Rendida ao seu Amor II

Capítulo 2 — O Jantar Que Poderia Mudar Tudo

por Isabela Santos

Capítulo 2 — O Jantar Que Poderia Mudar Tudo

O salão de jantar do restaurante mais badalado do Leblon exalava sofisticação e um aroma sutil de trufas e frutos do mar. Isabella, impecável em um vestido de seda azul-marinho que realçava a cor de seus olhos, sentia-se como uma atriz em um palco. A cada minuto que se aproximava das oito horas, o horário combinado, seu coração acelerava em uma mistura de apreensão e um senso de dever. O jantar com Marcos Valente. Uma obrigação social, um capricho do pai, e, possivelmente, uma distração desnecessária de sua verdadeira busca.

Ela chegou ao restaurante com vinte minutos de antecedência, acompanhada por seu pai. Sr. Roberto Albuquerque, com seu terno impecável e um ar de autoridade que nunca o abandonava, observava a filha com um misto de orgulho e impaciência. Ele adorava ver Isabella prosperar nos negócios, mas a ideia de ela continuar solteira, focada apenas em seu império, o incomodava profundamente.

"Você está linda, filha", ele disse, a voz um pouco mais suave do que o habitual. "Marcos é um bom homem. Você faria bem em dar uma chance a ele."

Isabella sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Pai, eu já disse que vou jantar com ele. Não precisa fazer propaganda."

"Não estou fazendo propaganda, estou apenas… observando. Seu futuro. Sua felicidade." Ele fez uma pausa. "Você não me contou, mas recebi um e-mail de um tal Leonardo Rossi. Um artista. Disse que teve um 'encontro inesperado' com você em uma galeria. O que é isso, Isabella?"

O tom do pai era inquisitivo, com uma leve ponta de desaprovação. Isabella sentiu um arrepio. Ela não havia contado a ele sobre o e-mail, nem sobre a troca de mensagens com Leonardo. A ideia de ter que explicar a ele sobre o escultor, sobre a conexão que sentiu, era algo que ela evitava.

"Um encontro casual, pai. Nada demais. Ele me enviou um e-mail para agradecer pela atenção. E eu respondi. Simples assim." Ela tentou soar indiferente, mas a batida acelerada de seu coração a traía.

O Sr. Albuquerque a encarou por um longo momento, seus olhos azuis penetrantes avaliando-a. Ele era um homem perspicaz, e Isabella sabia que não o enganaria completamente. "Casual, é? Bom, espero que você saiba o que está fazendo. Marcos está chegando."

Poucos minutos depois, Marcos Valente apareceu. Alto, com cabelos claros e um sorriso confiante, ele era a personificação do sucesso e da boa criação. Ele cumprimentou o Sr. Albuquerque com um aperto de mão firme e deu um beijo gentil na bochecha de Isabella.

"Isabella, você está radiante", ele disse, seus olhos verdes percorrendo-a com admiração. "É um prazer vê-la novamente."

"O prazer é meu, Marcos", ela respondeu, forçando um sorriso.

O jantar começou com a leveza de conversas sobre negócios, sobre o mercado financeiro, sobre os projetos em comum das famílias. Marcos era um anfitrião impecável, educado, atencioso e demonstrava um interesse genuíno em sua vida e em seus empreendimentos. Ele falava sobre seus planos de expansão para a empresa de sua família, sobre viagens e sobre a importância de manter as boas relações comerciais.

Isabella se esforçava para participar da conversa, para dar respostas coerentes, mas sua mente estava em outro lugar. A cada minuto que passava, ela se perguntava se Leonardo Rossi já havia recebido sua resposta. Se ele estaria mesmo no Rio. Se ele a encontraria. A imagem de seus olhos profundos e a promessa de um encontro povoavam seus pensamentos, ofuscando a figura charmosa e bem-sucedida que estava sentado à sua frente.

"Vejo que você está um pouco distraída hoje, Isabella", Marcos comentou, com um leve sorriso. "Algum problema em seus negócios?"

Isabella sentiu o rosto corar. "Não, nada disso. Apenas… pensando em algumas coisas."

"Seus negócios parecem ir de vento em popa", Marcos continuou, mudando de assunto com habilidade. "Ouvi falar da nova unidade em Fernando de Noronha. Um investimento audacioso. Parabéns."

"Obrigada", ela respondeu, tentando focar no presente. "É um projeto que me empolga muito."

O Sr. Albuquerque interveio, aproveitando a oportunidade. "Marcos, Isabella é uma empreendedora nata. Herdou o tino para os negócios de mim, é claro. Mas a criatividade e a ousadia são inteiramente dela. Tenho muito orgulho."

