Entre o Amor e o Ódio

Com certeza! Prepare o coração, pois a história de Helena e Rafael está prestes a mergulhar em águas ainda mais turbulentas. Aqui estão os próximos capítulos de "Entre o Amor e o Ódio":

por Valentina Oliveira

Com certeza! Prepare o coração, pois a história de Helena e Rafael está prestes a mergulhar em águas ainda mais turbulentas. Aqui estão os próximos capítulos de "Entre o Amor e o Ódio":

Capítulo 6 — A Sede Em Chamas, Um Amor em Cinzas?

O ar da noite pairava pesado sobre a Fazenda das Oliveiras, denso como o segredo que sufocava Helena. As chamas que consumiam a sede, antes palco de um passado glorioso e, agora, testemunha da mais recente tragédia, pareciam ecos do incêndio que se alastrava em seu peito. Helena observava, a uma distância segura, o crepitar frenético do fogo que devorava a madeira antiga, as memórias embutidas em cada viga, em cada móvel que se desintegrava. O fumo acre arranhava sua garganta, mas nada se comparava à dor lancinante que lhe apertava o peito.

Rafael, de rosto sujo de fuligem e olhos arregalados de desespero, corria de um lado para o outro, tentando, em vão, organizar os poucos homens que se arriscavam a combater o incêndio. O suor escorria por sua testa, misturando-se à fuligem, mas sua determinação era palpável. Ele não desistiria. Não da fazenda, não daquele lugar que representava tudo o que um dia ele sonhara.

“Rafael!”, Helena gritou, a voz embargada pela fumaça e pela emoção. Ele se virou, o olhar buscando-a na penumbra. Ao encontrá-la, um misto de alívio e reprovação cruzou seu semblante.

“Helena! O que faz aqui? Devia estar longe, em segurança!”, ele bradou, a voz rouca pela fumaça e pelo esforço.

“Eu… eu precisava ver”, ela murmurou, aproximando-se hesitante. O calor emanava do incêndio, um abraço cruel que a enlaçava. “É… é devastador.”

Rafael deu um passo à frente, os olhos fixos nela. A tensão entre eles era quase palpável, uma energia elétrica que a proximidade do desastre parecia amplificar. “Devastador é pouco. Anos de trabalho, de história… tudo se perdendo.” Ele balançou a cabeça, a frustração evidente. “E eu não consigo evitar.”

Helena notou a impotência em seus olhos, a mesma que ela sentia ao vê-lo sofrer por algo que, em parte, ela mesma desencadeara. Sua presença ali, observando o caos que ela ajudara a instigar, era uma tortura silenciosa. Ela se sentia uma espiã em território inimigo, uma sabotadora observando a destruição de sua própria obra.

“Alguém… alguém fez isso de propósito?”, ela perguntou, a voz um fio.

Rafael a encarou, um lampejo de suspeita passando por seus olhos. “Por que pergunta isso, Helena? Acha que foi obra do acaso?”

O questionamento direto a atingiu como um golpe. Ela desviou o olhar, fixando-o nas chamas que dançavam com uma fúria selvagem. “Não sei. Mas parece… muito conveniente.”

“Conveniente para quem?”, ele insistiu, a voz endurecendo. “Para quem se beneficia com a minha ruína? Com a ruína desta família?”

Helena não conseguia responder. As palavras de seu avô, as promessas de vingança, ecoavam em sua mente. A vingança que ela jurara para um passado que se tornara seu fardo presente. Ela se sentia presa em um labirinto de emoções conflitantes: o desejo de justiça por sua família, a culpa por estar causando sofrimento a Rafael, e um sentimento incômodo, quase inexplicável, de que tudo aquilo a estava aproximando dele de uma forma perigosa.

“Eu não sei, Rafael”, ela sussurrou, a voz trêmula. “Só sei que é terrível.”

Ele a estudou por um longo momento, a raiva inicial dando lugar a uma perplexidade crescente. “Você parece tão… afetada, Helena. Como se a dor da fazenda fosse a sua dor.”

