O Homem que Amei III

Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "O Homem que Amei III", escritos no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers:

por Valentina Oliveira

Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "O Homem que Amei III", escritos no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers:

O Homem que Amei III Autor: Valentina Oliveira

Capítulo 16 — A Teia se Aperta

O sol, implacável e dourado, banhava a metrópole, mas para Clara, cada raio parecia um escrutínio, uma luz incômoda sobre a escuridão que ela sentia se alastrar por dentro. O silêncio na cobertura de Ricardo era ensurdecedor, pontuado apenas pelo tique-taque insidioso do relógio na parede, cada segundo uma gota a mais no oceano de sua ansiedade. Ela encarava a taça de vinho tinto intocada sobre a mesinha de centro, o líquido escuro espelhando os pensamentos turbilhantes em sua mente. O jantar com a família de Ricardo fora um sucesso estrondoso, pelo menos aos olhos deles. Seus pais, Ricardo e Dona Helena, pareciam genuinamente encantados com a sua presença, elogiando sua desenvoltura, seu sorriso cativante, sua inteligência perspicaz. Ela tinha jogado o papel com maestria, a noiva perfeita, a mulher que qualquer mãe sonharia para o filho. Mas por dentro, uma tempestade se formava.

A conversa com a irmã de Ricardo, Sofia, a havia deixado em um estado de apreensão que beirava o pânico. Sofia, com seus olhos penetrantes e uma sagacidade que parecia captar as menores nuances, a observara com uma intensidade que Clara tentou, em vão, ignorar. Os comentários sutis de Sofia sobre o passado de Clara, as perguntas sobre sua família, a forma como ela descrevia o relacionamento com Ricardo como um conto de fadas moderno – tudo soava como um aviso velado. Sofia sabia. Não tudo, talvez, mas o suficiente para plantar a semente da desconfiança, uma dúvida que se espalhava como um veneno lento e eficaz. Clara se lembrava vividamente do momento em que Sofia a pegara em um canto da sala, a voz baixa e rouca, carregada de uma preocupação que parecia sincera, mas que a gelou até os ossos.

"Clara, você parece… diferente", Sofia havia dito, os olhos fixos nos dela, buscando algo que Clara não ousava revelar. "Ricardo te faz feliz? De verdade? Porque, sinceramente, a gente o conhece. Ele é um bom homem, mas… ele guarda muita coisa. E você também parece guardar."

As palavras de Sofia ecoavam em sua cabeça, cada sílaba um prego a mais no caixão da sua sanidade. Ela sabia que o jogo de Ricardo era perigoso, um labirinto de mentiras e aparências. Mas ela nunca imaginou que a família dele, especialmente a irmã dele, pudesse desconfiar. A cada elogio, a cada sorriso forçado, Clara sentia o peso das suas próprias omissões se multiplicar. Ela se sentia uma impostora, flutuando em um mar de falsidades, com medo de afundar a qualquer momento.

Ricardo entrou na sala, um sorriso que ela já aprendera a decifrar, um misto de orgulho e possessividade. Ele a abraçou por trás, os lábios buscando seu pescoço, um gesto que antes a fazia suspirar de paixão, agora a deixava tensa.

"Pensando em quê, meu amor?", ele perguntou, a voz quente, melodiosa, mas para Clara, carregada de um tom de possessividade que a assustava.

Ela tentou relaxar, forçando um sorriso. "Nada demais. Apenas… pensando em como fui bem recebida. Seus pais são maravilhosos."

Ricardo a girou nos braços, os olhos escuros fixos nos dela. Ele a beijou, um beijo profundo, possessivo, que ela apenas suportou, sem corresponder com a mesma intensidade de antes. O sabor de seu vinho e de sua pele, antes tão excitante, agora a nauseava.

"Eles adoraram você. Eu sabia que adorariam", ele disse, afastando-se um pouco para admirá-la. "Você é perfeita, Clara. A mulher que eu sempre quis ao meu lado."

A palavra "perfeita" soou como uma sentença. Perfeita para quê? Para continuar a mentira? Para se afogar na vida que ele construíra com tantas artimanhas? Ela se afastou dele, um movimento brusco que o surpreendeu.

"Ricardo, eu… eu preciso pensar", ela disse, a voz trêmula.

Ele franziu a testa, a expressão de deleite dando lugar a uma sombra de irritação. "Pensar em quê? O que está acontecendo, Clara? Você está agindo estranho desde o jantar."

Ela o olhou, e pela primeira vez, sentiu uma pontada de raiva misturada ao medo. "Estranho? Talvez eu esteja começando a ver as coisas com clareza. Talvez essa perfeição que você tanto fala seja apenas uma fachada bem elaborada."

Ricardo a encarou, os olhos faiscando. O tom suave de antes desapareceu, substituído por uma frieza calculista que Clara já conhecia bem. "Cuidado com o que você diz, Clara. A gente já conversou sobre isso. Não gosto de insinuações. E você sabe que pode confiar em mim."

"Confiar?", ela riu, um som amargo e sem alegria. "Como posso confiar em alguém que constrói sua vida sobre mentiras? Como posso confiar em alguém que me usa como peça em seu jogo?"

O rosto de Ricardo endureceu. Ele deu um passo em sua direção, o corpo tenso, a postura ameaçadora. "Você está se esquecendo com quem está falando, Clara. Você está esquecendo o que eu fiz por você. O que você tem, você tem por minha causa."

A humilhação a atingiu como um soco. Era isso. A gratidão, o amor, tudo se resumia a uma dívida, a uma transação. Ela o olhou nos olhos, e uma determinação fria a invadiu. Ela não era mais a mulher assustada e dependente que ele conhecera. A semente da dúvida plantada por Sofia, combinada com a arrogância de Ricardo, estava germinando em algo novo: coragem.

"Você pode ter me dado muita coisa, Ricardo", ela disse, a voz baixa, mas firme. "Mas você não me deu liberdade. E essa é a única coisa que eu realmente quero. E estou começando a acreditar que posso conquistá-la sozinha."

Ela não esperou a resposta dele. Virou-se e caminhou em direção à porta do quarto, o coração martelando no peito, mas a mente surpreendentemente clara. Ela sabia que a teia que Ricardo tecera ao redor dela estava se apertando, mas ela também sabia que, com cada movimento, ela estava se aproximando de uma saída. O jogo estava longe de terminar, mas agora, Clara estava jogando para ganhar.

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