Rendida ao seu Amor II
Claro, aqui estão os capítulos 1 a 5 de "Rendida ao seu Amor II", escritos no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers:
por Isabela Santos
Claro, aqui estão os capítulos 1 a 5 de "Rendida ao seu Amor II", escritos no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers:
Capítulo 1 — O Rosto Que Assombra Meus Sonhos
A brisa do mar, salgada e carregada com o perfume das acácias em flor, acariciava o rosto de Isabella, como um beijo esquecido. Ela fechou os olhos, buscando na memória a imagem que a assombrava desde o dia em que a viu, há exatamente um ano. Um ano. Parecia uma eternidade e, ao mesmo tempo, um piscar de olhos. Aquele olhar, profundo como o oceano em dia de tempestade, a tinha capturado de tal forma que, desde então, sua vida se tornara uma busca incansável.
Sentada na varanda de sua cobertura em Copacabana, com a imensidão azul do Atlântico diante de si, Isabella sentia um aperto no peito. A cidade maravilhosa, palco de tantos encontros e desencontros, agora parecia ecoar a sua solidão. Aquele homem… quem ele era? Por que, em meio a uma multidão anônima em uma galeria de arte em São Paulo, seus olhos se cruzaram e o mundo pareceu parar? Um instante efêmero, um relâmpago de conexão que acendeu nela uma chama que não se apagava.
Ela se levantou e caminhou até o parapeito de vidro, observando as luzes cintilantes da orla. A energia vibrante do Rio de Janeiro, que outrora a inspirava e energizava, agora parecia um lembrete constante do vazio que a preenchia. Ela era Isabella Albuquerque, uma empresária bem-sucedida, dona de uma rede de hotéis de luxo, respeitada e admirada. Mas, por dentro, era apenas uma mulher à deriva, navegando em mares desconhecidos, guiada pela única bússola que restava: a esperança de reencontrar um par de olhos que a tinham visto de verdade.
O celular tocou, tirando-a de seus devaneios. Era o pai, o Sr. Roberto Albuquerque, uma figura imponente e um tanto quanto autoritária, que comandava o império com mão de ferro.
"Filha? Onde você está?", a voz dele, grave e com um toque de impaciência, ressoou do outro lado da linha.
Isabella suspirou, buscando um tom mais leve. "Na varanda, pai. Admirando a vista. E você?"
"O de sempre. Mergulhado no trabalho. Mas não é sobre mim que preciso falar. É sobre você. Lembra-se de Marcos Valente? O filho dos nossos antigos sócios. Ele estará no Rio na próxima semana. Uma reunião de negócios. E eu pensei… seria uma boa oportunidade para vocês se reaproximarem."
O coração de Isabella deu um salto, mas não de alegria. Marcos Valente. Um homem gentil, com quem ela tivera um namoro platônico na adolescência, antes que a vida os separasse. Ele era o tipo de homem que qualquer mãe adoraria para a filha: estável, bem-sucedido, com uma boa família. Mas não era ele quem ela procurava.
"Pai, você sabe que eu… não estou pensando em relacionamentos agora. Estou focada no trabalho." A mentira soou fraca até para seus próprios ouvidos.
"Bobagem, Isabella! Você não pode viver apenas de trabalho. Aos trinta e cinco anos, é hora de pensar em formar uma família. E Marcos é um homem de valor. O pai dele me ligou. Ele também está solteiro. Pense nisso. Vou organizar um jantar na sexta-feira. Quero vocês dois lá."
Antes que Isabella pudesse protestar, o Sr. Roberto encerrou a ligação, deixando-a atônita. Um jantar. Com Marcos. Era o destino pregando mais uma peça? Ou uma tentativa desesperada do pai em arrumar um casamento conveniente para sua única filha?