O coração dela acelerou. Ele estava vendo através dela, percebendo a dualidade que a consumia. Ela deu um passo para trás, buscando distância. “Eu cresci ouvindo histórias sobre este lugar. Sobre o que ele representava. Ver tudo isso ser destruído… é triste.” Era uma meia verdade, uma verdade cuidadosamente construída para ocultar a outra metade, a mais sombria.

De repente, um estrondo ecoou pela noite. Uma parte do telhado desabou, lançando faíscas e pedaços em brasa no ar. Os homens gritaram, recuando. Rafael correu para ajudar, sua atenção desviada para a urgência do momento.

Helena sentiu um nó na garganta. O calor do fogo parecia penetrar em sua alma. Ela se virou, decidida a ir embora, a fugir daquela cena que a consumia por dentro e por fora. Mas, ao se mover, seu pé tropeçou em algo no chão. Era uma caixa de metal antiga, parcialmente danificada pelas chamas. Curiosa, apesar do perigo, ela a pegou. Estava quente, mas ainda não havia derretido.

“O que é isso, Helena?”, Rafael perguntou, aproximando-se novamente, a preocupação em sua voz ofuscando a raiva.

“Não sei. Estava aqui no chão”, ela respondeu, tentando abrir a caixa.

Com um pouco de esforço, ela conseguiu destravá-la. Dentro, em meio a cinzas e resquícios de algo que parecia ter sido papel, jaziam alguns objetos: um medalhão antigo, com o brasão da família Vasconcelos gravado; um pequeno diário com a capa de couro chamuscada; e um lenço de seda amarelado, com as iniciais “E.V.” bordadas.

Rafael olhou para os objetos com incredulidade. “Essas iniciais… E.V… são de Eliza Vasconcelos. Minha tia-avó. Ela era uma artista, sempre gostou de registrar suas impressões em diários.” Ele pegou o medalhão. “E este é o brasão da nossa família. Mas… por que estariam aqui, na sede?”

Helena sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Eliza Vasconcelos. A figura misteriosa das histórias de sua avó, a que teria sido traída pela família do patriarca dos Vasconcelos. A que teria perdido tudo. E agora, suas posses, escondidas e parcialmente queimadas, surgiam como um fantasma do passado em meio à destruição do presente.

“Eu não sei”, Helena mentiu, escondendo a verdade que lhe corroía por dentro. Ela sabia. Sabia que sua avó, em sua juventude, havia recuperado algumas das poucas coisas que sua mãe, Eliza, conseguira salvar antes de ser expulsa de casa. E que ela, Helena, havia sido incumbida de guardar esses objetos, como um lembrete do que lhes fora tirado.

“Eles parecem ter sido escondidos aqui”, Rafael ponderou, passando o dedo pela capa do diário. “Mas por quê? E por quem?” Ele olhou para Helena, a mesma desconfiança voltando a assombrar seus olhos. “Você sabia que esses objetos estavam aqui, Helena?”

O olhar dele era penetrante, acusador. Helena sentiu o peso da mentira sobre seus ombros. Ela estava em uma encruzilhada perigosa. Revelar a verdade seria admitir seu envolvimento, sua cumplicidade com a vingança de sua família. Mentir seria se afogar em uma teia cada vez mais complexa.

“Não, Rafael”, ela disse, a voz firme, mas com um tremor imperceptível. “Eu não sabia. Eu… acabei de encontrar.” Era uma mentira descarada, mas o medo a impelia. O medo de perder tudo o que ela lutava para reconquistar.

Rafael não parecia convencido. Ele continuou a fitá-la, a fumaça da sede em chamas subindo ao céu noturno como um prenúncio sombrio. Naquele momento, sob o olhar incriminador dele, Helena sentiu que o amor que começava a florescer entre eles, frágil como uma flor em meio ao fogo, corria o risco de ser consumido pelas cinzas do passado e pelas mentiras do presente. A sede em chamas era um reflexo cruel de um amor em risco, um amor que, como a madeira antiga, parecia prestes a se desintegrar.

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