Segredos do Coração III

Capítulo 7 — O Pacto de Silêncio e o Chamado da Vingança

por Valentina Oliveira

Capítulo 7 — O Pacto de Silêncio e o Chamado da Vingança

O silêncio que se seguiu à revelação de Ricardo era ensurdecedor. Clara permanecia imóvel, o peso da verdade esmagando-a, distorcendo a realidade que ela conhecia. As lágrimas haviam parado, dando lugar a uma frieza que começava a se instalar em seu peito, uma sensação gélida de impotência misturada a uma fúria latente. Elias Vasconcelos. O homem que ela sempre vira com respeito, um pilar de confiança em sua vida, era o responsável pela morte de seu pai. A hipocrisia da situação era nauseante.

"Eu não… eu não consigo acreditar", Clara sussurrou, a voz rouca, ainda tentando processar a enormidade da traição. Ela olhou para Ricardo, seus olhos buscando uma falha na narrativa, um sinal de que tudo aquilo era um mal-entendido. Mas a expressão de Ricardo era grave, imperturbável.

"Eu sei que é difícil. E eu sinto muito por ter guardado isso por tanto tempo. Mas Artur me fez prometer. Ele me implorou para te proteger. Ele disse que Elias era perigoso e que você era a única coisa que importava para ele." Ricardo deu um passo à frente, sua voz baixa e intensa. "Ele sabia que Elias o estava investigando. Ele havia descoberto a rede de corrupção que Elias construiu ao longo dos anos, usando sua posição para enriquecer ilicitamente. Artur estava juntando as últimas peças para expô-lo. E Elias, percebendo que estava prestes a ser descoberto, agiu."

Clara fechou os olhos, a imagem do pai voltando em sua mente, não mais como o artista vibrante, mas como um homem corajoso, lutando contra um mal oculto. Ela se lembrou de suas últimas conversas, das insinuações de que algo o preocupava, de sua insistência em resolver um "assunto pendente" antes de se permitirem um tempo de descanso. Ele não estava apenas se ausentando, ele estava lutando. E ele havia perdido.

"Por que ele não me contou?", a dor na voz de Clara era palpável. "Eu era adulta. Eu poderia ter ajudado. Eu poderia ter entendido."

"Ele não queria que você se envolvesse. Ele sabia o quão perigoso Elias era. Ele temia pela sua segurança. E temia, acima de tudo, que você acabasse se machucando. Sua mãe já havia sofrido tanto… Ele não queria que você passasse por mais essa dor. Ele acreditou que, se Elias fosse pego, a verdade viria à tona de outra forma. Mas Elias era astuto. Ele manipulou a cena, fez parecer um acidente. E o tempo… o tempo se tornou nosso inimigo." Ricardo apertou os punhos, a raiva contida transparecendo em sua postura. "Eu pensei em falar, muitas vezes. Mas sempre que eu tentava, a imagem do seu pai, me pedindo para te proteger, me impedia. E a influência de Elias… ele era poderoso, Clara. Tê-lo como inimigo era algo que poucos ousavam."

Clara sentiu um arrepio de medo e indignação. Elias Vasconcelos, o médico respeitado, o homem que frequentava sua casa, que oferecia consolo e apoio após a morte de sua mãe, era um assassino. A frieza calculista por trás da fachada de bondade era aterrorizante.

"E você… você sabia de tudo isso e não me disse nada?", a voz de Clara, embora mais calma agora, carregava um tom de mágoa.

"Eu peço perdão, Clara. Não há desculpas para o meu silêncio. O medo me paralisou. O medo de Elias, o medo de estragar a memória do seu pai para você. Mas agora… agora que você sabe, nós precisamos agir. Não podemos deixar que ele saia impune." O olhar de Ricardo encontrou o de Clara, e neles havia um novo entendimento, um pacto tácito que se formava no meio da devastação.

Clara respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos caóticos. A dor da perda ainda era presente, mas agora estava sendo tingida por uma necessidade avassaladora de justiça. Seu pai não merecia ter sua memória manchada pela impunidade de seu assassino.

"O que podemos fazer?", ela perguntou, a voz firme, um brilho de determinação surgindo em seus olhos. "Ele é um homem poderoso, Ricardo. Ele tem influência. Como podemos confrontá-lo?"

"Eu não sei ao certo ainda. Mas seu pai, antes de… antes do que aconteceu, ele estava juntando provas. Ele me confiou alguns documentos, algumas anotações. Ele acreditava que Elias estava desviando dinheiro da empresa, usando para financiar seus… negócios escusos. Eu mantive esses documentos guardados, sem saber exatamente o que fazer com eles. Mas agora, com você sabendo a verdade, podemos começar a juntar as peças." Ricardo olhou em volta, como se temesse ser ouvido. "Precisamos ser discretos. Elias tem olhos e ouvidos em todos os lugares. Se ele souber que estamos investigando, ele pode ser ainda mais perigoso."

"Mas como podemos ter certeza de que os documentos do meu pai são suficientes? E se Elias já destruiu tudo?", Clara ponderou, a apreensão crescendo.

"Seu pai era meticuloso. Ele era um artista em tudo o que fazia, inclusive em sua busca pela verdade. Ele não deixaria pontas soltas. Eu acredito que ele deixou algo, alguma forma de provar o que Elias fez. E nós vamos encontrar." Ricardo pegou a mão de Clara, seus dedos entrelaçados, um gesto de apoio e cumplicidade. "Juntos, Clara. Nós vamos descobrir a verdade e fazer com que Elias pague pelo que fez."

A mão de Clara apertou a de Ricardo, um calafrio de coragem percorrendo seu corpo. Ela não estava mais sozinha com seu luto e sua dúvida. Ela tinha Ricardo, que guardava um pedaço da verdade e compartilhado um fardo com seu pai. E ela tinha um propósito: honrar a memória de seu pai encontrando justiça.

"Eu preciso ver esses documentos, Ricardo", Clara disse, sua voz agora carregada de uma determinação fria. "Eu preciso entender o que meu pai estava lutando para expor."

"Claro. Eu os trouxe comigo. Estão seguros. Assim que sairmos daqui, eu os levarei para você." Ricardo a olhou nos olhos, um brilho de resolução em seu olhar. "Esta não será uma tarefa fácil, Clara. Elias Vasconcelos é um homem sem escrúpulos. Ele fará de tudo para nos impedir. Mas você é filha de Artur. Você tem a força dele em você. E eu… eu tenho uma dívida com o seu pai. Uma dívida que preciso saldar."

Clara assentiu, sentindo um misto de medo e esperança. A revelação de Ricardo havia aberto uma ferida profunda, mas também havia acendido uma chama de vingança e de justiça em seu coração. O passado havia retornado, não como uma lembrança doce, mas como um chamado implacável. Ela sabia que a estrada seria longa e perigosa, mas não poderia mais fugir. O sussurro da verdade havia se tornado um grito por justiça, e Clara estava pronta para atender. O pacto de silêncio de Ricardo havia se quebrado, e em seu lugar, um chamado à vingança começava a ecoar.

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