Entre o Amor e o Ódio

Claro, aqui estão os capítulos 1 a 5 de "Entre o Amor e o Ódio", escritos no estilo de uma novela brasileira:

por Valentina Oliveira

Claro, aqui estão os capítulos 1 a 5 de "Entre o Amor e o Ódio", escritos no estilo de uma novela brasileira:

Romance: "Entre o Amor e o Ódio" Gênero: Romance Romântico Autor: Valentina Oliveira

Capítulo 1 — O Eco da Ausência

O sol da tarde tingia de ouro velho as paredes desgastadas da antiga fazenda Santa Clara, um espetáculo de beleza melancólica que, para Isabela, era um espelho da própria alma. As sombras dançavam preguiçosamente pelos corredores vastos, carregando consigo o perfume inebriante das acácias em flor e o cheiro terroso da chuva que anunciara a manhã. Mas para Isabela, 28 anos, olhos cor de jabuticaba que guardavam um universo de dor e esperança, aquele cheiro era também o fantasma de memórias que a assombravam.

Ela estava sentada à beira da janela imensa da biblioteca, o livro aberto no colo, as palavras embaçadas pela poeira fina que teimosamente se acumulava sobre cada tomo. Seus dedos, longos e finos, traçavam as letras em relevo da capa antiga, como se tentasse decifrar um enigma. A biblioteca, antes o refúgio intelectual de seu pai, agora era um santuário silencioso, onde cada objeto parecia sussurrar o nome de quem não estava mais ali. O globo terrestre, com seus oceanos azuis desbotados, o violino apoiado no canto, a poltrona de couro gasta, marcada pelas horas de leitura e reflexão. Tudo era um eco da ausência.

"Isabela?"

A voz suave de Dona Aurora, a governanta que acompanhava a família há mais de quarenta anos, a tirou de seus devaneios. A senhora, de cabelos grisalhos presos em um coque impecável e um sorriso que transbordava ternura, segurava uma bandeja de prata com um bule fumegante e duas xícaras de porcelana delicada.

Isabela se virou, um sorriso forçado iluminando seu rosto. "Dona Aurora, não precisava se incomodar."

"Nada disso, minha filha. Você anda muito pálida ultimamente. Precisa se alimentar. E eu sei que um bom chá de camomila ajuda a acalmar os nervos." Dona Aurora depositou a bandeja na mesinha baixa ao lado da poltrona e serviu o chá. O vapor aromático pairou no ar, um convite à paz.

"É só o calor", Isabela mentiu, pegando a xícara quente entre as mãos. O calor desceu por sua garganta, mas não dissipou o frio que sentia por dentro. "E a saudade, Dona Aurora. A saudade nunca vai embora, não é?"

Dona Aurora sentou-se na poltrona vizinha, os olhos marejados. "A saudade é o preço que pagamos pelo amor que vivemos, querida. E o seu pai te amou mais do que a si mesmo."

Um nó se formou na garganta de Isabela. Seu pai, o Dr. Armando Montenegro, um homem de sabedoria incomensurável e coração generoso, partira há seis meses, deixando-a sozinha para administrar a fazenda e, pior, o legado de ressentimentos que ele nunca soube – ou não quis – resolver. A morte dele fora súbita, um infarto fulminante que a arrancara de um congresso em São Paulo e a jogara de volta àquela realidade que ela tentara, por anos, deixar para trás.

"Eu sei, Dona Aurora. Mas… tem tantas coisas… tantos negócios pendentes. E o Sr. Vasconcelos não facilita em nada. Ele parece ter prazer em dificultar tudo."

O nome de Rafael Vasconcelos, o advogado da família e, para Isabela, o principal obstáculo em sua tentativa de manter a fazenda à tona, fez seus ombros se enrijecerem. Rafael era a personificação da arrogância, um homem que parecia ter nascido com um discurso afiado e um ego inflado. Ele a tratava com uma condescendência irritante, como se ela fosse uma criança incapaz de gerir seus próprios bens.

"O Sr. Rafael tem suas razões, Isabela. Ele era muito ligado ao seu pai. E agora, com tudo isso… a falta de informações claras, os débitos antigos… ele se sente no dever de proteger o patrimônio do Dr. Armando."

"Proteger? Ou controlar?", Isabela retrucou, a voz tingida de amargura. "Ele age como se o meu pai tivesse deixado um tesouro escondido e eu fosse apenas uma tola tentando gastá-lo. Ele nunca confiou em mim, Dona Aurora. Nem antes, nem agora."

Ela se levantou e caminhou até a janela, os olhos fixos no horizonte onde o sol começava a se pôr, pintando o céu de tons alaranjados e púrpuras. A fazenda se estendia diante dela, vasta e imponente, um legado que pesava em seus ombros. A terra, que tanto amou e que a chamara de volta após anos estudando arquitetura na capital, agora parecia uma prisão dourada.

"Se o meu pai soubesse como Rafael tem me tratado…", ela suspirou. "Ele sempre me dizia para confiar em Rafael. 'Ele é um homem de confiança, Isa. Um homem honrado.' Que ironia."

"Seu pai via o melhor nas pessoas, querida. Às vezes, até onde não havia." Dona Aurora suspirou. "Mas a senhora é forte, Isabela. Mais forte do que imagina. O Dr. Armando sempre soube disso. Ele te preparou para isso."

"Ele me preparou para a vida, Dona Aurora. Não para a solidão e para a luta contra um homem que parece determinado a me ver falir." Isabela apertou os punhos, a frustração borbulhando dentro dela. "Eu quero honrar a memória dele, manter a Santa Clara prosperando. Mas como? Com Rafael me cercando, com os credores batendo à porta, com os empregados desconfiados…"

Ela voltou para a poltrona, o olhar perdido. A Santa Clara não era apenas terra e gado. Era a história de sua família, um pedaço de sua alma. Seu avô, o Coronel Montenegro, construíra aquele império com suor e bravura. Seu pai, com inteligência e visão. E agora, parecia que tudo se desmoronaria sob seu comando.

"O Sr. Rafael está vindo hoje, não é?", perguntou ela, mudando de assunto abruptamente.

Dona Aurora assentiu. "Sim, querida. Ele disse que precisava discutir alguns documentos urgentes. Por volta das cinco."

Isabela olhou para o relógio na parede. Quase cinco. O coração disparou um pouco. Cada encontro com Rafael era um campo minado. Ele a desafiava, a provocava, e, de alguma forma, sempre conseguia deixá-la desarmada e furiosa. Havia algo em seus olhos escuros, um brilho que ela não conseguia decifrar, que a incomodava profundamente. Era uma mistura de desprezo e… outra coisa, algo que ela se recusava a nomear.

"Bem", ela disse, levantando-se com uma determinação recém-descoberta. "Que venha. Eu estou pronta para enfrentá-lo."

Ela alisou o vestido de linho branco, um gesto inconsciente de quem se prepara para uma batalha. A pele da fazenda era sua, o legado era seu, e ela não permitiria que ninguém, nem mesmo Rafael Vasconcelos, o tirasse dela. A saudade do pai ainda ardia, mas agora, a necessidade de lutar pelo que era seu a impulsionava. A Santa Clara precisava de sua filha. E ela precisava da Santa Clara.

O som de um carro se aproximando na estrada de terra que levava à sede principal fez Isabela endireitar a postura. Era ele. O eco da ausência ainda pairava no ar, mas um novo som se juntava a ele: o prenúncio de uma nova tempestade.

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