O Homem que Amei III

Capítulo 12 — Os Segredos de Clara

por Valentina Oliveira

Capítulo 12 — Os Segredos de Clara

Os dias que se seguiram à conversa com Daniel foram marcados por uma tentativa de normalidade que Sofia sentia ser frágil, como uma fina camada de gelo sobre águas profundas. Ela amava Daniel, e ele havia se mostrado sincero, mas a sombra daquela foto e das palavras dele sobre o amor intenso que sentira por Clara pairava sobre ela. Era um fantasma que insistia em sussurrar inseguranças.

Clara, por outro lado, parecia imune a qualquer turbulência. Seus dias eram preenchidos com um ritmo acelerado de trabalho e eventos sociais, uma fachada de sucesso e despreocupação que escondia um turbilhão de sentimentos e planos ocultos. Ela observava Daniel e Sofia de longe, um sorriso enigmático nos lábios, uma satisfação perversa em saber que, mesmo sem querer, ela ainda era um fator em suas vidas.

Naquela tarde, Clara se encontrava em um café sofisticado em Ipanema, seu local preferido para observações estratégicas. Ela mexia em seu celular, disfarçando o interesse genuíno por uma notícia sobre um novo projeto de Daniel. Algo nela pulsava com uma mistura de ressentimento e esperança. Ela acreditava que Daniel ainda era dela, que o amor que compartilharam no passado era profundo demais para ser simplesmente apagado.

Sentada em uma mesa próxima, uma mulher observava Clara com atenção. Helena era uma jornalista investigativa, conhecida por sua persistência e por sua capacidade de desenterrar segredos. Ela vinha acompanhando a trajetória de Clara há meses, intrigada com sua ascensão meteórica e com as muitas especulações que a cercavam.

Helena se aproximou da mesa de Clara com um sorriso profissional. “Com licença. Senhorita Clara? Meu nome é Helena Marques. Sou jornalista e estou escrevendo uma matéria sobre mulheres influentes no mundo dos negócios. Você seria uma entrevistada fascinante.”

Clara levantou os olhos, surpresa, mas logo recompôs-se. Ela sabia que sua fama a precedia, e que era inevitável ser alvo de atenção midiática. “Senhorita Marques. É um prazer. Sinto muito, mas minha agenda está bastante apertada.”

“Eu entendo perfeitamente”, disse Helena, sentando-se sem ser convidada, com uma audácia que pegou Clara de surpresa. “Mas uma entrevista rápida, apenas alguns minutos. Eu me interesso especialmente pela sua história com o Senhor Daniel Viana. Ouvi dizer que vocês tiveram um relacionamento intenso no passado.”

O sorriso de Clara vacilou por um instante, uma microexpressão de desagrado que Helena captou imediatamente. “Daniel? Nós tivemos um namoro na juventude. Nada de mais.”

“Nada de mais?”, repetiu Helena, arqueando uma sobrancelha. “Fontes me dizem que foi um amor avassalador. Um amor que deixou marcas profundas. E que, talvez, ainda não tenha acabado completamente.”

Clara riu, um riso seco e sem alegria. “Senhorita Marques, você está mal informada. Daniel e eu seguimos caminhos diferentes há muito tempo. E ele está feliz com Sofia.” Ela deliberadamente usou o nome de Sofia, um pequeno golpe calculado.

“Felicidade nem sempre é o fim da história, não é mesmo?”, disse Helena, seus olhos fixos em Clara. “E às vezes, as pessoas guardam segredos. Segredos que podem vir à tona e mudar tudo. Eu sei sobre os negócios de sua família, Clara. Sei que nem tudo é tão limpo quanto parece. E sei que você está disposta a fazer de tudo para proteger seus interesses.”

A compostura de Clara começou a se desfazer. A calma superficial que ela ostentava cedeu lugar a uma tensão palpável. “Eu não sei do que você está falando.”

