Rendida ao seu Amor II

Capítulo 12 — O Encontro nos Jardins do Tempo Perdido

por Isabela Santos

Capítulo 12 — O Encontro nos Jardins do Tempo Perdido

O sol da manhã nasceu tímido, espreitando entre as nuvens que ainda se dissipavam, como se pedisse desculpas pela tempestade da noite anterior. Helena, porém, sentia que a tempestade em seu interior ainda não havia cessado. A carta de Ricardo pairava em sua mente como uma nuvem carregada, e o peso da decisão de encontrá-lo a oprimia.

Rafael, percebendo o seu estado de espírito, serviu-lhes café com uma gentileza silenciosa. O aroma forte e amargo da bebida parecia querer despertá-la, mas Helena sentia-se entorpecida.

“Você tem certeza, meu amor?”, ele perguntou, os olhos fixos nos dela, buscando uma confirmação genuína. “Podemos não responder. Podemos mandar uma mensagem dizendo que não há nada a ser dito.”

Helena suspirou, olhando para a xícara que fumegava em suas mãos. “Eu sei que você faria isso por mim, Rafa. E sou eternamente grata. Mas… há algo que preciso fazer por mim mesma. Por aquele capítulo da minha vida que foi tão definidor, por mais doloroso que tenha sido. Se eu fugir agora, ele sempre será uma pontada de incerteza.” Ela levantou o olhar, encontrando os olhos dele com firmeza. “Eu quero o fim. Um fim definitivo. E para isso, preciso encará-lo.”

Rafael assentiu, engolindo em seco. Ele não gostava da ideia, sentia um arrepio de desconforto cada vez que pensava em Ricardo perto dela, mas a força e a determinação no olhar de Helena o convenciam. Ela precisava disso. E ele estaria lá.

“Tudo bem”, ele disse, a voz calma, mas carregada de um afeto que transbordava. “Onde e quando?”

Helena mostrou-lhe um pequeno pedaço de papel que estava dobrado no bolso do seu roupão. Era o bilhete resposta que ela havia escrito com cuidado, sentindo cada palavra pesar na consciência.

“Os Jardins da Quinta das Flores. Amanhã, às duas da tarde. Um lugar público, neutro. Para que ambos nos sintamos seguros.”

Rafael leu o endereço, a mente já traçando um plano de segurança. “Eu vou com você. Não saio do seu lado.”

“Eu sei, meu amor”, Helena respondeu, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. “E é por isso que sou tão forte.”

Os dias que se seguiram foram carregados de uma tensão silenciosa. Helena tentava manter a rotina, mas cada pequeno detalhe a lembrava do passado. A música que tocava no rádio, um perfume específico, até mesmo o jeito como o sol batia em sua pele. Tudo a transportava para os tempos em que Ricardo era o centro do seu universo, e depois, o motivo de sua maior dor.

Rafael, por sua vez, estava mais protetor do que nunca. Ele a acompanhava em todos os lugares, seus olhos atentos a qualquer movimento suspeito. Mas ele também não a sufocava. Ele confiava nela, na força do amor que os unia. Apenas o medo do que poderia acontecer o assombrava.

Chegou o dia. O céu estava de um azul radiante, pontuado por nuvens brancas e fofas. Os Jardins da Quinta das Flores eram um convite à paz, com suas roseiras em plena floração, o aroma doce e inebriante pairando no ar, e o canto dos pássaros em sinfonia. Era um cenário de conto de fadas, um contraste cruel com a batalha que Helena sabia que estava prestes a travar.

Rafael segurava a mão dela com firmeza enquanto caminhavam pelos carreiros de pedras polidas. Ele usava um terno escuro, elegante, mas seus olhos estavam sempre em alerta. Helena vestia um vestido de seda verde, a cor que lembrava os tempos felizes, mas um véu de apreensão cobria seu rosto.

Ao chegarem perto do local marcado, uma fonte borbulhante e um banco de pedra ornamentado, Helena viu-o. Ricardo estava ali, como havia prometido. Alto, elegante, com os cabelos escuros ligeiramente grisalhos nas têmporas, ele emanava a mesma aura de confiança e poder que ela lembrava. Mas havia algo em seus olhos, uma suavidade que ela não reconhecia.

Ele se levantou ao vê-los, um leve sorriso curvando seus lábios. “Helena”, ele disse, a voz profunda e melodiosa. Um arrepio percorreu a espinha de Helena. Era a voz que ela havia ouvido em tantos sonhos e pesadelos.