Marcos sorriu para Isabella. "Imagino. E você, Isabella, o que a inspira tanto em seu trabalho?"

Ela deu de ombros, um gesto sutil. "O desafio, acredito. A capacidade de criar algo, de ver uma ideia se transformar em realidade. E, claro, a possibilidade de proporcionar experiências memoráveis para as pessoas."

"Experiências memoráveis…", Marcos repetiu, como se saboreasse as palavras. "Eu também busco isso em meu trabalho. Criar algo que toque as pessoas. Que as faça sentir vivas." Ele fez uma pausa, seus olhos verdes fixos nos dela. "Como, por exemplo, um encontro inesperado."

O coração de Isabella deu um sobressalto. A frase dele, tão similar à que Leonardo usou em seu e-mail, a pegou desprevenida. Seria uma coincidência? Ou Marcos sabia de algo?

"Um encontro inesperado pode ser… revigorante", ela respondeu, tentando manter a calma.

"Sem dúvida", Marcos concordou. "Às vezes, são os momentos mais imprevisíveis que mudam o curso de nossas vidas." Ele se inclinou ligeiramente sobre a mesa. "Falando em encontros inesperados, gostaria de saber se você está aberta a um, talvez. Eu adoraria conhecer melhor a mulher por trás da empresária de sucesso. Talvez um passeio pela orla, um café pela manhã… algo mais tranquilo do que este jantar formal."

A proposta de Marcos, feita com uma sinceridade que Isabella não esperava, a deixou em uma situação delicada. Ela sabia que ele era um bom partido, que seu pai o adorava, e que um relacionamento com ele seria o ideal para a família. Mas seu coração já estava tomado pela expectativa de um outro encontro, com um homem que ela mal conhecia, mas que a tinha cativado de uma forma inexplicável.

"Marcos, eu… agradeço muito a sua proposta", ela começou, buscando as palavras certas. "Você é um homem incrível, e eu admiro muito você e sua família. Mas, neste momento, eu realmente preciso de um tempo para mim. Para me reorganizar."

O sorriso de Marcos vacilou por um instante, mas ele rapidamente o recuperou. "Entendo. E respeito sua decisão. Mas não desista da ideia, Isabella. O tempo pode ser um grande aliado. E eu estarei aqui, se precisar de um amigo… ou algo mais."

O Sr. Albuquerque, que ouvira parte da conversa, pigarreou. "É isso mesmo, Marcos. Isabella tem muito em que pensar. Mas não se preocupe, ela é uma mulher pragmática. Saberá fazer o que é melhor."

O resto do jantar transcorreu com uma formalidade educada. Isabella sentiu um misto de alívio e culpa. Alívio por ter conseguido adiar a inevitável conversa sobre seus sentimentos, culpa por ter sido evasiva com Marcos, que parecia genuinamente interessado. Ao se despedir dele na porta do restaurante, ele a olhou nos olhos, um brilho de esperança e um toque de desapontamento em seu olhar.

"Até breve, Isabella."

"Até breve, Marcos."

De volta à sua cobertura, com a vista noturna de Copacabana como testemunha, Isabella sentou-se na varanda, sentindo o peso da noite em seus ombros. O jantar com Marcos fora um teste, uma distração, e ela o havia passado. Mas a verdadeira questão permanecia. Ela havia respondido ao e-mail de Leonardo Rossi. E agora, a espera por uma resposta dele, ou por um encontro, era o que realmente a consumia.

Ela pegou o celular, o coração disparado ao ver uma nova notificação. Era um e-mail. De Leonardo Rossi. Com o assunto: "Um Cafezinho Sob o Sol Carioca".

"Prezada Isabella,

Fico feliz com sua resposta. E sim, o Rio de Janeiro é um lugar perfeito para um café. Que tal amanhã, pela manhã? Há um pequeno café charmoso em Ipanema, perto da Rua Garcia D'Ávila. Conhece? Podemos nos encontrar por volta das dez. Se a senhora não puder, me diga outro horário ou local. Acredito que vale a pena tentar.

Atenciosamente, Leonardo Rossi."

Um sorriso genuíno, o primeiro da noite, iluminou o rosto de Isabella. Amanhã. Ela o veria amanhã. A promessa de um novo dia, de um novo encontro, de um novo capítulo em sua vida, a encheu de uma esperança vibrante. A noite de Marcos Valente havia sido um interlúdio, uma preparação. Agora, era hora de se render ao que o destino parecia querer lhe oferecer. A espera, antes angustiante, agora se tornava uma doce antecipação.

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