Amor na Tempestade III

Capítulo 3 — A Cidade Sussurra Segredos Antigos

por Isabela Santos

Capítulo 3 — A Cidade Sussurra Segredos Antigos

O dia amanheceu com uma névoa densa, cobrindo as ruas de São Paulo como um véu de mistério. Helena sentia que a cidade, em sua grandiosidade e anonimato, parecia espelhar o estado de espírito dela: uma mistura de beleza oculta e uma sensação de estar perdida. A conversa com Marcos, embora não trouxesse respostas definitivas, havia plantado uma semente de dúvida e um anseio por entender o que havia levado Pedro a partir.

Ela decidiu que precisava de uma mudança de ares, algo que a tirasse da rotina sufocante de seu apartamento, que agora parecia um santuário de memórias dolorosas. Pegou uma bolsa pequena, colocou um par de sapatos confortáveis e saiu, sem rumo definido, apenas com a necessidade de andar, de sentir o chão sob seus pés.

Seu caminho a levou naturalmente ao Parque Ibirapuera, um oásis verde no coração da metrópole. O ar era mais fresco ali, e a brisa suave parecia sussurrar histórias antigas entre as árvores centenárias. Helena sentou-se em um banco próximo ao lago, observando os cisnes que deslizavam graciosamente sobre a água.

Ela se lembrou de uma tarde, há alguns anos, em que ela e Pedro vieram ali. Ele havia comprado um balão colorido e o soltou no céu, jurando que enquanto o balão estivesse voando, o amor deles seria livre e eterno. Agora, o céu estava encoberto, e o balão parecia ter se perdido em algum lugar, levado por ventos desconhecidos.

"Livres e eternos...", Helena murmurou para si mesma, um sorriso triste brincando em seus lábios. A liberdade que ele buscava parecia tê-lo levado para longe dela.

Enquanto observava a água, um burburinho se formou nas proximidades. Um grupo de turistas, com câmeras em punho, se aglomerava ao redor de uma escultura abstrata. Helena se levantou, curiosa, e se aproximou. Entre os rostos sorridentes e os comentários animados, ela reconheceu uma figura familiar. Era Ricardo, um antigo colega de faculdade de Pedro, com quem ela e Pedro costumavam sair às vezes. Ricardo, com seu jeito expansivo e sempre envolvido em alguma polêmica.

Ele não a viu de imediato. Estava ocupado gesticulando para os turistas, contando alguma história sobre a obra de arte. Helena sentiu um arrepio. Ricardo sempre fora alguém que ela desconfiava, uma espécie de sombra que pairava sobre a relação deles, apesar de Pedro sempre afirmar que eram apenas amigos.

Ela decidiu se afastar, não querendo criar um confronto ou se envolver em algo que pudesse lhe trazer mais dor. Mas enquanto se virava, Ricardo a avistou.

"Helena! Meu Deus, que surpresa te encontrar aqui!" Ele se aproximou com um sorriso largo, apertando sua mão com um aperto firme demais. "Como você está? Faz tempo que não te vejo. E o Pedro? Sumiu, hein?"

A pergunta sobre Pedro a atingiu como um raio. Ela tentou manter a compostura. "Ele… ele não está mais aqui, Ricardo."

O sorriso de Ricardo vacilou por um instante, substituído por uma expressão de surpresa genuína, que rapidamente se disfarçou. "Oh… sério? Que… que pena. Sinto muito." Ele pigarreou. "Mas me diga, você… você está bem?"

"Estou tentando", Helena respondeu, a voz fria. Ela sabia que Ricardo sabia mais do que deixava transparecer. Ele era um daqueles amigos que compartilhavam todos os segredos, por mais escusos que fossem.

"Sabe, Helena, o Pedro sempre foi meio… imprevisível. Uma hora estava aqui, outra hora sumia. Mas nunca pensei que fosse algo assim. Ele me disse que ia tirar um tempo para pensar na vida, sabe? Assuntos pessoais."

"Assuntos pessoais que o levaram para longe de mim", Helena completou, a amargura em sua voz evidente.

Ricardo desviou o olhar, parecendo desconfortável. "Bem… a gente sabe como são as coisas. Às vezes, a vida nos leva por caminhos inesperados." Ele pigarreou novamente. "Mas me diga, você vai continuar no mundo da música? O Pedro sempre disse que você era um talento incrível."

