Amores que Doem III

Amores que Doem III

por Valentina Oliveira

Amores que Doem III Romance Romântico Por Valentina Oliveira

Capítulo 21 — O Sussurro do Passado na Chuva

A chuva caía implacável sobre o Rio de Janeiro, um véu cinzento que embaçava as cores vibrantes da cidade. As gotas grossas, frias e pesadas, batiam nas janelas do apartamento luxuoso de Sofia, cada estampido um eco em sua alma atribulada. Ela observava a paisagem desoladora, sentindo-se tão cinza e molhada por dentro quanto o céu lá fora. As últimas semanas haviam sido um turbilhão de emoções, um redemoinho que a deixara exausta e desorientada. A revelação sobre a verdadeira identidade de Gabriel, o homem que ela pensava amar com todas as forças, havia sido um golpe devastador. Seu mundo desabara em mil pedaços, e agora, em meio aos destroços, ela lutava para encontrar um fio de esperança.

O copo de vinho tinto em sua mão tremia levemente. Sofia não era de se entregar ao desespero, mas a traição de Gabriel, o homem por trás do pseudônimo “Victor”, a ferira em um lugar profundo e insuspeito. Ele, um homem de negócios frio e calculista, capaz de manipular a todos ao seu redor, inclusive ela. Aquele romance intenso, as noites ardentes, as promessas sussurradas ao pé do ouvido, tudo parecia ter sido uma farsa elaborada.

Um arrepio percorreu sua espinha, não apenas pelo frio que emanava da janela, mas pela lembrança do último encontro com Victor, antes de saber a verdade. Ele a olhava com uma intensidade que a fazia sentir-se a única mulher no universo, e agora, ela percebia que era apenas mais uma peça em seu complexo jogo. A dor latejava em seu peito, um nó apertado que a impedia de respirar direito.

De repente, o som do interfone a trouxe de volta à realidade. Hesitou por um momento. Quem poderia ser em uma noite como aquela? Seus olhos encontraram o reflexo de seu rosto pálido no vidro molhado. Uma ponta de receio misturada à esperança a fez levantar-se. Seria… seria ele?

"Quem é?", ela perguntou, a voz rouca e trêmula.

"Sou eu, Sofia. Rafael."

O nome dele soou como uma melodia esquecida. Rafael. O amigo de infância, o amor platônico que ela havia deixado para trás em busca de um amor mais explosivo. Aquele que sempre esteve ali, discreto, observando-a de longe, oferecendo um ombro amigo quando ela mais precisava. Um fio de calor percorreu seu corpo, dissipando um pouco do frio glacial.

Ela destrancou a porta e a abriu devagar. Rafael estava ali, encharcado pela chuva, com o cabelo grudado na testa e um sorriso melancólico nos lábios. Ele trazia consigo uma caixa de pizza e um guarda-chuva que não parecia ter feito muito contra a tempestade.

"Rafael?", ela murmurou, surpresa. "O que faz aqui?"

"Eu… eu estava passando por perto e pensei em você", ele disse, os olhos azuis fixos nos dela, repletos de uma preocupação genuína. "Você não atendeu meu telefonema mais cedo. Fiquei preocupado."

Sofia sentiu um nó se formar em sua garganta. Ele sempre se preocupava. Sempre esteve lá. E ela, em sua busca incessante por paixão, o havia ignorado tantas vezes.

"Entre", ela disse, abrindo mais a porta. "Você está todo molhado."

Rafael entrou, deixando um rastro de água no chão impecável. Ele tirou o casaco molhado e o pendurou no cabideiro. O cheiro de chuva e de ele mesmo, um aroma levemente amadeirado que ela lembrava desde a adolescência, invadiu o ambiente.

"Eu não queria incomodar", ele disse, olhando em volta, como se esperasse ser expulso.

"Você nunca incomoda, Rafael", Sofia respondeu, um leve sorriso surgindo em seus lábios. Pela primeira vez naquela noite, sentiu um raio de sol atravessar as nuvens escuras de sua alma.

Ela o guiou até a sala de estar, onde as luzes fracas criavam um ambiente acolhedor, em contraste com o temporal lá fora. Ele colocou a caixa de pizza sobre a mesinha de centro.

"Eu sei que não é a melhor noite para uma pizza, mas achei que talvez você precisasse de algo para distrair a cabeça", ele disse, tentando parecer casual.

Sofia sentou-se no sofá, sentindo o peso de suas emoções a atingir novamente. As palavras de Rafael, a gentileza em seus olhos, a presença reconfortante dele, tudo isso a fazia pensar.

"Rafael, eu… eu passei por muita coisa ultimamente", ela começou, a voz embargada.

Rafael se sentou ao lado dela, a uma distância respeitosa, mas ainda assim presente. Ele não a pressionou, apenas esperou, o olhar fixo nela, transmitindo um apoio silencioso.

"Acho que o mundo que eu conhecia desmoronou", ela continuou, as lágrimas começando a rolar por seu rosto. "Descobri que a pessoa que eu achava que amava… não era quem eu pensava."

Rafael estendeu a mão e pousou-a suavemente sobre o ombro dela. O toque era firme, mas gentil, um gesto de consolo que a fez soluçar.

"Eu sinto muito, Sofia", ele disse, a voz baixa e sincera. "Sei o quanto você se entregou a essa relação."

As lágrimas de Sofia agora corriam livremente. Ela se inclinou um pouco para o lado, apoiando a cabeça no ombro dele. O tecido da camisa dele absorvia suas lágrimas, e ela se sentiu estranhamente segura ali.

"Eu me senti tão estúpida", ela confessou, a voz abafada. "Tão cega. Como pude não ver?"

Rafael a abraçou com mais força. Era um abraço de amigo, mas também carregava a ternura de alguém que a conhecia há uma vida inteira. Ele acariciou seus cabelos molhados, um gesto que a fez sentir um conforto familiar e profundo.

"Às vezes, Sofia, nós nos apaixonamos pela imagem que criamos na nossa cabeça, não pela pessoa real", ele disse, com uma sabedoria que a surpreendeu. "E quando a realidade bate, dói."

Eles ficaram ali por um longo tempo, em silêncio, apenas sentindo a presença um do outro. A chuva lá fora parecia ter diminuído, e os trovões se tornaram mais distantes. O aroma da pizza, agora mais suave, misturava-se ao cheiro de chuva e à fragrância dele.

Sofia levantou a cabeça e olhou para Rafael. Seus olhos se encontraram, e naquele momento, ela viu algo que nunca havia notado antes: a profundidade de seu amor por ela. Não um amor ardente e avassalador, mas um amor sereno, constante e verdadeiro.

"Obrigada, Rafael", ela sussurrou, a voz ainda embargada, mas com uma nova esperança em seu tom. "Por estar aqui."

Ele sorriu, um sorriso que alcançou seus olhos. "Sempre, Sofia. Sempre."

E enquanto a chuva diminuía e as nuvens começavam a se dissipar, Sofia sentiu que, talvez, um novo amanhecer pudesse estar a caminho. O passado, com sua dor e suas mentiras, ainda estava presente, mas o sussurro de um futuro possível, mais calmo e sincero, começava a ecoar em seu coração.

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