Amores que Doem III

Capítulo 23 — A Confissão de um Amor Silenciado

por Valentina Oliveira

Capítulo 23 — A Confissão de um Amor Silenciado

Os dias seguintes à noite chuvosa foram de uma calma estranha para Sofia. A tempestade lá fora havia cessado, mas a tempestade interna ainda rugia, embora agora, sob a atenção gentil de Rafael, parecesse menos avassaladora. Ela passava horas conversando com ele, desabafando suas mágoas, suas frustrações, o sentimento de traição que a corroía. Rafael a ouvia com uma paciência infinita, oferecendo palavras de conforto e, mais importante, validação para seus sentimentos.

Ele não a julgava, não minimizava sua dor. Pelo contrário, ele a encorajava a expressar tudo o que sentia, a não reprimir a raiva, a tristeza, a decepção. E, aos poucos, Sofia sentia as barreiras que havia erguido ao redor de seu coração começarem a ceder.

Uma tarde, enquanto tomavam chá na varanda de Sofia, observando o sol se pôr sobre a cidade, ela se virou para Rafael.

"Rafael, eu tenho pensado muito em nós. Em você e eu."

Rafael a olhou, o olhar sereno e atento. "O que você tem pensado?"

Sofia respirou fundo, sentindo o coração bater mais rápido. "Desde que tudo isso aconteceu com o Gabriel… Victor… eu tenho percebido coisas que antes eu não via. Ou fingia não ver."

Ela fez uma pausa, buscando as palavras certas. "Você sempre esteve lá para mim, não é? Desde que éramos crianças. Mesmo quando eu estava obcecada com… com outras coisas, você estava ali. Me observando. Me apoiando."

Um leve rubor coloriu as bochechas de Rafael. Ele baixou o olhar por um instante, mas depois o ergueu novamente, encontrando os olhos dela. "Eu sempre me importei com você, Sofia. Muito."

"E eu sempre te amei, Rafael. De uma forma diferente. Talvez… talvez eu tenha tido medo de admitir isso, até para mim mesma." As palavras saíram de sua boca como um suspiro. "Eu me apaixonei pela ideia de um amor avassalador, pela paixão. E eu confundi essa paixão com amor verdadeiro."

Rafael se aproximou um pouco mais, a intensidade em seu olhar aumentando. "Sofia, eu… eu nunca deixei de te amar. Mesmo quando você estava com outros, mesmo quando você parecia tão distante. Eu sempre esperei por um momento como este."

O coração de Sofia deu um salto. Era isso. Era o que ela sentia. Um amor calmo, profundo, que não precisava de fogos de artifício para ser real.

"Eu sei que você está machucada, Sofia", Rafael continuou, a voz embargada de emoção. "E eu não quero te pressionar. Mas eu não posso mais guardar isso para mim. Eu te amo, Sofia. Amo a pessoa que você é, com todas as suas qualidades e com todas as suas falhas. Amo a sua força, a sua inteligência, a sua bondade. Amo você."

Ele estendeu a mão e acariciou o rosto dela, o toque suave e reverente. Sofia fechou os olhos por um instante, sentindo a sinceridade em cada gesto.

"Eu também te amo, Rafael", ela sussurrou, e pela primeira vez em muito tempo, sentiu a verdade dessas palavras ressoarem em cada fibra de seu ser. Não era a paixão ardente que sentira por Victor, mas um amor mais profundo, mais real. Um amor que a faria sentir segura, amada, valorizada.

Rafael a puxou para um abraço suave, um abraço que dizia mais do que mil palavras. Sofia retribuiu o abraço, sentindo um conforto imenso naquele momento. A dor causada por Victor ainda estava ali, uma cicatriz que talvez nunca desaparecesse completamente, mas agora, havia algo mais: a promessa de um novo começo.

"Eu sei que não vai ser fácil", Sofia disse, afastando-se um pouco para olhá-lo nos olhos. "Eu ainda tenho muita coisa para processar. E Victor… Gabriel… ele ainda faz parte da minha vida, de alguma forma."

"Eu sei", Rafael respondeu, a compreensão em seus olhos. "Mas você não está mais sozinha. E eu estarei aqui, ao seu lado, a cada passo do caminho."

Ele a beijou, um beijo gentil e terno, que selou a confissão de seus sentimentos. Não era um beijo de paixão avassaladora, mas um beijo de cumplicidade, de promessa, de um amor que havia sido silenciado por tanto tempo, mas que agora, finalmente, encontrava sua voz.

Enquanto o sol se despedia, pintando o céu com tons de laranja e rosa, Sofia sentiu uma paz que há muito não experimentava. A jornada seria longa, mas pela primeira vez em muito tempo, ela se sentia esperançosa. Ela havia encontrado um amor verdadeiro, um amor que não doía, mas que curava.

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