O Homem que Amei III

Capítulo 23 — A Fuga e a Fúria

por Valentina Oliveira

Capítulo 23 — A Fuga e a Fúria

A revelação de Ricardo ecoava na mente de Helena como um trovão distante, mas persistente. A mansão Montenegro, outrora um símbolo de segurança e pertencimento, agora parecia uma gaiola dourada, cada canto sussurrando segredos sombrios e traições. A ideia de que Ricardo, o homem que ela amara tão profundamente, pudesse ser o artífice de sua própria desgraça, era um veneno lento que corroía sua alma. Ela sentia a necessidade urgente de escapar, de se afastar daquela atmosfera opressora antes que a culpa e a manipulação a sufocassem por completo. A ideia de confrontá-lo novamente a aterrorizava, mas a necessidade de proteger Eduardo e de desvendar a verdade era mais forte.

“Eu não posso ficar aqui, André”, Helena disse, a voz firme, embora um tremor percorresse suas mãos. Ela arrumava uma pequena mala com urgência, os movimentos rápidos e precisos, como se cada segundo contasse. “Cada minuto que eu passo aqui, eu me sinto mais presa. Ele vai me controlar, vai tentar me convencer de que eu estou errada, de que tudo é um mal-entendido. Eu não posso deixar isso acontecer.”

André observava-a, a preocupação em seus olhos a cada movimento dela. Ele sabia que Helena estava certa. A manipulação de Ricardo era insidiosa, capaz de desorientar até os corações mais fortes. “Você tem um plano, Helena?”

“Eu preciso ir para um lugar onde ele não possa me encontrar tão facilmente. Um lugar onde eu possa pensar, onde eu possa começar a juntar as peças desse quebra-cabeça cruel”, Helena respondeu, fechando a mala com um clique decidido. Ela olhou para André, buscando em seus olhos a segurança que ela mesma sentia que estava perdendo. “Eu pensei em ir para aquela casa de praia que era da minha avó, em Paraty. É um lugar isolado, ninguém vai pensar em me procurar lá.”

“Paraty? É uma boa ideia, é longe o suficiente. Mas você não pode ir sozinha, Helena. É muito arriscado. Ricardo pode ter pessoas observando você, ele pode estar esperando uma chance para te interceptar.” André sentiu um aperto no coração ao pensar na possibilidade de Helena estar em perigo. Ele sabia que o amor que sentia por ela o impelia a protegê-la, a estar ao seu lado em cada passo.

“Eu sei que é arriscado, André, mas eu não posso mais esperar. Eu preciso agir agora. Eu preciso ter um tempo para mim, para processar tudo isso. Se eu ficar aqui, em meio a tudo isso, eu vou desmoronar.” Helena pegou a bolsa, a determinação gravada em seu rosto, mas a fragilidade em seus olhos não passou despercebida por André.

“Eu vou com você, Helena”, André declarou, sem hesitação. “Não vou deixar você ir sozinha para um lugar tão isolado, com a ameaça de Ricardo pairando sobre nós. Eu fico com você, te ajudo a se organizar, e juntos vamos descobrir a verdade.”

Helena o olhou, uma onda de gratidão a invadindo. Ter André ao seu lado, em meio a toda aquela escuridão, era um raio de luz inesperado. “Obrigada, André. Eu não sei o que faria sem você.”

Enquanto se preparavam para sair, um som estrondoso ecoou pela mansão. A porta da sala de estar se abriu com violência, revelando Ricardo, o rosto tomado por uma fúria que Helena nunca vira antes. Seus olhos, antes cheios de dissimulação e carinho forçado, agora queimavam com uma raiva fria e possessiva. Ele havia percebido a fuga.

“Onde você pensa que vai, Helena?” A voz de Ricardo era baixa, perigosa, cada palavra carregada de ameaça. Ele deu um passo em direção a ela, o corpo tenso como um felino prestes a atacar.

Helena recuou instintivamente, o coração disparado no peito. A frieza em seu olhar a fez tremer, mas ela se manteve firme. “Eu não tenho nada para falar com você, Ricardo.”

“Nada para falar? Depois de tudo o que aconteceu? Você acha que pode simplesmente sair e me deixar para trás? Eu fiz tudo por você, Helena! Tudo!” Ricardo avançou mais um passo, o punho cerrado. Ele parecia prestes a explodir.

André se colocou entre Helena e Ricardo, o corpo em posição defensiva. “Fique longe dela, Ricardo. Ela não quer mais ter nada a ver com você.”

A fúria nos olhos de Ricardo se voltou para André. “Você! Seu maldito… sempre se metendo onde não é chamado! Você sempre foi uma pedra no meu sapato!” Ele se moveu em direção a André, pronto para o confronto.

“Eu não vou deixar você machucá-la, Ricardo. E não vou deixar você machucar mais ninguém”, André respondeu, a voz firme, mas o corpo pronto para a luta.

Uma luta física irrompeu. Ricardo, impulsionado pela raiva e pelo desespero de perder o controle, atacou André com uma força brutal. André, embora surpreendido pela ferociedade do ataque, conseguiu se defender, bloqueando os golpes e tentando manter Ricardo afastado de Helena. A sala de estar, outrora um símbolo de sofisticação, agora era palco de uma batalha selvagem, com objetos sendo derrubados e a tensão crescendo a cada segundo. Helena observava a cena com o coração apertado, dividida entre o medo de que André se machucasse e a necessidade de escapar.

“André, vamos! Precisamos sair daqui!”, Helena gritou, puxando o braço dele quando ele conseguiu se desvencilhar de Ricardo por um instante.

Ricardo, cambaleando, mas ainda cheio de fúria, tentou se levantar. “Vocês não vão a lugar nenhum!”

Helena e André não esperaram. Correram para a porta dos fundos, a adrenalina correndo em suas veias. O som dos gritos de Ricardo ecoava atrás deles, um grito de frustração e ódio que gelava a alma.

Saíram para a noite fria, o carro de André esperando por eles. Helena entrou apressadamente, o corpo ainda tremendo. André entrou logo em seguida, os olhos fixos na estrada à frente, garantindo que não estavam sendo seguidos.

“Ele não vai desistir, Helena”, André disse, a voz tensa enquanto ligava o motor. “Ele é perigoso quando se sente acuado.”

“Eu sei”, Helena sussurrou, olhando para trás, para a mansão escura que parecia observá-los. A fuga era apenas o começo. A fúria de Ricardo era um aviso sombrio do que estava por vir. Eles estavam correndo, mas Ricardo, com sua teia de influências e sua crueldade calculista, provavelmente já estaria arquitetando seus próximos passos. A estrada para Paraty era longa, e a sombra do passado parecia se estender, prometendo uma perseguição implacável. A liberdade que ela buscava agora vinha com o preço da fuga e da constante ameaça de ser encontrada pelo homem que um dia amou, e que agora a odiava com a mesma intensidade. A fúria dele era o reflexo da sua própria dor, e Helena sabia que precisaria de toda a sua força para enfrentá-la.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%