O Homem que Amei III

Capítulo 18 — A Armadilha de Ricardo

por Valentina Oliveira

Capítulo 18 — A Armadilha de Ricardo

O dia amanhecera com uma aura de incerteza. Clara sentia o peso da decisão tomada com Sofia, um misto de esperança e pavor que a acompanhava em cada passo. A promessa de redenção parecia palpável, mas o caminho para ela estava obscurecido por perigos iminentes. Ela sabia que Ricardo notaria sua mudança de atitude, a frieza que começava a permear seus gestos, a distância que se instalava entre eles. A fachada de noiva apaixonada começava a rachar, e ele, com sua perspicácia aguçada, certamente a notaria.

Ricardo a recebeu na cobertura com o sorriso de sempre, um sorriso que já não enganava Clara, um sorriso que escondia calculismo e uma fome insaciada de poder. Ele a abraçou, e Clara se permitiu sentir o calor do abraço, o perfume amadeirado de sua pele, a força de seus braços. Era um último vislumbre da ilusão, da fantasia que ela estava determinada a desmantelar.

"Você está linda hoje, meu amor", ele disse, os olhos escuros varrendo seu rosto. "Parece que a noite de ontem te fez bem. Está mais radiante do que nunca."

Clara forçou um sorriso, o coração apertado. "Apenas… pensando no nosso futuro, Ricardo. Em tudo que vamos construir juntos."

Ele a beijou, um beijo possessivo, que ela aceitou com uma calma estudada. Era um jogo, e ela estava aprendendo a jogar. Ela precisava se manter calma, observadora, esperando o momento certo para agir.

Os dias seguintes foram uma dança delicada de aparências. Clara mantinha a pose de noiva devota, participando de eventos sociais, sorrindo para os convidados, sustentando a imagem que Ricardo tanto prezava. Mas por dentro, ela estava em constante comunicação com Sofia, trocando informações, traçando planos. Sofia lhe forneceu documentos, e-mails, detalhes sobre as operações financeiras de Ricardo que, se revelados, poderiam abalar seu império.

O plano era arriscado. Clara deveria usar sua posição ao lado de Ricardo para obter mais informações, para consolidar as provas. E, no momento oportuno, com o apoio secreto de Sofia, ela o exporia. A ideia de trair Ricardo, de desmantelar tudo o que ele construiu, a assustava, mas a necessidade de se libertar era mais forte.

Uma noite, enquanto jantavam na cobertura, Ricardo decidiu celebrar o iminente casamento com um brinde especial. Ele ergueu a taça de champanhe, os olhos brilhando com uma satisfação quase predatória.

"À nós, Clara", ele disse, o olhar fixo no dela. "Ao nosso futuro. E à certeza de que você é minha. Para sempre."

A palavra "minha" ressoou em sua mente como um grilhão. Para sempre. A ideia a fez tremer. Ela ergueu a taça, o vidro frio contra seus lábios. "À nós, Ricardo", ela respondeu, a voz firme, mas com um tom de resignação que ele não percebeu.

Ele se inclinou sobre a mesa, a expressão repentinamente séria. "Clara, eu sei que você tem pensado muito sobre nós. E eu sei que o passado te assusta. Mas eu quero que você saiba que eu farei tudo por você. Tudo para te proteger, para te dar a segurança que você merece."

Ele estendeu a mão, cobrindo a dela sobre a mesa. A palma era quente, um pouco áspera. Ela sentiu um arrepio, não de desejo, mas de apreensão. Ele estava se abrindo, mas era uma abertura calculada, uma tentativa de controle.

"Eu sei, Ricardo", ela disse, o olhar fixo no dele. "E eu aprecio isso. Mas eu também preciso sentir que estou construindo algo meu. Algo que seja só meu."

Ele sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Você tem tudo, Clara. Tudo que uma mulher pode desejar. Uma vida de luxo, segurança, amor. O que mais você poderia querer?"

A pergunta pairou no ar. O que mais? Liberdade. Autonomia. O direito de ser ela mesma, sem ter que se esconder. Mas ela sabia que ele não entenderia. Ele nunca entenderia.

"Eu só preciso de espaço, Ricardo", ela disse, a voz suave. "Para respirar. Para pensar. Para ser eu mesma."

Ele apertou a mão dela. "Você é você mesma comigo, Clara. Você é tudo que eu sempre quis. E eu não vou deixar ninguém, nem nada, tirar você de mim."

A possessividade em sua voz a gelou. Era um aviso. Ele sabia que ela estava mudando, mas ainda acreditava que podia mantê-la sob controle. Ele a subestimava. Ele sempre a subestimara.

Naquela noite, enquanto Ricardo dormia profundamente ao seu lado, Clara se levantou. O plano estava se desdobrando, mas ela precisava ter certeza. Ela precisava de mais provas. Discretamente, ela foi até o escritório dele, um santuário de poder e segredos. Ela sabia onde ele guardava seus arquivos mais importantes, em um cofre escondido atrás de uma estante de livros raros.

Com as mãos trêmulas, ela abriu o cofre. A luz fraca de sua lanterna iluminou pilhas de documentos, contratos, e-mails. Ela começou a vasculhar, procurando por algo específico, algo que pudesse confirmar as informações que Sofia lhe dera. E então ela encontrou. Um contrato de compra de uma empresa em dificuldades, disfarçado de uma transação de caridade. Uma série de e-mails que detalhavam a manipulação de ações na bolsa. Provas irrefutáveis da ilegalidade e da crueldade de Ricardo.

Enquanto ela digitalizava os documentos em seu celular, ouviu um barulho. O som de passos se aproximando. O coração dela disparou. Ela apagou a luz da lanterna e se escondeu atrás de uma poltrona de couro, prendendo a respiração.

Ricardo entrou no escritório, a silhueta imponente recortada contra a luz fraca do corredor. Ele parecia procurar algo, seus olhos escuros varrendo o ambiente. Clara o observava, o medo a paralisando. Ele estava ali, o homem que ela amara, o homem que a aprisionara, a poucos metros de distância.

Ele se aproximou do cofre, e Clara percebeu com horror que ele o deixara entreaberto. Ele olhou para dentro, a expressão confusa. Clara fechou os olhos, esperando o pior. Mas então, ele suspirou, um som longo e cansado, e fechou o cofre. Ele não percebeu que algo estava fora do lugar. Ele não percebeu que o celular dela estava ali, escondido na sua mão, com as provas que poderiam destruí-lo.

Ele saiu do escritório, e Clara esperou alguns minutos antes de se mover. A adrenalina ainda a dominava. Ela havia escapado por pouco. Mas agora, ela tinha o que precisava. As provas. O preço da redenção seria pago, e ela estava pronta para pagar. A armadilha de Ricardo havia se virado contra ele.

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