Promessas Quebradas

Capítulo 9 — A Sombra da Aldeia e o Eco da Verdade

por Valentina Oliveira

Capítulo 9 — A Sombra da Aldeia e o Eco da Verdade

A pequena pousada em Paraty, com suas paredes caiadas de branco e suas janelas de madeira envelhecida, oferecia um refúgio do burburinho da cidade grande. O cheiro salgado do mar misturava-se ao perfume doce das flores de jasmim que adornavam o jardim. Isabella estava ali para uma imersão literária, uma pausa estratégica para se reconectar com sua escrita e com sua própria essência, longe das pressões da editora e das dúvidas que a assombravam.

A conversa com Sérgio ecoava em sua mente como um tambor distante. A história de sua melodia roubada e de sua promessa quebrada por Rafael pesava em seu coração, lançando uma sombra sobre a empolgação de seu projeto. Ela precisava de clareza, de uma verdade incontestável, antes de mergulhar de cabeça no futuro que Rafael prometia.

Enquanto caminhava pela orla, observando os barcos coloridos ancorados na baía, Isabella sentiu uma pontada de saudade. Era ali, em uma vila de pescadores como aquela, que ela imaginara o cenário de "O Beijo da Maré". A simplicidade da vida, a força do mar, a autenticidade das pessoas – tudo isso a inspirava.

De repente, uma figura familiar chamou sua atenção. Sentado em um banco de madeira, observando o pôr do sol com a mesma melancolia de sempre, estava Sérgio. Ele não parecia surpreso ao vê-la.

"Eu sabia que você viria para cá", ele disse, com um leve sorriso. "Essa paz te atrai, não é? Assim como a mim."

Isabella sentou-se ao lado dele, o silêncio entre eles preenchido pelo som das ondas. "Eu precisava de um tempo para pensar", ela confessou. "Depois da nossa conversa... eu fiquei muito abalada."

Sérgio assentiu, o olhar fixo no horizonte. "Rafael tem essa capacidade de nos fazer questionar a nossa própria realidade. Ele é um mestre em moldar narrativas, em reescrever a história a seu favor."

"Mas o que me intriga, Sérgio", Isabella disse, a voz firme, "é que Rafael é apaixonado por livros. Ele fala de 'O Beijo da Maré' com tanto entusiasmo. Como ele poderia ter feito algo assim?"

Sérgio virou-se para ela, seus olhos escuros cheios de uma sabedoria amarga. "Paixão por livros, Isabella, pode ser uma coisa. Paixão por dinheiro e poder, outra bem diferente. Rafael admira a arte, ele a reconhece, mas ele a vê acima de tudo como um produto a ser comercializado. Ele é um colecionador de talentos, não um protetor. Ele te inspira agora porque você é a novidade, a promessa de um grande retorno. Mas quando os ventos mudarem, ou quando um lucro maior aparecer..."

Ele fez uma pausa, como se ponderasse suas próximas palavras. "Eu fui jovem e ingênuo. Acreditava na força da nossa amizade, na nossa visão artística compartilhada. Eu confiei nele quando ele me disse que precisava 'modernizar' a melodia para alcançar um público maior. Eu confiei nele quando ele disse que a minha parte seria honrada no futuro. E ele me deixou para trás. Ele não se importa com o eco da verdade, Isabella. Ele se importa com o barulho do sucesso."

Um marinheiro passava por perto, puxando uma rede de pesca, o cheiro de sal e de peixe fresco invadindo o ar. Isabella sentiu uma onda de desespero. Ela estava prestes a entregar seu romance, sua alma em forma de palavras, a um homem que, segundo Sérgio, era um predador disfarçado.

"E se... e se eu confrontá-lo?", Isabella perguntou, a voz trêmula. "Perguntar sobre a melodia, sobre o contrato?"

Sérgio deu um leve sorriso, tingido de tristeza. "Você pode tentar. Mas lembre-se, ele é um bom orador. Ele encontrará uma maneira de justificar suas ações, de virar a situação a seu favor. Ele sempre encontra. Eu aprendi isso da maneira mais difícil. Ele pode te oferecer mais dinheiro, mais promessas vagas, apenas para te manter sob seu controle."

Ele se levantou, o sol começando a se pôr, pintando o céu de tons alaranjados e roxos. "Mas se você decidir confrontá-lo, Isabella, faça isso com a verdade ao seu lado. Não com raiva, mas com a clareza de quem sabe o seu valor. E com a consciência de que, às vezes, o maior ato de amor à arte é protegê-la de quem quer explorá-la."

Sérgio se afastou, deixando Isabella sozinha com o som das ondas e o eco de suas palavras. Ela olhou para o mar, para a vastidão que a rodeava. Ela estava em Paraty, a cidade histórica, um lugar de tantas histórias, tantas promessas. Mas a história de Sérgio era um conto de advertência, um lembrete sombrio de que nem todas as promessas são cumpridas, de que a beleza da arte pode ser manchada pela ambição.

Ela pegou seu celular. A ideia de confrontar Rafael a assustava, mas a ideia de ser enganada a apavorava ainda mais. A verdade, por mais dolorosa que fosse, era a única saída. Ela digitou o nome de Rafael, sentindo a adrenalina percorrer seu corpo.

"Rafael", ela começou, a voz firme, apesar do nervosismo. "Preciso conversar com você. Sobre Sérgio. E sobre o meu livro."

Houve um silêncio do outro lado da linha, um silêncio que parecia carregar um peso próprio. A verdade estava prestes a ser revelada, e Isabella sabia que, independentemente do que acontecesse, sua jornada como escritora nunca mais seria a mesma. O eco da verdade, ela esperava, seria mais alto do que qualquer promessa quebrada.

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