.

"E ela não podia imaginar que eu encontraria alguém como você, que me ajudaria a desvendar tudo isso", ele respondeu, seus olhos transmitindo uma gratidão profunda.

Chegaram ao local combinado. Era uma estrada de terra batida, ladeada por mato alto e árvores antigas. A noite já havia caído, e a escuridão era quase total, quebrada apenas pelos faróis do carro de Rafael e do carro discreto de Marco, estacionado em um desvio.

"Agora é esperar", disse Marco, juntando-se a eles. Ele era um homem robusto, com um olhar atento e profissional. "Jairo deve aparecer em breve. Quando ele passar por nós, vocês sigam em frente por mais um quilômetro. Eu e minha equipe faremos o cerco."

Rafael assentiu. "E se ele tentar algo mais?"

"Nós estaremos prontos", Marco garantiu. "Ele não vai ter para onde correr."

O silêncio que se seguiu era angustiante. Cada ruído do vento nas árvores, cada grilo que cantava, parecia amplificado. Helena apertava a mão de Rafael, sentindo seu coração disparado.

Minutos depois, os faróis de um carro surgiram na escuridão, aproximando-se em alta velocidade. Era Jairo. Ele parecia determinado, implacável. Rafael deu a partida em seu carro, e eles seguiram pela estrada abandonada, com Jairo logo atrás.

A perseguição foi tensa. A estrada era irregular, e os carros balançavam perigosamente. Helena sentia o corpo de Rafael tenso ao volante. Ele estava focado, calculando cada movimento.

"Estamos chegando ao ponto", Rafael murmurou.

Eles passaram pelo carro de Marco, que estava camuflado. Poucos segundos depois, os faróis do carro de Jairo se aproximaram do carro de Marco. O plano estava em andamento.

De repente, os freios do carro de Jairo cantaram. Ele havia percebido algo estranho. Ele parou o carro abruptamente, seus faróis iluminando o carro de Marco.

"Ele parou!", Helena exclamou.

"Agora é a hora", Rafael disse, virando o carro de volta.

Eles voltaram em direção ao carro de Jairo. Marco e sua equipe saíram dos esconderijos, armados e prontos. Jairo, percebendo a armadilha, tentou dar ré, mas o carro de Rafael bloqueou seu caminho.

"Desça do carro, Jairo!", Marco gritou, a voz firme ecoando na noite.

Jairo, um homem corpulento e com um olhar selvagem, saiu do carro, os punhos cerrados. Ele parecia furioso, encurralado.

"Vocês acham que podem me parar?", ele rosnou, olhando para Rafael com ódio nos olhos. "Esse idiota do meu irmão me disse que você viria. Mas você não vai ter nada."

"Você não tem direito a nada, Jairo", Rafael respondeu, descendo do carro, mantendo uma distância segura. "Você roubou, traiu e mentiu por anos. Agora, a justiça vai chegar."

Jairo riu, um som áspero e desagradável. "Justiça? Você não sabe com quem está falando. Eu faço as regras aqui."

Ele deu um passo em direção a Rafael, mas Marco e sua equipe o cercaram.

"Acabou, Jairo", disse Marco.

Jairo, percebendo que estava em desvantagem, tentou uma última jogada desesperada. Ele se virou rapidamente e correu na direção do mato, tentando escapar. Mas a equipe de Marco estava preparada. Em segundos, ele foi detido, algemado e levado para a viatura.

Enquanto Jairo era levado, Rafael se aproximou de Helena, a tensão se dissipando de seus ombros. Ele a abraçou, a respiração pesada contra o peito dela.

"Acabou, meu amor. Tudo acabou."

Helena o abraçou de volta, sentindo um alívio imenso. A tempestade, finalmente, parecia estar passando. As lágrimas que corriam pelo seu rosto não eram mais de medo, mas de alívio e de amor. Ela havia enfrentado o perigo ao lado de Rafael, e juntos, eles haviam vencido.

Marco se aproximou deles. "Tudo resolvido. Ele vai confessar tudo. E o seu tio, Rafael, não vai ter mais para onde fugir."

Rafael agradeceu a Marco e sua equipe. Eles haviam feito um trabalho excelente.

"O que faremos agora?", Helena perguntou, olhando para Rafael.

"Agora", disse Rafael, segurando o rosto dela entre as mãos, seus olhos transmitindo um amor profundo, "vamos para casa. E nunca mais olharemos para trás."

Ele a beijou, um beijo longo e apaixonado, selando a promessa de um futuro juntos, livre de segredos e de perigos. A noite na estrada abandonada, que começou com medo, terminava com a esperança renovada. A tempestade havia deixado marcas, mas também os havia unido mais do que nunca.

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