Cap. 7 / 25

Voltar a te Amar

Capítulo 7 — Segredos Revelados e Corações em Alerta

por Camila Costa

Capítulo 7 — Segredos Revelados e Corações em Alerta

A noite em Ilhabela descia com uma beleza serena, pintando o céu com um manto de estrelas cintilantes que pareciam dançar sobre o mar escuro. As luzes da vila, pequenas e acolhedoras, piscavam como vaga-lumes, criando um cenário de conto de fadas. No entanto, dentro da charmosa pousada de Sofia, o clima era de uma intensidade palpável, um turbilhão de emoções que mal podiam ser contidas.

Após o reencontro avassalador na praia, Rafael a acompanhara até a pousada. As palavras fluíam com uma facilidade surpreendente, como se os anos de silêncio tivessem apenas servido para acumular a necessidade de se expressar. Sentados em um dos lounges rústicos, com o som suave das ondas ao fundo, eles mergulharam nas profundezas de suas histórias separadas.

"…e foi assim que eu decidi ficar em São Paulo", Sofia concluía, a voz carregada de uma mistura de orgulho e melancolia. "Precisava ser forte pela minha mãe. Ela era tudo o que me restava."

Rafael escutava atentamente, seus olhos azuis fixos nos dela, transmitindo uma compreensão que ia além das palavras. Ele sabia a dor da perda, a solidão de carregar o mundo nas costas.

"Eu entendo, Sofia", ele disse, a voz rouca. "Mas você não precisava passar por tudo isso sozinha. Eu… eu gostaria de ter estado lá por você."

Um arrepio percorreu Sofia com suas palavras. A vontade de acreditar nele era imensa, mas as cicatrizes do passado a tornavam cautelosa. "Eu sei. Mas eu precisava ser forte. E você… você tinha sua vida em São Paulo, seus projetos."

Rafael meneou a cabeça, um sorriso amargo brincando em seus lábios. "Projetos. E você, Sofia, era o meu projeto mais importante. O único que realmente importava." Ele pegou a mão dela, entrelaçando seus dedos. "Quando você sumiu… foi como se o chão tivesse desaparecido debaixo dos meus pés. Tentei te ligar, mas o número não existia mais. Procurei por você, mas era como procurar uma agulha no palheiro."

A confissão dele, a dor explícita em sua voz, abriu uma fenda no muro que Sofia havia erguido ao redor de seu coração. Ela nunca imaginou que ele a tivesse procurado, que tivesse sofrido tanto quanto ela.

"Eu mudei de número, Rafael. Mudei tudo", ela confessou, a voz quase inaudível. "Precisava de um recomeço. E… e eu estava com raiva. Com raiva de você, comigo mesma, com o mundo."

Rafael apertou sua mão. "Eu sei que te magoei, Sofia. E sei que a maneira como as coisas terminaram… foi cruel. Mas eu nunca te esqueci. Nem por um dia."

Os olhos dele transmitiam uma sinceridade que a desarmava. Ela viu o reflexo de sua própria saudade espelhado nos dele.

"E você, Rafael?", Sofia perguntou, o medo de ouvir a resposta pairando no ar. "Como você… como você seguiu em frente?"

Rafael suspirou, seu olhar se perdendo na noite estrelada. "Seguir em frente… é um conceito relativo, não é? Eu voltei para Ilhabela. Tentei me reconectar com o mar, com a pesca. Reconstruí a casa dos meus pais. Mas a vida… a vida nunca mais foi a mesma sem você ao meu lado." Ele virou-se para ela, seus olhos azuis brilhando com uma intensidade renovada. "Eu tive outros relacionamentos, Sofia. Tentei. Mas nenhuma delas se comparava ao que tínhamos. Nenhuma delas era você."

As palavras dele eram um bálsamo para a alma ferida de Sofia. Havia uma verdade crua em sua confissão, uma honestidade que a tocava profundamente.

"Houve uma mulher…", Rafael começou, hesitante. "Ana. Nós ficamos juntos por um tempo. Mas não era amor. Era… conveniência, talvez. Companheirismo. Mas o amor… o amor era só você."

Sofia sentiu um misto de alívio e ciúme, uma emoção confusa que a pegou de surpresa. Ela sabia que ele tinha o direito de seguir em frente, mas a ideia dele com outra pessoa, mesmo que sem amor, apertava seu peito.

"E ela… o que aconteceu com ela?", Sofia perguntou, controlando a voz.

