O Homem que Amei III

Capítulo 14 — O Jogo de Poder

por Valentina Oliveira

Capítulo 14 — O Jogo de Poder

O confronto no apartamento de Sofia deixou um rastro de incertezas. Embora Daniel tenha tentado desesperadamente reafirmar seu amor e explicar a situação, a ferida aberta pelo caderno de anotações de Clara era profunda. Sofia se sentia dividida, presa entre a confiança que nutria por Daniel e a dor avassaladora da traição percebida. Cada palavra dele soava como uma tentativa de remendar um vaso já rachado, e a sombra de Clara parecia cada vez mais presente.

Clara, informada do ocorrido por um informante anônimo que ela cultivava dentro do círculo de Daniel, sentiu uma pontada de satisfação. O jogo estava se desenrolando exatamente como ela planejava. Ela sabia que a insegurança de Sofia era a sua maior arma, e o caderno fora apenas o primeiro movimento. Agora, era hora de intensificar a pressão.

Helena Marques, a jornalista, também não estava parada. Ela havia conseguido algumas informações preliminares sobre as dívidas de negócios da família de Clara, informações que, se divulgadas, poderiam abalar o império que ela construíra. O timing era perfeito.

Numa noite fria de sexta-feira, Sofia e Daniel estavam em um jantar de gala beneficente, um evento importante para os negócios de Daniel. Sofia, embora presente, estava distante, seus pensamentos vagando entre o caderno e as palavras de Daniel. Daniel percebia a tensão dela, mas se via obrigado a manter as aparências diante de seus convidados e parceiros de negócios.

No meio do jantar, o celular de Sofia tocou. Era uma mensagem de um número desconhecido. Ao abrir, viu uma foto. Uma foto de Clara e Daniel, mais recente desta vez, tirada em um restaurante sofisticado, eles sorriam, ele tocava o rosto dela em um gesto carinhoso. A legenda dizia: “Ele ainda se lembra de como amava antes de você. Talvez ele ainda a ame mais do que a mim.”

Sofia sentiu o sangue gelar. O copo de champanhe em sua mão tremeu, espalhando o líquido dourado sobre o vestido impecável. Daniel, percebendo a mudança abrupta em seu semblante, virou-se para ela.

“Sofia? O que houve?”, ele perguntou, a voz tensa.

Sofia, com as mãos trêmulas, mostrou a ele a tela do celular. Daniel olhou para a foto, seu rosto empalidecendo. Ele reconheceu o local, a ocasião. Era uma reunião de negócios que ele tivera com Clara há algumas semanas, uma tentativa desesperada de convencê-la a não interferir em um de seus projetos. Ele a havia convidado para almoçar, apenas para discutir os negócios, mas a conversa, como sempre com Clara, havia se tornado pessoal e carregada de emoções. Ele tinha sido cuidadoso, educado, mas sabia que Clara era uma mestre em manipular as aparências.

“Sofia, isso não é o que parece”, ele começou, a voz baixa e urgente. “Essa foi uma reunião de negócios. Clara estava tentando… interferir em um acordo importante para mim. Eu a convidei para conversar, para tentar resolver as coisas de forma amigável.”

“Amigável?”, repetiu Sofia, a voz embargada pela dor. “Daniel, ela está te usando. E você está permitindo isso. Essa foto… essa proximidade… você não percebe o que ela está fazendo?”

“Eu percebo, Sofia. Eu percebo perfeitamente. Mas eu não posso simplesmente ignorá-la. Ela tem informações que podem me prejudicar seriamente. E ela está usando isso contra mim.” Daniel pegou a mão de Sofia, mas ela a retirou.

“Então você está cedendo a ela? Você está se deixando manipular?” As lágrimas voltaram a brotar nos olhos de Sofia. “Eu não posso fazer isso, Daniel. Eu não posso viver nesse jogo de poder, onde ela sempre terá um trunfo contra você, e onde eu serei sempre a segunda opção, a mulher que veio depois.”

O salão de gala, antes vibrante e cheio de vida, parecia agora um palco sombrio para a tragédia que se desenrolava entre eles. Os olhares curiosos dos convidados, os sussurros discretos, tudo parecia amplificar a dor de Sofia.

Enquanto isso, em outro canto da cidade, Clara recebia um email de Helena Marques. A jornalista havia compilado uma série de documentos que provavam a ligação de Clara com atividades ilícitas de seu falecido pai. Helena ofereceu a Clara um acordo: publicar a matéria, destruindo sua reputação e seu império, ou cooperar, fornecendo informações sobre os desvios financeiros de Daniel Viana, que Helena suspeitava estarem ligados a operações fraudulentas de seu pai no passado.

Clara leu o email com um misto de pânico e fúria. Helena era uma adversária implacável. Ela sabia que não poderia enfrentar uma investigação jornalística e, ao mesmo tempo, manter sua posição no mundo dos negócios. E a ideia de Daniel ser exposto por um crime que ela não cometeu era inaceitável. A vingança, ela percebeu, teria que ser direcionada.

Ela tomou uma decisão drástica. Ligou para Helena.

“Senhorita Marques”, disse Clara, a voz calma, mas carregada de uma nova determinação. “Aceito seu acordo. Mas com uma condição. Você não vai destruir a mim. Você vai expor o homem que merece ser exposto.”

Helena, surpresa com a reviravolta, ouviu atentamente enquanto Clara detalhava um plano. Um plano audacioso, que envolvia usar as informações sobre as finanças de Daniel que Clara possuía, informações essas que ela havia obtido de seu pai, que teve negócios com o pai de Daniel no passado.

No salão de gala, Daniel tentava desesperadamente reconquistar a confiança de Sofia. “Sofia, por favor, acredite em mim. Clara está tentando nos destruir. Ela sempre quis ter o que é meu, e agora ela quer te tirar de mim.”

“Ela já está fazendo isso, Daniel”, disse Sofia, a voz embargada. “E você está permitindo. Eu te amo, mas não posso viver nessa constante incerteza. Não posso ser a única a lutar contra os fantasmas do seu passado.”

Ela se levantou, decidida. “Eu preciso de um tempo, Daniel. Um tempo para pensar. Um tempo para entender o que eu realmente quero.”

Daniel tentou segurá-la, mas Sofia se soltou, o rosto em pranto, e saiu apressadamente do salão, deixando Daniel sozinho, cercado por olhares de pena e especulação. A imagem de Clara, sorridente na foto, martelava em sua mente, um símbolo do poder que ela exercia sobre sua vida, um poder que ele, em sua juventude e ingenuidade, havia permitido que crescesse.

Naquela noite, Clara selou seu pacto com Helena. O jogo de poder havia atingido um novo nível. Ela estava disposta a sacrificar sua própria imagem para ver Daniel cair. E Sofia, dilacerada e incerta, estava à beira de uma decisão que mudaria o curso de sua vida. O amor, que antes parecia um refúgio seguro, se transformara em um campo de batalha, onde segredos, ambições e um passado intrincado travavam uma guerra implacável.

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