“Oh, eu acho que sabe. Seu pai não foi apenas um empresário de sucesso, foi? Ele tinha… conexões. E quando ele faleceu, você herdou mais do que empresas. Herdastes seus métodos. E suas dívidas. Dívidas com pessoas perigosas.” Helena falou com uma frieza calculada, jogando suas cartas sobre a mesa.

Clara sentiu o sangue gelar. Ela havia contado a Daniel uma versão romantizada de sua história, omitindo os aspectos mais sombrios e perigosos de seu passado. E agora, essa jornalista estava ali, com informações que ela não imaginava que ninguém possuía.

“Você está me acusando de algo que não tem prova alguma”, disse Clara, a voz tensa.

“Provas são apenas uma questão de tempo e oportunidade, querida. E eu estou trabalhando nisso. E sei que você está preocupada. Preocupada que Daniel descubra a verdade. Preocupada que Sofia descubra a verdade. Porque, no fundo, você sabe que o amor deles é forte. E você não aguenta ser apenas uma nota de rodapé em uma história que você pensou que seria sua.”

O silêncio que se seguiu foi carregado de uma eletricidade perigosa. Clara encarou Helena, uma batalha interna travada em seus olhos. A mulher à sua frente era uma ameaça direta, alguém que poderia destruir a vida que ela lutou tanto para construir.

“O que você quer?”, Clara perguntou, a voz quase um sussurro rouco.

“Informações. A verdade. E você pode me dar isso. Ou, se não cooperar, posso garantir que tudo o que eu sei venha à tona. E garanto que não será uma notícia agradável para você. Ou para Daniel. Você sabe que ele não aprovaria seus métodos, não é? Ele é um homem de princípios.”

Clara mordeu o lábio inferior, sua mente acelerada. Ela sabia que estava encurralada. A ideia de Daniel descobrir a verdade sobre seu passado, sobre a origem de sua fortuna, sobre as negociações obscuras que seu pai mantinha e que ela continuava, era devastadora. E Sofia… Sofia seria a prova viva de que ela nunca seria capaz de ter o amor de Daniel, pois ele jamais aceitaria quem ela realmente era.

“Eu… eu não posso falar nada agora”, disse Clara, sua voz recuperando um pouco do controle. “Preciso pensar.”

“Pensar é bom”, respondeu Helena, levantando-se. “Mas não demore muito. O tempo é um luxo que nem todos nós temos. E eu tenho prazos.” Ela deixou um cartão de visitas na mesa e se afastou, deixando Clara sozinha com seus pensamentos sombrios e a ameaça iminente.

Clara pegou o cartão, as unhas cravando na palma da sua mão. A jornalista era perigosa, mas não era a única ameaça. Daniel era o seu maior dilema. Ela o amava, ou acreditava que amava, com uma possessividade doentia. A ideia de perdê-lo para Sofia era insuportável. E agora, com a revelação dos segredos de seu pai, a esperança de reconquistá-lo parecia cada vez mais remota.

Ela precisava de um plano. Um plano ousado, desesperado, que a tirasse daquela situação e a colocasse de volta no centro da vida de Daniel. Se Helena estava disposta a expor seus segredos, talvez fosse hora de Clara expor os de outra pessoa. Talvez fosse hora de usar a fotografia, a mesma que abalou Sofia, como uma arma.

A mente de Clara começou a traçar um caminho perigoso, um caminho que envolvia usar o passado de Daniel contra ele, ou melhor, contra Sofia. Ela sabia que a insegurança de Sofia era um terreno fértil para semear a dúvida. E ela, Clara, seria a jardineira.

A tempestade no Rio de Janeiro, naquela noite, não era apenas no céu. Ela se formava nos corações e mentes daqueles que, movidos pelo amor, pela ambição e pelo ressentimento, estavam prestes a desencadear uma série de eventos que mudariam para sempre a vida de todos eles. Clara, a mulher que parecia ter tudo, estava prestes a revelar o quão longe ela iria para manter o homem que amou, e para proteger a si mesma de um passado que a assombrava.

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