A tentativa de mudar de assunto não passou despercebida. Helena o encarou. "Sim, Ricardo. Eu vou continuar. A música é a única coisa que me resta."

"Que bom ouvir isso! Se precisar de alguma coisa, de contatos, qualquer coisa… me diga. Eu tenho muitos contatos no meio artístico, você sabe."

Helena sorriu friamente. "Eu sei, Ricardo. E sei de muitas outras coisas também."

Ricardo a olhou com desconfiança, mas não disse nada. Helena sabia que ele estava se perguntando como ela sabia. Ela não tinha provas, mas o instinto lhe dizia que Ricardo sabia o motivo real da partida de Pedro, ou pelo menos parte dele.

Ela se despediu rapidamente, deixando Ricardo para trás, sentindo o peso de uma nova suspeita se instalar em seu peito. O que mais ela não sabia sobre Pedro? Que segredos ele guardava?

Enquanto caminhava de volta para casa, a cidade parecia sussurrar segredos antigos. Cada esquina, cada prédio histórico, parecia carregar em suas paredes a história de amores perdidos, de traições e de paixões avassaladoras. Helena sentiu uma urgência em desvendar os mistérios que envolviam Pedro. Não por ele, mas por si mesma. Ela precisava saber a verdade, por mais dolorosa que fosse.

Ao chegar em casa, sentou-se ao piano, não para compor, mas para relembrar. Ela começou a tocar uma peça que Pedro adorava, uma melodia complexa e cheia de paixão, que ele dizia que era a trilha sonora do amor deles. Enquanto os acordes preenchiam o ambiente, Helena fechou os olhos e tentou visualizar Pedro. O sorriso dele, o olhar intenso, a forma como ele a segurava.

Mas desta vez, a imagem dele veio acompanhada de uma sombra. A sombra de Ricardo, a sombra de uma partida misteriosa. A música se tornou mais sombria, mais introspectiva. Os acordes que antes evocavam felicidade agora carregavam um tom de angústia.

Ela se lembrou de uma conversa antiga com Pedro, sobre um projeto que ele estava desenvolvendo secretamente. Ele falava sobre um investimento de alto risco, sobre a possibilidade de ganhar muito dinheiro, mas também de perder tudo. Na época, ela havia tentado dissuadi-lo, preocupada com a instabilidade. Ele, porém, estava obcecado com a ideia.

"Ricardo era seu amigo de negócios, não era?", ela perguntou em voz alta, mais para si mesma. O nome dele, associado a negócios e incertezas, era um sinal de alerta.

Helena pegou seu laptop. Ela não era de se intrometer, mas a situação exigia. Começou a pesquisar o nome de Ricardo, os negócios em que ele estava envolvido. Descobriu que ele tinha uma empresa de consultoria financeira com um histórico um tanto quanto nebuloso. Havia menções a investigações, a clientes insatisfeitos.

Uma porta se abriu em sua mente. E se Pedro não tivesse partido por um desejo de "se reencontrar", mas sim por causa de um problema financeiro grave, talvez ligado aos negócios de Ricardo? E se ele estivesse fugindo de algo, ou de alguém?

A ideia era perturbadora. Ela nunca imaginou Pedro envolvido em algo assim. Ele sempre fora tão… idealista. Mas talvez, apenas talvez, a pressão que Marcos mencionara fosse mais séria do que ela imaginava.

Helena sentiu um misto de raiva e tristeza. Se Pedro a tivesse envolvido nisso, se tivesse escondido algo tão crucial, seria uma traição ainda maior. Ela sentiu um nó na garganta, uma sensação de desespero crescente.

Ela fechou o laptop, sentindo-se exausta. A cidade continuava a sussurrar seus segredos antigos, mas agora, Helena sentia que ela também tinha um segredo a desvendar. A partida de Pedro não era apenas uma dor de amor, mas um mistério complexo, envolvendo amigos duvidosos e negócios obscuros.

Ela olhou para os girassóis, que pareciam ter perdido um pouco do brilho sob a luz fraca da tarde. A tempestade em sua vida não estava diminuindo; ao contrário, parecia estar se formando, ganhando novas nuvens escuras e ameaçadoras. E Helena sabia que, para encontrar a luz novamente, ela precisaria enfrentar não apenas a dor da ausência de Pedro, mas também a verdade sombria que ele, talvez, havia deixado para trás.

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