“Ricardo”, ela respondeu, sua própria voz soando um pouco trêmula.

Rafael apertou a mão dela, um gesto de apoio mudo. Ele se posicionou ligeiramente à frente de Helena, como um escudo.

Ricardo notou a presença de Rafael e, por um instante, uma sombra de desagrado cruzou seu rosto. “Vejo que você não veio sozinha”, ele comentou, com um tom que Helena não soube decifrar.

“Rafael é meu companheiro”, Helena disse, a voz ganhando firmeza. “Ele está comigo.”

Ricardo deu um passo em direção a eles, as mãos levemente erguidas em sinal de paz. “Eu não pretendo causar nenhum problema, Helena. Apenas conversar. Como eu disse na carta.” Ele olhou diretamente nos olhos dela, e Helena pôde ver uma sinceridade que a surpreendeu. “Eu fui um tolo, Helena. Um egoísta. Deixei o orgulho e a ganância me cegarem. E o que eu perdi… perdi para sempre.”

As palavras caíram como pedras em um lago calmo. Helena sentiu o peito apertar. Era mais difícil do que ela imaginava.

“Você me machucou, Ricardo”, ela disse, a voz embargada pela emoção. “Você destruiu a minha confiança. Destruiu parte de mim.”

“Eu sei. E cada dia desde então é um arrependimento. Quando soube que você estava em São Paulo, eu senti que era uma chance. Uma chance de tentar, de alguma forma, consertar o que eu quebrei. Mesmo que seja apenas para pedir perdão.”

Rafael deu um passo à frente, a voz firme. “Ela não precisa do seu perdão, Ricardo. Ela construiu uma nova vida, uma vida feliz, sem você.”

Ricardo olhou para Rafael, um olhar avaliador. “Eu vejo. E fico genuinamente feliz por você, Helena. Ele parece ser um bom homem.” O elogio, vindo dele, soou estranho, quase como um reconhecimento de derrota. “Mas eu não vim para levá-la de volta. Eu sei que isso seria impossível. Eu só queria… queria que você soubesse que eu me arrependo. Que eu nunca esqueci você. E que eu lhe desejo toda a felicidade do mundo.”

Ele pegou uma pequena caixa de veludo de seu bolso. “Eu trouxe isso para você. Não é uma tentativa de suborno, nem uma promessa. É apenas uma lembrança de que, apesar de tudo, houve um tempo em que o nosso amor foi real. Pelo menos para mim, foi.”

Ele estendeu a caixa para Helena. Hesitante, ela a pegou. Dentro, repousava um delicado colar de diamantes, a joia que ele lhe dera em seu primeiro aniversário de namoro, uma joia que ela havia devolvido em meio ao caos de sua separação. As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Helena, não de tristeza, mas de uma emoção complexa que ela não conseguia nomear.

“Ricardo… eu não posso aceitar isso.”

“Por favor, Helena. Aceite. É a única coisa que me restou de nós. E eu preciso saber que ela está em boas mãos. Mãos que a merecem.” Ele olhou para Rafael, um lampejo de respeito em seus olhos.

Helena fechou a caixa com um clique suave. Ela respirou fundo, o aroma das rosas enchendo seus pulmões. Ela olhou para Ricardo, tentando absorver a verdade em suas palavras. Havia arrependimento em seus olhos, genuíno.

“Eu aceito”, ela disse, a voz firme. “Mas com uma condição. Que este seja o nosso último encontro. Que você siga em frente com a sua vida, e eu com a minha. Que o passado fique onde ele pertence.”

Ricardo sorriu, um sorriso melancólico, mas aliviado. “Concordo plenamente, Helena. Que o passado fique em paz.” Ele fez uma reverência sutil. “Foi um prazer revê-la, Helena. E você, senhor… cuide bem dela.”

Com isso, Ricardo se virou e caminhou em direção à saída dos jardins, desaparecendo por entre as árvores frondosas.

Helena ficou parada, a caixinha em suas mãos, o coração um misto de alívio e melancolia. Rafael a envolveu em seus braços, sentindo a trepidação em seu corpo.

“Acabou, meu amor”, ele sussurrou em seu ouvido. “Acabou.”

Helena encostou a cabeça em seu peito, sentindo a segurança de seu abraço. O sol da tarde banhava os jardins em uma luz dourada, um prenúncio de um futuro mais sereno. A tempestade havia passado, deixando para trás a clareza e a certeza do amor que ela sentia por Rafael.

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