Ela voltou a sentar-se, o olhar fixo no horizonte. A lembrança daquele homem na galeria ressurgiu com força total. Era um homem que ela não conhecia, mas que parecia conhecer a alma dela. Ele tinha cabelos escuros e rebeldes, um sorriso que desarmava e, acima de tudo, aqueles olhos. Olhos que transmitiam uma profundidade, uma inteligência e uma melancolia que a hipnotizaram. Ela tinha apenas um vislumbre de seu perfil, mas a imagem estava gravada em sua mente como uma pintura a óleo.
Quem era ele? Um artista? Um colecionador? Por que ele estava em São Paulo? E, mais importante, por que ela não teve coragem de ir até ele, de perguntar seu nome, de iniciar uma conversa? O medo da rejeição, a timidez que sempre tentou esconder sob uma fachada de autoconfiança, a paralisaram. E agora, ela se arrependia amargamente.
Os dias seguintes foram um turbilhão de pensamentos e ansiedade. Isabella tentava se concentrar em seus compromissos, nas reuniões, nas planilhas, mas sua mente vagava incessantemente. Ela passava horas navegando nas redes sociais, em sites de arte, em busca de qualquer pista, qualquer semelhança. Nada. Era como se ele tivesse surgido do nada e desaparecido da mesma forma.
Na quinta-feira, um e-mail chegou em sua caixa de entrada pessoal. O remetente era desconhecido, mas o assunto era intrigante: "Um Encontro Inesperado". Com o coração acelerado, ela abriu a mensagem.
"Prezada Sra. Albuquerque,
Escrevo-lhe após uma busca discreta, mas persistente. Sei que pode parecer estranho, mas confesso que também fui capturado por aquele instante. A senhora, em sua elegância e… talvez um toque de melancolia, me lembrou de algo que eu havia esquecido. Eu sou Leonardo Rossi, um escultor. Estava em São Paulo para a abertura da minha exposição. Por um acaso do destino, nossos olhares se cruzaram. Sinto muito se esta mensagem a incomodar, mas a curiosidade e um… sentimento… não me permitiram ignorar. Se a senhora estiver disposta, adoraria a chance de conversarmos. Talvez, quem sabe, possamos entender o que aquele momento significou.
Atenciosamente, Leonardo Rossi."
Isabella leu e releu o e-mail, um sorriso tímido brincando em seus lábios. Leonardo Rossi. Um escultor. As peças começavam a se encaixar. Ele era tão enigmático quanto sua arte, provavelmente. Ela sentiu uma onda de alívio e, ao mesmo tempo, um frio na espinha. Ele a tinha encontrado. E estava disposto a conversar.
Ela hesitou por um momento. Receber um e-mail de um desconhecido, mesmo que charmoso, era algo que ia contra todas as suas precauções. Mas a ideia de finalmente ter uma chance de saber quem era aquele homem, de talvez entender a conexão que sentiu, era irresistível. Ela digitou uma resposta, com cuidado, sentindo as palavras ganharem vida na ponta dos dedos.
"Sr. Rossi,
Sua mensagem me surpreendeu, mas confesso que também me intrigou. Aquele instante foi, para mim, igualmente marcante. Fico feliz em saber que não fui a única a sentir algo. Entendo sua busca. Eu também… me questionei. Se o senhor ainda estiver no Rio de Janeiro, eu estaria disposta a conversar. Talvez em um local neutro, um café? O que o senhor sugere?
Atenciosamente, Isabella Albuquerque."
Ela enviou a mensagem e sentiu um misto de apreensão e excitação. A noite prometia ser longa, embalada pela esperança de que aquele reencontro pudesse ser o início de algo real. E, de repente, o jantar com Marcos Valente na noite seguinte parecia ainda mais insignificante. O destino, afinal, tinha seus próprios planos, e ela estava disposta a segui-los, mesmo que isso significasse desafiar as expectativas de seu pai. Ela olhou para o mar, agora sereno sob a luz das estrelas, e sentiu que, talvez, o amor estivesse mais perto do que ela imaginava.