"Terminamos. Ela se mudou para o Rio. Não havia futuro ali, não para nós. E também… a verdade é que eu estava esperando. Esperando que você voltasse."

As palavras dele caíram como uma bomba no silêncio da noite. Sofia olhou para ele, incrédula. Esperando por ela? Depois de tantos anos?

"Rafael, isso é… isso é loucura. Eu nunca pensei que…"

"Loucura é o que eu sinto agora, Sofia", ele interrompeu, sua voz carregada de paixão. "Ver você aqui, depois de todo esse tempo… é como um sonho que eu tinha medo de ter. Um sonho que não ouso acordar."

Ele se aproximou dela, seus rostos a centímetros de distância. O perfume do mar, o aroma amadeirado dele, tudo se misturava em uma sinfonia de sensações que a deixava tonta.

"Eu te amo, Sofia", ele sussurrou, a declaração saindo de seus lábios com uma força que a fez tremer. "Eu nunca deixei de te amar. Nem por um segundo."

As palavras dele ecoaram em seu peito, ressonando com a própria verdade que ela tentava, em vão, reprimir. Lágrimas de emoção correram por seu rosto.

"Eu também te amo, Rafael", ela confessou, a voz embargada. "Eu sempre amei."

O beijo que se seguiu foi mais profundo, mais intenso, carregado de toda a saudade e do amor reprimido por anos. Era um beijo de reencontro, de promessa, de um futuro que agora parecia possível. As mãos de Rafael a puxaram para perto, o corpo dele colando-se ao dela, a urgência de sentir a proximidade física dominando ambos.

No entanto, um som súbito na porta da pousada, seguido por batidas fortes, quebrou o encanto. Um barulho de vozes alteradas, um tom de urgência que trazia uma nota dissonante à serenidade da noite.

"Quem será a essa hora?", Sofia murmurou, afastando-se relutantemente de Rafael.

Rafael assentiu, a expressão de desejo substituída por uma de preocupação. "Fique aqui."

Ele se levantou e foi até a porta, abrindo-a com cautela. Na soleira, estava o Sr. Ernesto, o porteiro da pousada, com o rosto pálido e as mãos agitadas. Ao lado dele, uma figura que fez o sangue de Sofia gelar: a Srta. Clara Mendes, com um sorriso afiado e os olhos fixos em Sofia.

"Sofia, querida!", Clara exclamou, sua voz falsamente doce. "Que surpresa te encontrar aqui. Pensei que você estivesse se escondendo em São Paulo."

O tom de Clara não deixou dúvidas sobre suas intenções. Havia algo de ameaçador em sua presença, algo que Sofia não conseguia identificar, mas que a deixava em alerta máximo.

Rafael se colocou entre Sofia e Clara, a postura protetora. "Em que posso ajudar?", ele perguntou, a voz firme, mas com um toque de hostilidade.

Clara ignorou Rafael, seus olhos fixos em Sofia. "Eu vim te dar um aviso, Sofia. A vida em Ilhabela pode ser… complicada. Principalmente para quem tem segredos."

Um arrepio percorreu Sofia. Segredos? O que Clara sabia? E como ela sabia que Sofia estava ali?

"Não sei do que você está falando, Clara", Sofia respondeu, tentando manter a calma, mas sentindo o medo começar a se instalar.

"Oh, eu acho que sabe", Clara disse, um sorriso malicioso se espalhando em seu rosto. "Principalmente sobre o que aconteceu anos atrás. Sobre a partida abrupta. Sobre quem foi o verdadeiro culpado."

A menção do passado fez o coração de Sofia dar um salto. Aquele segredo era o fardo mais pesado que ela carregava. Rafael olhou para Sofia, percebendo a tensão em seu corpo, a mudança em seu semblante. Ele não sabia do que Clara estava falando, mas sentia que algo estava errado.

"Saia daqui", Rafael disse, a voz mais dura do que antes. "Agora."

Clara riu, um som desagradável. "Não se preocupe, Rafael. Eu volto. E trago mais notícias. Coisas que você vai adorar saber sobre a sua querida Sofia."

Com um último olhar penetrante para Sofia, Clara se virou e desapareceu na noite escura, deixando para trás um rastro de incerteza e medo.

Sofia e Rafael se olharam, o clima de romance e reencontro substituído por uma sombra de preocupação. O que Clara sabia? E como isso afetaria o recomeço deles? O perfume da saudade havia sido substituído pelo odor acre de segredos e perigo iminente.

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