O Homem que Amei III

Capítulo 15 — O Preço da Verdade

por Valentina Oliveira

Capítulo 15 — O Preço da Verdade

A ausência de Sofia pairava no apartamento de Daniel como uma nuvem pesada, carregada de arrependimento e da amarga constatação de sua própria falha. Ele havia subestimado o poder de Clara, a capacidade dela de distorcer a realidade e semear a discórdia. Cada canto do apartamento, cada objeto, lembrava-o de Sofia, de sua risada, de seu olhar, de seu amor que ele agora sentia ter arriscado perder.

Ele tentou ligar inúmeras vezes, mas Sofia não atendia. Ela estava em um hotel na zona sul, buscando um refúgio da tormenta que a assolava. As palavras de Clara, a foto recente, o caderno de anotações, tudo se misturava em sua mente, criando um turbilhão de dúvidas e mágoas. Ela amava Daniel, isso era inegável, mas a sensação de ser manipulada, de estar em uma luta constante contra um passado que não era dela, a exauria.

Enquanto isso, Clara e Helena Marques finalizavam os preparativos. O acordo era arriscado, mas a promessa de vingança e de controle era tentadora. Helena tinha em mãos documentos que, se bem explorados, poderiam incriminar Daniel Viana em um esquema de lavagem de dinheiro que seu pai, o antigo sócio de Daniel, vinha executando há anos. Clara sabia que o pai de Daniel, um homem de princípios questionáveis, era o verdadeiro culpado. Mas expor seu próprio pai seria um suicídio. Daniel, por outro lado, era o alvo perfeito.

“Tenha certeza do que está fazendo, Clara”, disse Helena, seus olhos penetrantes fixos nos de Clara. “Uma vez que essa informação vier à tona, não haverá volta. E você, mesmo que indiretamente, estará envolvida.”

“Eu sei o preço”, respondeu Clara, a voz firme, mas um tremor sutil em seus lábios traindo uma ponta de nervosismo. “E estou disposta a pagá-lo. Daniel Viana precisa pagar pelo que fez. Pelo que o pai dele fez. E por ter escolhido outra pessoa em vez de mim.”

Na manhã seguinte, o Jornal O Globo trazia em sua primeira página uma manchete bombástica: “Escândalo Financeiro Envolve Viana & Filho: Empresário Daniel Viana é Suspeito de Lavagem de Dinheiro.” A matéria, assinada por Helena Marques, detalhava as descobertas, apresentando documentos e testemunhos que apontavam para a participação de Daniel em operações ilícitas, utilizando a empresa de seu pai como fachada. A origem das informações era atribuída a “fontes anônimas e documentos confidenciais”, mas todos sabiam que Clara estava no centro da tempestade.

A notícia se espalhou como fogo em palha seca. A reputação de Daniel, construída com anos de trabalho árduo e ética, desmoronava em questão de horas. Seus sócios o abandonaram, seus projetos foram paralisados e a polícia abriu uma investigação formal. Daniel se viu isolado, atacado pela imprensa e pelo escrutínio público.

Ele tentou desesperadamente se defender, mas as provas apresentadas eram contundentes. Ele sabia que seu pai era o principal responsável pelas transações ilegais, mas ele próprio havia assinado alguns documentos, cego pela confiança e pela pressão do pai. Clara, com sua inteligência fria, havia manipulado os fatos e as evidências para incriminá-lo de forma irrefutável.

Sofia, ao ler a notícia no jornal, sentiu um misto de choque e uma estranha sensação de alívio. Choque pela gravidade da situação de Daniel, alívio porque a infidelidade que ela tanto temia parecia agora um fantasma distante, ofuscado por um problema muito maior. Mas a dor ainda estava lá, a decepção com a manipulação de Clara e a fragilidade do amor que eles compartilhavam.

Ela sabia que precisava falar com Daniel. Não para reatar, mas para entender. Para obter a verdade que a mídia não podia oferecer.

Encontrou Daniel em seu apartamento, que agora parecia um campo de batalha desolado. Ele estava sentado no sofá, a cabeça entre as mãos, a figura derrotada. O luxo do lugar contrastava com a desgraça que o envolvia.

“Daniel”, Sofia disse, a voz baixa, mas firme.

Ele levantou a cabeça, os olhos vermelhos e cansados. Ao ver Sofia, um lampejo de esperança surgiu em seu olhar, mas logo se dissipou ao perceber a expressão em seu rosto.

“Sofia… eu não fiz isso. Eu juro. Meu pai… ele… ele fez tudo. Eu fui um idiota. Eu assinei coisas sem saber…” A voz dele falhava, a angústia estampada em cada palavra.

Sofia o observou em silêncio por um momento, absorvendo a dor em seus olhos. Ela sabia que ele estava falando a verdade. Aquele Daniel, o homem que ela amava, não era um criminoso. Mas o jogo de Clara havia sido devastador, destruindo não apenas a reputação de Daniel, mas também a confiança entre eles.

“Eu sei, Daniel”, ela disse, finalmente. “Eu sei que você não é um criminoso. Mas o que Clara fez… ela destruiu tudo. A sua carreira, a sua reputação… e o nosso amor.”

Daniel a olhou, a esperança murchando em seu peito. “Sofia, por favor. Não diga isso. Eu posso provar minha inocência. Nós podemos lutar contra isso. Juntos.”

Sofia balançou a cabeça, as lágrimas rolando pelo seu rosto. “Juntos? Daniel, Clara jogou sujo. Ela usou tudo o que tinha contra você. E eu… eu fui pega no fogo cruzado. Eu não posso mais viver com essa incerteza, com essa constante sombra de manipulação. Eu te amo, Daniel. Amo demais. Mas o preço da verdade, neste momento, é alto demais para mim.”

Ela se aproximou dele, ajoelhou-se em sua frente e pegou suas mãos. Eram frias. “Você precisa lutar por si mesmo, Daniel. Precisa provar sua inocência. E eu… eu preciso encontrar meu próprio caminho. Um caminho onde eu possa me sentir segura. E onde eu possa confiar, plenamente.”

Daniel apertou as mãos de Sofia, a desespero tomando conta dele. “Não vá, Sofia. Por favor. Não me deixe sozinho agora.”

Sofia o olhou nos olhos, a dor em seu semblante se misturando com uma resolução implacável. “Eu não estou te deixando sozinho, Daniel. Estou me deixando em paz. Eu te amei mais do que a qualquer um. Mas o amor não pode ser construído sobre mentiras e manipulações. E Clara… ela é um fantasma que sempre vai nos assombrar, enquanto ela estiver por perto.”

Ela se levantou, o corpo pesado, mas a mente clara. “Eu espero que você encontre a verdade, Daniel. E que, um dia, você possa se perdoar por ter permitido que isso acontecesse. E eu… eu preciso me curar.”

Com um último olhar para o homem que amou intensamente, Sofia se virou e saiu do apartamento, deixando Daniel sozinho em meio aos destroços de sua vida e de seu amor. A tempestade havia passado, mas o rastro de destruição era imenso. Clara havia vencido sua batalha, mas o preço da verdade e da vingança cobraria um alto custo de todos os envolvidos, deixando em seu rastro um vazio doloroso e a certeza de que o amor, quando envenenado pela ambição e pela dor, pode se tornar a mais cruel das armadilhas.

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